Ciência e Tecnologia

Em 2016, os vídeos vão explodir nas redes sociais


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Os vídeos vão continuar invadindo as redes sociais neste novo ano. A tendência, que já vinha ganhando força nos últimos dois anos, se consolidará em 2016. Facebook, Twitter e Instagram continuam investindo na imagem para atrair usuários e abocanhar uma fatia mais importante do mercado publicitário. Ouça e leia a análise de Beth Saad, professora do Departamento de Jornalismo da Universidade de São Paulo e coordenadora do laboratório de mídias digitais da Instituição.
 
Não é de hoje que as redes sociais apostam nos vídeos para ganhar audiência e despertar o interesse dos internautas. Até pouco tempo, entretanto, vários empecilhos técnicos dificultavam o acesso a imagens nos dispositivos móveis: a qualidade da imagem em si, a velocidade na conexão – ainda hoje problemática em países como o Brasil, e a própria adaptação do conteúdo televiso à tela dos telefones e tablets. Problemas que vêm sendo solucionados, fazendo dos vídeos a galinha dos ovos de ouro das redes.
Facebook e Twitter investem na imagem
Já em 2015, o Facebook fez uma mudança em seu algoritmo privilegiando a visualização de posts com vídeos, incitando seus usuários e marcas a produzir conteúdo exclusivo para o site. Inspirando-se na concorrência, Facebook também adotou o hashtag, um marcador de metadados inventado pelo Twitter para facilitar discussões no site.
O Twitter também está investindo mais do que nunca na visualização de vídeos.Um exemplo é a conta da Casa Branca, que há alguns meses vêm publicando spots produzidas especialmente para plataforma.
O site também confirmou recentemente que está trabalhando em uma ferramenta que possibilita a publicação de mensagens de mais de 140 caracteres. Na verdade, trata-se de um link que dará acesso a um texto ou outro conteúdo.
“Os vídeos estão sendo cada vez mais usados nas redes. Essa substituição da linguagem textual pela linguagem visual é um modo muito mais fácil de absorção das informações. Isso já existia e a tendência é que aumente cada vez mais”, diz Beth Saad, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP).
“Essa é uma maneira mais fácil de absorver informações pelas pessoas em mobilidade. Não podemos nos esquecer que cada vez mais os usuários acessam as redes por dispositivos móveis, então é muito mais fácil utilizar a imagem e a voz do que escrever”, observa. “A tendência é que haja cada vez mais aplicativos e formas de comunicação que enfatizem a voz e a imagem.”
Para se manter na liderança, Facebook expande ferramentas
Isso explica, diz a pesquisadora, as aquisições feitas pelo Facebook. “É de se perceber que o Facebook, ao comprar o Whatsapp por exemplo, tem a clara de intenção de se viabilizar por outros caminhos, utilizando não só o texto, mas também mensagens áudio. A gente percebe que há um movimento para deixar a plataforma mais adequada às necessidades do usuário, mais móvel”.
Essa necessidade passa principalmente pela adequação das ferramentas do Facebook aos dispositivos móveis, diferentemente do Twitter, muito mais adaptado à mobilidade. “No Facebook a imagem é reduzida ou você tem que pedir para abrir no site original, enquanto no Twitter essa questão já foi reduzida, e você assiste direto no site de uma maneira bem boa. Mas o Facebook deverá aprimorar essa funcionalidade. Nisso e em notícias jornalísticas que ofereçam conteúdo visual”, explica.
Facebook manterá a hegemonia?
A pesquisadora também acredita que o Facebook, hoje com 1,49 bilhão de usuários, manterá sua hegemonia em 2016. “No mínimo se estabiliza ou mantém o crescimento. Muito em função de não ter surgido uma rede similar para agregação genérica. O que vemos são redes mais fechadas, numa linha mais temática. Mas ainda não surgiu um concorrente para o Facebook no formato que ele oferece e com as funcionalidades que ele oferece”, declara. “Não vejo como quebrar essa hegemonia. O que pode acontecer é o público enjoar, caso o Facebook não ofereça inovações, o que o site tem feito.”
Por que o Google não emplaca uma rede social?
Um dos grandes mistérios do mercado é porque o Google não consegue emplacar uma rede social. O Google Plus, que agrega todos os serviços Google (incluindo o You Tube) e inclusive influencia o resultado das buscas, pena para decolar e os boatos de que a empresa pensa em fechar a rede são frequentes. O falecido Orkut, por exemplo, que fez muito sucesso no Brasil, surgiu antes do Facebook e trazia funcionalidades inovadoras para a época, mas nunca conseguiu audiência mundo afora. A pesquisadora brasileira tem um ponto de vista pessoal sobre a questão.
“O que ocorre com o Google é que na hora que eles estruturam plataformas de relacionamento humano...bem, o Google não um “expert” em relações humanas. Eles têm uma equipe de engenheiros e matemáticos que conseguem estruturar algoritmos que nos direcionam para conteúdos pertinentes, mesmo cobrindo apenas 10% da web. Quando você pega esse mesmo conjunto de pessoas acostumadas a estruturar relações numéricas para criar uma rede de relações humanas, não tem como dar certo. Eles pensam em pessoas como algoritmos”.
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Ciência e TecnologiaBy RFI Brasil