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Esta semana, já em plena altura natalícia, quero recuperar um tema que já abordei no episódio 9 e que é a importância das celebrações.
Ocorre-me recuperar este tema porque por vezes – para não dizer “muitas vezes” – é-me difícil parar tudo para celebrar os progressos feitos até ao momento. E como estamos no final do ano, altura de fazer o balanço destes últimos 12 meses, pensei que seria uma excelente altura para celebrar o que foi feito, mesmo sabendo que ainda há muita coisa para fazer.
Espero que desfrutem.
Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.
E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.
Antes de começar o episódio desta semana, quero contar-te que já abrimos as inscrições para o Desenhamos Juntas. O Desenhamos Juntas é um encontro semanal, à segunda-feira, às 13h de Lisboa, em que durante aproximadamente 40 minutos, vamos fazer exercícios de desenho para soltar o profissionismo e aconchegar a alma. O link para a página do Desenhamos Juntas vai estar nas informações deste episódio.
Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento.
Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo.
Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”.
Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”.
Esta semana, já em plena altura natalícia, quero recuperar um tema que já abordei no episódio 9 e que é a importância das celebrações.
Ocorre-me recuperar este tema porque por vezes – para não dizer “muitas vezes” – é-me difícil parar tudo para celebrar os progressos feitos até ao momento. E como estamos no final do ano, altura de fazer o balanço destes últimos 12 meses, pensei que seria uma excelente altura para celebrar o que foi feito, mesmo sabendo que ainda há muita coisa para fazer.
Quando começo a duvidar de mim própria e a prestar demasiada atenção ao que ainda me falta fazer, começo a sentir uma onda de desespero a tomar conta de mim. Ora, é sabido que do desespero não nascem as coisas como deveriam, ou pelo menos não nascem com a energia que gostaríamos, e por isso, quando me sinto assim, tenho de tentar estancar essa onda. E como faço isso é olhando não para a frente, e para o que falta, mas sim para trás, para o caminho que já foi feito. E olhando para trás, vejo muita coisa que me propus fazer e fiz; vejo que organizei as peças do meu negócio, que lancei um podcast – este que vocês estão a ouvir, e que me dá tanto prazer a escrever. Fui trabalhar a Macau, e pude levar a minha família, o que fez com que a viagem ganhasse ainda mais significado emocional para mim.
E se, no dia em que escrevi o guião do episódio 9 celebrava as primeiras 90 escutas do podcast, hoje celebro as primeiras 577. Tenho à minha frente o objectivo de chegar ao milhão de escutas – um objectivo longínquo, neste momento, mas um pouco mais próximo do que em Agosto passado.
Nem sempre é fácil, para mim, celebrar. No episódio 9, confessava-vos a minha dificuldade em celebrar os meus progressos e as minhas conquistas, e relacionava essa dificuldade com o meu super-perfeccionismo, do qual estou em recuperação, mas não recuperada, convenhamos. Cito o episódio 9:
“Se repararem, não celebrar as nossas conquistas, grandes ou pequenas, é um traço do super-perfeccionismo de que tantas de nós padecemos. Porque o perfeccionismo nos faz manter o foco no que falta, não aceita que o que avançámos já é de valor.“
Também no episódio 9, contei-vos também o que me aconteceu no final da primeira corrida em que consegui fazer os 10 km abaixo da hora – uma coisa que, assim como consegui, também desconsegui, o que também é um bom exercício para manter o ego no lugar dele.
Hoje, que já se passaram alguns meses, e que já fui aprendendo mais algumas coisas, e em que inclusivamente estou a fazer uma formação muito focada nesta parte de trabalho individual interior para obter um maior impacto nos resultados de negócio… bem, hoje já tenho um pouco mais de facilidade para celebrar as conquistas, mas nem sempre é fácil. Por alguma razão, estamos formatadas para encontrar a falha e o que falta. E a mim ainda me falta muita coisa, e a nível de negócio ainda há muita coisa que espero vir a conseguir alcançar.
Encontrar a falha, ou dito de uma maneira mais positiva, a “atenção ao detalhe” é algo de importante para fazermos um trabalho de excelência; mas pode tornar-se algo doentio e paralisante quando se transforma em perfeccionismo, e desse mal padeço eu e muito.
No que ao perfeccionismo diz respeito, não se trata de aprender, mas sim de desaprender: temos de desaprender formas de pensar antigas, que nos foram inculcadas pela vida, pelos nossos professores, pela comunidade, pela sociedade em geral. Temos de desaprender essa ideia de que algo tem de estar perfeito para poder ser partilhado com o mundo. Temos de desaprender essa ideia de que se não estiver perfeito, então não vale. Cada projecto que pomos no mundo tem de ser feito com excelência e atenção ao detalhe; mas se exageramos e nos fixamos em todas as minudências, em vez de conseguirmos trazer esse projecto à vida, o mais certo é enfiarmos esse projecto na gaveta, e há por aí com certeza muitas gavetas cheias de projectos que deviam ter nascido, e não nasceram.
