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Olá!
Como vai você?
Tudo bem? Espero que sim!!
E hoje, chegamos à última das 3 entregas dos capítulos que compõem o livro “NÓS - Um breve resumo dos nós que nos unem”. Nesta terceira parte seguimos falando sobre a herança afetiva que recebemos dos nossos pais e antepassados, e como isso, realmente, gera impactos conscientes e inconscientes tanto para nós como para as gerações seguintes.
Nos capítulos anteriores, vimos que:
* Legado emocional é a marca que uma pessoa deixa em outras ao longo da sua vida e que permanecerá após a sua morte. Estamos falando de raízes emocionais profundas, sentimentos de tão longo prazo que passam de uma geração para outra.
* Esse legado é composto por memórias, sentimentos, valores, hábitos e visão de mundo, transmitidos e perpetuados nas relações pessoais através de ações, palavras, ensinamentos e atitudes.
* Na prática, isso molda a base das nossas relações familiares, pois é sobre a forma como uma pessoa faz as outras se sentirem e se verem, gerando influência positiva ou negativa no bem-estar emocional da sua família, amigos e até comunidade.
Portanto, podemos dizer que a parentalidade é o alicerce desse processo, porque:
Somos uma expressão de tudo que aprendemos de forma consciente ou inconsciente, geração após geração. E isso vale para princípios, comportamentos e todas as áreas da nossa existência.
Como Clube Orekare, entendemos a urgência de ampliar a compreensão dessa bagagem que cada um de nós carrega em si. Precisamos aprofundar o entendimento do que recebemos das nossas famílias para identificar se há feridas ou curar dores que estejam, de alguma forma, atuantes em nossos relacionamentos.
À medida que aprendemos sobre isso, nos tornamos capazes de gerar um impacto mais saudável e poderoso para a nossa saúde emocional e a das próximas gerações.
Essa é uma necessidade urgente, para todos nós.
Vamos lá!!
CAPÍTULO 5
A TED (Technology, Entertainment, Design), organização sem fins lucrativos é uma entidade dedicada à disseminação de ideias, geralmente na forma de palestras curtas e poderosas. Em 2012, para sua conferência nominada TEDGlobal, o tema escolhido foi “Radical Openness” (Abertura Radical). O objetivo era explorar como a transparência e a conectividade estavam remodelando negócios, ciência, governo e outros campos.
Naquele ano o evento aconteceu em Edimburgo, capital da Escócia. Como de praxe, recebeu grandes nomes e atraiu uma audiência global com palestras sendo vistas por milhões de pessoas in loco, online, ajudando a disseminar ideias inovadoras e inspiradoras.
Dentre os palestrantes daquela edição estava Amy Cuddy, que naquele dia, ao subir ao placo em Edimburgo, com certeza não imaginava que se tornaria o exemplo perfeito de como mais que do uma ideia, uma história redentora, pode capturar a imaginação global e influenciar o comportamento e as práticas de milhões de pessoas.
A palestra de Amy era sobre linguagem corporal. Ela subiu ao palco e apresentou suas descobertas sobre como “poses de poder” podem aumentar a confiança e influenciar os níveis hormonais, levando as pessoas a se sentirem mais poderosas e assertivas. Ela nos mostrou que a forma como decidimos nos posicionar corporalmente pode mudar nossas mentes, assim como nossas mentes podem mudar nosso comportamento e nosso comportamento nosso destino.
Até aí, era mais uma psicóloga comportamental falando coisas muito interessantes. Por exemplo, ela mostrava como, ao escolhermos nos colocar em uma posição corporal mais confiante, esse gesto influencia positivamente a forma como nos sentimos e até aumenta nossas chances de sucesso.
Até que ela disse:
“Quando falo isso para as pessoas elas me dizem: Isso parece falso. Eu digo: finja até conseguir. E as pessoas respondem: não, isso não sou eu.... não quero conseguir e me sentir uma fraude. Não quero conseguir para depois não sentir que eu não deveria estar ali”.
