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Radiojornal, produzido pelas redações integradas da Rádio, Portal e Jornal Arauto. Uma equipe de repórteres focada em apresentar as notícias mais importantes da região, estado, país e mundo
Minha amiga trabalha em uma loja. Certo dia, entrou uma senhora bastante obesa e, de cara, a minha amiga pensou que não tinha nada na loja na numeração dela.
Ficou apreensiva e constrangida com aquela situação, vendo a senhora percorrer as araras em busca de algo que minha amiga sabia que ela não encontraria.
Sua angústia era porque não queria que a senhora se sentisse mal pelo tamanho das peças de roupas, se sentindo excluída ou discriminada.
Naquele momento, minha amiga rezou a Deus e pediu que Ele lhe desse sabedoria para conduzir a situação.
Foi quando o esperado aconteceu. A senhora se dirigiu à minha amiga e disse com o olhar triste:
- Não tem nada grande, não é?
E a minha amiga, sem saber bem o que dizer, simplesmente abriu os braços de uma ponta a outra e lhe respondeu:
- Quem disse? Claro que tem! Olha só o tamanho desse abraço!
E abraçou-a com muito carinho.
A senhora então se entregou àquele abraço acolhedor e, em lágrimas, disse:
- Há quanto tempo ninguém me dava um abraço. Não encontrei o que vim buscar, mas encontrei muito mais do que procurava.
A vida nos oferece, diariamente, diversas oportunidades de fazer o bem para o outro. Está em nós desejarmos ter um olhar atento e amoroso para enxergar estes momentos. Pense bem: que marca você quer deixar no mundo? Como você quer que as pessoas lembrem de você?
Não se engane! Você deixará tudo que conquistou aqui quando partir e só ficarão as marcas de amor que tiver deixado no coração dos outros. Só isso nos fará sermos eternamente lembrados. Só o amor nunca passará.
Radiojornal, produzido pelas redações integradas da Rádio, Portal e Jornal Arauto. Uma equipe de repórteres focada em apresentar as notícias mais importantes da região, estado, país e mundo
Compacto de entrevista com a abordagem de temas pertinentes à comunidade do Vale do Rio Pardo e Taquari. A cada edição um tema relevante ou algum assunto específico de ampla repercussão
O telefonema não é mais dedicação exclusiva. Ninguém mais liga para você sem fazer mais nada, as pessoas estão entretidas sempre com uma outra tarefa. Dirigem, trabalham, escrevem mensagens no WhatsApp, postam fotos, movimentam-se pela casa. Dá para notar pelos ruídos externos. Às vezes, o contato é feito no viva-voz e a voz some do alcance por breves momentos. Ou a acústica é vazada e a descarga surge, estridente, ao fundo.
Somos secundários quando recebemos uma ligação, somos um dos interesses no caminho, não mais um destino. Ninguém telefona para falar só com você, é uma hiperatividade irritante. Perdemos o dom de nos dedicarmos unicamente a alguém, sem concorrência, sem fugir com o pensamento, sem conversas paralelas e cumprimentos a terceiros, numa atenção plena e amorosa.
Durante minha infância e adolescência, o telefone era fixo, preso a um fio como um cachorro perigoso a uma coleira. Nas residências, existia até a mesinha de madeira própria ao aparelho, com uma toalha de crochê por baixo. Ao lado, sentava-se em uma poltrona sem espaldar, para se dedicar ao ato. O cenário formava uma espécie de oratório da fofoca, uma capela para as conversas. Não se saía da salinha.
Disputávamos o uso do telefone com a família. Aquele que queria ligar para alguém permanecia de pé, próximo, forçando uma despedida com griteiros. Parecia fila ansiosa de banheiro. Corria-se apenas o risco de o pai ou a mãe levantar silenciosamente o gancho da extensão para acompanhar o teor de algum relacionamento, se já havíamos avançado o sinal.
Parávamos com solenidade para um trololó prazeroso, para receber as descrições do dia, para pôr em dia os assuntos, para saborear a narração das amizades. Não tinha como se distrair. Lembro que a orelha esquentava devido à intensa imobilidade.
Estamos hoje em todos os lugares ao mesmo tempo e em nenhum lugar de verdade.
Fabrício Carpinejar
Radiojornal, produzido pelas redações integradas da Rádio, Portal e Jornal Arauto. Uma equipe de repórteres focada em apresentar as notícias mais importantes da região, estado, país e mundo
Compacto de entrevista com a abordagem de temas pertinentes à comunidade do Vale do Rio Pardo e Taquari. A cada edição um tema relevante ou algum assunto específico de ampla repercussão
Nem todo mundo precisa ser popular, comunicativo, expansivo. Nem todo mundo precisa fazer curso de oratória, perder a vergonha. Nem todo mundo precisa se soltar e se inscrever em curso de teatro. Nem todo mundo precisa ser político e megalomaníaco. Nem todo mundo é vaidoso e exibicionista. Nem todo mundo quer selfie e vitrine.
Há uma ditadura da desinibição. Como se a timidez fosse doença. Como se a liderança fosse exclusiva do púlpito e do microfone.
Existe um patrulhamento aos alunos retraídos, aos empregados contidos, impondo a obrigação de se expor. Se a pessoa não for sociável, ela tem problemas de convivência.
Recomenda-se correção de postura, terapia, acampamentos, excursões, apresentações forçadas em público.
Vive-se um The Voice permanente nas escolas e empresas. Um karaokê do estardalhaço.
Tem que gritar de qualquer jeito, tem que colocar para fora de qualquer jeito, tem que dançar de qualquer jeito, tem que enfrentar os medos de qualquer jeito.
Terminam malvistos os sussurros, os timbres baixos, o rubor, a educação. Incentiva-se os bagunceiros e os midiáticos, os palhaços e os mitômanos.
Se alguém pretende defender a privacidade é confundido como arrogante. Se alguém pensa duas vezes antes de se expressar, é tachado de covarde.
Desde quando inteligência é extroversão?
Não são admitidos o nervosismo, a solidão, a reserva. Não são respeitados os sonhadores, os românticos, os meninos e meninas de poucas palavras e muitas ações. Não são elogiados os perfis privados do Instagram.
Predomina uma histeria para aparecer e garantir oportunidade. Quem não vende o seu talento não merece nenhuma chance. Tudo tem que virar interação e mercadoria com etiqueta e QR Code.
Há os que se bronzeiam ao sol e os que se resguardam na sombra. Há os que se divertem na frente dos outros e os que se fortalecem na solidão do papel. Há os que falam e os que escrevem.Há os cineastas e os atores.
Há os que preferem a ribalta e os que se sobressaem nos bastidores.
É fundamental proteger a diversidade de temperamentos. Não assassinar biotipos, não censurar os introvertidos, não corromper o silêncio. Cada um pode escolher o seu jeito de ser feliz.
Amar quietinho é também amar. Trabalhar quietinho é também trabalhar. Estudar quietinho é também estudar. Não é menos. Não é uma incompetência. Não é um excrescência social.
O pudor deveria ser mais valorizado. É sinal de decência.
Fabrício Carpinejar
Compacto de entrevista com a abordagem de temas pertinentes à comunidade do Vale do Rio Pardo e Taquari. A cada edição um tema relevante ou algum assunto específico de ampla repercussão
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