Série de entrevistas com pesquisadore(a)s argentino(a)s, integrantes do "Instituto de Investigaciones en Didáctica de las Ciencias Naturales y la Matemática" (CeFIEC), da Universidade de Buenos Aires. ( Buscávamos compreender os modos pelos quais incorporam conteúdos e desenvolvem intervenções pedagógicas a partir dos aportes teóricos da filosofia, história, sociologia e psicologia - em interação com preocupações de um ensino de ciências em perspectiva diversa e consistente ).
O contato com essa Licenciada em Física, Doutora em didática de ciências naturais “en contextos de diversidad cultural” foi uma grande (e inesperada) oportunidade de conhecer modos de introduzir no ensino questões a ver com etnociência, conhecimentos ancestrais e interculturalidade – temas que se apresentam como muito pertinentes se o interesse é justamente visar uma perspectiva epistemológica de ordem geográfica ou “situada”.
Para Chadwick, a escola, por ser peça fundamental na definição de dualidades (por exemplo a “nosotros-otros”), precisaria conceber práticas que moderassem toda tendência à inferiorização, evitando a que se naturalizem visões hierárquicas que estigmatizam certos grupos e tradições de conhecimento. De modo específico, a pesquisadora se alinha a uma atual preocupação pedagógica chamada “Educación Intercultural Bilingüe”; e estuda as diferenças significativas presentes em cosmologias indígenas – em especial, no seio da comunidade Qom, instalada atualmente no território do Gran Chaco argentino. E, entendendo que as crianças pertencentes a outras culturas possam ter dificuldade em assimilar os modelos científicos ocidentais, se esforça em compatibiliza-los com modelos explicativos de culturas indígenas, a fim de que o espaço da escola não segregue visões mitológicas, e antes seja um ambiente em que elas percebam pontos de contato e valorizem a função especial de cada tipo de conhecimento.