Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".
Olhem, hoje começo com um pedido de ajuda que estendo a esta linda comunidade de ouvintes. Sabem, é que dou por mim a privar de perto com o meu crítico interno e ainda não lhe arranjei um nome. Está mal, está muito mal, e é altura de mudar isto.
Mas… voltemos um bocadinho atrás, porque vai na volta vocês ouvem falar em “crítico interno” e pensam, “crítico interno? Mas como assim, crítico interno?”
Neste episódio mencionamos:
“Não há partes más”, de Richard C. Schwartz
Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias.
Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras.
Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não.
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Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
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E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.
Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik
Podcast
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Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento.
Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo.
Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”.
Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”.
Olhem, hoje começo com um pedido de ajuda que estendo a esta linda comunidade de ouvintes. Sabem, é que dou por mim a privar de perto com o meu crítico interno e ainda não lhe arranjei um nome. Está mal, está muito mal, e é altura de mudar isto.
Mas… voltemos um bocadinho atrás, porque vai na volta vocês ouvem falar em “crítico interno” e pensam, “crítico interno? Mas como assim, crítico interno?”
E eu quero aqui recuar um pouco para vos contar dessa concepção maravilhosa (pelo menos eu acho que é maravilhosa) que é a de imaginar que o nosso mundo interior é composto por várias partes. Essas partes que nos compõem têm agenda própria e agem sempre no seu melhor interesse. Sendo que, sendo partes de nós, o seu melhor interesse é, também, o nosso melhor interesse. Só que a coisa não é assim tão evidente.
Ora vejamos. Esta concepção do mundo interior como sendo um sistema formado por várias partes tem o nome de “Internal Family Systems” e é explorado por Richard C. Schwartz no seu livro “Não há partes más”. Vou deixar o respectivo link nas notas deste episódio, que poderão consultar no meu site, em airdesignstudio.com, ou na plataforma de podcasts em que me estiverem a ouvir.
Cada uma de nós é composta por várias destas partes, sendo que algumas das partes aparecem de forma transversal, em todas as pessoas (ou quase todas, vá, para salvaguardar as possíveis excepções que possam andar por essa vinha do Senhor).
Outras partes há que são específicas nossas, que têm que ver com as nossas experiências de vida e, possivelmente, com as características que herdámos dos nossos antecessores.
E, segundo o autor do livro, não há partes más. Há partes que, no cumprimento de determinada função psíquica, poderão parecer más, ou, no mínimo, dispensáveis, mas elas estão apenas a fazer o seu trabalho: a protegerem-nos e a manter-nos vivas.
Uma dessas partes, e que diria que é transversal a muitas de nós, para não dizer quase todas nós, é o crítico interno. O crítico interno é uma figura muito interessante: é aquela vozinha que se levanta de cada vez que algo ameaça o nosso ego. Vejamos alguns exemplos: estou a pintar em directo na nossa sessão de Desenhamos Juntas, às segundas-feiras à hora de almoço, e a minha mão treme enquanto leva o pincel a deslizar em cima da folha. A linha fica tremida e o meu crítico interno dispara. Diz-me coisas do género: “minha nossa, como treme a tua mão. Olha-me esse desenho que estás a fazer. Achas mesmo que deverias estar a ensinar alguém a desenhar? Quem és tu para ensinar o que quer que seja?” e por aí vai.
Estão a localizar essa voz dentro da vossa cabeça? Contem-me tudo, que eu quero saber.
Pois essa voz fala comigo e, se eu fosse permeável à sua mensagem, lavaria o pincel, arrumá-lo-ia direitinho e jamais pegaria nele outra vez. Porque o crítico interno quer proteger-me. Eu sei, parece estranho uma parte de mim querer proteger-me dizendo-me coisas desagradáveis, mas… sabem? A verdade é que o crítico interno não conhece outra maneira de fazer as coisas, e tudo o que me possa fazer passar vergonha – como desenhar um traço tremido – é considerado uma ameaça ao meu ego. E o meu crítico salta, desejoso de proteger o meu ego dessa vergonha. O crítico interno, no fundo, está ao serviço daquela perfeccionista que vive dentro de mim e que pensa: “será que é desta que as pessoas vão perceber que eu não valho mesmo nada? Que não desenho nada bem e que não deveria estar aqui a facilitar estas sessões?”
Estão a ver o mecanismo? A parte perfeccionista deseja, lá está, perfeição absoluta. Depois, eu desenho, a mão treme e o traço fica tremido. O crítico, então, entra em acção, até porque é mais fácil proteger-me se eu estiver sossegada e não me puser a desenhar cenas.
E daqui pode nascer um ciclo vicioso e paralisante: se eu fizer caso do que me diz o crítico interno, arrumo o pincel, despeço-me de todos e enfio-me na minha gruta, em que não desenho (e adoro desenhar, seria uma pena não desenhar), não canto, não arrisco mesmo, mesmo nada, para o meu ego não sofrer e a minha parte super-perfeccionista não se sentir exposta e ameaçada. Teríamos aqui um belo sarilho, pois a minha vida seria cada vez mais pequena, cada vez mais fechada. E, confesso, não é isso que quero.
