Fala, Chico! Podcast

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By Fala, Chico! by Eugênio TellesReligion & SpiritualityChristianity
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Fala, Chico! Podcast episodes

  • FC!#326 - Redescobrir em cada dia a beleza da verdade da celebração cristã - Desiderio Desideravi

    Leitura da Carta Apostólica Desiderio Desideravi, do Papa Francisco, sobre a formação litúrgica do povo de Deus.

    "21. Devemos, porém, estar atentos: para que o antídoto da Liturgia seja eficaz é-nos pedido que em cada dia redescubramos a beleza da verdade da celebração cristã. Refiro-me, mais uma vez, ao seu sentido teológico, tal como o n. 7 da Sacrosanctum Concilium maravilhosamente o descreveu: a liturgia é o sacerdócio de Cristo a nós revelado e doado na sua Páscoa, hoje tornado presente e atuante mediante sinais sensíveis (água, azeite, pão, vinho, gestos, palavras) para que o Espírito, submergindo-nos no mistério pascal, transforme toda a nossa vida, conformando-nos cada vez mais a Cristo.

    22. A contínua redescoberta da beleza da Liturgia não é a procura de um esteticismo ritual que se compraz apenas no cuidado da formalidade exterior de um rito ou se satisfaz com uma escrupulosa observância rubrical. Obviamente, esta afirmação não quer de modo algum aprovar a atitude oposta que confunda a simplicidade com a banalidade rasteira, a essencialidade com uma superficialidade ignorante, a concreção do agir ritual com um exasperado funcionalismo prático.

    23. Entendamo-nos: todos os aspetos do celebrar devem ser cuidados (espaço, tempo, gestos, palavras, objetos, vestes, canto, música, …) e todas as rubricas devem ser observadas: bastaria esta atenção para evitar subtrair à assembleia aquilo que lhe é devido, isto é, o mistério pascal celebrado na modalidade ritual que a Igreja estabelece. Mas mesmo que a qualidade e a norma da ação celebrativa estejam garantidas, isso não bastaria para tornar plena a nossa participação”.

    Texto completo em: https://falachicopodcast.com.br/desiderio-desideravi-2022

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    Fala, Chico! é um podcast dedicado à leitura de cartas, encíclicas, exortações e homilias dos Papas e textos da Tradição da Igreja Católica, produzido, editado e apresentado por Eugênio Telles.

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    3 min
  • FC!#325 - A Liturgia: antídoto contra o veneno da mundanidade espiritual - Desiderio Desideravi

    Leitura da Carta Apostólica Desiderio Desideravi, do Papa Francisco, sobre a formação litúrgica do povo de Deus.

    "17. Várias vezes tenho advertido contra uma perigosa tentação para a vida da Igreja que é a “mundanidade espiritual”: dela falei profusamente na Exortação Evangelii gaudium (nn. 93-97), identificando no gnosticismo e no neopelagianismo os dois modos, relacionados entre si, que a alimentam.

    O primeiro reduz a fé cristã a um subjetivismo que encerra o indivíduo “na imanência da sua própria razão ou dos seus sentimentos” (Evangelii gaudium, n. 94).

    O segundo anula o valor da graça para confiar exclusivamente nas suas próprias forças dando lugar “a um elitismo narcisista e autoritário, onde, em vez de evangelizar, se analisam e classificam os demais e, em vez de facilitar o acesso à graça, consomem-se as energias a controlar” (Evangelii gaudium, n. 94). Estas formas distorcidas do cristianismo podem ter consequências desastrosas para a vida da Igreja.

    18. De tudo o que quis recordar acima, resulta evidente que a Liturgia é, pela sua própria natureza, o antídoto mais eficaz contra esses venenos. Obviamente, falo da Liturgia no seu sentido teológico e não, certamente – já Pio XII o afirmava – como “um cerimonial decorativo (…) ou mera soma de leis e de preceitos (…) que regulam o cumprimento dos ritos” [6].

