Hoji Fortuna é uma presença difícil de decifrar à primeira vista. Além de uma carreira carregada de transformações e sucessões de papéis, a sua vida é atravessada por perdas precoces, deslocações, escolhas improváveis e reinvenções sucessivas que se acumulam silenciosamente na forma como ocupa os espaços por onde passa.Nasceu em Luanda, em plena guerra civil, perdeu os pais muito cedo e tornou-se chefe de família ainda jovem. Veio para Portugal estudar Direito, abandonou o caminho previsível e atravessou tudo: construção civil, armazéns, DJ, modelo artístico, estudante de teatro. Nada foi linear.Em 2001 venceu o reality show "O Bar da TV". “Usei aquela plataforma para me tornar visível.” Mas a visibilidade não trouxe automaticamente oportunidades. E Hoji nunca aceitou qualquer papel. “Se não tiver humanidade, não faço.”Ao longo da carreira participou em projetos como "Viva Riva!" e mais recentemente "Banzo", filme escolhido para representar Portugal na corrida ao Óscar de Melhor Filme Internacional e com o qual Hoji foi nomeado à shortlist dos Prémios Platino Del Cinema, na categoria de Melhor Ator Secundário.Hoje quer também contar histórias por trás da câmara. Atualmente, prepara “Cinderela de Lisboa”, uma história de amor protagonizada por pessoas negras na cidade onde vive há décadas. “Se eu não contar as nossas histórias, alguém vai contá-las por mim,” disse-nos.Mais do que ator, Hoji Fortuna insiste em ser co-criador, alguém que atravessou sistemas e recusou ser reduzido a um único papel.