Neste ano de 2023, aliás, o ECK tem tratado, em sua revista espírita eletrônica "Harmonia", das questões afetas às modificações e interpolações feitas nas duas últimas - e mais maduras - obras de Allan Kardec, "O Céu e o Inferno" e "A Gênese", cujas edições veiculadas após a sua morte (31 de março de 1869), foram as que receberam tradução e divulgação por várias editoras, por todo o século passado e parte deste. No entanto, a partir de 2018, as edições "recuperadas", baseadas nas publicações em francês feitas em vida por Kardec, foram disponibilizadas ao público, no Brasil e no exterior, sobretudo em versões em português, espanhol e francês.
Na bancada, temos mais uma vez o professor universitário e dirigente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE), Marco Milani (SP), com a participação, nos debates, de Alexandre Ferreira (SP), moderados por Marcelo Henrique (SC), estes últimos membros do Conselho de Gestão do ECK.
A temática é de indiscutível importância para todos os que estudam a fundo as obras espíritas originárias, considerando que a Filosofia Espírita parte, necessariamente, do estudo associado, conjugado e completo do conteúdo das 32 obras de Kardec.
Resgatamos, assim, neste debate, o conjunto dos estudos recentemente realizados, promovidos pela área de estudos da federativa paulista (USE), em sede das duas citadas obras, para perceber o impacto do conjunto de modificações realizadas postumamente em ambas, e a sua correlação com princípios e fundamentos doutrinários.
Pergunta-se, então: existem alterações que "parecem" ser da lavra de Kardec? Quais os pontos em que não existe dúvida de que foram outros indivíduos que realizaram adulterações em trechos das obras em questão, uque indicam a presença de elementos alienígenas, totalmente distantes da lógica e do bom senso aplicado do Professor francês?
Em consequência, que efeitos foram e continuam sendo produzidos em relação a indivíduos, grupos e instituições espíritas? E, também, qual a contribuição dos estudos e da divulgação de resultados para a recuperação do conteúdo original e finalístico da Doutrina dos Espíritos? Em contraponto, por que existem pessoas refratárias à ideia da adulteração (e consequente desnaturação do conteúdo espírita) e qual o porquê de defenderem que as obras seriam de Kardec?
O ECK, assim, prossegue em sua proposta de abordar assuntos da atualidade espírita, de modo responsável e construtivo, sempre com o "tom" provocativo e prospectivo, com benefícios a todos os que acessarem este conteúdo.