Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".
Como sabes, ou talvez já saibas, estou a preparar a masterclass sobre procrastinação e o subsequente workshop de procrastinação que terão lugar no próximo mês de Maio. E por isso, a procrastinação tem estado muito presente na minha vida. Digamos que estou ainda mais atenta a todos os momentos em que me sinto procrastinar e ainda mais atenta às estratégias que vou usando para não ficar bloqueada pela procrastinação.
Mas hoje quero pensar no que acontece quando superamos a procrastinação.
Neste episódio mencionamos:
Masterclass “ProcrastinAção!”
Concurso de Serpa da CM Serpa e do Planeta Tangerina
Episódio 21. Sobre a viagem a Macau
Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias.
Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras.
Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não.
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Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
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Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik
Podcast
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Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento.
Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo.
Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”.
Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”.
Como sabes, ou talvez já saibas, estou a preparar a masterclass sobre procrastinação e o subsequente workshop de procrastinação que terão lugar no próximo mês de Maio. E por isso, a procrastinação tem estado muito presente na minha vida. Digamos que estou ainda mais atenta a todos os momentos em que me sinto procrastinar e ainda mais atenta às estratégias que vou usando para não ficar bloqueada pela procrastinação.
Mas hoje quero pensar no que acontece quando superamos a procrastinação. Basicamente, hoje quero mostrar-te como os resultados de superar a procrastinação podem ser muito mais exponenciais do que os nossos sonhos mais loucos. Ou seja, por vezes podemos pensar que superar a procrastinação é “só” (e este “só” está entre aspas) terminar o tal projecto, ou ter a tal conversa difícil, ou fazer a tal mudança na nossa vida. Todos estes progressos são significativos, mas a verdade é que não englobam todos os efeitos que superar a procrastinação nos pode vir a trazer.
Quando conseguimos desbloquear e começamos a avançar, gradualmente, no tal projecto – e aqui eu chamo de “projecto” por conveniência, porque este projecto pode ser um sonho, uma viagem, uma tese de doutoramento, uma conversa difícil com a nossa chefe, uma mudança de casa, ou de trabalho, ou de casamento – então, quando conseguimos desbloquear e começar a avançar no tal projecto, começamos a sentir logo no corpo uma ligeireza diferente do que estávamos a sentir quando estávamos bloqueadas.
E, passo a passo, vamos completando o tal projecto, o que nos vai trazendo satisfação e também nos vai mostrando, cada vez mais, que chegar à meta é possível. E vai ficando cada vez mais fácil continuar os passos, um pouco também porque ao pormos as rodas em marcha, a inércia vai diminuindo.
E finalmente chegamos à meta, terminamos o tal projecto, temos a tal conversa, enfim, fazemos a tal mudança e sentimos alívio, porventura alegria por termos concluído aquilo a que nos tínhamos proposto.
E poderíamos pensar que por aqui ficavam os benefícios: já está, terminei, pronto, está feito. Mas não. Curiosamente, aqui é só o início dos benefícios, porque há muitos que nós ainda nem podemos imaginar mas que já estão em marcha para virem ter connosco, e só porque conseguimos, há uma série de etapas atrás, começar a superar a procrastinação.
Quero dar-vos um exemplo muito pessoal disto, ora venham comigo. Em Maio de 2024, publiquei o meu primeiro livro, o “Livro do Não”, um livro que escrevi e que ilustrei integralmente com bordado.
Contado assim, poderíamos pensar que o seu percurso foi linear. Mas não. Voltemos atrás uns quantos anos (e quantos, ao certo, já nem sei), numa altura em que me ocorreu um episódio que tinha acontecido à minha frente, quando a minha sobrinha mais velha teria os seus dois anos. Estava numa fase em que a quase tudo o que lhe perguntavam ela respondia que não, até que um dia a avó lhe fez uma pergunta muito especial que a fez parar para pensar no que queria responder.
Lembro-me de ter adorado este episódio e de não pensar mais no assunto, até, muitos anos mais tarde, estar a pensar concorrer ao Concurso de Serpa, não sei se conhecem? É um concurso promovido pela Câmara Municipal de Serpa e pela Editora Planeta Tangerina para publicarem novos álbuns ilustrados infantis.
Pois eu queria participar e lembrei-me dessa história. Escrevi uma primeira versão do texto (e uma segunda, logo uma terceira…), comecei a distribuir o texto pelos abertos de página, comecei a imaginar as ilustrações, fiz umas quantas ilustrações, que adorei fazer, com lápis de cor, preparei a maquete com todo o carinho e enviei-a para o concurso, cheia de esperança.
Depois, para usar a expressão de uma amiga, “botei pró Universo” e desejei muito que aquele livro fosse o escolhido para avançar. Fazer aquela proposta tinha sido tão especial que sentia que aquele livro não podia ficar só em formato maquete.
O tempo passou, o júri deliberou e adivinhem só: a minha proposta não ganhou. Na altura, fiquei desiludida, claro, mas pensei: “sinto que este livro merece ver a luz do dia, mesmo que não seja pela via do concurso.”
E então submeti-o a várias editoras de livros infantis. E adivinhem só: do Planeta Tangerina, responderam-me. Na altura, a pessoa que abria essa caixa de correio era a Yara Kono, que me sugeriu tomarmos um café e dar-me feedback sobre a minha proposta. A Yara, sem saber, tornou-se a madrinha do “Livro do Não”, porque os conselhos dela acabaram por marcar indelevelmente a trajectória da minha proposta.