    19. Se o gnosticismo nos intoxica com o veneno do subjetivismo, a celebração litúrgica liberta-nos da prisão de uma autorreferencialidade alimentada pela própria razão ou pelo próprio sentir: a ação celebrativa não pertence ao indivíduo mas a Cristo-Igreja, à totalidade dos fiéis unidos em Cristo. A Liturgia não diz “eu” mas “nós” e qualquer limitação à amplitude deste “nós” é sempre demoníaca. A Liturgia não nos deixa sós na busca individual de um suposto conhecimento do mistério de Deus, mas toma-nos pela mão, juntos, como assembleia, para nos conduzir para dentro do mistério que a Palavra e os sinais sacramentais nos revelam. E fá-lo, em coerência com o agir de Deus, seguindo a via da encarnação, através da linguagem simbólica do corpo que se prolonga nas coisas, no espaço e no tempo.

    20. Se o neopelagianismo nos intoxica com a presunção de uma salvação ganha com as nossas forças, a celebração litúrgica purifica-nos proclamando a gratuidade do dom da salvação acolhida na fé. Participar no sacrifício eucarístico não é uma conquista nossa como se disso nos pudéssemos gloriar perante Deus e os irmãos. O início de cada celebração recorda-me quem sou, pedindo-me para confessar o meu pecado e convidando-me a suplicar à bem-aventurada Virgem Maria, aos anjos e santos e a todos os irmãos e irmãs que roguem por mim ao Senhor: porque não somos dignos de entrar na sua casa, precisamos de uma palavra sua para sermos salvos (cf. Mt 8, 8). Não temos outra glória a não ser a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Gl 6, 14). A Liturgia não tem nada a ver com um moralismo ascético: é o dom da Páscoa do Senhor que, acolhido com docilidade, faz nova a nossa vida. Não se entra no Cenáculo a não ser pela força de atração do seu desejo de comer a Páscoa connosco: Desiderio desideravi hoc Pascha manducare vobiscum, antequam patiar (Lc 22, 15)”.

    Texto completo em: https://falachicopodcast.com.br/desiderio-desideravi-2022

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    5 min
  • FC!#324 - O sentido teológico da Liturgia - Desiderio Desideravi

    Leitura da Carta Apostólica Desiderio Desideravi, do Papa Francisco, sobre a formação litúrgica do povo de Deus.

    "16. Devemos ao Concílio – e ao movimento litúrgico que o precedeu – a redescoberta da compreensão teológica da Liturgia e da sua importância na vida da Igreja: os princípios gerais enunciados pela Sacrosanctum Concilium, tal como foram fundamentais para a intervenção da reforma, assim o continuam a ser para a promoção daquela participação plena, consciente, ativa e frutuosa na celebração, “primeira e indispensável fonte na qual os fiéis podem haurir o genuíno espírito cristão” ( Sacrosanctum Concilium, n. 14; veja-se também o n. 11). Com esta carta gostaria simplesmente de convidar toda a Igreja a redescobrir, guardar e viver a verdade e a força da celebração cristã. Gostaria que a beleza do celebrar cristão e das suas necessárias consequências na vida da Igreja não fosse deturpada por uma compreensão superficial e redutora do seu valor ou, pior ainda, por uma instrumentalização dela ao serviço de uma qualquer visão ideológica, seja ela qual for. A oração sacerdotal de Jesus na última Ceia para que todos sejam um só ( Jo 17, 21), julga qualquer divisão nossa em torno do Pão partido, “sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade”.

    Texto completo em: https://falachicopodcast.com.br/desiderio-desideravi-2022

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    2 min
  • FC!#323 - A Igreja: sacramento do Corpo de Cristo - Desiderio Desideravi

    Leitura da Carta Apostólica Desiderio Desideravi, do Papa Francisco, sobre a formação litúrgica do povo de Deus.

    "14. Como nos recordou o Concílio Vaticano II, citando a Escritura, os Padres e a Liturgia – as colunas da verdadeira Tradição – “foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu o sacramento admirável de toda a Igreja”. O paralelismo entre o primeiro e o novo Adão é surpreendente: tal como Deus tirou Eva do lado do primeiro Adão, depois de ter feito cair sobre ele um sono profundo, assim do lado do novo Adão, adormecido no sono da morte, nasce a nova Eva, a Igreja. O espanto para nós reside nas palavras que podemos pensar que o novo Adão faça suas, olhando para a Igreja: “Desta vez é osso dos meus ossos e carne da minha carne” ( Gn 2, 23). Por ter acreditado na Palavra e termos descido à água do Batismo, nós tornamo-nos osso dos seus ossos, carne da sua carne.

