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Audiência geral do Papa Bento XVI, de 26 de Setembro de 2012, sobre a Liturgia como espaço privilegiado da oração a Deus.
"Existe outro «espaço» precioso, mais uma «fonte» inestimável para crescer na oração, uma nascente de água viva em relação estreitíssima com a precedente. Refiro-me à liturgia, que constitui um âmbito privilegiado no qual Deus fala a cada um de nós, aqui e agora, e espera a nossa resposta.
O que é a liturgia? Se abrirmos o Catecismo da Igreja Católica — subsídio sempre precioso, e diria indispensável — poderemos ler que originariamente a palavra «liturgia» significa «serviço por parte do povo a favor do povo» (n. 1.069). Se a teologia cristão tomou este vocábulo do mundo grego, fê-lo obviamente pensando no novo Povo de Deus nascido de Cristo, que abriu os seus braços na Cruz para unir os homens na paz do único Deus. «Serviço a favor do povo», um povo que não existe sozinho, mas que se formou graças ao Mistério pascal de Jesus Cristo. Com efeito, o Povo de Deus não existe por laços de sangue, de território, de nação, mas nasce sempre da obra do Filho de Deus e da comunhão com o Pai, que Ele nos obtém.
Além disso, o Catecismo indica que «na tradição cristã (a palavra «liturgia») quer dizer que o Povo de Deus toma parte na “obra de Deus”» (n. 1069), uma vez que o Povo de Deus como tal só existe por obra de Deus.
Foi o que nos recordou o próprio desenvolvimento do Concílio Vaticano II, que começou os seus trabalhos, há cinquenta anos, com o debate acerca do esquema da sagrada liturgia, depois aprovado solenemente, a 4 de Dezembro de 1963, o primeiro texto aprovado pelo Concílio. Que o documento sobre a liturgia tenha sido o primeiro resultado da Assembleia conciliar, talvez alguns o tenham considerado um caso. Entre muitos planos, o texto sobre a sagrada liturgia parecia ser o menos controverso e, precisamente por isso, capaz de constituir uma espécie de exercício para aprender a metodologia do trabalho conciliar. Mas sem qualquer dúvida, aquilo que à primeira vista pode parecer um caso, demonstrou-se a escolha mais justa, também a partir da hierarquia dos temas e das tarefas mais importantes da Igreja. Com efeito, começando com o tema da «liturgia» o Concílio ressaltou de maneira muito clara o primado de Deus, a sua prioridade absoluta. Antes de tudo, Deus: é precisamente isto que nos diz a escolha conciliar de começar a partir da liturgia. Onde o olhar sobre Deus não é determinante, todas as outras realidades perdem a sua orientação. O critério fundamental para a liturgia é a sua orientação para Deus, para poder assim participar na sua própria obra".
Texto completo do episódio em: https://falachicopodcast.com.br/fc-356-a-liturgia-como-espaco-privilegiado-da-oracao-bento-xvi-audiencia-geral
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Fala, Chico! é um podcast dedicado à leitura de cartas, encíclicas, exortações e homilias dos Papas e textos da Tradição da Igreja Católica, produzido, editado e apresentado por Eugênio Telles.
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Leitura do tópico "Desenvolvimento da Liturgia", da Introdução do livro "Curso de Liturgia", do Pe. João Batista Reus, S. J., de 1944.
"No antigo testamento, todo o culto do povo de Israel foi ordenado por lei divina. Os deveres múltiplos dos sacerdotes israelitas, bem como o modo de oferecer os vários sacrifícios, foram minuciosamente revelados por Deus a Moisés, que os fixou no livro Levítico.
A Igreja do novo testamento devia abranger todos os povos do mundo, tão distantes, tão diferentes em costumes. Um novo culto público tornou-se indispensável. O Legislador divino criou-o e estatuiu para a nova Liturgia, que consiste mormente na missa, umas poucas leis, encarregando a sua Igreja de alargá-las com cerimônias convenientes, sob a direção do Espírito Santo. As partes essenciais da missa, a forma essencial dos sacramentos, o Pai Nosso formam os elementos da Liturgia divina.