Por isso é com alegria que hoje em dia celebro com mais facilidade, e às vezes até consigo evitar o quase inevitável “mas”. Sabem qual é esse “mas”? É aquele que aparece em “Consegui atingir este objectivo mas ainda me falta muito que fazer” ou “Consegui atingir aquele objectivo mas ainda não cheguei aos resultados que desejo”.
Então, para cortar aqui com este “mas”, aqui vão algumas celebrações:
– hoje quero celebrar que há quase cinco anos inteiros que desenho todos os dias no meu diário gráfico. Nunca pensei que esta prática diária me viesse a dar tanta alegria, e olhem. Aqui estamos.
– hoje quero celebrar a viagem a Macau (e sobre a qual fiz o episódio 21). Foi uma viagem linda, emocionante, e fui até Macau levada pelo meu trabalho, à boleia do “Livro do Não”. Nunca por um momento pensei, enquanto bordava aquelas ilustrações, que um dia aqueles bordados me levariam a Macau. E no entanto, olhem. Não é que levaram?
– hoje quero celebrar ter encontrado este trabalho que me faz realmente feliz. Escrever estes guiões, os emails que vos mando, preparar as sessões e facilitá-las, tanto de Desenhamos Juntas como de Conectar para Liderar, falar com o público, apresentar os meus projectos… tudo isto me traz mais alegria que alguma vez poderia imaginar. E quero celebrá-lo convosco.
– hoje também quero celebrar ter lançado este podcast. Gosto tanto, mas tanto do formato áudio, sinto, como pessoa que ouve muitos podcasts, que me falam directamente à alma. Gosto de ouvir podcasts quando vou correr, ou quando vou caminhar, e há dias em que presto toda a atenção ao que me segredam ao ouvido, e outros em que o que me segredam se transforma numa melodia que me embala e que me leva a outro patamar da imaginação. É com esse amor pelo formato áudio que produzo cada episódio.
– hoje também aproveito para celebrar algo que talvez pudesse pensar que não era de celebrar. Conto-vos: em 2024, li 52 livros, mais ou menos um livro por semana. Mas sabem o que senti? Senti que foram demasiados livros, senti que os colava uns aos outros, que quase não sabia aguentar os espaços vazios entre livros. Comecei a sentir que aquela bibliomania estava a aproximar-se de um vício… e apesar de eu achar que o vício da leitura, ao nível dos vícios, até é uma coisa boa, em 2024 senti que quase me sentia desasada se não estivesse a ler, e que as histórias foram todas tão encavalitadas uma em cima das outras que quase não tinham espaço higiénico para assentar e decantar dentro de mim. Este ano, não foi uma escolha muito consciente, mas comecei a sentir o meu ritmo de leitura a abrandar. E essa foi uma mudança que acolhi de braços abertos, sentindo que estava a fazer o que era melhor para mim. E por esse facto de ter entendido que mais livros não era necessariamente melhor, e apesar do ego de vez em quando ainda me dizer que é “bué da fixe” poder dizer que li um livro por semana, e qualquer coisa a menos disso é “desconseguir”, hoje quero celebrar convosco este abrandamento do ritmo – porque, agora sim, desfruto mais da leitura e do que leio. E isso faz-me feliz.
E olhem, posso fazer uma confissão? Comecei a escrever este episódio e, ali a meio, deu-me um bloqueio tal que não havia maneira de conseguir escrever nem mais uma linha. Posso dizer-vos que foi quase doloroso, parecia que estava a extrair este episódio cirurgicamente do Universo, assim como que tirado a ferros.
Sabem o que aconteceu? É que o tema das celebrações, apesar de mais fácil, ainda não é evidente. Não é fácil falar das coisas que consegui fazer, até porque muito cedo me foi ensinado que o mundo não gosta de gabarolas. Mas, claro está, há uma diferença grande – que eu às vezes ainda não consigo ver – entre ser gabarolas e celebrar as conquistas. E hoje quis celebrar os avanços, alguns maiores, alguns menores, mas todos avanços. E convido-te também a celebrar os teus avanços. Se desejares, partilha-os comigo por email ou por mensagem. Deste lado, ficarei a aplaudir-te e a aplaudir-nos, a celebrar cada passo em frente, por mais milimétrico que seja.
Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.
E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.
