Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou a COVID-19 como pandemia, ocorrendo no Brasil o fechamento de vários setores. A OMS recomenda como ações o distanciamento social isolamento para tratamento dos casos, testes, e como alternativas protetivas individuais o uso de máscaras, luvas, e a constante higienização...
No Brasil, em maio de 2020, o número de óbitos já ultrapassa os 12 mil. Ainda não existe um medicamento ou uma vacina que combata o vírus. As ações que tomamos são medidas protetivas, mas não garantias. A cada pesquisa se descobrem novos sintomas do vírus. Não há uma expectativa concreta sobre o retorno da “normalidade”.
O MEC tem tomado como diretriz documentos de instituições internacionais como o Banco Mundial, OCDE, ONU. O Conselho Nacional de Educação lançou a Proposta de Parecer Sobre Reorganização dos Calendários Escolares e Realização de Atividades Pedagógicas Não Presenciais Durante o Período de Pandemia da Covid-19
Segundo o parecer do CNE, essas aulas poderão ser realizadas de forma remota através de plataformas na internet, televisão, rádios, apostilas impressas...
O ato pedagógico não possui um pensamento uníssono, já tínhamos discussões sobre metodologias e perspectivas ideológicas a respeito do ato de ensinar e seus resultados na vida do aluno, compreendendo que nesse contexto de diversidade pedagógica, já existe a perspectiva de educação como transmissão.
Aos professores que dentro do contexto pedagógico compreendem o ato de ensinar numa perspectiva de construção do conhecimento, ao avaliar as individualidades dos alunos, os professores buscam formas de ensinar em que o conteúdo possa ser alcançado pelos alunos, usando de diversos recursos como a oralidade, imaginação, musicalização e qualquer outra coisa além de uma atividade no quadro ou um papel impresso.
Hoje, com a exigência das aulas virtuais, caminhamos para um contexto de educação como transmissão de informações, sendo visível a reprodução de atividades prontas e descontextualizadas lançadas virtualmente. Se antes da pandemia ensinávamos com certa “liberdade metodológica”, agora nos “curvamos” a um sistema sólido em que impera o conteúdo em dissonância das realidades sociais.
Sabemos das condições desses alunos em não ter acesso as aulas remotas, além da contradição da ida a escola em busca de atividades impressas com a quebra do isolamento social, ciente de que o isolamento é a melhor medida de frear a pandemia. Os responsáveis dos alunos estão tomando posse de uma atividade que não têm responsabilidade e nem mesmo possuem formação devida para isso; Os professores que precisam se readaptar instantaneamente a um sistema de ensino ao qual não foram capacitados para atuar. Além da constante necessidade de se proteger da doença e do medo com a incerteza sobre como sobreviver a pandemia e a vulnerabilidade econômica que estamos vivendo.
O conceito de aulas remotas já possui em si mesmo uma proposta excludente que não condiz com a realidade da população brasileira. Focando essas aulas apenas no conteúdo curricular sem analisar o contexto social existente, contribuímos expressivamente para a elevação das desigualdades sociais.
Temos de um lado as instituições privadas que possuem uma clientela com melhor índice econômico, com acesso a tecnologias, livros, diversidade informativa, enquanto a iniciativa pública os alunos são de baixa renda, muitos sem contato com as tecnologias, com demandas familiares internas, escassez alimentícia, dificuldades de aprendizagem e muitas outras variantes. Essas limitações tornam inalcançável a aplicabilidade do ensino remoto na atual circunstância, como aula efetiva para o cumprimento do calendário escolar.