Os apóstolos contentaram-se, a princípio, com os poucos ritos divinos e acompanham-nos com as orações e algumas cerimônias, que conheciam do templo. O próprio Salvador tinha empregado antigos e novos ritos, pois tinha preparado a primeira consagração eucarística com o rito da páscoa antiga. Esta ordem conservou-se nas duas partes da missa: a missa dos catecúmenos e a missa dos fiéis. Na primeira havia orações e leitura da sagrada Escritura, na segunda a consagração; divisão esta que se encontra desde o princípio do cristianismo.
Os apóstolos usaram o seu direito litúrgico. S. Paulo, por exemplo, ordenou que as mulheres viessem para a reunião dos fiéis de cabeça velada ( 1 Cor 11). Quais dos ritos modernos foram introduzidos pelos apóstolos, não podemos definir com certeza. Sabemos, porém, que os aposfolos receberam do divino Redentor a ordem: "Depois de doze anos, saí para o mundo, a fim de que ninguém diga: não ouvimos nada" (Post duodecim annos egredimini, ne quis dicat: non audivimus. Clemens Alex. Strom 6, 5, 43; Apollonius em Eusébio, Hist. Eccl. 5, 18, 14; outro autor fala de 7 anos.) A cronologia bíblica, baseada também em outros cálculos, chegou quase ao mesmo número de 12 a 13 anos (Pirot, Dict. d. l. bible 1928, Suppl. I. p. 1294-1295). Sem dúvida, durante esses 12 anos em Jerusalém, todos os apóstolos celebraram os santos mistérios e a Liturgia da mesma maneira. Por isso é muito provável que os ritos comuns a todas as Liturgias tenham por autores apóstolos.
Também foi sempre tradição da Igreja que na Liturgia há partes instituídas por eles. S. Basílio († 379) diz que os ritos litúrgicos, usados por toda a parte e cujo autor é desconhecido, dimanam da autoridade dos apóstolos. Portanto, a leitura da escritura sagrada, o Sursum corda e as outras saudações e respostas antes do prefácio, o cânon, foram introduzidos por eles.
Texto completo do episódio em: https://falachicopodcast.com.br/fc-355-o-desenvolvimento-da-liturgia-pe-joao-batista-reus-s-j
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Leitura do prefácio do livro "Patrística - Justino de Roma" (Ed. Paulus).
"A julgar pelos nomes de seu pai, Prisco, seu avô, Báquio, e de seu próprio, Justino não é de origem judaica, embora nascido na Samaria. No cabeçalho de sua I Apologia 1,1, ele nos fornece detalhes de suas origens: “Ao imperador… Em prol dos homens de qualquer raça que são injustamente odiados e caluniados, eu, Justino, um deles, filho de Prisco, que o foi de Báquio, natural de Flávia Neápolis, na Síria Palestina, compus este discurso e esta petição”.
Sua formação intelectual foi das mais aprimoradas. Segundo seu próprio testemunho, percorreu cidades e escolas filosóficas desejoso de conhecer a verdade, de tornar-se sábio. “Ardendo para ouvir o que é próprio e excelente na filosofia”, freqüentou os estóicos, peripatéticos, pitagóricos e platônicos (cf. Diál. 2,1-6) sem, contudo, encontrar respostas para seus anseios e suas indagações. Finalmente, através do ancião, teve conhecimento da “única filosofia certa e digna”, o cristianismo (Diál. 3-8).
Justino é, certamente, o melhor apologista do século II. Seu estilo, contudo, não é atraente. Não domina com mestria a arte de escrever. Nem chega a ser um pensador original e profundo, mas está a par das correntes filosóficas de seu tempo. É, assim, um grande erudito e um escritor convicto.