By Ana Isabel RamosEsta semana, já em plena altura natalícia, quero recuperar um tema que já abordei no episódio 9 e que é a importância das celebrações.
Ocorre-me recuperar este tema porque por vezes – para não dizer “muitas vezes” – é-me difícil parar tudo para celebrar os progressos feitos até ao momento. E como estamos no final do ano, altura de fazer o balanço destes últimos 12 meses, pensei que seria uma excelente altura para celebrar o que foi feito, mesmo sabendo que ainda há muita coisa para fazer.
Espero que desfrutem.
Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.
E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.
Antes de começar o episódio desta semana, quero contar-te que já abrimos as inscrições para o Desenhamos Juntas. O Desenhamos Juntas é um encontro semanal, à segunda-feira, às 13h de Lisboa, em que durante aproximadamente 40 minutos, vamos fazer exercícios de desenho para soltar o profissionismo e aconchegar a alma. O link para a página do Desenhamos Juntas vai estar nas informações deste episódio.
Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento.
Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo.
Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”.
Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”.
Esta semana, já em plena altura natalícia, quero recuperar um tema que já abordei no episódio 9 e que é a importância das celebrações.
Ocorre-me recuperar este tema porque por vezes – para não dizer “muitas vezes” – é-me difícil parar tudo para celebrar os progressos feitos até ao momento. E como estamos no final do ano, altura de fazer o balanço destes últimos 12 meses, pensei que seria uma excelente altura para celebrar o que foi feito, mesmo sabendo que ainda há muita coisa para fazer.
Quando começo a duvidar de mim própria e a prestar demasiada atenção ao que ainda me falta fazer, começo a sentir uma onda de desespero a tomar conta de mim. Ora, é sabido que do desespero não nascem as coisas como deveriam, ou pelo menos não nascem com a energia que gostaríamos, e por isso, quando me sinto assim, tenho de tentar estancar essa onda. E como faço isso é olhando não para a frente, e para o que falta, mas sim para trás, para o caminho que já foi feito. E olhando para trás, vejo muita coisa que me propus fazer e fiz; vejo que organizei as peças do meu negócio, que lancei um podcast – este que vocês estão a ouvir, e que me dá tanto prazer a escrever. Fui trabalhar a Macau, e pude levar a minha família, o que fez com que a viagem ganhasse ainda mais significado emocional para mim.
E se, no dia em que escrevi o guião do episódio 9 celebrava as primeiras 90 escutas do podcast, hoje celebro as primeiras 577. Tenho à minha frente o objectivo de chegar ao milhão de escutas – um objectivo longínquo, neste momento, mas um pouco mais próximo do que em Agosto passado.
Nem sempre é fácil, para mim, celebrar. No episódio 9, confessava-vos a minha dificuldade em celebrar os meus progressos e as minhas conquistas, e relacionava essa dificuldade com o meu super-perfeccionismo, do qual estou em recuperação, mas não recuperada, convenhamos. Cito o episódio 9:
“Se repararem, não celebrar as nossas conquistas, grandes ou pequenas, é um traço do super-perfeccionismo de que tantas de nós padecemos. Porque o perfeccionismo nos faz manter o foco no que falta, não aceita que o que avançámos já é de valor.“
Também no episódio 9, contei-vos também o que me aconteceu no final da primeira corrida em que consegui fazer os 10 km abaixo da hora – uma coisa que, assim como consegui, também desconsegui, o que também é um bom exercício para manter o ego no lugar dele.
Hoje, que já se passaram alguns meses, e que já fui aprendendo mais algumas coisas, e em que inclusivamente estou a fazer uma formação muito focada nesta parte de trabalho individual interior para obter um maior impacto nos resultados de negócio… bem, hoje já tenho um pouco mais de facilidade para celebrar as conquistas, mas nem sempre é fácil. Por alguma razão, estamos formatadas para encontrar a falha e o que falta. E a mim ainda me falta muita coisa, e a nível de negócio ainda há muita coisa que espero vir a conseguir alcançar.
Encontrar a falha, ou dito de uma maneira mais positiva, a “atenção ao detalhe” é algo de importante para fazermos um trabalho de excelência; mas pode tornar-se algo doentio e paralisante quando se transforma em perfeccionismo, e desse mal padeço eu e muito.
No que ao perfeccionismo diz respeito, não se trata de aprender, mas sim de desaprender: temos de desaprender formas de pensar antigas, que nos foram inculcadas pela vida, pelos nossos professores, pela comunidade, pela sociedade em geral. Temos de desaprender essa ideia de que algo tem de estar perfeito para poder ser partilhado com o mundo. Temos de desaprender essa ideia de que se não estiver perfeito, então não vale. Cada projecto que pomos no mundo tem de ser feito com excelência e atenção ao detalhe; mas se exageramos e nos fixamos em todas as minudências, em vez de conseguirmos trazer esse projecto à vida, o mais certo é enfiarmos esse projecto na gaveta, e há por aí com certeza muitas gavetas cheias de projectos que deviam ter nascido, e não nasceram.
