Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação

Episódio 41. Procrastinação e a nossa criança interior


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Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".

Começo já com uma confissão: procrastinei.

Chegou a hora de me sentar a escrever este episódio e distraí-me. Fui ver o email, fui ver as estatísticas, fui ver se a reel que tinha agendado no Instagram tinha sido publicada. Aproveitei e partilhei-a nas stories.

Neste episódio mencionamos:
“Não há partes más”, de Richard C. Schwartz
Masterclass “ProcrastinAção!”
Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias.
Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras.
Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não.
Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios.

Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy.

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E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.

Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik
Podcast
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Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento.

Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo.

Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”.

Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”.

Começo já com uma confissão: procrastinei.

Chegou a hora de me sentar a escrever este episódio e distraí-me. Fui ver o email, fui ver as estatísticas, fui ver se a reel que tinha agendado no Instagram tinha sido publicada. Aproveitei e partilhei-a nas stories.

E sabem o que isso é: é procrastinar. Porque tinha aqui aberto o documento Word para vos escrever, já com umas ideias que queria desenvolver e encadear, e pumba. Procrastinei, distraí-me, sabia que tinha até às 11 da manhã para escrever este episódio e são 10.52 e estou agora a começar.

De maneira que não quero que pensem que uma pessoa supera a procrastinação uma vez e fica superada para sempre. Não, de todo. Mas ao ter aprendido a entender a procrastinação, já não deixo que ela se arraste e cristalize.

De maneira que aqui estamos nós, hoje, a falar sobre a procrastinação e a nossa criança interior. Conhecem a figura da nossa criança interior? Faço-vos uma breve apresentação para a conhecerem ou voltarem a conhecer.

Uma personagem que nós sabemos que vive dentro de nós é o crítico interno. E sabemos, porque a sua voz se faz ouvir com bastante frequência dentro das nossas cabeças. O crítico interno fala sempre que acha que estamos a correr riscos. O problema, aliás, os problemas são: primeiro, ele acha que qualquer coisa que ameace o nosso ego é um risco. Por isso, uma mão que treme ao pintar e faz uma linha tremida é um risco para o nosso ego. E o segundo problema deste crítico interno é que raramente fala de uma maneira fofa connosco: normalmente é ácido, muitas vezes até malvado. Esta voz fala connosco como nós jamais falaríamos com uma amiga nossa. E, no entanto, esta voz é uma parte de nós, e somos nós que falamos assim connosco próprias.

Bem, mas para além da presença do crítico interno, nós temos outras partes que existem dentro de nós e que compõem quem nós somos. Algumas dessas partes são comuns a outras pessoas, como o crítico interno e a criança interna. E outras são partes só nossas, que têm que ver com as nossas circunstâncias próprias.

Há um livro muito interessante sobre estas diferentes partes que vivem dentro de nós e que fazem quem nós somos que se chama “Não há partes más”, de Richard C. Schwartz. Vou deixar-vos o link nas notas deste episódio.

E hoje quero falar-vos de uma dessas partes, presença certa mas por vezes muito escondida: a criança interna. A criança interna, contrariamente ao crítico interno, não tem muito espaço para se mostrar. Dentro da criança interna vivem os sonhos, as esperanças e os desejos que temos dentro de nós, e que estavam bem presentes quando éramos pequenas, mas que, com a vida, foram ficando cada vez mais apertados e esquecidos. A criança interna é a guardiã de quem um dia sonhámos ser, e por isso guarda o mapa do tesouro de quem almejamos vir a ser.

Enquanto que o crítico interno faz notar a sua presença com um discurso muito audível, e muitas vezes muito ácido, também, a criança interna esconde-se num lugar onde se sente protegida e resguardada. As exigências da vida adulta ocupam tanta largura de banda nas nossas cabeças que a criança poucas vezes tem espaço para aparecer. E por isso, quando ela aparece, não aparece ao megafone, como o crítico interno, mas como aquela luzinha num busca-polos quando encontramos o polo positivo num fio eléctrico. É assim uma centelha que brilha, e de vez em quando brilha mais forte, para nós sabermos que lá está.

A criança interna é a guardiã dos nossos sonhos e, como tal, sabe o que é realmente importante para nós, mesmo que nós já o tenhamos esquecido. E o que quer a criança interna? Quer vir brincar. Ela interage connosco através do jogo, da brincadeira, e assim vai-nos mostrando o caminho que nos leva aos nossos sonhos.

Agora vamos supor que nós estamos naquele momento em que queremos, e não conseguimos, dar início ao tal projecto especial para nós, ou aquela conversa que sabemos que temos de ter, ou, no meu caso, aquele episódio de podcast cujo guião quero escrever. Começamos a procrastinar: distraímo-nos com uma coisa ou outra, inventamos uma tarefa urgente, guardamos este projecto para um dia diferente, com mais sol, com mais chuva, com mais alinhamento astral, com mais tempo, com menos tempo, com melhor disposição, ou talvez não. No fundo, guardamos o projecto para um futuro incerto que não sabemos exactamente quando será.