A data da composição desta obra pode ser deduzida de alguns dados internos. O primeiro está em sua própria dedicatória: ela é dirigida “Ao imperador Tito Élio Adriano Antonino Pio César Augusto, ao seu filho Veríssimo, filósofo, e a Lúcio, filho natural do César, filósofo e filho adotivo de Pio, amante do saber, ao sacro Senado e a todo o povo romano”. Ora, estes imperadores reinaram do ano 147 ao ano 161. A Apologia deve ter sido escrita ao longo destes 15 anos. Segundo, no capítulo 46,1, Justino menciona que uma das objeções contra a doutrina cristã era a de “dizermos que Cristo nasceu somente há cento e cinqüenta anos sob Quirino e ensinou sua doutrina mais tarde, no tempo de Pôncio Pilatos”. Embora se deva tomar o ano cento e cinqüenta como um arredondamento, pode-se pensar que a redação da I Apologia não se deu antes desta data. Finalmente, no capítulo 29,2-3, Justino menciona o caso de um jovem cristão que recorreu ao prefeito Félix de Alexandria, suplicando-lhe interceder junto ao governador da província uma licença para se castrar. Ora, os especialistas identificam o prefeito Félix como Minúcio Félix, o qual reinou em Alexandria do ano 148 a 154. A I Apologia, portanto, deve ter sido escrita por volta de 155”.
Texto completo do episódio em: https://falachicopodcast.com.br/fc-354-quem-foi-justino-de-roma
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Leitura dos parágrafos 65 a 67, da 1ª Apologia de Justino de Roma, sobre a liturgia dominical.
"67. Depois dessa primeira iniciação, recordamos constantemente entre nós essas coisas e aqueles de nós que possuem alguma coisa socorrem todos os necessitados e sempre nos ajudamos mutuamente. Por tudo o que comemos, bendizemos sempre ao Criador de todas as coisas, por meio de seu Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo. No dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se lêem, enquanto o tempo o permite, as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos. Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces. Depois de terminadas, como já dissemos, oferece-se pão, vinho e água, e o presidente, conforme suas forças, faz igualmente subir a Deus suas preces e ações de graças e todo o povo exclama, dizendo: “Amém”. Vem depois a distribuição e participação feita a cada um dos alimentos consagrados pela ação de graças e seu envio aos ausentes pelos diáconos. Os que possuem alguma coisa e queiram, cada um conforme sua livre vontade, dá o que bem lhe parece, e o que foi recolhido se entrega ao presidente. Ele o distribui a órfãos e viúvas, aos que por necessidade ou outra causa estão necessitados, aos que estão nas prisões, aos forasteiros de passagem, numa palavra, ele se torna o provisor de todos os que se encontram em necessidade. Celebramos essa reunião geral no dia do sol, porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Com efeito, sabe-se que o crucificaram um dia antes do dia de Saturno e no dia seguinte ao de Saturno, que é o dia do Sol, ele apareceu a seus apóstolos e discípulos, e nos ensinou essas mesmas doutrinas que estamos expondo para vosso exame”.
Texto completo do episódio em: https://falachicopodcast.com.br/fc-353-a-antiguidade-da-liturgia-da-santa-missa-justino-de-roma
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Leitura do subtópico "Culto público", do Capítulo I: Definição da Liturgia, do livro "O Espírito de Deus na Santa Liturgia", de Dom Gaspar Lefebvre, 1962.
"Em seu colóquio com a Samaritana, Nosso Senhor, declara, relativamente ao culto a prestar a Deus:
"Aproxima-se — e mesmo já chegou — a hora em que os verdadeiros adoradores, adorarão o Pai em espírito e em verdade; c assim que quer o Pai seus adoradores. Deus é espírito, e em espírito e verdade é que o devem adorar os que o adoram” (Jo 4.23-24.).
Com o Messias soou a hora em que o culto mosaico deverá ceder lugar a um culto de caráter verdadeiramente universal. Já não terá fundamento a rivalidade entre Judeus e Samaritanos. Ao instituir a Nova Lei, Cristo estabelecerá um sacrifício novo que suplantará todos os da Lei antiga. Será celebrado no mundo inteiro e num espírito inteiramente novo que será verdadeiramente a alma de todo o culto cristão.
