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01/02cheguei no aeroporto de Bangkok com o endereço do hostel anotado em tailandês:
201-204 ถนนมหาไชย สำราญราษฎร์เขตพระนคร กรุงเทพ 10100อยู่ตรงสี่แยกสำราญราษฎร์ ใกล้เรือนจําเก่า เสาชิงช้าเเละที่ว่าการกทม
eu amo esses caracteres que parecem minhoquinhas se divertindo. entendo nada.
por email, me informaram que o jeito mais barato de chegar era pegar o skytrain do aeroporto até a estação Phaya Thai e de lá um tuktuk de 80 baht (1 dólar tava 35 baht em 2012). e anexaram as instruções em tai pra mostrar ao motorista.
cheguei a tempo do último metrô, sorte! mas descendo na estação, que difícil parar um motorista! eles passavam a mil! quando consegui parar um, comecei a falar em inglês e ele foi embora. quando consegui parar o segundo, eu disse Saô Tchin Tchá e ele negou com a cabeça enquanto acelerava. o terceiro até olhou o papelzinho em tailandês, mas não entendeu o que estava escrito. uff.
duas senhoras da limpeza urbana viram minhas tentativas frustradas, a cara e a mochilona de gringa perdida e me salvaram.
onde faltava inglês sobrava amabilidade. eu disse: My hotel is in Saô Tchin Tchá. a cara de ahn?!. então mostrei o papel em tailandês. เสาชิงช้า! Tsáo Tchín Chaaaaaa! aí sim.
mais rápidas que a velocidade da luz, chamaram um tuktuk, explicaram o endereço, negociaram o preço da corrida e, sorridentes, me ajudaram a colocar a mochila no chão do veículo.
lá fui eu Bangkok adentro, num carro de três rodas, o interior iluminado com led azul, motor de moto roncando alto, cortando os carros, passando em sinal vermelho, thai pop martelando no rádio, o motorista de bigodinho com semblante tranquilo. mais um dia de trabalho.
pra mim não, tudo novo. olho pra cima fascinada: um viaduto pra carros passando em cima de um viaduto pro aerotrem, por cima da avenida por onde eu passava. asterisco de viadutos. embaixo, ruelas estreitas, o rio Chao Phraya, motos zunindo nas calçadas, luzes neon gritando em tailandês, um visual ainda mais Blade Runner que Hong Kong, cheiro de comida apimentada, outdoors de cores vibrantes, noite cálida refrescada pelo vento, pelo movimento daquele veículo frágil costurando o trânsito sem paciência. buzina, motor, rádio, todos os outros carros. sinfonia urbana.
me sinto em casa.
05/02no ônibus-armadilha de Bangkok a Koh Phangan, conheci duas canadenses, Ojee e Jenny. muito gente boas.
armadilha porque o ar condicionado parou de funcionar quando a gente ainda tava em Bangkok. as janelas não abriam. tentamos falar com o motorista, mas a porta entre a gente estava trancada e ele nem olhava pra trás. a saída de emergência do teto estava fechada com tábuas e pregos: presos numa lata de ferro quente e úmida. como vim parar aqui? resposta: comprando a passagem mais barata da agência mais barata da Khao San Road, a rua dos mochileiros em Bangkok.
convenci uns fortões a empurrar a portinhola. deram muitos socos até que ela abriu. o motorista percebeu e finalmente parou o ônibus - pra reclamar que estávamos estragando o veículo! amigão, é impossível continuar sem ventilação e sem saída de emergência. não existe lei nesse país?! parece que não.
rodamos por alguns quilômetros com a porta do ônibus aberta (e a chaminé escancarada a murros) até uma oficina mecânica. o ar voltou a funcionar. seguimos viagem (ainda com medo).
06/02acidente de moto na ilha (só pra assinantes).
assine - a partir de R$10! - e tenha acesso a todos os episódios:
13/02mercúrio devia estar retrógrado*, penso enquanto me acomodo na cama de viúva do trem para o norte da Tailândia. trem maravilhoso, tranquilo, espaçoso e barato ainda por cima. a urucubaca passou. estou viva, estou bem, estou em movimento. dos males, um menor. parece que acidente de moto é parte essencial do pacote turístico tailandês. no hospital eu jurei que não andaria mais de moto. no dia seguinte já estava na garupa de uma, de novo. desculpa, mãe. as montanhas do norte me aguardam.
