A normalidade é o Godot dos tempos de pandemia do novo coronavírus. Vladimir e Estragon reaparecem agora na quarentena, à espera daquela que, no final, manda avisar que não vem: a normalidade. Uma abordagem inspirada em Esperando Godot, de Samuel Beckett, onde importa menos saber quem é Godot e mais refletir sobre a espera em si. Uma espera tóxica à medida da toxicidade de seu objeto: o retorno à uma normalidade acachapante, solapadora do humano e insustentável ecologicamente. Enquanto nada acontece, tomados pela sensação do NOTHING TO BE DONE, a maior ameaça é justamente o que esperamos após tudo-passar: o retorno da normalidade funcional ao sistema de produção capitalista