Diante desse dilema, Amy decidiu contar sua própria história. Aos 19 anos, enquanto estudava na Universidade do Colorado, ela sofreu um grave acidente de carro que resultou em uma lesão cerebral traumática. Os médicos disseram que ela não conseguiria recuperar plenamente suas capacidades cognitivas e que, portanto, deveria desistir da carreira acadêmica, pois aquilo já não era mais para ela.
Na infância, Amy havia sido reconhecida como superdotata devido ao seu alto QI. Ao receber esse diagnóstico, ela saiu da faculdade e sentiu como se sua identidade tivesse sido roubada, por isso decidiu não desistir.
Determinada, insistiu. Voltou a estudar e levou quatro anos a mais que seus colegas para formar-se. Depois, buscou com todas as suas forças e conseguiu uma vaga para um doutorado em psicologia social na Universidade de Princeton. Contudo, mesmo em meio a todas essas conquistas, ela ainda não se sentia dona do seu lugar, e lá no fundo acreditava no que tinha ouvido aos 19 anos: ela não daria conta, não deveria estar ali, era uma impostora.
Quando, ao final do seu 1ª ano em Princeton, foi informada que deveria discursar para 20 pessoas por 20 minutos, ficou aterrorizada. A luta solitária precisava agora ser validada publicamente. Diante de toda a insegurança contra a qual ela lutava há anos todos os dias, na véspera do seu discurso, Amy desabou e concluiu: não posso mais.
Ao informar a sua orientadora que se sentia uma fraude por estar em um lugar onde teoricamente não deveria estar, ela ouviu a seguinte resposta: “Você vai ficar e é isso que você vai fazer: você vai fingir. Você vai fazer todos os discursos que te pedirem, você vai fazer, fazer e fazer, mesmo que se sinta aterrorizada e paralisada, até o momento em que você disser: Meu Deus! Eu estou fazendo! Eu me tornei isso agora!
Foi o que ela fez.
O resultado? Ela não apenas concluiu seu doutorado em psicologia social na Universidade de Princeton, mas fez da sua própria experiência de dúvidas e superação pessoal seu objeto de estudo. E foi sua pesquisa sobre confiança, poder pessoal e linguagem corporal, que a tornou uma referência global e autora best seller em sua área de atuação.
Mas, atenção!! Fingir até conseguir não é mentir para si mesmo. Pelo contrário! O que a história dela nos mostra é que:
Ao encontrar em você aquilo que você sabe que está lá, mas tem enorme dificuldade em acreditar - que está preso, escondido embaixo do medo de não ser validado - fingir acreditar gera uma mudança de mentalidade, que nos exercita de dentro para fora, até sermos capazes de realmente acreditar.
Essa palestra de Amy Cuddy tornou-se uma das mais vistas na história do TED, acumulando mais de 70 milhões de visualizações e ajudando a popularizar suas pesquisas sobre a influência da linguagem corporal na confiança e nos sentimentos de poder pessoal.
Seu caminho de recuperação diante de um fato trágico, sua batalha contra a síndrome do impostor e sua ascensão final nos mostram como narrativas redentoras são poderosas. O sucesso da palestra que acabei de citar é resultado de uma história capaz de influenciar positivamente outras histórias. É a jornada pessoal de Amy e a forma como ela transformou algo trágico, limitante e falso, em uma jornada de superação e conquistas, que ressoa poderosamente em milhares de pessoas.
Essa é uma verdade milenar. Se olharmos, por exemplo, para a Bíblia e observarmos alguns textos, encontraremos o princípio que já anunciava o que acabamos de falar: a renovação da mente.
Para o cristão que tem conhecimento bíblico, não há como viver uma nova vida em Cristo - que é a proposta do cristianismo - sem uma renovação de mente que leve à cura emocional e ao crescimento espiritual.
Vamos entender esse princípio à luz do conhecimento.