    15. Sem esta incorporação não há qualquer possibilidade de viver a plenitude do culto a Deus. Efetivamente, há um só ato de culto perfeito e agradável ao Pai: a obediência do Filho, cuja medida é a sua morte na cruz. A única possibilidade de poder participar na sua oferta é tornarmo-nos filhos no Filho. É este o dom que recebemos. O sujeito que age na Liturgia é sempre e só Cristo-Igreja, o Corpo místico de Cristo”.

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    2 min
  • FC!#322 - A Liturgia: lugar do encontro com Cristo - Desiderio Desideravi

    Leitura da Carta Apostólica Desiderio Desideravi, do Papa Francisco, sobre a formação litúrgica do povo de Deus.

    "11. A Liturgia garante-nos a possibilidade desse encontro. Não nos basta ter uma vaga recordação da última Ceia: nós precisamos de estar presentes nessa Ceia, de poder ouvir a sua voz, de comer o seu Corpo e beber o seu Sangue: precisamos d’Ele. Na Eucaristia e em todos os sacramentos é-nos garantida a possibilidade de encontrar o Senhor Jesus e de ser alcançados pela potência da sua Páscoa. A potência salvífica do sacrifício de Cristo, de qualquer das suas palavras, de todos os seus gestos, olhares, sentimentos alcança-nos na celebração dos sacramentos. Eu sou Nicodemos e a Samaritana, o endemoninhado de Cafarnaum e o paralítico em casa de Pedro, a pecadora perdoada e a hemorroíssa, a filha de Jairo e o cego de Jericó, Zaqueu e Lázaro, o ladrão e Pedro perdoados. O Senhor Jesus, que “foi imolado sobre a cruz, mas não morrerá jamais; foi morto, mas agora vive para sempre” [2], continua a perdoar-nos, a curar-nos, a salvar-nos com a potência dos seus sacramentos. É o modo concreto, pela via da encarnação, com que nos ama; é o modo com que sacia aquela sede de nós que declarou na Cruz (cf. Jo 19, 28).

    12. O nosso primeiro encontro com a sua Páscoa é o acontecimento que marca a vida de todos nós que acreditamos em Cristo: o nosso Batismo. Não é uma adesão mental ao seu pensamento ou a subscrição de um código de comportamento imposto por Ele: é o imergir-se na sua paixão, morte, ressurreição e ascensão. Não é um gesto mágico: a magia é o oposto à lógica dos sacramentos porque pretende ter um poder sobre Deus e por essa razão vem do tentador. Em perfeita continuidade com a encarnação, é-nos dada a possibilidade, por força da presença e da ação do Espírito Santo, de morrer e ressuscitar em Cristo.

    13. É comovedor o modo como isto acontece. A oração de bênção da água batismal [3] revela-nos que Deus criou a água precisamente em vista do Batismo. Quer dizer que ao criar a água Deus pensava no Batismo de cada um de nós e que este pensamento o acompanhou no seu agir ao longo da história da salvação todas as vezes que, com desígnio bem determinado, se quis servir da água. É como se, depois de a ter criado, a tivesse querido aperfeiçoar para chegar a ser a água do Batismo. E assim a quis encher do movimento do seu Espírito que pairava sobre ela (cf. Gn 1, 2) para que contivesse em germe a força de santificar; usou-a para regenerar a humanidade no dilúvio (cf. Gn 6, 1 – 9, 29); dominou-a, separando-a para abrir um caminho de libertação no Mar Vermelho (cf. Ex 14); consagrou-a no Jordão nela imergindo a carne do Verbo repleta de Espírito (cf. Mt 3, 13-17; Mc 1, 9-11; Lc 3, 21-22). Por fim, misturou-a com o sangue do seu Filho, dom do Espírito inseparavelmente unido ao dom da vida e da morte do Cordeiro imolado por nós, e do lado trespassado a derramou sobre nós (cf. Jo 19, 34). É nesta água que fomos submergidos para que pelo seu poder pudéssemos ser enxertados no Corpo de Cristo e com Ele ressuscitar para a vida imortal (cf. Rm 6, 1-11)”.

