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Hoje quero falar-vos sobre procrastinação.
O tema vem porque estou neste momento a preparar o Workshop de Procrastinação que irei dar na Primavera, mas, bem vistas as coisas, mesmo que não estivesse a preparar este workshop específico sobre procrastinação, este seria sempre um tema presente, porque a procrastinação acontece com frequência.
Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.
E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.
Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento.
Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo.
Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”.
Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”.
Hoje quero falar-vos sobre procrastinação.
O tema vem porque estou neste momento a preparar o Workshop de Procrastinação que irei dar na Primavera, mas, bem vistas as coisas, mesmo que não estivesse a preparar este workshop específico sobre procrastinação, este seria sempre um tema presente, porque a procrastinação acontece com frequência.
Ia escrever assim: “… este seria sempre um tema presente, porque a procrastinação, lamento dizer, acontece com frequência.” Mas depois dei por mim a pensar que não é verdade, e que eu não lamento que a procrastinação aconteça. Portanto, por uma questão de honestidade e de coerência, não posso dizer que lamento que a procrastinação aconteça quando, na realidade, não lamento.
Mas a questão fica no ar: será que a procrastinação tem um lado positivo? E a minha resposta é sim, tem. Já vos conto tudo, mas antes de continuarmos queria aqui fazer um ponto de situação sobre o que é a procrastinação e como se sente no corpo e na mente.
A procrastinação é aquele adiar para uma data incerta, aquele “empurrar com a barriga”, acompanhado daquela sensação de “ponta solta”. Sabemos que estamos a adiar este projecto, ou esta conversa, ou esta situação específica – chamo-lhe “projecto” por conveniência de linguagem – não por termos razões concretas, mas sim por razões talvez difíceis de verbalizar e inclusivamente um pouco desconfortáveis de considerar.
Adiamos para uma data incerta, ou para quando tivermos tempo, ou para quando os astros se alinharem, e sabemos que vamos ter esse projecto sempre num canto da nossa mente a falar connosco e a perguntar-nos porque é que o estamos a evitar.
Para mim, a sensação é de desconforto silencioso. Para fazer um paralelismo, é como quando dou por mim cheia de frio e a tremer, depois de ter estado imenso tempo só com um casaquinho leve que não me protege o suficiente. Não dei conta, porque o desconforto era ligeiro e não falava muito alto, até que o desconforto se tornou tão grande que comecei a tremer.
E portanto a procrastinação é isto: traz um desconforto ligeiro, que tentamos ignorar, até não dar para ignorar mais.
A procrastinação tem péssima reputação na nossa sociedade, uma sociedade que valoriza e idolatra a produtividade acima de tudo e despreza tudo o que seja considerado perda de tempo. Imaginem só, a procrastinação, esta coisa de ir adiando, adiando algo que não vamos fazer agora, mas que talvez – ainda não sabemos – poderemos inclusivamente não vir a fazer no futuro. Esta incerteza não poderia ser mais “perda de tempo” no manual da sociedade actual.
Mas agora convido-vos a olhar para a procrastinação de outra maneira. E se, em vez de a procrastinação ser uma perda de tempo, ela seja realmente fonte de informação muito importante? Se mudarmos o nosso ponto de vista, podemos vir a descobrir que ela é uma aliada fabulosa no nosso caminho de nos conhecermos a nós próprias cada vez melhor.
Na nossa rotina em que temos, normalmente, trezentos e vinte e quatro mil coisas a acontecer ao mesmo tempo, entre trabalho, família e logística doméstica, não há, regra geral, muito tempo para a contemplação, para o silêncio e para estarmos connosco próprias sem ser a correr. O ócio e o descanso, tão importantes na nossa vida, são relegados para vigésimo quarto plano. As nossas agendas, muitas vezes qual jogo de tetris, não deixam espaço para muita coisa.