um beijo e até a próxima cartinha,
Lívia
* não estava
By Livia Aguiar01/02cheguei no aeroporto de Bangkok com o endereço do hostel anotado em tailandês:
201-204 ถนนมหาไชย สำราญราษฎร์เขตพระนคร กรุงเทพ 10100อยู่ตรงสี่แยกสำราญราษฎร์ ใกล้เรือนจําเก่า เสาชิงช้าเเละที่ว่าการกทม
eu amo esses caracteres que parecem minhoquinhas se divertindo. entendo nada.
por email, me informaram que o jeito mais barato de chegar era pegar o skytrain do aeroporto até a estação Phaya Thai e de lá um tuktuk de 80 baht (1 dólar tava 35 baht em 2012). e anexaram as instruções em tai pra mostrar ao motorista.
cheguei a tempo do último metrô, sorte! mas descendo na estação, que difícil parar um motorista! eles passavam a mil! quando consegui parar um, comecei a falar em inglês e ele foi embora. quando consegui parar o segundo, eu disse Saô Tchin Tchá e ele negou com a cabeça enquanto acelerava. o terceiro até olhou o papelzinho em tailandês, mas não entendeu o que estava escrito. uff.
duas senhoras da limpeza urbana viram minhas tentativas frustradas, a cara e a mochilona de gringa perdida e me salvaram.
onde faltava inglês sobrava amabilidade. eu disse: My hotel is in Saô Tchin Tchá. a cara de ahn?!. então mostrei o papel em tailandês. เสาชิงช้า! Tsáo Tchín Chaaaaaa! aí sim.
mais rápidas que a velocidade da luz, chamaram um tuktuk, explicaram o endereço, negociaram o preço da corrida e, sorridentes, me ajudaram a colocar a mochila no chão do veículo.
lá fui eu Bangkok adentro, num carro de três rodas, o interior iluminado com led azul, motor de moto roncando alto, cortando os carros, passando em sinal vermelho, thai pop martelando no rádio, o motorista de bigodinho com semblante tranquilo. mais um dia de trabalho.
pra mim não, tudo novo. olho pra cima fascinada: um viaduto pra carros passando em cima de um viaduto pro aerotrem, por cima da avenida por onde eu passava. asterisco de viadutos. embaixo, ruelas estreitas, o rio Chao Phraya, motos zunindo nas calçadas, luzes neon gritando em tailandês, um visual ainda mais Blade Runner que Hong Kong, cheiro de comida apimentada, outdoors de cores vibrantes, noite cálida refrescada pelo vento, pelo movimento daquele veículo frágil costurando o trânsito sem paciência. buzina, motor, rádio, todos os outros carros. sinfonia urbana.
me sinto em casa.
05/02no ônibus-armadilha de Bangkok a Koh Phangan, conheci duas canadenses, Ojee e Jenny. muito gente boas.
armadilha porque o ar condicionado parou de funcionar quando a gente ainda tava em Bangkok. as janelas não abriam. tentamos falar com o motorista, mas a porta entre a gente estava trancada e ele nem olhava pra trás. a saída de emergência do teto estava fechada com tábuas e pregos: presos numa lata de ferro quente e úmida. como vim parar aqui? resposta: comprando a passagem mais barata da agência mais barata da Khao San Road, a rua dos mochileiros em Bangkok.
convenci uns fortões a empurrar a portinhola. deram muitos socos até que ela abriu. o motorista percebeu e finalmente parou o ônibus - pra reclamar que estávamos estragando o veículo! amigão, é impossível continuar sem ventilação e sem saída de emergência. não existe lei nesse país?! parece que não.
rodamos por alguns quilômetros com a porta do ônibus aberta (e a chaminé escancarada a murros) até uma oficina mecânica. o ar voltou a funcionar. seguimos viagem (ainda com medo).
06/02acidente de moto na ilha (só pra assinantes).
assine - a partir de R$10! - e tenha acesso a todos os episódios:
13/02mercúrio devia estar retrógrado*, penso enquanto me acomodo na cama de viúva do trem para o norte da Tailândia. trem maravilhoso, tranquilo, espaçoso e barato ainda por cima. a urucubaca passou. estou viva, estou bem, estou em movimento. dos males, um menor. parece que acidente de moto é parte essencial do pacote turístico tailandês. no hospital eu jurei que não andaria mais de moto. no dia seguinte já estava na garupa de uma, de novo. desculpa, mãe. as montanhas do norte me aguardam.
um beijo e até a próxima cartinha,
Lívia
* não estava