Em vez de deixar que o crítico leve a melhor e me faça desistir, o que faço é partilhar as suas palavras em voz alta com as restantes participantes do Desenhamos Juntas – as actuais, que estão comigo em modo síncrono, e as futuras, que vão ver a respectiva gravação em algum momento do futuro. Conto-lhes: “ai, sabem lá, o meu crítico está doido porque a minha mão está a tremer”. E, ao fazer isto, abro também o espaço para que elas partilhem, se quiserem, as palavras dos seus próprios críticos internos.
E, imaginem só, não é que isto retira força àquilo que o crítico interno me e nos está a dizer? Quando comecei as sessões semanais de desenho ao vivo não fazia ideia de que este seria um dos efeitos, mas com o passar do tempo e com essa perda sucessiva da vergonha de partilhar os dizeres desta voz ácida dentro da minha cabeça, aqui estamos. Este é, talvez, um dos efeitos mais poderosos de partilhar com as restantes participantes o que me diz o crítico interno.
E assim, à boleia de coisas tão singelas como desenhos de observação, vamos trabalhando a nossa relação com o crítico interno que todas temos dentro de nós.
O que vale é que nem só de críticos se compõe o nosso mundo interior e, lá dentro, também existe uma outra parte muito mais discreta, muito mais escondida, que é a criança interior.
A nossa criança interior é a casa dos nossos sonhos e desejos de criança, é a casa da nossa criatividade, é a guardiã de todas aquelas coisas que nos fazem vibrar e viver a vida com mais intensidade e alegria. Pessoas que não se consideram criativas que me estão a ouvir: vocês também têm a criança interior e também ela é a guardiã da vossa criatividade. É possível que a vossa criatividade não se manifeste de forma artística, e está tudo bem, mas que ela existe dentro de vocês, acreditem que existe.
Para quem acha que não tem nada disso de criança interior dentro de vocês, deixem-me fazer-vos uma pergunta. Quando fecham os olhos e se lembram da vossa infância – se a vossa infância tiver sido um lugar feliz, e se não tiver sido, esperem só um pouco que já falo convosco – lembram-se daquelas tardes de brincadeira que passavam como que a flutuar enquanto faziam as brincadeiras mais variadas? Eu lembro-me de jogar às escondidas, de fazer “café” (café entre aspas!) com terra, caldo verde com ervas, e de as tardes passarem a voar. Com o mesmo entusiasmo me lembro dos dias em que me refugiava num livro, entrava nesse mundo e o vivia como se fosse o meu. No presente, é quando me ponho a desenhar, a cantar, a tocar cavaquinho ou a passear numa floresta que mais me sinto como nesse tempo. Pois é nesses momentos de leveza, de fluidez, que contactamos com a nossa criança interior.
Para aquelas pessoas que me ouvem para quem a infância não foi um lugar feliz, pensem no aqui e no agora. Há momentos em que parece que tudo flui, que o mundo fica mais leve. Nesses momentos, estamos a contactar com a nossa criança interior.
Sim, ela vive dentro de cada uma de nós e guarda tesouros. Dentro desses tesouros, contam-se as actividades que hoje nos fazem fluir e flutuar; contam-se também os caminhos através dos quais nós podemos contribuir para o mundo, para o melhorar; está lá também um mapa muito específico para nos conduzir a uma vida mais plena, mais feliz e mais serena. Este mapa é revelado etapa a etapa, tipo jogo de computador em que vamos desbloqueando níveis cada vez mais avançados de consciência. E, sim, todos estes tesouros estão ao cuidado da nossa criança interior, parte essa com a qual contactamos quando criamos o silêncio para a ouvir.
Bem, e agora que já vos contei sobre o crítico interno, com a sua voz por vezes bem ácida, e sobre a criança interior, uma parte bem tímida que se esconde dentro de nós, quero voltar então ao mote deste episódio. É que preciso, quero, desejo muito arranjar nomes para estas duas partes.
Às tantas, perguntam vocês, “mas nomes para quê? Crítico interno e criança interior está muito bem, descritivo e tal, para quê dar voltas?”. E eu não contesto. Mas acho que deveriam ter um nome. Sobretudo o crítico interno, que está sempre a falar, ainda que, com o passar do tempo, as suas palavras tenham menos impacto em mim.
Estive a pensar muito sobre este tema, sabem? E acho que tenho aqui um nome candidato para o crítico interno… Quero partilhá-lo convosco para que me digam com que nome desejam baptizar o vosso próprio crítico interno.
Eu acho que ao meu crítico interno fica bem o nome de, rufar de tambores, por favor, ora fica bem o nome de “Dona Rosete”! Bem, ainda me estou a habituar, e pode ser que de hoje para amanhã o nome ainda mude, mas hoje quero partilhá-lo convosco e, contem-me, com que nome baptizaram o vosso crítico interno? Mandem-me um email, deixem um comentário no episódio, ou no Instagram, e contem-me tudo. Por agora, eu, a Dona Rosete e a minha criança interior vamos ali pegar nos pincéis e nas aguarelas e já voltamos. Até para a semana!
Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.
E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.
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