Apesar do tema estar presente nos manuscritos mais antigos e na cultura oral judaica, o verso bíblico mais famoso nesse contexto está no livro de Romanos, no capítulo 12, verso 2a, que diz: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente...”
Paulo de Tarso é quem escreve. Nascido em Tarso, uma cidade da Cilícia (atual Turquia), era um judeu helenizado. Isso significa que ele tinha uma formação que combinava elementos da cultura judaica, romana e grega (cultura helenizada). Era profundo conhecedor das leis e escrituras hebraicas e também conhecedor da cultura, filosofia e retóricas romanas e gregas.
Por seu conhecimento profundo em múltiplas áreas, seu histórico educacional e intelectual e sua enorme influência global até os dias de hoje, ele facilmente seria considerado uma figura acadêmica super prestigiada por suas contribuições em diversas áreas de estudo, cujas obras moldaram campos inteiros do conhecimento. Algo similar a alguém com múltiplos doutorados ou um PhD com um escopo interdisciplinar. Praticamente um ninja intelectual.
O que Paulo nos afirma é que toda transformação mental é um processo contínuo de mudança de pensamento e perspectiva, que nos leva a uma nova visão interior e exterior.
Os estudos científicos de McAdams (citados no capítulo 4) e Amy Cuddy confirmam o que Paulo e as mais antigas tradições escritas e orais sobre autoconhecimento afirmam: a partir de pequenas decisões, podemos reconfigurar nosso cérebro para gerir de forma mais eficiente nossas emoções. Contudo, isso exige esforço tanto para alcançar quanto para manter resultados eficientes.
Juntos, eles nos confirmam de formas diferentes a mesma verdade:
Quando entendemos nosso poder de decisão - se formos perseverantes, determinados, curiosos e dispostos a seguir mesmo quando o caminho parece ser assustador -, nos tornamos donos da nossa própria narrativa e capazes de reescrever nosso legado emocional.
Para assistir a palestra de Amy Cuddy na íntegra, click AQUI.
CAPÍTULO 6
Até aqui falamos muito sobre como o que recebemos nos impacta. Agora, preciso deixar bem claro algo a seu respeito:
A forma como você escolhe lidar com seus sentimentos ao identificar traumas intergeracionais definirá não apenas a sua história, mas influenciará profundamente a da sua família, dos seus filhos e, de alguma forma, também alcançará até mesmo pessoas à sua volta.
Contudo, essa é uma decisão exclusivamente sua.
Gerenciar isso também definirá sua capacidade de enfrentar adversidades e o impacto que elas terão na sua identidade e no seu bem-estar emocional. Digo mais, podem até se tornar trampolins para o seu crescimento pessoal.
Qual é a sua história??
Como você a conta para si mesmo?
Como conta para os outros?
O que você sente e pensa quando fala, ecoa ainda mais alto em seu coração.
Após ler este livro, procure identificar se há algo emocional negativo em você. Tenha isso sido recebido como legado ou não, é sua responsabilidade desejar a mudança e trabalhar em prol dela. À medida que perseverar nesse caminho, vivenciará pequenos romperes que o ajudarão a superar aquilo que trava e limita. É assim que todos nós alcançamos grandes mudanças.
Essa decisão também definirá o que você deixará como herança emocional.
As histórias da minha mãe e do meu pai também me ensinam o que devo deixar no passado. Sem culpa, escolhendo amá-los, determinando o tipo de influência que decido aceitar e observando suas falhas como parte de tudo que posso aprender e ajustar em mim.
É responsabilidade minha determinar como quero contar a minha própria história. Sem mentiras, justificativas ou devaneios, mas tendo clareza sobre como todas essas coisas, verdadeiramente, podem se tornar positivas e contribuir a meu favor.
Os erros emocionais deles (meus pais) não foram propositais, ao mesmo tempo em que suas ações foram escolhas. Mal sabiam o quanto precisavam aprender mais sobre si para serem libertos dos seus mais profundos lugares de dor, que se tornaram palavras ofensivas, ações negativas e perdas significativas. Eles sofreram os danos e pagaram um preço alto por isso.
