Conversando em português com a minha professora de inglês, Divania, descobri que ela já teve muito medo de morrer. Na verdade ainda tem, mas que conhece muita gente que simplesmente tem pavor só de ouvir falar da morte. Pois é Divania, por mais que se fale da morte, ainda vai existir muita gente com medo dela.
Para mim, falar de morte é falar de algo natural e até me faz bem. Dia desses fui ouvir uma ópera e ela não acabava nunca e começou a ficar insuportável. Você já imaginou ouvir uma música sem final? Ler um livro que não acaba nunca? Uma relação sexual que não chega nunca ao final?
A morte, para mim, não é como algo traiçoeiro que nos espera no fim. A morte é aquela companheira silenciosa que nos sopra a todo o momento no ouvido:
-Viva a vida, não há tempo a perder. É preciso viver agora! Ame agora, não deixe para viver a paixão depois.
A morte é a informante do que realmente importa na vida. A morte nos alerta sobre aquilo que estamos fazendo com a própria vida, os sonhos que não sonhamos, as aventuras que talvez por medo não vivemos.
Morte e vida, noite e dia, silêncio e música, calor e frio, riso e choro, sol e chuva, chegada e partida. Esses são opostos pulsantes que dão movimento à vida.
Vida e morte são da mesma família, talvez irmãs gêmeas, não são inimigas. Uma canção não existiria sem a palavra que a encerra. É assim também com a vida, sem a morte a vida não existiria.
Hermann Hesse nos disse que “após cada morte a vida se torna para nós mais delicada e preciosa”. O que seria da árvore sem a morte da semente? Da borboleta sem a morte da lagarta? Do embrião sem o fim do óvulo?
Robert Frost, poeta e pensador Californiano, namorou poucas mulheres, porém foi apaixonado pela vida. Ele pediu que escrevesse em seu epitáfio: “Ele teve um caso de amor com a vida”. Mario Quintana, que também disse ter um caso de amor com a vida, pediu para escrever em sua lápide: “Eu não estou aqui”. Ele brincava com a própria morte. Pessoas que vão visitar seu túmulo saem sorrindo ao ler tal frase.
Eu tenho muitas razões para amar a vida e razões para continuar vivendo, mas quando morrer então entrarão em cena as razões para eu morrer. Morrer? Ou será passar, transformar? Ou viver? Ou será minha vida após a vida?
É assim como o mundo me parece. E você, o que pensa sobre morte?
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Artigo veiculado na Rádio Som Maior Premium no dia 08/07 e 01/11 de 2011 e publicado no Jornal A Tribuna no dia 09/07 e 03/11 de 2011