Por isso é com alegria que hoje em dia celebro com mais facilidade, e às vezes até consigo evitar o quase inevitável “mas”. Sabem qual é esse “mas”? É aquele que aparece em “Consegui atingir este objectivo mas ainda me falta muito que fazer” ou “Consegui atingir aquele objectivo mas ainda não cheguei aos resultados que desejo”.
Então, para cortar aqui com este “mas”, aqui vão algumas celebrações:
– hoje quero celebrar que há quase cinco anos inteiros que desenho todos os dias no meu diário gráfico. Nunca pensei que esta prática diária me viesse a dar tanta alegria, e olhem. Aqui estamos.
– hoje quero celebrar a viagem a Macau (e sobre a qual fiz o episódio 21). Foi uma viagem linda, emocionante, e fui até Macau levada pelo meu trabalho, à boleia do “Livro do Não”. Nunca por um momento pensei, enquanto bordava aquelas ilustrações, que um dia aqueles bordados me levariam a Macau. E no entanto, olhem. Não é que levaram?
– hoje quero celebrar ter encontrado este trabalho que me faz realmente feliz. Escrever estes guiões, os emails que vos mando, preparar as sessões e facilitá-las, tanto de Desenhamos Juntas como de Conectar para Liderar, falar com o público, apresentar os meus projectos… tudo isto me traz mais alegria que alguma vez poderia imaginar. E quero celebrá-lo convosco.
– hoje também quero celebrar ter lançado este podcast. Gosto tanto, mas tanto do formato áudio, sinto, como pessoa que ouve muitos podcasts, que me falam directamente à alma. Gosto de ouvir podcasts quando vou correr, ou quando vou caminhar, e há dias em que presto toda a atenção ao que me segredam ao ouvido, e outros em que o que me segredam se transforma numa melodia que me embala e que me leva a outro patamar da imaginação. É com esse amor pelo formato áudio que produzo cada episódio.
– hoje também aproveito para celebrar algo que talvez pudesse pensar que não era de celebrar. Conto-vos: em 2024, li 52 livros, mais ou menos um livro por semana. Mas sabem o que senti? Senti que foram demasiados livros, senti que os colava uns aos outros, que quase não sabia aguentar os espaços vazios entre livros. Comecei a sentir que aquela bibliomania estava a aproximar-se de um vício… e apesar de eu achar que o vício da leitura, ao nível dos vícios, até é uma coisa boa, em 2024 senti que quase me sentia desasada se não estivesse a ler, e que as histórias foram todas tão encavalitadas uma em cima das outras que quase não tinham espaço higiénico para assentar e decantar dentro de mim. Este ano, não foi uma escolha muito consciente, mas comecei a sentir o meu ritmo de leitura a abrandar. E essa foi uma mudança que acolhi de braços abertos, sentindo que estava a fazer o que era melhor para mim. E por esse facto de ter entendido que mais livros não era necessariamente melhor, e apesar do ego de vez em quando ainda me dizer que é “bué da fixe” poder dizer que li um livro por semana, e qualquer coisa a menos disso é “desconseguir”, hoje quero celebrar convosco este abrandamento do ritmo – porque, agora sim, desfruto mais da leitura e do que leio. E isso faz-me feliz.
E olhem, posso fazer uma confissão? Comecei a escrever este episódio e, ali a meio, deu-me um bloqueio tal que não havia maneira de conseguir escrever nem mais uma linha. Posso dizer-vos que foi quase doloroso, parecia que estava a extrair este episódio cirurgicamente do Universo, assim como que tirado a ferros.
Sabem o que aconteceu? É que o tema das celebrações, apesar de mais fácil, ainda não é evidente. Não é fácil falar das coisas que consegui fazer, até porque muito cedo me foi ensinado que o mundo não gosta de gabarolas. Mas, claro está, há uma diferença grande – que eu às vezes ainda não consigo ver – entre ser gabarolas e celebrar as conquistas. E hoje quis celebrar os avanços, alguns maiores, alguns menores, mas todos avanços. E convido-te também a celebrar os teus avanços. Se desejares, partilha-os comigo por email ou por mensagem. Deste lado, ficarei a aplaudir-te e a aplaudir-nos, a celebrar cada passo em frente, por mais milimétrico que seja.
Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.
E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.