Mesmo diante dos maiores desafios pessoais que enfrentamos, está em nossas mãos gerir nossos sentimentos. Isso não significa ignorá-los, pelo contrário. Precisamos reconhecê-los para lidar devidamente com cada um deles, ou tendemos a nos esconder em justificativas dominadas por nossas próprias emoções.
Se você é mãe ou pai, essa responsabilidade vai além de você. Neste exato momento, tudo aquilo que você faz ou diz, a forma como se expressa física e emocionalmente, afeta diretamente a forma como seus filhos se sentem em relação a você e a eles mesmos. Não esqueça: uma parte de você permanecerá neles. Qual será ela?
Esse pequeno livro contém verdades, mas não se configura como um manual. Os passos básicos para se auto perceber começam na sua própria observância e já foram citados varias vezes ao longo dos capítulos anteriores (especialmente no inicio do 3º).
Antes de partir, quero te lembrar algumas definições sobre poder pessoal. Algumas falam sobre “ser quem sou”, outras sobre “não entregar a ninguém ou a nenhum acontecimento a capacidade de influenciar seu comportamento”. Gosto, especialmente, da que diz: “poder pessoal envolve o desenvolvimento de habilidades emocionais, mentais e comportamentais que permitem que um indivíduo viva de maneira autêntica, realizada e com impacto positivo em sua própria vida e na vida dos outros”.
Aprendi que, para me sentir satisfeita e segura em ser quem sou, precisava viver uma jornada aberta a revisitar meu coração a cada nova fase, novo desafio, com honestidade e disposta a ajustar o que encontrar.
Os julgamentos e opiniões à nossa volta seguirão ativos e são intrometidos. As pessoas continuarão a dar pitacos na nossa vida, algumas nos ofenderão e decepcionarão, outras nos surpreenderão positivamente. Com certeza, seremos julgados por alguém com ou sem intenção. Ajudados por quem esperamos ou nunca imaginaríamos.
Teremos altos e baixos, dúvidas e desafios. Haverão dias de tristeza e alegria, festa e choro, conquistas e perdas.
Por outro lado, nós também ofenderemos e julgaremos outras pessoas com ou sem intenção. Daremos pitacos concordantes ou discordantes sobre a vida alheia. Magoaremos ou acolheremos, amaremos ou afastaremos as pessoas mais bacanas. Diremos coisas gentis e empáticas, mas também falaremos coisas danosas sem nem perceber que estamos machucando até quem amamos.
Somos imperfeitos.
Entretanto, podemos ser melhores a cada dia, independente dos outros.
Também podemos deixar para trás os fardos emocionais pesados que tanto nos machucam.
Essa é uma decisão individual.
Por fim, lembre-se: consciente de tudo isso, o legado emocional que você deixará pode ser gentil, amoroso e vai impulsionar quem o receberá.
Os seus e o mundo à sua volta, agradecem.
O LIVRO TERMINA AQUI, MAS A IDEIA É QUE AO LÊ-LO ELE POSSA GERAR EM VOCÊ RECOMEÇO!
RELEIA-SE!!
Se você entende a importância do nosso trabalho, apoie o Clube Orekare com uma assinatura paga. Junte-se a nós para que possamos enfrentar, juntos, os desafios da saúde mental e emocional no mundo de hoje!
E, se você conhece alguém que precisa ter acesso à essas informações, compartilhe esse artigo. Esse conteúdo estará acessível gratuitamente aqui no Substack em texto e áudio, no Spotify e no Youtube, por tempo limitado.
Ao multiplicar nosso conteúdo você também está multiplicando conhecimento e nos apoiando. Curtir, comentar, compartilhar também é uma forma de ampliar nosso alcance. Eu conto com você!
Nos vemos na próxima semana,
Até lá!