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    5 min
  • FC!#321 - Desiderio Desideravi - A Liturgia: o “hoje” da história da salvação

    Leitura da Carta Apostólica Desiderio Desideravi, do Papa Francisco, sobre a formação litúrgica do povo de Deus.

    "Com esta carta desejo dirigir-me a todos – depois de já ter escrito apenas aos bispos na sequência da publicação do Motu Proprio Traditionis custodes – para partilhar convosco algumas reflexões sobre a Liturgia, dimensão fundamental para a vida da Igreja. O tema é muito vasto e merece uma consideração atenta em todos os seus aspetos: todavia, com este escrito não pretendo tratar a questão de modo exaustivo. Quero, simplesmente, oferecer alguns pontos de reflexão para contemplar a beleza e a verdade do celebrar cristão.

    A Liturgia: o “hoje” da história da salvação

    2. “Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco, antes de padecer” (Lc 22, 15). As palavras de Jesus, com que se abre a narração da última Ceia, são a fresta através da qual nos é dada a surpreendente possibilidade de intuir a profundidade do amor das Pessoas da Santíssima Trindade para connosco.

    3. Pedro e João tinham sido mandados fazer os preparativos para se poder comer a Páscoa mas, vendo bem, toda a criação, toda a história – que finalmente estava para se revelar como história de salvação – é uma grande preparação para a Ceia. Pedro e os outros estão a essa mesa inconscientes e, todavia, necessários: qualquer dom para o ser deve ter alguém disposto a recebê-lo. Neste caso a desproporção entre a imensidade do dom e a pequenez de quem o recebe é infinita e não pode deixar de nos surpreender. Apesar disso – por misericórdia do Senhor – o dom é confiado aos Apóstolos para que seja levado a todos os homens.

    4. Ninguém tinha ganho um lugar para aquela Ceia. Todos foram convidados ou, melhor, atraídos pelo desejo ardente que Jesus tem de comer aquela Páscoa com eles: Ele sabe que é o Cordeiro daquela Páscoa, sabe que é a Páscoa. Esta é a novidade absoluta daquela Ceia, a única verdadeira novidade da história, que torna aquela Ceia única e, por isso, “última”, irrepetível. Todavia, o seu infinito desejo de restabelecer a comunhão connosco, que era e continua a ser o projeto originário, só poderá ser saciado quando todos os homens, “de todas as tribos, línguas, povos e nações” (Ap 5, 9) comerem o seu Corpo e beberem o seu Sangue: por isso aquela mesma Ceia se tornará presente, até ao seu regresso, na celebração da Eucaristia”.

    Texto completo em: https://falachicopodcast.com.br/desiderio-desideravi-2022

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    9 min
  • FC!#320 - O que vem por aí, novidades e testemunhos!

    Nesse episódio você vai ficar sabendo quais serão os próximos documentos que serão lidos aqui no podcast e também vai poder ouvir ao testemunho de membros do Grupo VIP do Fala, Chico! no Whatsapp.

    Para ingressar no grupo, basta acessar: https://chat.whatsapp.com/JKyhB671ktVBUJ4YSBAfpE

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    20 min
  • FC!#319 - Meditações para a Quaresma - Quinta Dor de Maria Santíssima – Morte de Jesus - Santo Afonso Maria de Ligório

    Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório para a Quaresma.

    "Contemplemos a acerba dor de Maria Santíssima no Calvário, obrigada a assistir a Jesus moribundo e ver todas as penas que Ele padecia, sem, contudo, Lhe poder dar alívio. Então a aflita Mãe não cessou de oferecer a vida do Filho à divina justiça pela nossa salvação. Lembremo-nos que pelo merecimento de suas dores cooperou para nos fazer nascer para a vida da graça. Por isso todos nós somos seus filhos. Ó, como a Virgem exerceu sempre e ainda exerce bem o ofício de Mãe! Mas como nos vemos nós como filhos?

