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Tambémesta é a nossa vocação. Somos chamados não por causa das nossasobras ou capacidades, mas segundo o desígnio e a graça de Deus. Asegunda leitura exprime-o com clareza: Ele salvou-nos e chamou-nos àsantidade não pelas nossas obras, mas pelo seu próprio desígnio. Éa sua graça que atua em nós; é o seu amor gratuito que está naorigem de tudo.
Àluz deste chamamento, o Evangelho da Transfiguração ganha umatonalidade particular. O episódio acontece depois de Jesus anunciara sua paixão. Os discípulos estão perturbados: não compreendem ocaminho da cruz. É nesse contexto que Pedro, Tiago e João sobem comJesus a um alto monte. E aí Jesus transfigura-Se diante deles.
Maisdo que perguntar “como foi”, importa deter-nos no sentido dapalavra. No quotidiano, quando alguém “se transfigura”, querdizer que revela o mais íntimo de si. Na Transfiguração, osdiscípulos veem para além da aparência habitual de Jesus;contemplam a sua identidade profunda. Isso provoca espanto econsolação: “Como é bom estarmos aqui!”
Maseste “estar aqui” pode tornar-se tentação. Ficar no conforto daexperiência espiritual, no “quentinho” da fé, esquecendo que omonte não é morada definitiva. Jesus faz subir, mas também fazdescer. A experiência da glória não nos retira do mundo; envia-nosa ele. Subimos para contemplar, descemos para nos comprometermos. Aglória deve reorganizar o quotidiano segundo a graça.
OEvangelho fala ainda de Moisés e Elias: a Lei e os Profetas. Jesus évisto transfigurado à luz da história da salvação. Também nós Ovemos transfigurado quando lemos a nossa história e osacontecimentos do mundo à luz da Palavra de Deus. Meditar a vida àluz da Palavra provoca transformação.
Notexto grego surge a ideia de metamorfose. A metamorfose não ésimples mudança exterior; é transformação interior que semanifesta por fora. Talvez seja mais expressiva do que a palavra“conversão”, que pode sugerir apenas alteração decomportamentos. A metamorfose é algo que acontece no íntimo.
Cadaescuta da Palavra é ocasião de metamorfose. Em linguagem paulina,trata-se de deixar o homem velho e revestir-se do homem novo. Nestecaminho quaresmal, importa fixar-nos na Transfiguração: o Senhornão nos pede nada que não esteja ao nosso alcance com a sua graça.Pede-nos uma vida boa, santa, equilibrada — e dá-nos a forçanecessária.
Quandodeixamos que a Palavra se instale no coração, ela transforma-nos apartir de dentro. Por isso, quando pensamos: “Se o Senhor Setransfigurasse diante de mim, eu acreditava”, talvez devamosreconhecer que Ele já Se transfigura diante de nós.
Oque nos é pedido é simples e exigente: subir ao monte. Procurar oslugares onde Deus Se torna mais próximo — a oração, a meditaçãoda Palavra, a liturgia, as obras de caridade. Estes exercíciostornam-se lugares de metanoia, de transformação interior.
E,pouco a pouco, o Senhor instala-Se luminosamente no nosso coração,gerando a convicção de que Ele é bom, que nos liberta e que noscapacita a viver como filhos da luz.
By Luís M. Figueiredo RodriguesTambémesta é a nossa vocação. Somos chamados não por causa das nossasobras ou capacidades, mas segundo o desígnio e a graça de Deus. Asegunda leitura exprime-o com clareza: Ele salvou-nos e chamou-nos àsantidade não pelas nossas obras, mas pelo seu próprio desígnio. Éa sua graça que atua em nós; é o seu amor gratuito que está naorigem de tudo.
Àluz deste chamamento, o Evangelho da Transfiguração ganha umatonalidade particular. O episódio acontece depois de Jesus anunciara sua paixão. Os discípulos estão perturbados: não compreendem ocaminho da cruz. É nesse contexto que Pedro, Tiago e João sobem comJesus a um alto monte. E aí Jesus transfigura-Se diante deles.
Maisdo que perguntar “como foi”, importa deter-nos no sentido dapalavra. No quotidiano, quando alguém “se transfigura”, querdizer que revela o mais íntimo de si. Na Transfiguração, osdiscípulos veem para além da aparência habitual de Jesus;contemplam a sua identidade profunda. Isso provoca espanto econsolação: “Como é bom estarmos aqui!”
Maseste “estar aqui” pode tornar-se tentação. Ficar no conforto daexperiência espiritual, no “quentinho” da fé, esquecendo que omonte não é morada definitiva. Jesus faz subir, mas também fazdescer. A experiência da glória não nos retira do mundo; envia-nosa ele. Subimos para contemplar, descemos para nos comprometermos. Aglória deve reorganizar o quotidiano segundo a graça.
OEvangelho fala ainda de Moisés e Elias: a Lei e os Profetas. Jesus évisto transfigurado à luz da história da salvação. Também nós Ovemos transfigurado quando lemos a nossa história e osacontecimentos do mundo à luz da Palavra de Deus. Meditar a vida àluz da Palavra provoca transformação.
Notexto grego surge a ideia de metamorfose. A metamorfose não ésimples mudança exterior; é transformação interior que semanifesta por fora. Talvez seja mais expressiva do que a palavra“conversão”, que pode sugerir apenas alteração decomportamentos. A metamorfose é algo que acontece no íntimo.
Cadaescuta da Palavra é ocasião de metamorfose. Em linguagem paulina,trata-se de deixar o homem velho e revestir-se do homem novo. Nestecaminho quaresmal, importa fixar-nos na Transfiguração: o Senhornão nos pede nada que não esteja ao nosso alcance com a sua graça.Pede-nos uma vida boa, santa, equilibrada — e dá-nos a forçanecessária.
Quandodeixamos que a Palavra se instale no coração, ela transforma-nos apartir de dentro. Por isso, quando pensamos: “Se o Senhor Setransfigurasse diante de mim, eu acreditava”, talvez devamosreconhecer que Ele já Se transfigura diante de nós.
Oque nos é pedido é simples e exigente: subir ao monte. Procurar oslugares onde Deus Se torna mais próximo — a oração, a meditaçãoda Palavra, a liturgia, as obras de caridade. Estes exercíciostornam-se lugares de metanoia, de transformação interior.
E,pouco a pouco, o Senhor instala-Se luminosamente no nosso coração,gerando a convicção de que Ele é bom, que nos liberta e que noscapacita a viver como filhos da luz.