"A hora desse universalismo, diz o Pe. Braun, coincide com a hora da religião mais interior que Cristo nos veio ensinar, e que não nos é dada como destruição da religião antiga, mas como seu acabamento... Os Judeus contentavam-se muito facilmente com suas práticas rituais. Haviam chegado, assim, a reduzir o culto divino a um conjunto de atitudes e de gestos desprovidos de sentimento... Os verdadeiros adoradores evitam rejeitar as práticas exteriores que sempre serão postuladas pelo fato de sermos um composto de alma e de corpo. Acentuam, porém, o culto em espírito . . . Adorar e rogar a Deus em espírito é adorá-lo e rogá-lo de todo coração, de toda alma, com pureza de intenção. E adorá-lo assim, em espirito, é adorá-lo em verdade, "verdadeiramente”. O culto puramente exterior, sem devoção interior, não passa de simulacro da oração” (La Sainte Bible t. X , pp. 344-345).
Não é que Jesus rejeite a oração vocal, pois que a seus discípulos ensinou as fórmulas do Pater noster. Sta. Teresa nos fala de uma religiosa que "gozava da pura contemplação enquanto dizia o Pai Nosso” (Caminho de Perfeição, 25, 1; 30, 7.). E ela própria encontrava nessa recitação um grande meio de união a Deus.
O Pater noster cantado ou rezado em voz alta pelo sacerdote no altar tem grande força junto de Deus quando tais aspirações e pedidos emanam de uma alma que deles plenamente se apropria.
Declara Sto. Tomás na Suma Teológica:
"Mesmo a adoração corporal se faz em espírito, porquanto procede da devoção espiritual e conduz a esta” (Summa Theol. 2ª 2ae Q. 84 a. 2 ad 1). Reza em espírito e em verdade aquele que se põe em oração por impulso do Espírito Santo” (Summa Theol. 2ª 2ae Q. 83 a. 13 ad 1).
"Consiste a oração principalmente no espírito, e secundariamente exprime-se por palavras; do mesmo modo a adoração consiste principalmente na reverência interior para com Deus, e secundariamente em atitudes corporais” (Summa Theol. 2ª 2ae Q. 84 a. 14 ad 2).
No "sermão da montanha”, que é o código da Nova Lei, o divino Mestre verbera o formalismo daqueles que oram por simples ostentação e vaidade.
"Quando orardes, declara ele, não façais como os hipócritas que gostam de rezar ostensivamente nas sinagogas e nos cantos das praças para serem vistos pelos homens... Quanto a ti, quando quiseres orar, vai ao aposento mais retirado, fecha a porta à chave e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê no segredo, te dará a recompensa” (Mt 6, 5-6).
Texto completo em: https://falachicopodcast.com.br/fc-352-culto-publico-o-espirito-de-deus-na-santa-liturgia-dom-gaspar-lefebvre-1962
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Leitura do Artigo I: Definição da liturgia, do Capítulo I: A Liturgia, do livro "Meu Livro de Liturgia", do Con. Hilário Wijten, Editora Vozes, 1955.
"A palavra "liturgia" tem sua origem no grego. A sua etimologia dá ideia duma obra feita em favor do povo, duma obra em favor do bem geral. Em quase todas as cidades da antiga Grécia, principalmente na culta Atenas, entendia-se por "liturgia" qualquer encargo imposto aos cidadãos, principalmente aos melhor aquinhoados pela fortuna, com o fito de, custear serviços públicos. Assim vemos que, no sentido particular, "liturgia" significa serviço público custeado por cidadãos de alta sociedade, que para si conservavam apenas a honra de para ele terem concorrido.
A "liturgia" era um ofício temporal e honroso, dado temporariamente a um cidadão de alta classe social para realçar a magnificência das solenidades religiosas. Na decadência da Grécia, a palavra "liturgia" perdeu a significação que tinha na "era clássica".
Pela origem política, a palavra "liturgia" conserva uma relação necessária com as instituições religiosas e os ofícios sacros, sendo, na Grécia, a parte mais comum do culto dos deuses.
A Idade Média toma a palavra "liturgia" na sua verdadeira significação de: relação necessária com as instituições religiosas e os ofícios sacros, e, então, vemo-la introduzida na linguagem eclesiástica.