Nesse primeiro encontro, a Yara, com a sua imensa experiência em contar histórias com texto e imagens, deu-me feedback absolutamente valioso. Sugeriu-me levar o leitor pela mão, articular discurso directo com discurso indirecto, e depois, mais para o fim da nossa conversa, fez-me uma pergunta que me entusiasmou e assustou em partes iguais: “tu não fazias ilustração bordada? É que não conheço tantos ilustradores que trabalhem com bordado e isso poderia ser um ponto de diferenciação importante no mercado.”
E, como já podem imaginar, esta frase marcou a viragem porventura mais importante de todo o processo do livro, que passou de ser feito com lápis de cor para bordado.
Esta frase entusiasmou-me muito porque pensei que seria óptimo, de facto, ter uma característica diferenciadora do resto do panorama dos livros infantis ilustrados. E assustou-me, porque o bordado leva 53 mil anos a fazer, e comecei a ver a vida a andar para trás.
Foi nesta altura que o projecto entrou em período de hibernação, digo, procrastinação absoluta. Penso que a maquete esteve guardada mais de um ano, a ocupar espaço na minha mente e a sentir que tinha aquela ponta solta que não havia maneira de encontrar coragem para ir resolver.
No meu corpo, a sensação de bloqueio, imensa, aquela sensação de querer avançar e não conseguir, quase como se tivesse os pés presos num pântano, ou em areias movediças, e quanto mais esforço mental fazia para ver se conseguia avançar, mais bloqueada ficava. E toda esta procrastinação, este adiamento para data incerta, este mal-estar físico, mas também um peso psicológico, porque, de alguma forma, estava a ter dificuldade em fazer as pazes com a ideia de ir bordar todas aquelas ilustrações para fazer um livro completo.
O bordado é uma coisa espectacular mas que apresenta algumas questões se estivermos a pensar em investimento e retorno do investimento, a saber: leva muuuuuuuuuito tempo a fazer, mas mesmo muito, sobretudo se fosse comparar com outros meios analógicos ou, ainda mais, se o comparasse com meios digitais.
E por isso precisei de aceitar que este projecto era um projecto de amor, da chamada “caturrice”, um projecto que iria nascer porque tinha de nascer, porque não nascer era muito pior do que todas as outras opções.
Para avançar, foi preciso aceitar que poderia dar o meu melhor a fazer as ilustrações bordadas e, ainda assim, elas não serem tão bonitas quanto as idealizava. Que poderia dedicar meses a fio a fazer as ilustrações e, no final, não gostar assim tanto do resultado.
Adoptei algumas estratégias para conseguir fazer face à tarefa titânica que tinha pela frente: estipulei que a primeira meia hora de trabalho, todos os dias, era dedicada ao “Livro do Não”. Dias havia em que suava para aguentar essa meia hora, porque eram dias de experimentação e de tomar decisões criativas que marcariam o resto do projecto. Outros dias houve em que a meia hora se transformou em duas horas a bordar, e só quando os dedos começavam a doer é que despertava do meu quase transe.
O que é certo, é que depois de dez meses a bordar todos os dias, as ilustrações ficaram feitas e eu lá dei o passo seguinte, que foi criar uma campanha de crowdfunding para financiar a produção. Cheia de medo, decidi que o melhor mesmo era contar como este projecto era um sonho que queria tornar realidade – e a verdade é que em quatro dias de campanha atingi o objectivo de financiamento e pude então duplicar a tiragem prevista.
Foi com nervoso miudinho que abri as caixas vindas da gráfica e não é que o meu livro estava ali? A cheirar lindamente, a papel e a tintas, e tão lindo que nem podia acreditar.
Isto aconteceu em Maio de 2024, e foi magnífico, e podia ter ficado por aqui, só que não ficou. A partir daqui, os efeitos começaram a multiplicar-se: as pessoas começaram a escrever-me a contar-me como tinha sido ler o livro com os filhos, e comecei a receber convites para ir apresentar o livro em lugares diferentes. Nunca imaginei que isto pudesse acontecer, mas o “Livro do Não” levou-me a lugares que não sonhava visitar.
Avancemos então no tempo até Outubro de 2025, altura em que estou sentada num avião com o meu marido e as minhas filhas a caminho de Macau, onde vou apresentar o “Livro do Não”, fazer uma exposição dos originais dos bordados, dar workshops de bordados a adultos e crianças e falar na Escola Portuguesa de Macau. Sobre essa viagem, fiz todo um episódio de podcast, cujo link estará nas notas deste episódio.
Moral da história, quando conseguimos começar a superar a procrastinação, os efeitos multiplicam-se: para além dos que esperamos com a conclusão do tal projecto, depois vêm os que não imaginamos, e que são exponenciais.
E por isso, deixo aqui o meu convite para a masterclass “ProcrastinAção!”, que terá lugar no dia 8 de Maio, em formato online. Nesta masterclass iremos estudar o mecanismo da procrastinação, entender que informação nos traz e, de forma bem prática, preparar um plano de acção para cada participante poder começar a superá-la. No final da masterclass, iremos abrir as inscrições no workshop de Procrastinação, que será um mergulho mais profundo e detalhado para trabalharmos, em três encontros, cada aspecto da procrastinação: identificá-la, entender que informação nos traz, e depois traçar o plano de acção muito detalhado para a superar.
O link para a página de inscrições na masterclass “ProcrastinAção!” vai estar nas notas deste episódio. Se sentem que é o momento de começar a trabalhar a procrastinação, não procrastinem e inscrevam-se hoje mesmo e, se puderem, façam chegar o link a alguém que também pode beneficiar de começar a superar a procrastinação. Vemo-nos lá!
Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.
E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.
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