De repente, damos por nós a procrastinar num projecto. E aqui, de novo, eu falo em projecto por conveniência, porque este projecto pode ser uma conversa, uma viagem, deixar de fumar, começar a meditar, voltar a fazer desporto, começar a ir ao ginásio, enfim, cada pessoa tem o seu “projecto” e sabe, exactamente, do que é que estou a falar.
Então, dizia eu, damos por nós a procrastinar num projecto. Começamos a perceber que fica sempre relegado para outro momento, mas esse adiamento sem data certa deixa-nos desconfortáveis. Dá-nos aquela sensação de que temos um assunto pendente, uma ponta solta, e que ao não olharmos para este projecto de frente estamos a adiar algo que precisa de ser, no mínimo, recalibrado.
Se calhar, a atitude mais confortável é tentar ignorar essa vozinha dentro de nós que nos diz que temos de pegar o boi pelos cornos, que é como quem diz, resolver o projecto e avançar com as nossas vidas.
Mas se pararmos para pensar, vamos perceber que a procrastinação existe por, e aqui, não neguem à partida, fiquem comigo um instante, a procrastinação existe por medo.
Já dizia a Julia Cameron, n’“O Caminho do Artista”, que a procrastinação é medo. E se a procrastinação é por medo, de que forma é que isso pode ser positivo? É positivo porque se temos medo de fazer determinado projecto, é porque ele é realmente importante para nós e nos aproxima da versão melhorada de nós próprias que nós almejamos.
Ou seja, quando a procrastinação aparece, assinala também algo que é importante para nós, tão importante que temos medo de a fazer. Temos medo de muitas coisas: e se não correr bem? E se ficar aquém das minhas expectativas? Ou, pelo contrário, e se correr bem? Sim, porque não é só o medo de falhar ou de correr mal que nos pode paralisar. O medo do êxito é igualmente poderoso e paralisante, porque mexe em muitos botões dentro de nós, nomeadamente no botão da visibilidade. E, lá está, visibilidade traz exposição às críticas e muita vulnerabilidade.
Enfim, a procrastinação não é falta de carácter, nem de força de vontade. A procrastinação é medo, medo de que corra mal e fique aquém das nossas expectativas, e medo de que corra bem e supere as nossas expectativas.
Bem, mas também se pode dar o caso de estarmos a procrastinar e, ao fazermos uma ponderação honesta, em que olhamos para o projecto com frontalidade e vulnerabilidade, percebermos que, afinal, este projecto já não é assim tão importante nem tão relevante. Já não nos deixa com o medo de correr mal, nem o medo de correr bem, mas deixa-nos assim… meh. Morno, sem grande expressão. Isto, claro, se estivermos a fazer uma ponderação honesta, e não à procura de um subterfúgio para cancelar o dito projecto. Porque pode acontecer, na verdade, que um projecto que era super relevante para mim há um tempo já não seja assim tão importante neste momento. Porque o seu tempo passou, porque a coisa se resolveu de outra forma, enfim, porque passou. E aí, a procrastinação também nos ajuda a perceber e a distinguir o trigo do joio. Ajuda-nos a perceber o que é relevante, como aquele projecto em que procrastinamos por medo, do que já não é relevante, aquele projecto em que procrastinamos porque já não nos provoca aquele arrepio.
É por isso que eu gosto tanto da procrastinação. Vá, não vou dizer que adoro senti-la, mas em vez de me culpabilizar por ser fraca, ter falta de carácter, falta de organização e determinação, falta de força de vontade, ponho o meu chapéu de detective e olho para ela com muita curiosidade. De que é que tenho medo? De que é que estou a fugir? O que é que estou a evitar?
