É porque foi falado, que se tornou falante: é a inversão da subjetividade.
De sujeito falado a sujeito falante.
Lá na origem foi de modo invertido que se tornou falante: passou de falado a falante.
No futuro quando ele fala pode receber de novo, contra ele, a sua fala de modo invertido, o que causa um certo horror.
Ver o outro falando o que falei também é problemático.
Lendo Agostinho, que no futuro havia se tornado jogador compulsivo, e agora querendo se regenerar, escreveu no primeiro capítulo de Confissões que voltou às origens, e observou como os bebês recém-nascidos controlam a mãe, jogam com a mãe, e, conclui ele, "foi daí que vim a me tornar jogador".
Demais essa. O bebê autista talvez seja o ser humano mais inteligente na face da terra. Paga um preço caro por não conquistar a liberdade, mas, para que essa liberdade, se ele é Rei fora da linguagem?
O bebê joga com a mãe permanecendo Rei dela.
Fora da linguagem ele é Rei.