A Ressurreição Verdadeira
Há uma palavra... que atravessa séculos.
Que atravessa culturas... e corações.
Essa palavra é: ressurreição.
Ela ressoa nas catedrais...
nos cânticos...
nas promessas sussurradas... diante dos túmulos.
Mas o que significa... verdadeiramente... ressurgir?
A tradição religiosa sempre colocou a ressurreição
como um evento futuro.
Grandioso. Único.
Um momento em que os mortos se levantariam das sepulturas...
e receberiam seu destino final.
Bela imagem.
Poderosa.
Mas Kardec...
ao sistematizar a doutrina dos Espíritos...
revelou algo ainda mais profundo.
A ressurreição não é um evento que virá.
É um processo... que já acontece.
Vida após vida.
Encarnação após encarnação.
Cada vez que um Espírito retorna à carne...
ele ressurge.
Cada nascimento... é uma ressurreição.
Cada existência...
um capítulo de uma obra
que o próprio Espírito escreve...
com suas escolhas...
seus amores...
suas dores...
e suas conquistas.
E então chegamos...
à pergunta cento e setenta...
d'O Livro dos Espíritos.
Aquela que carrega em si...
uma das respostas mais belas de toda a obra.
A pergunta é esta:
"Em que se transforma o Espírito...
depois da sua última encarnação?"
E a resposta...
"Espírito bem-aventurado... um Espírito puro."
Leia de novo. Devagar.
Espírito... puro.
Não um ser extinto.
Não uma consciência dissolvida no nada.
Não uma alma adormecida...
à espera de um julgamento arbitrário.
Mas uma luz...
que chegou à sua plenitude.
Que atravessou o fogo das experiências...
a dor das quedas...
a glória das superações...
E emergiu.
Finalmente... livre.
Livre de toda imperfeição.
Essa é a ressurreição definitiva.
Não do corpo...
esse invólucro provisório
que serviu ao Espírito como uma roupa de trabalho.
Mas a ressurreição... do ser.
Na sua forma mais elevada.
Mais luminosa.
Mais verdadeira.
O Cristo disse:
"Eu sou a ressurreição... e a vida."
E o Espiritismo nos ajuda a compreender
essa afirmação... em toda a sua profundidade.
Jesus não anunciou apenas um privilégio seu.
Ele anunciou... um destino universal.
Era a demonstração viva...
do que todo Espírito pode e deve se tornar:
Puro.
Bem-aventurado.
Pleno de amor.
A jornada é longa.
Isso ninguém pode negar.
São muitas as encarnações...
muitos os véus que precisam ser removidos...
muitas as lágrimas que ensinam...
muitos os perdões que libertam.
Mas o caminho... tem direção.
E o destino... é certo.
Pense nisso.
Você... que ouve estas palavras agora...
já ressuscitou muitas vezes.
Já nasceu em outros tempos...
em outras terras...
sob outros nomes.
Cada vida foi uma oportunidade.
De lavar uma mancha.
De aprender uma lição.
De amar... um pouco mais.
Um pouco melhor.
E há uma encarnação...
não sabemos qual...
não sabemos quando...
Que será a última.
Aquela em que o Espírito
terá completado... sua obra.
Terá conquistado...
não por graça arbitrária...
mas por merecimento real...
O estado que Kardec chamou de bem-aventurança.
A harmonia perfeita...
entre o ser e o bem.
Entre a vontade... e o amor.
Essa é a ressurreição que vale a pena buscar.
Não a do corpo...
que a terra sempre reclama de volta.
Mas a do Espírito.
Eterna.
Luminosa.
Irreversível.
Que cada dia vivido...
seja um passo nessa direção.
Que cada escolha pelo amor...
pela verdade...
pelo perdão...
Seja um tijolo dessa ressurreição
que se constrói...
silenciosamente...
dentro de nós.