Emaranhada

Eu quero que você faça terapia!


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“Eu quero que faça terapia.”

O pedido do meu médico foi mais que uma indicação, soou para mim como uma ordem,  quase um apelo. Ele é meu clínico geral já tem mais de 5 anos, mas aquela era a primeira vez que a consulta abrangia a sua outra especialidade: a psiquiatria.

O nome dessa profissão, não deveria, mas assusta né?! O jugo comum a intitulou como “médico para doido”. Você já deve ter ouvido ou até mesmo proferido algo nesse  sentido: “Ir no psiquiatra para quê? Não estou maluca!” Como já disse, por mais que o termo saúde mental tenha saído do armário e invadido o mundo, infelizmente os estigmas ainda existem - firmes - na nossa cultura. 

Mas, como eu não sou especialista da área, não falarei sobre termos, diagnósticos e tratamentos. Não, esse não é meu objetivo. Meu objetivo é simplesmente compartilhar a minha vivência para encontrar conforto nas minhas palavras e, se por acaso, o que escrevo e narro tocar alguém, é apenas reflexo desse mundo em que nos calamos e nos emaranhamos nas emoções.

“Eu quero que faça terapia.” Aquela indicação não chegou aos meus ouvidos como novidade. Acredito na terapia, fiz em outros momentos da minha vida e acredito que todo mundo deveria fazer. Esse ato de sentar em um cadeira ou poltrona ou deitar em um divã e contar para outra pessoa - que você nunca viu na vida - sobre suas vivências, sentimentos e emoções. Tenho vivido esses momentos de forma semanal e por horas. E, ao mesmo tempo que faço meus relatos, me ouço. É um confronto, um reconhecer, um momento de atentar para situações que deixei passar, que fingi não ter acontecido. Revisito momentos do passado para buscar a compreensão do agora, para entender as mudanças, como estou e como cheguei até aqui.

Para mim, terapia é movimentar a mente, bagunçar as caixas de sentimentos para organizar, repensar ou jogar fora. A minha terapia foge das paredes do consultório… é também o meu ato de deixar no papel os ajustes, as lembranças e os sentimentos dessa movimentação.  O processo de desemaranhar me confronta e traz dores, ao mesmo tempo que me conforta e traz alegrias e alívios.

“Eu quero que faça terapia.” Uma das fases que esse emaranhado da vida me trouxe e que sei que não estou sozinha… tudo passa, nós passaremos e seguiremos ainda mais firmes!

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EmaranhadaBy MaJú Mendes