Há quem diga que um instante de impaciência revela nossa verdadeira face. Mas será justo acreditar que alguns segundos de sombra podem apagar uma vida inteira de luz?
Podemos passar anos sendo presença, abrigo, cuidado. Podemos ser aquele porto seguro para quem quase desistiu. Ainda assim, basta uma faísca de raiva e, de repente, todo esse histórico parece ameaçado pelo julgamento.
Acontece que a mente humana tem sede do negativo. Grava a dor com mais força que o consolo. Guarda a falha com mais nitidez que o acerto. Mas o coração… o coração enxerga diferente.
O coração sabe que a essência se revela no repetido, no constante, no silencioso. Que a verdadeira face aparece é no gesto cotidiano: no abraço que sustenta, no ouvido que acolhe, no cuidado que retorna sempre.
A raiva? Ela não é inimiga. É apenas um sinal. Um limite que pede pausa. Um lembrete de que até o mais generoso dos corações precisa respirar.
O que nos define não é o tropeço de um instante, mas a constância de quem, apesar das quedas, insiste em escolher o caminho da bondade.
Porque a luz que habita em nós jamais se apaga por um momento de sombra. Ela permanece. E sempre retorna.