By OrekareOlá!
Como vai você?
Tudo bem? Espero que sim!!
E hoje, chegamos à última das 3 entregas dos capítulos que compõem o livro “NÓS - Um breve resumo dos nós que nos unem”. Nesta terceira parte seguimos falando sobre a herança afetiva que recebemos dos nossos pais e antepassados, e como isso, realmente, gera impactos conscientes e inconscientes tanto para nós como para as gerações seguintes.
Nos capítulos anteriores, vimos que:
* Legado emocional é a marca que uma pessoa deixa em outras ao longo da sua vida e que permanecerá após a sua morte. Estamos falando de raízes emocionais profundas, sentimentos de tão longo prazo que passam de uma geração para outra.
* Esse legado é composto por memórias, sentimentos, valores, hábitos e visão de mundo, transmitidos e perpetuados nas relações pessoais através de ações, palavras, ensinamentos e atitudes.
* Na prática, isso molda a base das nossas relações familiares, pois é sobre a forma como uma pessoa faz as outras se sentirem e se verem, gerando influência positiva ou negativa no bem-estar emocional da sua família, amigos e até comunidade.
Portanto, podemos dizer que a parentalidade é o alicerce desse processo, porque:
Somos uma expressão de tudo que aprendemos de forma consciente ou inconsciente, geração após geração. E isso vale para princípios, comportamentos e todas as áreas da nossa existência.
Como Clube Orekare, entendemos a urgência de ampliar a compreensão dessa bagagem que cada um de nós carrega em si. Precisamos aprofundar o entendimento do que recebemos das nossas famílias para identificar se há feridas ou curar dores que estejam, de alguma forma, atuantes em nossos relacionamentos.
À medida que aprendemos sobre isso, nos tornamos capazes de gerar um impacto mais saudável e poderoso para a nossa saúde emocional e a das próximas gerações.
Essa é uma necessidade urgente, para todos nós.
Vamos lá!!
CAPÍTULO 5
A TED (Technology, Entertainment, Design), organização sem fins lucrativos é uma entidade dedicada à disseminação de ideias, geralmente na forma de palestras curtas e poderosas. Em 2012, para sua conferência nominada TEDGlobal, o tema escolhido foi “Radical Openness” (Abertura Radical). O objetivo era explorar como a transparência e a conectividade estavam remodelando negócios, ciência, governo e outros campos.
Naquele ano o evento aconteceu em Edimburgo, capital da Escócia. Como de praxe, recebeu grandes nomes e atraiu uma audiência global com palestras sendo vistas por milhões de pessoas in loco, online, ajudando a disseminar ideias inovadoras e inspiradoras.
Dentre os palestrantes daquela edição estava Amy Cuddy, que naquele dia, ao subir ao placo em Edimburgo, com certeza não imaginava que se tornaria o exemplo perfeito de como mais que do uma ideia, uma história redentora, pode capturar a imaginação global e influenciar o comportamento e as práticas de milhões de pessoas.
A palestra de Amy era sobre linguagem corporal. Ela subiu ao palco e apresentou suas descobertas sobre como “poses de poder” podem aumentar a confiança e influenciar os níveis hormonais, levando as pessoas a se sentirem mais poderosas e assertivas. Ela nos mostrou que a forma como decidimos nos posicionar corporalmente pode mudar nossas mentes, assim como nossas mentes podem mudar nosso comportamento e nosso comportamento nosso destino.
Até aí, era mais uma psicóloga comportamental falando coisas muito interessantes. Por exemplo, ela mostrava como, ao escolhermos nos colocar em uma posição corporal mais confiante, esse gesto influencia positivamente a forma como nos sentimos e até aumenta nossas chances de sucesso.
Até que ela disse:
“Quando falo isso para as pessoas elas me dizem: Isso parece falso. Eu digo: finja até conseguir. E as pessoas respondem: não, isso não sou eu.... não quero conseguir e me sentir uma fraude. Não quero conseguir para depois não sentir que eu não deveria estar ali”.
