Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches ( 19 de julho de 1885 - 3 de abril de 1954) foi um cônsul português durante a Segunda Guerra Mundial.
Enquanto cônsul-geral de Portugal na cidade francesa de Bordéus , desafiou as ordens do regime do Estado Novo de António de Oliveira Salazar , concedendo vistos e passaportes a um número indeterminado de refugiados da Alemanha nazi , entre os quais judeus. Por isso, Sousa Mendes foi punido pelo regime de Salazar com um ano de inactividade com direito a metade do vencimento do seu escalão, sendo posteriormente obrigado a reformar-se. No entanto, acabou nunca sendo expulso do serviço estrangeiro nem forçado a se aposentar e recebeu salário integral de cônsul até sua morte em 1954. Um dos biógrafos mais simpáticos a Sousa Mendes, Rui Afonso, considerou que continuou a receber um salário pelo menos três vezes superior ao de um professor.
Sousa Mendes foi vindicado em 1988, mais de uma década depois da Revolução dos Cravos , que derrubou o Estado Novo .
O número de vistos emitidos por Sousa Mendes é contestado. O historiador do Yad Vashem, Avraham Milgram, pensa que provavelmente foi Harry Ezratty quem primeiro mencionou num artigo publicado em 1964 que Sousa Mendes tinha salvado 30.000 refugiados, dos quais 10.000 eram judeus, número que desde então tem sido repetido automaticamente por jornalistas e académicos. Milgram diz que Ezratty, imprudentemente, pegou o número total de refugiados judeus que passaram por Portugal e o atribuiu à obra de Aristides de Sousa Mendes. Segundo Milgram “é grande a discrepância entre a realidade e o mito do número de vistos concedidos por Sousa Mendes”. Idêntica opinião é partilhada pelo historiador britânico Neill Lochery, pelo embaixador português João Hall Themido, do embaixador português Carlos Fernandes e do historiador português José Hermano Saraiva. Por outro lado, o escritor francês Eric Lebreton argumentou que “Milgram não deu conta dos vistos que foram entregues em Bayonne, Hendaye e Toulouse”. Em 2015, Olivia Mattis, musicóloga e presidente do conselho da Fundação Sousa Mendes nos Estados Unidos, publicou as conclusões da Fundação Sousa Mendes afirmando que "dezenas de milhares" de beneficiários de vistos é um número na ordem de grandeza correta.
Por seus esforços para salvar refugiados judeus, Sousa Mendes foi reconhecido por Israel como um dos Justos entre as Nações, o primeiro diplomata a ser assim homenageado, em 1966.
Diplomatas portugueses, como o embaixador João Hall Themido e o embaixador Carlos Fernandes, argumentaram que as ações de Sousa Mendes foram infladas e distorcidas para atacar Salazar. Opinião semelhante foi expressa pelo historiador Tom Gallagher , que argumenta que as evidências de que os esforços de Sousa Mendes foram especialmente direcionados aos judeus em fuga também são especulativas. Britânicos, americanos e portugueses, muitas vezes pessoas com recursos, figuravam com destaque como beneficiários de vistos. Gallagher pensa que a atenção desproporcionada dada a Sousa Mendes sugere que a história da guerra está a ser usada como arma política no Portugal contemporâneo.
Em 9 de junho de 2020, Portugal concedeu o reconhecimento oficial a Sousa Mendes. O Parlamento decidiu que um monumento no Panteão Nacional deveria levar seu nome. Em 2017, na cidade fronteiriça portuguesa de Vilar Formoso , foi inaugurado um museu memorial, conhecido como Vilar Formoso Fronteira da Paz , registrando as experiências de refugiados que entraram em Portugal, muitos dos quais receberam vistos de Sousa Mendes.
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