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Quem realmente governa a esfera pública no Brasil: as nossas leis e instituições ou os algoritmos das grandes corporações de tecnologia? Em meio a uma disputa eleitoral de segundo turno extremamente acirrada, o debate político ultrapassou os palanques tradicionais e se instalou no coração da infraestrutura digital. Mas até que ponto o Estado brasileiro possui soberania para conter o impacto de deepfakes, desinformação e microtargeting de dados?
Neste episódio, Flávio Lira, do Grupo de Estudos da Eurásia (GEsEu/UNIPAMPA), recebe Bruno Mello Corrêa de Barros Beuron, professor de Direito da SOBRESP e pós-doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), para uma análise aprofundada sobre os dilemas da soberania digital no Século XXI. Discutimos o papel geoestratégico das Big Techs, a assimetria de poder entre o setor público e o Vale do Silício, e a eficácia das regras do TSE no enfrentamento das novas ameaças à integridade do pleito.
Além disso, investigamos os limites da atuação judicial, o debate constitucional sobre liberdade de expressão versus moderação de conteúdo e os riscos de o país depender de infraestruturas tecnológicas estrangeiras. Uma conversa indispensável para entender como dados, tecnologia e poder político interagem na reta final das eleições. Aperte o play e confira!
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Citados no episódio
Artigos de Bruno Mello Corrêa de Barros Beuron
Indicações do convidado
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Deslizamentos de terra catastróficos atingiram a fronteira entre o Nepal e a China, deixando centenas de mortos e reacendendo a pergunta sobre até que ponto ainda é possível separar desastre natural de desastre político. Em parceria com o GEsEu, Grupo de Estudos da Eurásia (UNIPAMPA), Flávio Lira (UNIPAMPA/GEsEu) recebe Helena Margarido Moreira, doutora em Geografia pela USP e professora de Relações Internacionais na FECAP, e Fernanda Mello Sant’Anna, professora do Departamento de Relações Internacionais da UNESP e do Programa San Tiago Dantas, para discutir por que a vulnerabilidade aos eventos extremos é social e politicamente construída, e como o conceito de zonas de sacrifício explica quem paga o preço mais alto da crise climática.
A conversa avança pela disputa entre China e Estados Unidos pelo controle das tecnologias de transição energética, pelo negacionismo climático como estratégia do neoliberalismo autoritário e pela pergunta se as instituições multilaterais ainda têm capacidade de conter Estados negacionistas. No fechamento, Helena e Fernanda indicam leituras essenciais sobre clima e política, avaliam se existe algum país fazendo a lição de casa e apontam motivos para manter alguma esperança. Aperte o play.
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Citados no episódio
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The post A nova geopolítica do clima: quem dita as regras em um mundo em ebulição? appeared first on Chutando a Escada.
Há algumas semanas, dezenas de milhares de pessoas cruzaram de forma repentina a fronteira de Ceuta, o pequeno enclave espanhol cravado no norte da África, e as imagens tomaram as manchetes internacionais em meio a discursos de invasão e um verdadeiro pânico moral. Em parceria com o GEsEu, Grupo de Estudos da Eurásia (UNIPAMPA), Flávio Lira (UNIPAMPA/GEsEu) recebe Nathaly Xavier Schutz (UNIPAMPA/UFSM), doutora em Ciência Política pela UFRGS, para ir além do sensacionalismo e entender as raízes históricas da presença espanhola em Ceuta e Melilla, a doutrina do Grande Marrocos e o modo como o controle fronteiriço se tornou moeda de barganha geopolítica entre Rabat, Madri e Bruxelas.
A conversa percorre a diferença entre jovens marroquinos, migrantes subsaarianos e refugiados que usam o Marrocos como rota para a Europa, a desinformação que motivou a travessia em massa e o modo como a extrema direita europeia, de Vox a Giorgia Meloni, instrumentalizou a crise para reforçar o discurso antiimigração. Nathaly também analisa a política da Fortaleza Europa, que terceiriza o controle migratório para países do norte da África, e defende que a própria Europa não teria como se sustentar sem a mão de obra imigrante que tanto teme. Aperte o play.
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The post Muito além do pânico: a verdade sobre a crise de Ceuta appeared first on Chutando a Escada.
Em 2025, o Uzbequistão conquistou a primeira vaga da história de um país da Ásia Central em uma Copa do Mundo, um feito que o governo de Shavkat Mirziyoyev rapidamente incorporou à narrativa do “novo Uzbequistão”. Em parceria com o GEsEu, Grupo de Estudos da Eurásia (UNIPAMPA), Flávio Lira (UNIPAMPA/GEsEu) recebe Guilherme Geremias da Conceição (UNESP/CIRE), um dos maiores especialistas brasileiros no país, para usar essa classificação como ponto de partida de uma leitura de longo prazo sobre o Uzbequistão contemporâneo.
Guilherme percorre dois mil anos de história da região, da Rota da Seda ao império de Tamerlão, até a delimitação nacional soviética de 1924, que deu origem ao Uzbequistão como Estado. A conversa revisita a política externa de Islam Karimov, guiada por um único princípio, a defesa da soberania recém-conquistada, mesmo ao custo de aproximações e afastamentos sucessivos entre Moscou, Washington e Pequim. Já sob Mirziyoyev, o país transformou sua condição de duplamente sem litoral, característica que divide apenas com o Liechtenstein, em estratégia diplomática deliberada, equilibrando simultaneamente Rússia, China, Estados Unidos, Turquia, União Europeia e os países do Golfo. Aperte o play.
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Em janeiro de 2022, o aumento no preço do gás numa pequena cidade do oeste cazaque desencadeou uma crise que levou tropas russas ao país pela primeira vez na história da aliança de defesa coletiva da Eurásia. O episódio colocou o Cazaquistão no radar internacional por alguns dias, mas o país logo voltou ao obscurecimento habitual: o nono maior território do planeta, o maior produtor global de urânio, com reservas que representam 14% do total mundial, raramente aparece nas análises de política internacional feitas no Brasil. Em parceria com o GeSeu, o Grupo de Estudos da Eurásia, da Universidade Federal do Pampa, este episódio apresenta uma análise densa do Cazaquistão contemporâneo. Flávio Lira (UNIPAMPA/GeSeu) conduz a conversa com Bruna Mandu (UFSM/GeSeu) e Luiz Lobo (UFSM/GeSeu), que percorrem a formação do Estado cazaque sob quase três décadas de Nursultan Nazarbayev, o modelo neopatrimonial que moldou suas instituições e a delicada questão étnica entre cazaques e russos.
Na segunda parte, Bruna analisa o Janeiro Sangrento em detalhe: os protestos que eclodiram em Zhanaozen, se generalizaram pelo país e resultaram em mais de duzentos mortos, quatro mil feridos e dez mil detidos, além da primeira ativação do artigo 4 da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC) em toda a história da aliança. Luiz apresenta como Astana transforma seu potencial energético em instrumento diplomático: o Cazaquistão responde por cerca de 40% da produção mundial de urânio e destina 80% de suas exportações de petróleo à União Europeia, sustentando uma política externa multivetorial que recusa qualquer alinhamento exclusivo com Moscou, Pequim ou Washington. Bruna encerra com os quatro eixos que orientam a política externa cazaque até 2030: logística, transição energética, tecnologia digital e não proliferação nuclear. Aperte o play.
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00:00 Abertura e apresentação do GeSeu
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