    I. Fogem as mães da presença dos filhos moribundos; e se por acaso alguma mãe se vê obrigada a assistir um filho que está para morrer, procura-lhe todos os alívios que pode dar. Concerta-lhe a cama, para que esteja em posição mais cômoda; serve-lhe refrescos, e assim a própria mãe procura mitigar a própria dor. Ah, mãe a mais aflita de todas as mães, ó Maria! Incumbe-vos o assistir a Jesus moribundo, mas não vos é permitido dar-Lhe algum alívio.

    Maria ouviu o Filho dizer: Sitio — tenho sede; mas não lhe foi permitido dar uma gota de água para Lhe mitigar a sede. Só pode dizer-Lhe, como contempla São Vicente Ferrer: Filho, não tenho senão a água de minhas lágrimas. Fili, non habeo nisi aquam lacrimarum. Via que sobre aquele leito de morte, Jesus, pregado com três cravos de ferro, não achava repouso. Queria abraçá-Lo para Lhe dar alívio, ao menos para O deixar expirar entre seus braços; mas não podia. Via o pobre Filho, que naquele mar de aflições buscava quem O consolasse, como Ele já tinha predito pela boca do profeta Isaías. Mas quem entre os homens O desejava consolar, se todos eram seus inimigos? Mesmo sobre a cruz um O blasfemava e escarnecia de uma maneira, outro de outra, tratando-O como um impostor, ladrão, usurpador sacrílego da divindade, digno de mil mortes.

    O que mais aumentou a dor de Maria e a sua compaixão para com o Filho, foi ouvi-Lo sobre a cruz lamentar-se de o Eterno Pai também O ter abandonado: Deus, Deus meus, ut quid dereliquisti me? — “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?” Palavras, como disse a Bem- aventurada Virgem à Santa Brígida, que não puderam nunca mais sair-lhe da idéia, enquanto viveu. De modo que a aflita Mãe via o seu Jesus atormentado de todas as partes; queria aliviá-Lo mas não podia. Pobre Mãe!

    II. Pasmavam os homens, diz Simão de Cássia, vendo que a divina Mãe guardava o silêncio, sem se queixar no meio da sua grande dor. Mas, se Maria guardava o silêncio com a boca, não o guardava com o coração,porquanto naquelas horas não fazia se não oferecer à justiça divina a vida do Filho pela nossa salvação. Saibamos, pois, que pelo mérito de suas dores ela cooperou para nos fazer nascer para a vida da graça e por conseguinte somos filhos de suas dores: Mulier, ecce filius tuus — “Mulher, eis aí teu filho”.

    Texto completo em: https://falachicopodcast.com.br/fc-312-meditacoes-para-a-quaresma-jesus-e-levado-a-pilatos-e-a-herodes-e-posposto-a-barrabas-santo-afonso-maria-de-ligorio

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    8 min
  • FC!#318 - Meditações para a Quaresma - O dia do Amor - Santo Afonso Maria de Ligório

    Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório para a Quaresma.

    "Embora Jesus Cristo em todo o curso de sua vida mortal nos tivesse amado ardentemente e nos tivesse dado mil provas do seu amor infinito, todavia, quando chegou ao termo dos seus dias, quis dar-nos a prova mais patente pela instituição do Santíssimo Sacramento. Ai o Senhor se faz não só nosso constante companheiro, mas ainda nosso sustento e se nos dá todo inteiro. Com muita razão, portanto, Santa Maria Madalena de Pazzi chamava a quinta-feira santa o Dia do Amor.

    I. Um pai amoroso nunca patenteia melhor a sua ternura e o seu afeto para com o filhos do que no fim da sua vida, quando os ve em torno do seu leito, aflitos e com os olhos em pranto, e pensa que em breve deve abandoná-los. Tira do seu coração e põe sobre os seus lábios o resto de sua vida prestes a extinguir-se, abraça aqueles penhores queridos do seu amor, exorta-os a serem sempre bons, imprime-lhes no rosto os mais ternos beijos, e misturando as suas lágrimas com as dos filhos, lança-lhes a sua bênção. Depois manda trazer o que mais precioso possui e dando a cada um uma última lembrança: Tomai, diz, e lembrai-vos sempre do amor que vos tenho dedicado.