Por exemplo, posso contar-vos que depois de ter publicado o “Livro do Não” em 2024, no fim de 2025 comecei a sentir que 2026 era o ano para começar a escrever o próximo livro. E sabem o que está a acontecer? Ainda não comecei. Estou a procrastinar e sei porquê. Tenho medo: tenho medo de não conseguir escrever outro livro. Tenho medo de não ter mais histórias dentro de mim, de, a tê-las, de não as conseguir pôr no papel como pus a do “Livro do Não”. Tenho medo de todas as decisões criativas que vou ter de tomar quando o começar a fazer, que cores usar, que pontos de bordado, o que vou escrever em discurso directo e o que vou escrever em discurso indirecto. Tenho medo de que o livro saia morno, uma caca, e tenho medo de lhe dedicar meses inteiros e poder daí sair algo só mais ou menos. De maneira que é isto: tenho medo, e tenho estado a procrastinar. Mas esta procrastinação diz-me uma coisa: diz-me que este projecto é importante para mim e que continua relevante, mesmo tendo outras partes do meu trabalho que me trazem tanta alegria e satisfação, como, por exemplo, este podcast. E saber que este projecto do livro é importante para mim dá-me alegria, e permite-me começar a passar à próxima fase, que é a fase de começar a superar a procrastinação.
Sempre que falo sobre procrastinação percebo que toco num nervo, porque acho que é um fenómeno que, mais cedo ou mais tarde, chega a toda a gente e não sou a única a passar por isto. No meu programa de grupo, o Conectar para Liderar, temos um módulo completo em que abordamos a procrastinação e como superá-la. Mas comecei a receber pedidos de várias mulheres para fazer um workshop só sobre procrastinação, num formato mais curto onde o mergulho fosse mais profundo neste tema. Ao princípio, estranhei. Mas depois percebi: a procrastinação paralisa-nos e consegue ser bastante desagradável. Consegue atrasar os nossos sonhos e a nossa realização. De maneira que aceitei o desafio proposto e esta Primavera teremos uma Masterclass gratuita sobre Procrastinação, seguida de um Workshop de Procrastinação, que será um autêntico mergulho no tema. Se vos interessa, vejam o link para as inscrições nas notas deste episódio. Estou desejosa de partilhar estas sessões convosco!
Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.
E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.
By Ana Isabel RamosHoje quero falar-vos sobre procrastinação.
O tema vem porque estou neste momento a preparar o Workshop de Procrastinação que irei dar na Primavera, mas, bem vistas as coisas, mesmo que não estivesse a preparar este workshop específico sobre procrastinação, este seria sempre um tema presente, porque a procrastinação acontece com frequência.
Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.
E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.
Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento.
Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo.
Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”.
Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”.
Hoje quero falar-vos sobre procrastinação.
O tema vem porque estou neste momento a preparar o Workshop de Procrastinação que irei dar na Primavera, mas, bem vistas as coisas, mesmo que não estivesse a preparar este workshop específico sobre procrastinação, este seria sempre um tema presente, porque a procrastinação acontece com frequência.
Ia escrever assim: “… este seria sempre um tema presente, porque a procrastinação, lamento dizer, acontece com frequência.” Mas depois dei por mim a pensar que não é verdade, e que eu não lamento que a procrastinação aconteça. Portanto, por uma questão de honestidade e de coerência, não posso dizer que lamento que a procrastinação aconteça quando, na realidade, não lamento.
Mas a questão fica no ar: será que a procrastinação tem um lado positivo? E a minha resposta é sim, tem. Já vos conto tudo, mas antes de continuarmos queria aqui fazer um ponto de situação sobre o que é a procrastinação e como se sente no corpo e na mente.
A procrastinação é aquele adiar para uma data incerta, aquele “empurrar com a barriga”, acompanhado daquela sensação de “ponta solta”. Sabemos que estamos a adiar este projecto, ou esta conversa, ou esta situação específica – chamo-lhe “projecto” por conveniência de linguagem – não por termos razões concretas, mas sim por razões talvez difíceis de verbalizar e inclusivamente um pouco desconfortáveis de considerar.
Adiamos para uma data incerta, ou para quando tivermos tempo, ou para quando os astros se alinharem, e sabemos que vamos ter esse projecto sempre num canto da nossa mente a falar connosco e a perguntar-nos porque é que o estamos a evitar.
