Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação

Episódio 39. E depois da procrastinação (parte II)


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Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".

Esta semana quero continuar a falar dos efeitos que acontecem quando superamos a procrastinação. Digamos que é uma parte II do episódio da semana passada, porque, afinal de contas, os efeitos são tão importantes que merecem ser contados com toda a calma, sem pressas.

Neste episódio mencionamos:
Masterclass “ProcrastinAção!”
Episódio 38. E depois da procrastinação (os efeitos surpreendentes) 
Festival Lavorada
Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias.
Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras.
Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não.
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Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy.

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E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.

Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik
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Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento.

Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo.

Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”.

Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”.

Esta semana quero continuar a falar dos efeitos que acontecem quando superamos a procrastinação. Digamos que é uma parte II do episódio da semana passada, porque, afinal de contas, os efeitos são tão importantes que merecem ser contados com toda a calma, sem pressas.

Quando nos sentimos a procrastinar em algum assunto, temos uma sensação no nosso corpo que nos ajuda a identificar claramente que aquele adiamento não é um reagendamento: é um adiamento para um futuro incerto, para a nossa eu do futuro gerir conforme puder.

E essa é uma sensação que pode ser, no mínimo, incomodativa. Mas pode ser mesmo desagradável, sobretudo quando sabemos que temos mesmo de resolver esse assunto, ou fazer esse projecto, ou ter essa conversa difícil.

E por isso, quando começamos a superar a procrastinação e começamos a dar passos no sentido de desbloquear o assunto, começamos a sentir o alívio de ter posto as rodas em marcha e de a coisa estar a começar a andar. E esse alívio é bom, sabe bem, é agradável, porque sentimos que finalmente tivemos essa iniciativa de pôr o mecanismo em andamento.

Depois, com acção consistente, vamos dando conta do assunto, escrevendo a tese ou o artigo, avançando no projecto. Temos a tal conversa e criamos uma nova dinâmica na equipa, ou no nosso sistema familiar. E tudo isso traz alívio, sensação de movimento e, porventura, sensação de alinhamento. Tudo bom, e tudo certo.

Qual é, então, a parte surpreendente de superar a procrastinação?

A parte surpreendente de superar a procrastinação é desconhecida e inesperada à partida – daí ser surpreendente. Mas eu gosto de acreditar que é uma forma do Universo, ou o karma, ou aquilo que vocês quiserem, nos recompensar por termos tido a coragem de encarar a nossa procrastinação de frente, arregaçar as mangas e pôr mãos à obra para a superar.

Esses são os benefícios surpreendentes que começam a aparecer nas nossas vidas porque um dia, lá atrás, nos sentámos com o desconforto da procrastinação e demos o primeiro passo para a superar.

Podem acontecer muitas coisas, e muito diferentes. Quem venceu a procrastinação e terminou a sua tese de doutoramento, desejava defendê-la e porventura pôr-lhe um ponto final para não mais pensar no assunto. Mas depois começaram a chegar-lhe convites para participar em conferências, ou para escrever artigos, e de repente os benefícios que não esperava começaram a aparecer. Tudo, porque um dia, lá atrás, se sentou com o desconforto da procrastinação.

Quem teve aquela conversa extremamente desconfortável com a sua chefe ficou aliviada quando a chefe lhe pediu que trabalhassem em conjunto para resolver a situação. Trabalharam, a situação difícil melhorou, e podíamos pensar que o assunto estava encerrado. Mas não: depois começou a receber pedidos de ajuda de outros departamentos para impactar outros grupos que também estavam com problemas sistémicos.

Ou então, com o caso do meu “Livro do Não”, um livro que esteve muito tempo guardado numa gaveta e a ocupar-me espaço na cabeça. Não avançava, mas também não o largava. Não foi um período muito espectacular, devo confessar. O livro esteve parado porque não havia maneira de conseguir vencer a resistência de me sentar com ele e começar a tomar as decisões criativas que sabia que tinha de tomar.

Contei-vos com mais detalhe sobre a minha enorme procrastinação com o “Livro do Não” no episódio anterior, mas já não tive espaço suficiente para falar de todas as maneiras que o Universo conspirou a meu favor e para levar o livro mais longe do que alguma vez poderia ter imaginado.

Voltemos então atrás no tempo, para a altura em que finalmente tirei o livro da gaveta, implementei o feedback que a madrinha do livro, a Yara Kono, me tinha dado. Contei-vos sobre tudo isto no episódio anterior, e se não o ouviram, poderão ouvi-lo nesta mesma app de podcasts, ou então através do link nas notas do episódio.

Fiz uma nova maquete, já com o texto e as ilustrações revistas e duas já bordadas, para mostrar qual o aspecto final que teriam, e encontrei-me outra vez com a Yara. Quando falei com ela sobre editoras, ela perguntou-me: “e porque não fazer edição de autor?”

