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Um dia eu entrei na cozinha e vi minha avó fazendo pão. Ela tinha acabado de sovar a massa, colocou dentro de uma tigela, cobriu com um pano, subiu no banquinho e colocou em cima do armário, lá no alto. E disse: pronto, agora é só esperar a massa crescer.
Eu, criança, fiquei intrigado. Pô, não é mais do que a massa crescer?
Ela sorriu pra mim, com aquele jeito sereno de avó, e respondeu: se eu deixo ela na mesa, sempre tem alguém que passa, tira o pano, espia o que tem dentro da tigela e fica dando palpite, querendo apressar as coisas. Tem gente que, só de curiosidade, cutuca com o dedo sujo pra sentir a massa. Tem gente que até arranca um pedaço pra provar.
A última vez que eu coloquei a massa na mesa, teve uma pessoa que, depois de provar, achou que a massa não tava no gosto dela e jogou sal por cima.
E sabe o que acontece quando mexem na massa? Ela murcha.
Eu fiquei olhando, curioso, e perguntei de novo: não tem jeito de consertar, não?
Ela, de novo com aquele sorriso de canto, ajeitou o pano sobre a tigela e respondeu balançando a cabeça: é, meu filho, às vezes até tem, mas nunca fica igual. Eu posso até tentar ajeitar, acrescentar mais farinha… mas o pão só fica bom quando a massa é guardada. Nunca se esqueça disso, meu filho.
A massa que prepara o seu pão de cada dia precisa ser guardada para que ela cresça. Esconda do mundo curioso a massa do seu pão, para que ninguém atrapalhe o crescimento.
Naquela época eu não entendi essa metáfora, mas eu guardei as palavras dela.
Hoje eu sei que aquela conversa não era sobre pão. E cada vez que eu penso na minha avó subindo no banquinho, eu lembro da lição: as coisas crescem muito melhor no alto, protegidas, debaixo de um pano, até chegar a hora de serem servidas de fato.
Tem sonhos que só viram realidade quando não são apressados.
Feridas que só saram quando param de ser cutucadas.
Perguntas que só viram respostas quando não são interrompidas.
Conquistas que só acontecem quando não recebem conselhos desnecessários.
Amizades que só permanecem quando não precisam ser provadas a todo instante.
Amores que só se firmam quando não recebem palpites.
E ideias que só crescem quando não são podadas.
Se a lição da minha avó também falou com você, guarde aí no seu coração.
E compartilhe com alguém que precisa lembrar de proteger a própria massa do pão.
Nícolas da Silva, André Linck, Matheus Steffens, Sandro Viana, Cristiano Silva, Luciano Almeida e Guilherme Bica
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Há lembranças que chegam como um sopro, outras como um vendaval. Elas carregam o cheiro de tempos que não voltam, mas que insistem em morar no coração. Quem ainda recorda o barulho da rua cheia de crianças jogando bola até o entardecer, sem pressa, sem medo? Ou o costume de esperar a carta do correio, ansioso por palavras que viajavam quilômetros para aquecer a alma?
E aquelas tardes de domingo em que a família se reunia em torno da mesa, sem celular, sem pressa, só risadas e histórias? Havia também a magia de revelar fotos, sentir o papel entre os dedos, escolher cuidadosamente cada registro. E os saraus improvisados, as serenatas debaixo da janela, a sensação de que o tempo corria mais devagar quando a vida era feita de pequenos encontros.
Hoje, tanta coisa se perdeu. A pressa tomou o lugar da pausa. O toque virou mensagem instantânea. O “olho no olho” muitas vezes se esconde atrás de uma tela. Mas, mesmo com as mudanças, as memórias são as sementes que resistem ao vento. Elas nos lembram de quem fomos, do que vivemos, de tudo que nos construiu.
Por isso, registrar, guardar, contar histórias não é só saudade: é preservar essência. Porque tudo na vida passa — o riso, o abraço, até o cheiro do café de infância. Mas as memórias… ah, essas nunca se perdem. Elas são o elo invisível que mantém viva a beleza de cada instante.
O Feed de Negócios fala sobre um novo movimento liderado por 5 mulheres de Santa Cruz do Sul, o MOVE. É experiência de negócios de diversas visões de liderança.
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