à toa pelo mundo

expat é imigrante sim


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Grin

expatex-pátriaexterno à pátria aquele que sai sem saber se pousaaquele que fica sem desfazer as malas

só pode ser expat se for gringrin go home grin go far grin go f**k yourself

gringo é expatchiquemigrou e não é grin: imigrincom todo aquele pesotodos aqueles murose torcidas de narizde onde sai meleca grin

spitspatexpat 

colonialismo líquidosalário bomsó se for grin

deu ruim é só voltaré só mudar 

bom é passaporte grincheio de carimbine sim sinhozin

brasileira brancana Ásia e na África é grinna Europa e na Oceania é imigrinna América Grin, imigrine na Latina, hermana

bem melhor ser irmãa gente tinha que ser tudo irmã

sem fronteirasem passaportesem machis racis moralis

em trânsito ou estacionadas rodando esse planeta existências residênciastodas são temporárias entrepassam e brotamirmães de todosirmães de mim

estou no aeroporto Suvarnabhumi em Bangkok. espero meu voo pro Mianmar. talvez você já tenha ouvido falar da Birmânia? esse era o nome do país durante a colonização inglesa. Burma > Mianmar.

agora lá é ditadura militar, cheia de olhos e restrições. por exemplo: só pode entrar no país voando, as fronteiras por terra estão fechadas. nas montanhas entre o Mianmar e a Tailândia ainda tem guerra civil, com violações de direitos humanos que o governo não quer que o resto do mundo saiba (muito menos veja).

no formulário da embaixada eu disse que sou uma inofensiva tradutora de livros infantis. é que não dão visto pra jornalistas de jeito nenhum, então tenho que mentir.

no celular, levo dois livros em PDF que com certeza são proibidos. e um documentário sobre a revolução açafrão. a que os monges fizeram, lembra? os militares atiraram contra os manifestantes. passou na tevê, eu lembro.

dia 1º de abril rolaram as primeiras eleições democráticas em décadas. uma meia-mentira, pra preencher poucas vagas no parlamento. quase todas foram ocupadas pelo partido de oposição. inclusive a Aung San Suu Kyi, que ficou 15 anos em prisão domiciliar e ganhou um Prêmio Nobel da Paz pelo seu papel na resistência.

mas os militares continuam tendo maioria e mandando em tudo.

por causa do bloqueio econômico dos países da Europa e dos Estados Unidos, no Mianmar não tem coca-cola nem caixa eletrônico de banco ocidental. estou levando o dinheiro que pretendo gastar em notas de 50 dólares novinhas. não podem ter nem uma dobra, nem uma marca, nada, se não as casas de câmbio não aceitam.

apesar dos senões, parece que viajar no Mianmar é sensacional. Clau e Javi amaram e passaram várias dicas, inclusive pra evitar dar dinheiro pro governo genocida (por exemplo nunca andar de trem, que é estatal). disseram que as pessoas normais do Mianmar compensam os perrengues oficiais com muita simpatia e interesse nas notícias do mundo aqui fora. 

outra coisa que me anima é que estarei lá pro Festival da Água, Thingyan. é o Ano Novo Budista, meu terceiro reveiom nesse 2012. feriado durante quatro dias e todo mundo brinca de jogar água uns nos outros. na Tailândia e no Laos fazem uma festa parecida na mesma época.

meu embarque começou, tenho que ir.

confesso que me sinto um pouco apreensiva, mas o desejo de conhecer um país sem turismo fast-food é maior. estou cansada dos gringos festeiros que vêm fazer merda no país dos outros. sinhozinhos do mundo.

no Mianmar vai ser diferente, tenho certeza.

daqui a pouco vou entender melhor. ou pelo menos vou estar lá pra tentar entender. pra sentir.

nos falamos em breve!beijinhos,

Lívia



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à toa pelo mundoBy Livia Aguiar