Diante desse dilema, Amy decidiu contar sua própria história. Aos 19 anos, enquanto estudava na Universidade do Colorado, ela sofreu um grave acidente de carro que resultou em uma lesão cerebral traumática. Os médicos disseram que ela não conseguiria recuperar plenamente suas capacidades cognitivas e que, portanto, deveria desistir da carreira acadêmica, pois aquilo já não era mais para ela.
Na infância, Amy havia sido reconhecida como superdotata devido ao seu alto QI. Ao receber esse diagnóstico, ela saiu da faculdade e sentiu como se sua identidade tivesse sido roubada, por isso decidiu não desistir.
Determinada, insistiu. Voltou a estudar e levou quatro anos a mais que seus colegas para formar-se. Depois, buscou com todas as suas forças e conseguiu uma vaga para um doutorado em psicologia social na Universidade de Princeton. Contudo, mesmo em meio a todas essas conquistas, ela ainda não se sentia dona do seu lugar, e lá no fundo acreditava no que tinha ouvido aos 19 anos: ela não daria conta, não deveria estar ali, era uma impostora.
Quando, ao final do seu 1ª ano em Princeton, foi informada que deveria discursar para 20 pessoas por 20 minutos, ficou aterrorizada. A luta solitária precisava agora ser validada publicamente. Diante de toda a insegurança contra a qual ela lutava há anos todos os dias, na véspera do seu discurso, Amy desabou e concluiu: não posso mais.
Ao informar a sua orientadora que se sentia uma fraude por estar em um lugar onde teoricamente não deveria estar, ela ouviu a seguinte resposta: “Você vai ficar e é isso que você vai fazer: você vai fingir. Você vai fazer todos os discursos que te pedirem, você vai fazer, fazer e fazer, mesmo que se sinta aterrorizada e paralisada, até o momento em que você disser: Meu Deus! Eu estou fazendo! Eu me tornei isso agora!
Foi o que ela fez.
O resultado? Ela não apenas concluiu seu doutorado em psicologia social na Universidade de Princeton, mas fez da sua própria experiência de dúvidas e superação pessoal seu objeto de estudo. E foi sua pesquisa sobre confiança, poder pessoal e linguagem corporal, que a tornou uma referência global e autora best seller em sua área de atuação.
Mas, atenção!! Fingir até conseguir não é mentir para si mesmo. Pelo contrário! O que a história dela nos mostra é que:
Ao encontrar em você aquilo que você sabe que está lá, mas tem enorme dificuldade em acreditar - que está preso, escondido embaixo do medo de não ser validado - fingir acreditar gera uma mudança de mentalidade, que nos exercita de dentro para fora, até sermos capazes de realmente acreditar.
Essa palestra de Amy Cuddy tornou-se uma das mais vistas na história do TED, acumulando mais de 70 milhões de visualizações e ajudando a popularizar suas pesquisas sobre a influência da linguagem corporal na confiança e nos sentimentos de poder pessoal.
Seu caminho de recuperação diante de um fato trágico, sua batalha contra a síndrome do impostor e sua ascensão final nos mostram como narrativas redentoras são poderosas. O sucesso da palestra que acabei de citar é resultado de uma história capaz de influenciar positivamente outras histórias. É a jornada pessoal de Amy e a forma como ela transformou algo trágico, limitante e falso, em uma jornada de superação e conquistas, que ressoa poderosamente em milhares de pessoas.
Essa é uma verdade milenar. Se olharmos, por exemplo, para a Bíblia e observarmos alguns textos, encontraremos o princípio que já anunciava o que acabamos de falar: a renovação da mente.
Para o cristão que tem conhecimento bíblico, não há como viver uma nova vida em Cristo - que é a proposta do cristianismo - sem uma renovação de mente que leve à cura emocional e ao crescimento espiritual.
Vamos entender esse princípio à luz do conhecimento.