Pensem na nossa criança interna, que está dentro de nós, desejosa de que encetemos o dito projecto. E porquê? Porque ela sabe que aquele projecto nos aproxima dos nossos sonhos – e nós também o sabemos, talvez de forma menos consciente. A criança interna vê-nos desperdiçar tempo e oportunidade, e adiar esse passo em direcção ao que tanto desejamos. A criança interna lá fica escondida, tapada por todas as tarefas que lhe pusemos na frente.

E como fazer, então, para superar a procrastinação? Bem, em primeiro lugar temos de encarar de frente esta resistência, sentir o desconforto e investigar, dentro de nós, qual é o medo que se activou com o início iminente do dito projecto.

E depois, tendo essa informação, podemos então começar a avançar. E aí, nada melhor que convocar a nossa criança interna para vir brincar connosco, retirar a pressão de cima de nós próprias e pensar que a primeira versão não tem de ser a versão final, perfeita, polida, terminada. A primeira versão é só a primeira versão, e quanto mais brincarmos com a nossa criança interna, mais leve, solta e certeira será esta primeira versão.

Há quem chame a esta primeira versão do dito projecto a versão do “vómito”, aquela em que deitamos fora tudo o que temos cá dentro e que queremos incluir. Apesar de achar a imagem colorida, ainda que mal cheirosa, prefiro pensar nesta versão como a versão em bruto, a brincadeira em que cabe tudo o que tem que ver com o tema. A versão em que brincamos, juntamente com a nossa criança interna, e que nos divertimos a explorar possibilidades que talvez não experimentássemos se o crítico interno estivesse mais activo.

E depois, depois sim, é altura de pegar nessa primeira versão e começar a poli-la, a melhorá-la, sabendo que qualquer projecto que vemos à nossa volta levou repetição atrás de repetição, melhoria atrás de melhoria, e que construímos sempre sobre o que já temos. Não é de esperar que numa primeira versão saia a melhor versão. Sai a mais leve, a mais solta, a mais lúdica, e depois trabalhamos a partir daí.

Pensem, por exemplo, no iPhone. Quando apareceu, foi algo absolutamente revolucionário, na medida em que misturava num só objecto um conjunto de objectos que haviam existido em separado, até essa data.

Mas esse primeiro iPhone está longe de ser o melhor iPhone que já vimos, e está muito longe das versões que temos actualmente, mais modernas, mais bem desenhadas, tanto a nível de hardware como de software. A facilidade de utilização do iPhone hoje não se compara à da sua primeira versão – e essa primeira versão já era bem inovadora.

Então quando nós estamos a começar um projecto – vamos fazer de conta que estamos a inventar um “novo iPhone” – não podemos ir comparar a nossa primeira versão com a versão acabada de outro que já esteja no mercado.

Bem, em vez de iPhone, chamemos-lhe, para dar um exemplo, “livro”. Quando começamos a escrever um novo livro, dá-nos o medo, vêm as resistências, adiamos uns tempos, temos aquele medo de que o que quer que seja que venha a escrever nunca será tão giro, tão interessante, tão chamativo quanto o que vemos que já existe no mercado. E aí, paralisamos.

Então, temos de convocar a nossa criança interior para vir brincar, e, a brincar, escrever a primeira versão do nosso “livro”. E depois de escrita a primeira versão, versão essa onde cabem todos os sonhos, brincadeiras e desejos da nossa criança interna, aí então começamos a esculpir a nossa história e a transformar o que é um texto em bruto num lindo diamante: devagar, com calma, com paciência, com repetição, com correcções sucessivas.

A procrastinação tem andado muito presente na minha vida, o que não é de estranhar, pois a masterclass gratuita “ProcrastinAção!” terá lugar no próximo dia 8 de Maio, mas é muito interessante ver como este fenómeno aparece nos momentos-chave, aqueles que nos mostram o que é realmente importante para nós. E é também lindo ver como quando nos animamos a brincar com a nossa criança interior que os nossos melhores trabalhos saem à luz do dia, ainda que tenhamos sentido resistência em algum ou alguns momentos do processo.

O link para a página de inscrições na masterclass “ProcrastinAção!” vai estar nas notas deste episódio. Se sentem que é o momento de começar a trabalhar a procrastinação, não procrastinem e inscrevam-se hoje mesmo e, se puderem, façam chegar o link a alguém que também pode beneficiar de começar a superar a procrastinação. Vemo-nos lá!

Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy.

Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.

E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.

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