Maria Augusta Arruda, diretora do LNBio/CNPEM
O Brasil construiu, nas últimas décadas, uma infraestrutura científica que poucos países do mundo possuem. Tem síncrotron, tem laboratórios nacionais abertos à comunidade, tem grupos de pesquisa competitivos internacionalmente e tem a maior biodiversidade do planeta. Ainda assim, quase nunca converte tudo isso em medicamento.
Este episódio abre a segunda temporada do INOVASAU justamente por essa pergunta.
A convidada é Maria Augusta Arruda, farmacologista que construiu carreira entre o Brasil e o Reino Unido em descoberta de fármacos e que hoje dirige o Laboratório Nacional de Biociências, o LNBio, um dos quatro laboratórios do CNPEM, em Campinas. Neste ano, foi eleita para o Conselho de Assessores Científicos do ICGEB, o Centro Internacional de Engenharia Genética e Biotecnologia, organização intergovernamental ligada ao sistema das Nações Unidas que reúne cerca de setenta países.
Conversamos sobre o que se enxerga do sistema brasileiro quando se trabalha fora dele, e o que muda quando se assume a responsabilidade de operar infraestrutura pública para toda a comunidade científica e para o setor produtivo. Falamos sobre o que significa, na prática, um laboratório nacional se propor a fazer inovação radical, e não apenas pesquisa de excelência, e sobre qual papel cabe ao CNPEM na estratégia nacional que está sendo desenhada, e qual não cabe.
Boa parte da conversa se dedica à biodiversidade brasileira, citada há décadas como nossa grande vantagem competitiva e que raramente chegou ao mercado como fármaco. Discutimos o que mudou nos últimos anos, em técnica, em arranjo institucional e em disposição da indústria, e o que o Centro de Competência em insumo farmacêutico ativo a partir da biodiversidade, em parceria com a Embrapii e o Ministério da Saúde, já permite fazer. Também tratamos das questões de acesso ao patrimônio genético e repartição de benefícios, e de como elas pesam na decisão de investir num programa de descoberta.
Há ainda uma parte da conversa sobre a ponte que separa ciência pública de indústria, sobre o que uma empresa precisa entender antes de procurar um laboratório nacional e sobre o inverso, sobre o tempo e a lógica de quem responde por resultado no curto prazo. E sobre o gargalo menos discutido de todos, que é a formação de gente capaz de transitar entre esses dois mundos.
No fim, conversamos sobre o tempo longo. Projetos de infraestrutura científica levam de cinco a dez anos entre concepção e operação, num país que orça ano a ano. Maria Augusta fala sobre como se sustenta uma aposta desse horizonte e sobre o que precisaria mudar para que ela não dependesse tanto da persistência de quem a conduz.
Sobre o INOVASAU
O INOVASAU é apresentado por Marcio de Paula, fundador do Instituto Brasileiro de Inovação em Saúde -IBIS, com mais de vinte e cinco anos de atuação nos setores farmacêutico, de biotecnologia e de dispositivos médicos.
A segunda temporada se organiza em torno do panorama atual da inovação radical em saúde no Brasil e percorre a cadeia inteira: o desenho da política pública, a infraestrutura de pesquisa, a propriedade intelectual, a regulação, o capital, a indústria e a fronteira científica.
Novos episódios em breve.
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