Apesar do tema estar presente nos manuscritos mais antigos e na cultura oral judaica, o verso bíblico mais famoso nesse contexto está no livro de Romanos, no capítulo 12, verso 2a, que diz: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente...”
Paulo de Tarso é quem escreve. Nascido em Tarso, uma cidade da Cilícia (atual Turquia), era um judeu helenizado. Isso significa que ele tinha uma formação que combinava elementos da cultura judaica, romana e grega (cultura helenizada). Era profundo conhecedor das leis e escrituras hebraicas e também conhecedor da cultura, filosofia e retóricas romanas e gregas.
Por seu conhecimento profundo em múltiplas áreas, seu histórico educacional e intelectual e sua enorme influência global até os dias de hoje, ele facilmente seria considerado uma figura acadêmica super prestigiada por suas contribuições em diversas áreas de estudo, cujas obras moldaram campos inteiros do conhecimento. Algo similar a alguém com múltiplos doutorados ou um PhD com um escopo interdisciplinar. Praticamente um ninja intelectual.
O que Paulo nos afirma é que toda transformação mental é um processo contínuo de mudança de pensamento e perspectiva, que nos leva a uma nova visão interior e exterior.
Os estudos científicos de McAdams (citados no capítulo 4) e Amy Cuddy confirmam o que Paulo e as mais antigas tradições escritas e orais sobre autoconhecimento afirmam: a partir de pequenas decisões, podemos reconfigurar nosso cérebro para gerir de forma mais eficiente nossas emoções. Contudo, isso exige esforço tanto para alcançar quanto para manter resultados eficientes.
Juntos, eles nos confirmam de formas diferentes a mesma verdade:
Quando entendemos nosso poder de decisão - se formos perseverantes, determinados, curiosos e dispostos a seguir mesmo quando o caminho parece ser assustador -, nos tornamos donos da nossa própria narrativa e capazes de reescrever nosso legado emocional.
Para assistir a palestra de Amy Cuddy na íntegra, click AQUI.
CAPÍTULO 6
Até aqui falamos muito sobre como o que recebemos nos impacta. Agora, preciso deixar bem claro algo a seu respeito:
A forma como você escolhe lidar com seus sentimentos ao identificar traumas intergeracionais definirá não apenas a sua história, mas influenciará profundamente a da sua família, dos seus filhos e, de alguma forma, também alcançará até mesmo pessoas à sua volta.
Contudo, essa é uma decisão exclusivamente sua.
Gerenciar isso também definirá sua capacidade de enfrentar adversidades e o impacto que elas terão na sua identidade e no seu bem-estar emocional. Digo mais, podem até se tornar trampolins para o seu crescimento pessoal.
Qual é a sua história??
Como você a conta para si mesmo?
Como conta para os outros?
O que você sente e pensa quando fala, ecoa ainda mais alto em seu coração.
Após ler este livro, procure identificar se há algo emocional negativo em você. Tenha isso sido recebido como legado ou não, é sua responsabilidade desejar a mudança e trabalhar em prol dela. À medida que perseverar nesse caminho, vivenciará pequenos romperes que o ajudarão a superar aquilo que trava e limita. É assim que todos nós alcançamos grandes mudanças.
Essa decisão também definirá o que você deixará como herança emocional.
As histórias da minha mãe e do meu pai também me ensinam o que devo deixar no passado. Sem culpa, escolhendo amá-los, determinando o tipo de influência que decido aceitar e observando suas falhas como parte de tudo que posso aprender e ajustar em mim.
É responsabilidade minha determinar como quero contar a minha própria história. Sem mentiras, justificativas ou devaneios, mas tendo clareza sobre como todas essas coisas, verdadeiramente, podem se tornar positivas e contribuir a meu favor.
Os erros emocionais deles (meus pais) não foram propositais, ao mesmo tempo em que suas ações foram escolhas. Mal sabiam o quanto precisavam aprender mais sobre si para serem libertos dos seus mais profundos lugares de dor, que se tornaram palavras ofensivas, ações negativas e perdas significativas. Eles sofreram os danos e pagaram um preço alto por isso.