Para mim, a sensação é de desconforto silencioso. Para fazer um paralelismo, é como quando dou por mim cheia de frio e a tremer, depois de ter estado imenso tempo só com um casaquinho leve que não me protege o suficiente. Não dei conta, porque o desconforto era ligeiro e não falava muito alto, até que o desconforto se tornou tão grande que comecei a tremer.
E portanto a procrastinação é isto: traz um desconforto ligeiro, que tentamos ignorar, até não dar para ignorar mais.
A procrastinação tem péssima reputação na nossa sociedade, uma sociedade que valoriza e idolatra a produtividade acima de tudo e despreza tudo o que seja considerado perda de tempo. Imaginem só, a procrastinação, esta coisa de ir adiando, adiando algo que não vamos fazer agora, mas que talvez – ainda não sabemos – poderemos inclusivamente não vir a fazer no futuro. Esta incerteza não poderia ser mais “perda de tempo” no manual da sociedade actual.
Mas agora convido-vos a olhar para a procrastinação de outra maneira. E se, em vez de a procrastinação ser uma perda de tempo, ela seja realmente fonte de informação muito importante? Se mudarmos o nosso ponto de vista, podemos vir a descobrir que ela é uma aliada fabulosa no nosso caminho de nos conhecermos a nós próprias cada vez melhor.
Na nossa rotina em que temos, normalmente, trezentos e vinte e quatro mil coisas a acontecer ao mesmo tempo, entre trabalho, família e logística doméstica, não há, regra geral, muito tempo para a contemplação, para o silêncio e para estarmos connosco próprias sem ser a correr. O ócio e o descanso, tão importantes na nossa vida, são relegados para vigésimo quarto plano. As nossas agendas, muitas vezes qual jogo de tetris, não deixam espaço para muita coisa.
De repente, damos por nós a procrastinar num projecto. E aqui, de novo, eu falo em projecto por conveniência, porque este projecto pode ser uma conversa, uma viagem, deixar de fumar, começar a meditar, voltar a fazer desporto, começar a ir ao ginásio, enfim, cada pessoa tem o seu “projecto” e sabe, exactamente, do que é que estou a falar.
Então, dizia eu, damos por nós a procrastinar num projecto. Começamos a perceber que fica sempre relegado para outro momento, mas esse adiamento sem data certa deixa-nos desconfortáveis. Dá-nos aquela sensação de que temos um assunto pendente, uma ponta solta, e que ao não olharmos para este projecto de frente estamos a adiar algo que precisa de ser, no mínimo, recalibrado.
Se calhar, a atitude mais confortável é tentar ignorar essa vozinha dentro de nós que nos diz que temos de pegar o boi pelos cornos, que é como quem diz, resolver o projecto e avançar com as nossas vidas.
Mas se pararmos para pensar, vamos perceber que a procrastinação existe por, e aqui, não neguem à partida, fiquem comigo um instante, a procrastinação existe por medo.
Já dizia a Julia Cameron, n’“O Caminho do Artista”, que a procrastinação é medo. E se a procrastinação é por medo, de que forma é que isso pode ser positivo? É positivo porque se temos medo de fazer determinado projecto, é porque ele é realmente importante para nós e nos aproxima da versão melhorada de nós próprias que nós almejamos.
Ou seja, quando a procrastinação aparece, assinala também algo que é importante para nós, tão importante que temos medo de a fazer. Temos medo de muitas coisas: e se não correr bem? E se ficar aquém das minhas expectativas? Ou, pelo contrário, e se correr bem? Sim, porque não é só o medo de falhar ou de correr mal que nos pode paralisar. O medo do êxito é igualmente poderoso e paralisante, porque mexe em muitos botões dentro de nós, nomeadamente no botão da visibilidade. E, lá está, visibilidade traz exposição às críticas e muita vulnerabilidade.