A "liturgia" é o culto exterior e público que a santa Igreja, como sociedade pública, presta a Deus, nos seus atos, sacrifícios e sacramentos, como as cerimônias, bênçãos, leituras e cânticos. Tudo isso em formas exteriores sobre as quais o Espírito Santo estende suas graças e bênçãos: "Nam quid oremus, sicut oportet, nescimus, sed ipse Spiritus postulat pro nobis gemitibus inenarrabilibus", diz São Paulo. "Porque nem sabemos como devemos rezar dignamente, é o mesmo Espírito Santo que reza por nós com gemidos inenarráveis".
À primeira vista, parece estranho que uma oração vocal, feita em público, em uma vasta igreja, com um grande aparato exterior e no meio duma multidão compacta, tenha um lugar tão preponderante na vida cristã. Talvez sejamos tentados a dizer que a oração mental, mais libertada dos sentidos e feita no recolhimento dum quarto, é, por sua natureza, capaz de produzir melhores frutos de santificação. Todavia, o santo sacrifício, a sagrada comunhão, os sacramentos e o divino ofício são os mais legítimos atos da virtude de religião, e a Igreja pratica-os em sociedade.
Texto completo em: https://falachicopodcast.com.br/fc-351-definicao-da-liturgia-meu-livro-de-liturgia-con-hilario-wijten-o-prem-1955
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Leitura do Catecismo da Igreja Católica, 2ª Parte - A Celebração do Mistério Cristão - Introdução.
Neste episódio:
"1066. No Símbolo da Fé, a Igreja confessa o mistério da Santíssima Trindade e o seu «desígnio admirável» (Ef 1, 9) sobre toda a criação: o Pai realiza o «mistério da sua vontade», dando o seu Filho muito amado e o seu Espírito Santo para a salvação do mundo e para a glória do seu nome. Tal é o mistério de Cristo, revelado e realizado na história segundo um plano, uma «disposição» sabiamente ordenada, a que São Paulo chama «a economia do mistério» (Ef 3, 9) e a que a tradição patrística chamará «a economia do Verbo encarnado» ou «economia da salvação».
1067. «Esta obra da redenção humana e da glorificação perfeita de Deus, cujo prelúdio foram as magníficas obras divinas operadas no povo do Antigo Testamento, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal da sua bem-aventurada paixão, Ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão, em que, "morrendo, destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida". Efetivamente, foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu "o sacramento admirável de toda a Igreja"». É por isso que, na liturgia, a Igreja celebra principalmente o mistério pascal, pelo qual Cristo realizou a obra da nossa salvação.
1068. É este mistério de Cristo que a Igreja proclama e celebra na sua liturgia, para que os fiéis dele vivam e dele dêem testemunho no mundo.
«A liturgia, com efeito, pela qual, sobretudo no sacrifício eucarístico, "se atua a obra da nossa redenção", contribui em sumo grau para que os fiéis exprimam na vida e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a autêntica natureza da, verdadeira Igreja».
1069. Originariamente, a palavra «liturgia» significa «obra pública», «serviço por parte dele em favor do povo». Na tradição cristã, quer dizer que o povo de Deus toma parte na «obra de Deus». Pela liturgia, Cristo, nosso Redentor e Sumo-Sacerdote, continua na sua Igreja, com ela e por ela, a obra da nossa redenção.
1070. No Novo Testamento, a palavra «liturgia» é empregada para designar, não somente a celebração do culto divino mas também o anúncio do Evangelho e a caridade em ato. Em todas estas situações, trata-se do serviço de Deus e dos homens. Na celebração litúrgica, a Igreja é serva, à imagem do seu Senhor, o único « Liturgo», participando no seu sacerdócio (culto) profético (anúncio) e real (serviço da caridade):
«Com razão se considera a liturgia como o exercício da função sacerdotal de Jesus Cristo. Nela, mediante sinais sensíveis e no modo próprio de cada qual, significa-se e realiza-se a santificação dos homens e é exercido o culto público integral pelo corpo Místico de Jesus Cristo, isto é, pela cabeça e pelos membros. Portanto, qualquer celebração litúrgica, enquanto obra de Cristo Sacerdote e do seu corpo que é a Igreja, é ação sagrada por excelência e nenhuma outra ação da Igreja a iguala em eficácia com o mesmo título e no mesmo grau».
