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Quando então alguém como Darcy Ribeiro fala que a crise da educação é um projeto no Brasil precisamos sim considerar as implicações dessa afirmação.
Aqui vamos ressaltar apenas uma, historicamente a educação é um privilégio de poucos. Especialmente a educação superior. Fazer minguar investimentos, aporte de recursos, intervir na escolha de seus dirigentes, transformar universidades em “centros de empreendedorismo”, “enxugar” quadro de professores e cobrar mensalidade são no fundo etapas de uma luta empreendida pelos “donos do poder”(RAIMUNDO FAORO) para que a população mais pobre não tenha acesso a universidade. E isso é um projeto.
O autor da PEC 206 Ddsconhece a realidade dos nossos estudantes ao dizer que a maioria é oriunda de escola particular. Segundo pesquisa do ANDIFES obre perfil socioeconomico: “Outro dado que se destaca é o percentual de estudantes inseridos na faixa de renda mensal familiar per capita até um e meio salários mínimos. Em 1996, quando foi realizada a primeira edição da pesquisa, eles eram 44,3% do corpo discente, número relativamente próximo aos dos percentuais encontrados nos levantamentos realizados em 2003 e 2010. Porém, percebe-se que, a partir de 2014, ocorre salto e os estudantes nessa faixa de renda passam a ser 66,2% do total de estudantes da graduação, chegando a 70,2% em 2018.”
Em universidades federais como a UFAL no Nordeste esse percentual de vulnerabilidade é ainda maior onde 82% dos estudantes estão em situação de vulnerabilidade apenas agravada após pandemia.
Lamentavelmente no entanto há uma contradição entre nós.Alunos, ex-alunos e professores do lado dessas propostas.
A soma de dinheiro que é desviado por tais esquemas anualmente ( somente o rastreado) seria capaz segundo o alto comissariado para alimentar 80 vezes as pessoas que passam fome no mundo. Os números dessas pessoas no Brasil era de 19 milhões em finais de 2021 segundo a rede brasileira de pesquisa em soberania e segurança alimentar e nutricional.
Isso equivale meus caros à população do Chile. Essa realidade segundo pesquisa do IPEC que saiu em novembro de 2021 poe a fome e a pobreza como as primeiras preocupações entre jovens entre 16 e 34 anos para definir seu voto. Seguem de perto a questão do emprego e a do meio ambiente.
A pauta que surge para as eleições para o Brasil de 2023 muda. Se antes o combate a corrupção era tema central, claro que impulsionado por uma mídia desonesta à época, a partir da escasses na nossa mesa, o tema agora é “o que vamos comer amanhã no almoço?”
Há dois pontos importantes no que diz Paulo Freire sobre tudo isso. Vamos aos mesmos.
Primeiro, os oprimidos “hospedam em si” os opressores. Eles caso não se vejam libertados,em lugar de lutar pela libertação , lutam para se tornarem opressores. Esse é o ideal ensinado por bandeiras como empreendedorismo, voluntariado e tantas outras capas que dissimulam a perpetuação da opressão. O aluno que vem de classe baixa sonha que ao se formar possa ele mesmo ser agora patrão.
Segundo, a única forma de dá início a esse ciclo é sentir a contradição. Apenas quem é vitima da opressão, será capaz de compreender a necessidade de libertação. Libertação que chega como diria Paulo, na práxis de sua busca. Reconhecer que é fruto de luta pela mesma e não como resultado do que Paulo chama de falsa generosidade do Estado que alimenta muitos programas sociais e assistencialistas em escala municipal e nas demais.
Aqui, uma oportunidade se abre para a classe média no Brasil atual. E também para nós professores de universidade federal. A defasagem salarial que hoje acumula-se em quase 50% de perdas da categoria docente federal e de técnicos que tem privado muitos colegas até mesmo de segurança alimentar de si mesmos e de seus filhos; do lazer do final de semana; da viagem não realizada; do sonho adiado e da troca de carro ano a ano que era realidade de muitos servidores federais na década de 80, abre uma oportunidade.
Sentir a contradição e os efeitos da opressão em um nível como há muito não se sente.
"O preço dos alimentos em Fevereiro é o mais alto em cerca de 100 anos, sendo superado apenas pelo preço dos alimentos na época da 1ª Guerra Mundial e da pandemia da influenza, no quinquênio 1915-1920.” (DINIZ,2022).
Esse preço é que vem aumentado o numero de pessoas em situação de insegurança alimentar. A fome chega e chega sem perceber também nos lares da classe média.Ela já está nos estratos mais vulneráveis mas também na classe media vai se acomodando na hora de optar pelo frango em lugar da carne de boi, pela manteiga mais barata, e por aí vai. Não nos enganemos,a fome é talvez o último estágio antes da tomada de consciência de classe. Quando ela chega e atinge filhos e filhas, talvez aí, a classe trabalhadora perceba que não resta outra alternativa que não seja lutar pela sua sobrevivência física ao lado de quem já sofre a fome há muito mais tempo.
Entrevistas oficina de diálogo 01 e o MEDO DA LIBERDADE
Não perceber a injustiça é melhor para quem? Não é a percepção do direito negado ou violado que causa o caos, pois este já está estabelecido. Consciência da realidade é o que permite sermos agentes de nossa própria transformação.
Numa época após a pandemia covid 19 quando nas universidades se discute ensino remoto, híbrido, plataformas de ensino e pós graduação a distancia, há ainda gente que mesmo não sabendo ler ou escrever insistem em não ter medo da liberdade.
Aprender a ler palavras e o mundo e escrever sobre ele é uma ação revolucionária que pode sim mudar a vida de milhares de pessoas mas também de libertar a nós mesmos educadores das universidades do medo da liberdade.
Importa por isso mesmo apostar na democratização da inovação, autonomia dos territórios, apostar na interiorização do ensino superior que hoje luta pra se manter sem recursos, sem estruturas muitas vezes mas que tem sim possibilidades de realizar algo com significância.
A democracia que dizemos defender deve virar espacialidade caso não é abstrata e abstrações não fazem revoluções.
Uma agenda urbana regionalizada e por urbano maior que as capitais é disso que o Brasil precisa.
A era (ética) da mediocridade : A mediocridade recompensada
A cidade dialógica : Direito à cidade e democracia a partir do diálogo em Paulo Freire
A sociedade entre o crime e o autoritarismo no Brasil
A falsa neutralidade dos conceitos de sociedade e cultura
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