O traidor anunciado(13.21-25). Jesus deixa os discípulos em suspense, ao dizer: [...] um de vós me trairá.
Jesus tinha total controle da situação. Ele não foi tomado de surpresa. Sabia exatamente o que estava acontecendo e o que iria acontecer, nos detalhes.
Essa informação provoca perplexidade na mente dos discípulos. Todos querem saber quem é. Pedro pede ao discípulo amado, que estava reclinado sobre o peito de Jesus, para perguntar: Senhor, quem é? Essa é a primeira vez em que nos é apresentado o discípulo que o evangelista destaca como aquele a quem ele amava.
O traidor identificado (13.26). Jesus responde com uma senha: E aquele a quem eu der o pedaço de pão molhado. E tendo molhado o pedaço de pão, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.
Judas Iscariotes nos mostra quão longe um homem pode ir em sua profissão religiosa sem ser convertido, quão profundamente uma pessoa pode se envolver com as coisas de Deus e ser apenas um hipócrita. Judas Iscariotes nos mostra a inutilidade dos maiores privilégios sem um coração sincero diante de Deus.
Privilégios espirituais sem a graça de Deus não salvam ninguém. Ninguém é salvo por ser um líder religioso, por ocupar um lugar de destaque na denominação ou por exercer um ministério espetacular.
Judas Iscariotes nos alerta sobre o perigo de ter apenas um conhecimento intelectual do evangelho, mas um coração ainda não convertido. Judas Iscariotes nos mostra que ser batizado ou ser membro de igreja não é garantia de que estamos certos diante de Deus.
Judas Iscariotes nos adverte sobre a necessidade de sondarmos o nosso coração. Judas Iscariotes amou mais o dinheiro do que sua alma. Amou mais o dinheiro do que a Jesus. Aquele não foi um deslize momentâneo na vida de Judas.
Jesus já conhecia o seu coração. Jesus sabia que ele era ladrão (12.6). Aqui a máscara cai, e Judas Iscariotes acolhe a sugestão do diabo.
Judas Iscariotes é um alerta para nós sobre o perfeito conhecimento que Cristo tem de todo o seu povo. Jesus pode distinguir entre uma falsa profissão de fé e a verdadeira graça.
A igreja pode ser enganada, mas Jesus não. Homens maus como Judas Iscariotes podem ocupar os postos mais altos na liderança da igreja, mas nunca enganarão Jesus. Jesus conhece aqueles a quem ele escolheu (13.18,19; 2 Tm 2.19).
Jesus deu todas as oportunidades para Judas Iscariotes se arrepender. Ele o chamou, o ensinou, o comissionou e lhe lavou os pés. Jesus o tratou como amigo. Deu-lhe todos os privilégios que deu aos outros discípulos. Mas o mesmo sol que amolece a cera endurece o barro. Os discípulos foram salvos; Judas pereceu.
O traidor endemoninhado (13.27). Satanás, que estava por trás de todas as ações de Judas Iscariotes até aqui, agora entra nele e passa a governar suas ações até levá-lo ao suicídio.
Agora, Satanás entra no coração dele. Esse é o método que o diabo usa costumeiramente para com aqueles que não resistem a ele. Satanás toma total posse da alma do traidor. Judas Iscariotes é agora uma pessoa completamente endurecida. As advertências de Jesus não receberam a devida atenção. Agora, não mais seriam dadas. Jesus nada mais tem a fazer com relação a Judas.
Rapidamente, Jesus despede Judas Iscariotes e, ao mesmo tempo, revela que ele, Senhor de todos, era plenamente senhor da situação. Todos os detalhes de sua paixão, inclusive a hora certa de cada coisa, estavam em suas mãos, e não nas mãos do traidor.
Jesus diz para Judas não adiar mais sua intenção maligna. Sua máscara havia caído. Sua identidade fora revelada. Sua ação não podia mais ser postergada. A hora de Jesus havia chegado. Jesus declara abertamente: Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá. Ao mesmo tempo, dirige-se a Judas e diz: O que estás para fazer, faze-o depressa.