1071. Obra de Cristo, a Liturgia é também uma ação da sua Igreja. Ela realiza e manifesta a Igreja como sinal visível da comunhão de Deus e dos homens por Cristo; empenha os fiéis na vida nova da comunidade, e implica uma participação «consciente, activa e frutuosa» de todos”.
Texto completo em: https://falachicopodcast.com.br/fc-350-por-que-a-liturgia-celebracao-do-misterio-cristao-cic-1066-1075
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Leitura da Constituição Conciliar Sacrosanctum concilium, de São Paulo VI, sobre a Sagrada Liturgia.
"Apêndice: Declaração sobre a revisão do Calendário
O sagrado Concílio Ecuménico Vaticano II, tendo na devida conta o desejo expresso por muitos para dar à festa da Páscoa um domingo certo e adoptar um calendário fixo, depois de ter ponderado maduramente as consequências que poderão resultar da introdução do novo calendário, declara o seguinte:
1. O sagrado Concílio não tem nada a opor à fixação da festa da Páscoa num domingo certo do calendário gregoriano, se obtiver o assentimento daqueles a quem interessa, especialmente dos irmãos separados da comunhão com a Sé Apostólica.
2. Igualmente declara não se opor às iniciativas para introduzir um calendário perpétuo na sociedade civil.
Contudo, entre os vários sistemas em estudo para fixar um calendário perpétuo e introduzi-lo na sociedade civil, a Igreja só não se opõe àqueles que conservem a semana de sete dias e com o respectivo domingo. A Igreja deseja também manter intacta a sucessão hebdomadária, sem inserção de dias fora da semana, a não ser que surjam razões gravíssimas sobre as quais deverá pronunciar-se a Sé Apostólica”.
Texto completo em: https://falachicopodcast.com.br/playlists/sacrosanctum-concilium-1963
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Leitura da Constituição Conciliar Sacrosanctum concilium, de São Paulo VI, sobre a Sagrada Liturgia.
Neste episódio:
"122. Entre as mais nobres actividades do espírito humano estão, de pleno direito, as belas artes, e muito especialmente a arte religiosa e o seu mais alto cimo, que é a arte sacra. Elas tendem, por natureza, a exprimir de algum modo, nas obras saídas das mãos do homem, a infinita beleza de Deus, e estarão mais orientadas para o louvor e glória de Deus se não tiverem outro fim senão o de conduzir piamente e o mais eficazmente possível, através das suas obras, o espírito do homem até Deus.
É esta a razão por que a santa mãe Igreja amou sempre as belas artes, formou artistas e nunca deixou de procurar o contributo delas, procurando que os objectos atinentes ao culto fossem dignos, decorosos e belos, verdadeiros sinais e símbolos do sobrenatural. A Igreja julgou-se sempre no direito de ser como que o seu árbitro, escolhendo entre as obras dos artistas as que estavam de acordo com a fé, a piedade e as orientações veneráveis da tradição e que melhor pudessem servir ao culto.
A Igreja preocupou-se com muita solicitude em que as alfaias sagradas contribuissem para a dignidade e beleza do culto, aceitando no decorrer do tempo, na matéria, na forma e na ornamentação, as mudanças que o progresso técnico foi introduzindo.
Pareceu bem aos Padres determinar, a este propósito, o que segue:
123. A Igreja nunca considerou um estilo como próprio seu, mas aceitou os estilos de todas as épocas, segundo a índole e condição dos povos e as exigências dos vários ritos, criando deste modo no decorrer dos séculos um tesouro artístico que deve ser conservado cuidadosamente. Seja também cultivada livremente na Igreja a arte do nosso tempo, a arte de todos os povos e regiões, desde que sirva com a devida reverência e a devida honra às exigências dos edifícios e ritos sagrados. Assim poderá ela unir a sua voz ao admirável cântico de glória que grandes homens elevaram à fé católica em séculos passados.
124. Ao promoverem uma autêntica arte sacra, prefiram os Ordinários à mera sumptuosidade uma beleza que seja nobre. Aplique-se isto mesmo às vestes e ornamentos sagrados.
