(A razão de nossos medos e sofrimentos, encontre a palavra que a resume, ela está nesse texto).
Estamos viciados em pensar, pensamos freneticamente de tal forma que a magia dos instantes se diluiu em nossa constante viagem psicológica. Vamos fazer um teste sobre seu grau de distração. Sem olhar tente dizer qual o ícone do canto superior direito de seu smartphone? Percebe, estamos iludidos por uma realidade inexistente, imersos em pensamentos que nos remetem ao passado ou a uma projeção ignorante sobre o futuro, mais de 80% de nossos pensamentos são improdutivos e altamente nocivos ao nosso bem estar.
Nos perdemos no tempo, por não sabermos apreciar o que nos cerca, nossa consciência seleciona o que devemos viver, e quando estamos naufragados em pensamentos, isso significa que o momento presente passou a ser negligenciado e estamos nos movendo automaticamente, sem perceber o que se passa, apenas agimos de acordo com o que pensamos e não com a realidade. Nossa consciência só irá voltar ao instante presente se algo que nos coloque em risco ocorra, caso contrário nem mesmo um momento de prazer nos dá plenitude, pois chega a ser tão intenso esse vício, que ao vivenciar algo regozijador e prazeroso, nossos pensamentos temem o termino desse momento. Isso ilustra o fato de até a alegria nos causar ânsia de acabar, o que comprova que estamos até nos momentos de deleite, aonde deveríamos estar apreciando e sentindo o prazer, roubados pelo futuro, em forma de medo que o presente cesse. E é muito provável que estivemos sequestrados pelo futuro quando esse acontecimento ainda não havia ocorrido, esperando ansiosamente por ele, mas quando ele veio, veio com ele o medo do óbvio, nos impedindo de apreciar, e nos remetendo para o futuro novamente.
Estamos presos em nós mesmos e em nossos pensamentos que não cessam, por que nunca aprendemos a manter nossa mente no agora, note quantas vezes percebeu que devia ter amado mais, e que a maior parte do que o preocupou, foram apenas distrações lunáticas de algo que nunca houve, mas que nos roubou do agora. Roubou nossa paz, roubou a possibilidade de observar o que nos cerca. A maioria dos relacionamentos não findam por falta de amor, mas por excesso de pensamentos. A maioria dos sonhos que nunca se consolidaram, não foram por falta de capacidade mas por excesso de medo, e de onde surgem os medos? Do pensar, de onde surge o sofrimento? Do pensar, de onde surgem as crenças limitantes? Do pensar, de onde surge o mal? Do pensar, e por que deixamos de amar intensamente? Por pensar demais, pois não é possível fazermos duas coisas ao mesmo instante, pensar e amar. O amor vem do contemplar, as outras formas, são hipócritas. Quer um exemplo? Observe um pai olhando seu filho quando bebê. Ele sente a beleza, ele observa como se o tempo parasse, ele acaricia sentindo a pele de seu filho, ele pega no colo sentindo o calor do toque, ele olha nos olhos e se encanta. Peça a esse pai se há felicidade maior que essa.(Ele dirá que não). Perceba como um pai fica bobo a esse encanto, essa é felicidade genuína, esse é o amar verdadeiro, e é disso que precisamos com tudo que nos cerca. Esse é o amor, o amor que nasce da apreciação no momento presente. Lembra da infância, o tempo passava devagar, e era um tempo tão nobre. O tempo é o mesmo, mas quando crianças nos deslumbrávamos com tudo que víamos, O tempo era o mesmo, mas o vício em pensar era bem menor. Se o mal do século é a ansiedade e o inferno das pessoas tem sido seus passados, o mal da humanidade tem sido o excesso de pensamentos.
(Fabiano Moraes) –