Enfim, a procrastinação não é falta de carácter, nem de força de vontade. A procrastinação é medo, medo de que corra mal e fique aquém das nossas expectativas, e medo de que corra bem e supere as nossas expectativas.
Bem, mas também se pode dar o caso de estarmos a procrastinar e, ao fazermos uma ponderação honesta, em que olhamos para o projecto com frontalidade e vulnerabilidade, percebermos que, afinal, este projecto já não é assim tão importante nem tão relevante. Já não nos deixa com o medo de correr mal, nem o medo de correr bem, mas deixa-nos assim… meh. Morno, sem grande expressão. Isto, claro, se estivermos a fazer uma ponderação honesta, e não à procura de um subterfúgio para cancelar o dito projecto. Porque pode acontecer, na verdade, que um projecto que era super relevante para mim há um tempo já não seja assim tão importante neste momento. Porque o seu tempo passou, porque a coisa se resolveu de outra forma, enfim, porque passou. E aí, a procrastinação também nos ajuda a perceber e a distinguir o trigo do joio. Ajuda-nos a perceber o que é relevante, como aquele projecto em que procrastinamos por medo, do que já não é relevante, aquele projecto em que procrastinamos porque já não nos provoca aquele arrepio.
É por isso que eu gosto tanto da procrastinação. Vá, não vou dizer que adoro senti-la, mas em vez de me culpabilizar por ser fraca, ter falta de carácter, falta de organização e determinação, falta de força de vontade, ponho o meu chapéu de detective e olho para ela com muita curiosidade. De que é que tenho medo? De que é que estou a fugir? O que é que estou a evitar?
Por exemplo, posso contar-vos que depois de ter publicado o “Livro do Não” em 2024, no fim de 2025 comecei a sentir que 2026 era o ano para começar a escrever o próximo livro. E sabem o que está a acontecer? Ainda não comecei. Estou a procrastinar e sei porquê. Tenho medo: tenho medo de não conseguir escrever outro livro. Tenho medo de não ter mais histórias dentro de mim, de, a tê-las, de não as conseguir pôr no papel como pus a do “Livro do Não”. Tenho medo de todas as decisões criativas que vou ter de tomar quando o começar a fazer, que cores usar, que pontos de bordado, o que vou escrever em discurso directo e o que vou escrever em discurso indirecto. Tenho medo de que o livro saia morno, uma caca, e tenho medo de lhe dedicar meses inteiros e poder daí sair algo só mais ou menos. De maneira que é isto: tenho medo, e tenho estado a procrastinar. Mas esta procrastinação diz-me uma coisa: diz-me que este projecto é importante para mim e que continua relevante, mesmo tendo outras partes do meu trabalho que me trazem tanta alegria e satisfação, como, por exemplo, este podcast. E saber que este projecto do livro é importante para mim dá-me alegria, e permite-me começar a passar à próxima fase, que é a fase de começar a superar a procrastinação.
Sempre que falo sobre procrastinação percebo que toco num nervo, porque acho que é um fenómeno que, mais cedo ou mais tarde, chega a toda a gente e não sou a única a passar por isto. No meu programa de grupo, o Conectar para Liderar, temos um módulo completo em que abordamos a procrastinação e como superá-la. Mas comecei a receber pedidos de várias mulheres para fazer um workshop só sobre procrastinação, num formato mais curto onde o mergulho fosse mais profundo neste tema. Ao princípio, estranhei. Mas depois percebi: a procrastinação paralisa-nos e consegue ser bastante desagradável. Consegue atrasar os nossos sonhos e a nossa realização. De maneira que aceitei o desafio proposto e esta Primavera teremos uma Masterclass gratuita sobre Procrastinação, seguida de um Workshop de Procrastinação, que será um autêntico mergulho no tema. Se vos interessa, vejam o link para as inscrições nas notas deste episódio. Estou desejosa de partilhar estas sessões convosco!
Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.
E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.