    Foi exatamente assim que quis fazer conosco Jesus Cristo, verdadeiro Pai da nossa alma e Pai tão amante, que na terra não tem havido, nem jamais haverá outro igual. Embora em todo o curso da sua vida mortal nos tivesse amado com amor ardente, e nos tivesse dado mil provas do seu amor infinito, todavia, quando chegou ao termo dos seus dias, quis dar-nos a prova mais patente, pela instituição do Santíssimo Sacramento. E por isso, na mesma noite em que devia ser traído, reuniu os seus discípulos ao redor de si, instituiu a Santíssima Eucaristia, e disse-lhes para os consolar de sua próxima partida: 

    Filhos meus, vou morrer por vós, para vos mostrar o amor que vos tenho. Posto que, escondido debaixo das espécies sacramentais, deixo-vos o meu corpo, a minha alma, a minha divindade, a mim mesmo todo. Numa palavra, não quero nunca estar separado de vós, enquanto estiverdes na terra: Ecce ego vobiscum sum, usque ad consummationem saeculi – “Eis que estou convosco, até a consumação dos séculos”.

    – Meu irmão, que tal te parece esta extrema fineza de Jesus Cristo? Não tinha razão Santa Maria Madalena de Pazzi de chamar a quinta-feira santa o dia do amor?”

    Texto completo em: https://falachicopodcast.com.br/fc-318-meditacoes-para-a-quaresma-o-dia-do-amor-santo-afonso-maria-de-ligorio

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    8 min
  • FC!#317 - Meditações para a Quaresma - Jesus é condenado e vai ao Calvário - Santo Afonso Maria de Ligório

    Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório para a Quaresma.

    "Imaginemos que junto com a divina Mãe presenciamos a crucifixão de Jesus Cristo. Eis que, plantada já a cruz, o Filho de Deus está neste patíbulo infame, suspenso em suas próprias feridas, e sofre tantas mortes, quantos momentos durou aquela longa agonia. Ó Deus! Jesus pensou então em cada um de nós, e a previsão de nossas culpas tornava- Lhe a morte mais dolorosa. Unamo-nos em espírito com a Santíssima Virgem, e aproximemo-nos para beijar a preciosa Cruz com coração contrito e amante.

    I. Logo que Jesus chegou ao Calvário, todo exausto de dores e de cansaço, deram-Lhe a beber o vinho misturado com fel, que era costume dar aos condenados à cruz, para diminuir neles o sentimento da dor. Jesus, porém, querendo morrer sem alívio, provou apenas e não quis beber. Depois, tendo-se a multidão colocado em círculo ao redor de Nosso Senhor, os soldados arrancaram-Lhe as vestes, pegadas ao corpo todo chagado e dilacerado, e com as vestes Lhe arrancaram também pedaços da carne. Em seguida deitaram-no sobre a cruz. Jesus estende as sagradas mãos e oferece ao Eterno Pai o grande sacrifício de si mesmo e pede-Lhe que O aceite pela nossa salvação.

    Os soldados furiosos tomam os pregos e os martelos, e traspassando as mãos e os pés de nosso Salvador, pregam-no na cruz. Afirma São Bernardo que na crucifixão de Jesus os algozes se serviram de pregos sem ponta, para que causassem dor mais violenta. O som das marteladas ressoa pelo monte, e chega aos ouvidos de Maria, que se achava perto, acompanhando o Filho. — Ó mãos sagradas, que com vosso tato curastes tantos enfermos, porque vos traspassam agora sobre a cruz? Ó pés sacrossantos, que vos cansastes tantas vezes na busca das ovelhas perdidas, que somos nós, porque vos pregam com tanta dor nesse patíbulo?

    Quando se toca apenas num nervo do corpo humano, é tão aguda a dor, que causa desmaios e convulsões mortais. Quão grande não terá sido, pois, a dor de Jesus, quando Lhe traspassaram com cravos as mão e pés, partes cheias de ossos e nervos? Ó meu dulcíssimo Salvador, quanto Vos custou a minha salvação e o desejo de ser amado por mim, miserável verme! E, ingrato como sou, tantas vezes Vos tenho recusado o meu amor e virado as costas!”

    Texto completo em: https://falachicopodcast.com.br/fc-317-meditacoes-para-a-quaresma-jesus-e-condenado-e-vai-ao-calvario-santo-afonso-maria-de-ligorio

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