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O projeto 3 x 22, iniciativa da Universidade de São Paulo que conta com a parceria do Instituto CPFL e do Sesc-SP, busca promover o debate histórico, artístico, cultural e político em torno do Bicentenário da Independência do Brasil e do Centenário da Semana de Arte Moderna a serem comemorados em 2022. Como parceiro do Instituto CPFL, o Estado da Arte promoverá uma série de artigos, podcasts, textos clássicos e entrevistas dedicados a reflexões sobre temas nacionais.
Joaquim Nabuco foi, a um tempo, uma síntese de sua época e um sinal de contradição para ela. Dionisíaco mundano e vulcânico na juventude, apolíneo elevado e moderador na maturidade; menino de engenho de estirpe aristocrática, bacharel inconformado com as injustiças sociais, deputado campeão do abolicionismo, acusado de “agitador” e “comunista” pelos latifundiários patriarcais de sua classe; criticou acerbamente a Igreja brasileira pela sua resignação à escravidão, mas tornou-se profundamente ortodoxo e comprometido com o supranacionalismo de Roma; cosmopolita, à vontade nas cortes europeias e nas altas rodas americanas, seu fervor por Pernambuco o teria levado, se necessário, ao separatismo; liberal, democrata, federalista convicto, mas leal à monarquia, com a ascensão da República, infligiu-se, aos quarenta anos, o ostracismo como estadista para imergir-se nos livros e documentos do passado, na história da família e do Império, gerando obras seminais para a nossa formação nacional. Quando os republicanos criaram a primeira Embaixada do Brasil, nos Estados Unidos, foi ao velho Nabuco que recorreram para representar a jovem República.
Nabuco foi, em resumo, um “pensador alongado em homem de ação, com olhos de revolucionário e pés quase sempre de conservador”, como disse sobre seu precursor, José Bonifácio, seu conterrâneo Gilberto Freyre, o qual fez ainda, em meados do século passado, esta constatação amargamente atual: “Numa época, como esta que atravessamos, marcada pela desconfiança ou pela suspeita de que todo político brasileiro seja ou tenha sido um politiqueiro e todo homem público, um mistificador; e de que a política, os parlamentos, os congressos sejam inutilidades dispendiosas, senão palhaçadas ou mascaradas prejudiciais ao povo ingênuo, necessitando apenas de governo paternalescamente forte; Nabuco é uma das maiores negações dessa lenda negra com que se pretende desprestigiar, entre nós, a vida pública, a figura do político, a ação dos parlamentos”. Enfim, teria sido Nabuco um homem de contradições ou o centro virtuoso entre as contradições de seu tempo? E como a sua mensagem pode ajudar a sanar as contradições do nosso tempo?
Convidados
Angela Alonso: professora de sociologia da Universidade de São Paulo e autora de Joaquim Nabuco – Os salões e as ruas.
Izabel Marson: professora de história da Universidade Estadual de Campinas e autora de Política, história e método em Joaquim Nabuco.
Marco Aurélio Nogueira: professor de ciência política da Universidade Estadual Paulista e autor de O encontro de Joaquim Nabuco com a política.
Referências
Confira o Café Filosófico CPFL especial 3 x 22 “A Música na Semana”, com a professora da USP Flávia Toni.
O post Joaquim Nabuco apareceu primeiro em Estado da Arte.
By Estado da ArteO projeto 3 x 22, iniciativa da Universidade de São Paulo que conta com a parceria do Instituto CPFL e do Sesc-SP, busca promover o debate histórico, artístico, cultural e político em torno do Bicentenário da Independência do Brasil e do Centenário da Semana de Arte Moderna a serem comemorados em 2022. Como parceiro do Instituto CPFL, o Estado da Arte promoverá uma série de artigos, podcasts, textos clássicos e entrevistas dedicados a reflexões sobre temas nacionais.
Joaquim Nabuco foi, a um tempo, uma síntese de sua época e um sinal de contradição para ela. Dionisíaco mundano e vulcânico na juventude, apolíneo elevado e moderador na maturidade; menino de engenho de estirpe aristocrática, bacharel inconformado com as injustiças sociais, deputado campeão do abolicionismo, acusado de “agitador” e “comunista” pelos latifundiários patriarcais de sua classe; criticou acerbamente a Igreja brasileira pela sua resignação à escravidão, mas tornou-se profundamente ortodoxo e comprometido com o supranacionalismo de Roma; cosmopolita, à vontade nas cortes europeias e nas altas rodas americanas, seu fervor por Pernambuco o teria levado, se necessário, ao separatismo; liberal, democrata, federalista convicto, mas leal à monarquia, com a ascensão da República, infligiu-se, aos quarenta anos, o ostracismo como estadista para imergir-se nos livros e documentos do passado, na história da família e do Império, gerando obras seminais para a nossa formação nacional. Quando os republicanos criaram a primeira Embaixada do Brasil, nos Estados Unidos, foi ao velho Nabuco que recorreram para representar a jovem República.
Nabuco foi, em resumo, um “pensador alongado em homem de ação, com olhos de revolucionário e pés quase sempre de conservador”, como disse sobre seu precursor, José Bonifácio, seu conterrâneo Gilberto Freyre, o qual fez ainda, em meados do século passado, esta constatação amargamente atual: “Numa época, como esta que atravessamos, marcada pela desconfiança ou pela suspeita de que todo político brasileiro seja ou tenha sido um politiqueiro e todo homem público, um mistificador; e de que a política, os parlamentos, os congressos sejam inutilidades dispendiosas, senão palhaçadas ou mascaradas prejudiciais ao povo ingênuo, necessitando apenas de governo paternalescamente forte; Nabuco é uma das maiores negações dessa lenda negra com que se pretende desprestigiar, entre nós, a vida pública, a figura do político, a ação dos parlamentos”. Enfim, teria sido Nabuco um homem de contradições ou o centro virtuoso entre as contradições de seu tempo? E como a sua mensagem pode ajudar a sanar as contradições do nosso tempo?
Convidados
Angela Alonso: professora de sociologia da Universidade de São Paulo e autora de Joaquim Nabuco – Os salões e as ruas.
Izabel Marson: professora de história da Universidade Estadual de Campinas e autora de Política, história e método em Joaquim Nabuco.
Marco Aurélio Nogueira: professor de ciência política da Universidade Estadual Paulista e autor de O encontro de Joaquim Nabuco com a política.
Referências
Confira o Café Filosófico CPFL especial 3 x 22 “A Música na Semana”, com a professora da USP Flávia Toni.
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