Esse comentário da Yara acabou por abrir umas comportas dentro de mim. Até esse momento, pensei que todo aquele trabalho estava a ser feito mas em modo condicional: precisaria de encontrar uma editora que acreditasse no meu projecto e que quisesse avançar. Mas quando a Yara sugeriu esta modalidade, deixou de haver alguém externo a decidir sobre se o projecto andaria, ou não, e passou a depender só de mim.

Implementei novamente o feedback dado pela Yara neste segundo encontro e pus mãos à obra. A partir daí, foram dez meses a bordar todos os dias. Não todo o dia, porque havia outras obrigações, mas a primeira meia hora de trabalho de todos os dias. Dias houve, sobretudo aqueles em que tinha de tomar decisões criativas, em que a meia hora levou hora e meia a passar. Os ponteiros do relógio não se mexiam, os minutos não avançavam, e eu obrigava-me a sentar-me com o desconforto de não saber por onde seguir. Ajudou pensar que não precisava de ficar tudo bem à primeira tentativa, e que podia sempre desmanchar e fazer outra vez, e com essa atitude mais leve, lúdica, de brincadeira e de jogo, lá fui avançando, uma ilustração de cada vez.

Levei o bordado de férias comigo e aproveitei as ilustrações de praia, de Verão, para fazer na praia, no Verão. Assim, parecia mais que estava a escrever um diário do que realmente a trabalhar.

E, dez meses depois de começar a bordar, terminei todas as ilustrações. Agora já não havia volta a dar, e depois de todo aquele investimento, seria tonto voltar a guardar o livro na gaveta. Por isso enchi-me de coragem e montei uma campanha de crowdfunding, gravei um vídeo onde contava o processo do livro e como ele era um sonho que queria tornar realidade, e publiquei a campanha no dia 1 de Abril de 2024. Até parecia mentira, mas não era.

Mas vá, publiquei a campanha mas não disse a ninguém, porque já tinha sido emoção suficiente para um dia só. E só no dia seguinte comecei a partilhar a campanha com a família e os amigos, e para meu espanto, as contribuições começaram a chegar.

Aos quatro dias da campanha no ar, atingimos (e falo no plural, porque foi um esforço de todos!) o objectivo de financiamento. Nem queria acreditar! De maneira que daí em diante ainda consegui duplicar o objectivo, o que me permitiu aumentar a tiragem.

Bem, mas… e os efeitos? Os surpreendentes? Pois os efeitos foram imensos. Quando comecei a receber a magia vinda do Universo, em forma de contribuições de pessoas que nem sequer conhecia, fiquei siderada. Quando os exemplares do livro me foram entregues, vindos da gráfica, siderada fiquei. Comecei a entregá-los e o feedback foi muito mais amoroso que alguma vez podia ter imaginado.

Começaram a chegar os convites: uma amiga, disponibilizou-me um espaço e um intervalo de tempo na Feira do Livro para autografar e entregar exemplares. Na Casa do Jardim da Estrela, receberam-me de braços abertos, e fiz lá o lançamento oficial. Mais tarde, convidaram-me para falar no Festival Lavorada, na Póvoa de Varzim.

A páginas tantas, à pergunta que fiz a uma amiga: “como posso enviar exemplares do “Livro do Não” para Macau?”, essa amiga respondeu-me: “não queres cá vir apresentá-lo?”

E foi assim, que em Outubro de 2025, um ano e cinco meses depois de ter publicado o “Livro do Não”, em edição de autor, esse mesmo livro me levou a mim e à minha família a Macau, terra onde já vivi e onde foi especialmente emocionante voltar.

E tudo isto porque um dia, há muitas luas atrás, dei o passo e me sentei com o desconforto de enfrentar a procrastinação. Dei um passo, logo outro, e isso teve os efeitos esperados – conseguir publicar o livro – e os efeitos inesperados – as muitas maneiras de como as pessoas me contaram que o livro os tinha tocado e os muitos lugares aonde fui com e pelo “Livro do Não”.

E porque a procrastinação pode ser paralisante o tempo suficiente para se começar a cristalizar, e não queremos isso, de todo, no próximo dia 8 de Maio vamos ter a masterclass gratuita “ProcrastinAção!” em que iremos, precisamente, entender o mecanismo da procrastinação e traçar um plano para a superar.

O link para a página de inscrições na masterclass “ProcrastinAção!” vai estar nas notas deste episódio. Se sentem que é o momento de começar a trabalhar a procrastinação, não procrastinem e inscrevam-se hoje mesmo e, se puderem, façam chegar o link a alguém que também pode beneficiar de começar a superar a procrastinação. Vemo-nos lá!

Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy.

Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.

E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.

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Confissões de uma super-perfeccionista em recuperaçãoBy Ana Isabel Ramos