Tenham os Bispos todo o cuidado em retirar da casa de Deus e de outros lugares sagrados aquelas obras de arte que não se coadunam com a fé e os costumes e com a piedade cristã, ofendem o genuíno sentido religioso, quer pela depravação da forma, que pela insuficiência, mediocridade ou falsidade da expressão artística.
Na construção de edifícios sagrados, tenha-se grande preocupação de que sejam aptos para lá se realizarem as acções litúrgicas e permitam a participação activa dos fiéis.
O culto das imagens
125. Mantenha-se o uso de expor imagens nas igrejas à veneração dos fiéis. Sejam, no entanto, em número comedido e na ordem devida, para não causar estranheza aos fiéis nem contemporizar com uma devoção menos ortodoxa”.
Texto completo em: https://falachicopodcast.com.br/playlists/sacrosanctum-concilium-1963
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Leitura da Constituição Conciliar Sacrosanctum concilium, de São Paulo VI, sobre a Sagrada Liturgia.
Neste episódio:
"112. A tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene.
Não cessam de a enaltecer, quer a Sagrada Escritura (42), quer os Santos Padres e os Romanos Pontífices, que ainda recentemente, a começar em S. Pio X, vincaram com mais insistência a função ministerial da música sacra no culto divino.
A música sacra será, por isso, tanto mais santa quanto mais intimamente unida estiver à acção litúrgica, quer como expressão delicada da oração, quer como factor de comunhão, quer como elemento de maior solenidade nas funções sagradas. A Igreja aprova e aceita no culto divino todas as formas autênticas de arte, desde que dotadas das qualidades requeridas.
O sagrado Concílio, fiel às normas e determinações da tradição e disciplina da Igreja, e não perdendo de vista o fim da música sacra, que é a glória de Deus e a santificação dos fiéis, estabelece o seguinte:
113. A acção litúrgica reveste-se de maior nobreza quando é celebrada de modo solene com canto, com a presença dos ministros sagrados e a participação activa do povo.
Observe-se, quanto à língua a usar, o art. 36; quanto à Missa, o art. 54; quanto aos sacramentos, o art. 63; e quanto ao Ofício divino, o art. 101.
Promoção da música sacra
114. Guarde-se e desenvolva-se com diligência o património da música sacra. Promovam-se com empenho, sobretudo nas igrejas catedrais, as «Scholae cantorum». Procurem os Bispos e demais pastores de almas que os fiéis participem activamente nas funções sagradas que se celebram com canto, na medida que lhes compete e segundo os art. 28 e 30.
115. Dê-se grande importância nos Seminários, Noviciados e casas de estudo de religiosos de ambos os sexos, bem como noutros institutos e escolas católicas, à formação e prática musical. Para o conseguir, procure-se preparar também e com muito cuidado os professores que terão a missão de ensinar a música sacra.
Recomenda-se a fundação, segundo as circunstâncias, de Institutos Superiores de música sacra.
Os compositores e os cantores, principalmente as crianças, devem receber também uma verdadeira educação litúrgica.
116. A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na acção litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar.
Não se excluem todos os outros géneros de música sacra, mormente a polifonia, na celebração dos Ofícios divinos, desde que estejam em harmonia com o espírito da acção litúrgica, segundo o estatuído no art. 30.
117. Procure terminar-se a edição típica dos livros de canto gregoriano; prepare-se uma edição mais crítica dos livros já editados depois da reforma de S. Pio X.
Convirá preparar uma edição com melodias mais simples para uso das igrejas menores.
118. Promova-se muito o canto popular religioso, para que os fiéis possam cantar tanto nos exercícios piedosos e sagrados como nas próprias acções litúrgicas, segundo o que as rubricas determinam”.
Texto completo em: https://falachicopodcast.com.br/playlists/sacrosanctum-concilium-1963
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Fala, Chico! é um podcast dedicado à leitura de cartas, encíclicas, exortações e homilias dos Papas e textos da Tradição da Igreja Católica, produzido, editado e apresentado por Eugênio Telles.
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