PhD. em neurociência, o biólogo e antropólogo Fabiano de Abreu, que vem se dedicando ao assunto em grupos de estudo compostos por pesquisadores de diversas universidades do mundo, alerta que o comportamento negacionista pode estar relacionado a um problema fisiológico: a atrofia de determinadas regiões na porção frontal do cérebro, responsáveis pela inteligência, tomada de decisões e prevenção. “Por isso que muitas pessoas têm atitudes incoerentes”, completa. Ele explica que o comportamento negacionista está diretamente ligado à falta de conhecimento das pessoas, resultado de um sistema educacional historicamente deficiente. “Quem tem limite do conhecimento acredita conhecer tudo, já que tudo está no limite deste espaço”, argumenta. O especialista avalia que, se for possível estabelecer um diálogo com o negacionista, há salvação. “Se você tenta levar o conhecimento, a ponto de fazê-lo pensar sobre aquilo, ótimo”, afirma. “Se ele não quer raciocinar, já tem um transtorno envolvido. Aí é cabível de tratamento, o problema é ele reconhecer”. E se o negacionista for irredutível? “Não tem porquê conviver. Para que você tenha uma melhor saúde mental”, conclui.