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O que se aprende em dez anos? É o bastante para aprender candomblé? Isso te torna mais velho? Isso te torna “pai ou mãe de santo”? Isso te dá autoridade?
O candomblé e tradições relativas têm sofrido muito com a “lógica do imediatismo”.
Precisamos muito repensar o modo; o método pela qual estamos educando nossos mais novos… aqueles que serão o futuro de nossa tradição. Para além disso, refletir também no impacto que essa nova geração terá em seus papéis sociais no além dos muros de terreiros.
Afinal, candomblé não se resume apenas em velas, cachaças, galos e farinhas.
Qual o limite entre o individual e o coletivo? Qual o motivo de perdermos tanto nossa identidade e nossas tradições nas últimas décadas?
Quanto se dedica para aprimorar seu sacerdócio? Quais suas fontes e referências? O que precisa aprender e saber para ocupar e exercer seu posto na sua casa de matriz africana? Ensina alguém? E referência para águem? Qual tipo?
Tem muito iniciado em candomblé achando que a tradição se resume somente a fazer ebós e incensos. Além disso, muitos praticantes efetivam esses ritos e cerimônias sem identidade e referência. Qual sua matriz? Qual origem das cantigas, rezas, atos e cerimônias praticadas em seu terreiro? Com quem aprende candomblés? Qual sua (s) fonte?
Precisamos falar sobre os riscos para nossas tradições com o excesso de uso das câmeras fotográficas durante as cerimônias públicas e privadas no terreiros de candomblé. E reiterar do quanto esses movimentos rompem com nossos valores tradicionais. Afinal, estamos aqui para o quê?
Nzambi ua Kuatesa!
Embora a burocracia seja um dos maiores gargalos sociais, ou melhor, vetor de violências e desigualdades no Brasil… isso quando praticada em demasia. Porém, a sua ausência pode causar danos seríssimos. Então, por que os terreiros continuam pensando na escrita ou em pequenos processos escritos como tabu? Quais os benefícios que um terreiro ou uma comunidade possa ter com uma sistematização documental? Qual o limite entre registro e mistério de nossos saberes ancestrais? Como fazer tais registros a nosso favor? Quem está apto a fazer?
Precisamos ir muito além da ideia de Orixá. Pois, foi exatamente isso que nossos antepassados fizeram aqui na diáspora nos séculos anteriores. Daí surgem em toda América o culto a caboclos, malandros, falangeiros, preto velhos, dentre outros em dezenas de tradições.
A sorte é a cama do preguiçoso. Pois, o desenvolvimento, crescimento e estabilidade pessoal surgem com bom comportamento, buscas, construções e manutenções.
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