Mesmo diante dos maiores desafios pessoais que enfrentamos, está em nossas mãos gerir nossos sentimentos. Isso não significa ignorá-los, pelo contrário. Precisamos reconhecê-los para lidar devidamente com cada um deles, ou tendemos a nos esconder em justificativas dominadas por nossas próprias emoções.
Se você é mãe ou pai, essa responsabilidade vai além de você. Neste exato momento, tudo aquilo que você faz ou diz, a forma como se expressa física e emocionalmente, afeta diretamente a forma como seus filhos se sentem em relação a você e a eles mesmos. Não esqueça: uma parte de você permanecerá neles. Qual será ela?
Esse pequeno livro contém verdades, mas não se configura como um manual. Os passos básicos para se auto perceber começam na sua própria observância e já foram citados varias vezes ao longo dos capítulos anteriores (especialmente no inicio do 3º).
Antes de partir, quero te lembrar algumas definições sobre poder pessoal. Algumas falam sobre “ser quem sou”, outras sobre “não entregar a ninguém ou a nenhum acontecimento a capacidade de influenciar seu comportamento”. Gosto, especialmente, da que diz: “poder pessoal envolve o desenvolvimento de habilidades emocionais, mentais e comportamentais que permitem que um indivíduo viva de maneira autêntica, realizada e com impacto positivo em sua própria vida e na vida dos outros”.
Aprendi que, para me sentir satisfeita e segura em ser quem sou, precisava viver uma jornada aberta a revisitar meu coração a cada nova fase, novo desafio, com honestidade e disposta a ajustar o que encontrar.
Os julgamentos e opiniões à nossa volta seguirão ativos e são intrometidos. As pessoas continuarão a dar pitacos na nossa vida, algumas nos ofenderão e decepcionarão, outras nos surpreenderão positivamente. Com certeza, seremos julgados por alguém com ou sem intenção. Ajudados por quem esperamos ou nunca imaginaríamos.
Teremos altos e baixos, dúvidas e desafios. Haverão dias de tristeza e alegria, festa e choro, conquistas e perdas.
Por outro lado, nós também ofenderemos e julgaremos outras pessoas com ou sem intenção. Daremos pitacos concordantes ou discordantes sobre a vida alheia. Magoaremos ou acolheremos, amaremos ou afastaremos as pessoas mais bacanas. Diremos coisas gentis e empáticas, mas também falaremos coisas danosas sem nem perceber que estamos machucando até quem amamos.
Somos imperfeitos.
Entretanto, podemos ser melhores a cada dia, independente dos outros.
Também podemos deixar para trás os fardos emocionais pesados que tanto nos machucam.
Essa é uma decisão individual.
Por fim, lembre-se: consciente de tudo isso, o legado emocional que você deixará pode ser gentil, amoroso e vai impulsionar quem o receberá.
Os seus e o mundo à sua volta, agradecem.
O LIVRO TERMINA AQUI, MAS A IDEIA É QUE AO LÊ-LO ELE POSSA GERAR EM VOCÊ RECOMEÇO!
RELEIA-SE!!
Se você entende a importância do nosso trabalho, apoie o Clube Orekare com uma assinatura paga. Junte-se a nós para que possamos enfrentar, juntos, os desafios da saúde mental e emocional no mundo de hoje!
E, se você conhece alguém que precisa ter acesso à essas informações, compartilhe esse artigo. Esse conteúdo estará acessível gratuitamente aqui no Substack em texto e áudio, no Spotify e no Youtube, por tempo limitado.
Ao multiplicar nosso conteúdo você também está multiplicando conhecimento e nos apoiando. Curtir, comentar, compartilhar também é uma forma de ampliar nosso alcance. Eu conto com você!
Nos vemos na próxima semana,
Até lá!