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Olá! Como vai você? Espero que bem!
Hoje, precisamos falar sobre meias-verdades e pequenas mentiras, e como, ainda que nem percebamos na maioria das vezes, essas mentirinhas de boa fé podem ser mais comprometedoras do que imaginamos.
Esses dias lia um interessante artigo do Psypost, um site independente de notícias científicas dedicado a relatar as pesquisas mais recentes sobre comportamento humano, cognição e sociedade. O título era: Ser enganado por seus pais na infância prevê desafios sociais na idade adulta.
O artigo apresentava os dados de um estudo de Peipei Setoh, Chefe do Departamento de Psicologia na Universidade Tecnológica de Nanyang, Singapura (NTU). Peipei afirmou que seu interesse em pesquisar se as mentiras parentais na infância estavam associadas a resultados negativos de desenvolvimento na idade adulta, nasceu por saber que essa é uma prática amplamente observada em todas as culturas, mas, poucos estudos examinaram suas associações com resultados psicológicos na idade adulta.
Claro que ao ver algo assim, logo imaginei que se tratasse de mentiras pesadas, traições ou omissões severas! Mas, não! O que eles estavam buscando era saber qual o impacto a longo prazo daquelas pequenas mentirinhas do dia a dia, relacionadas a comer; sair e/ou ficar; mau comportamento das crianças; e gastar dinheiro.
Tipo: “Se você não vier comigo agora, vou deixá-lo aqui sozinho” ou, “Eu não trouxe dinheiro comigo hoje, podemos voltar outro dia”, ou “Cuidado, a polícia vai te pegar”.
Isso me deixou ainda mais curiosa! Afinal, quem nunca ouviu uma mentirinha dessas? Mesmo que em tom de brincadeira.
INTRODUÇÃO
Logo de cara, a primeira frase do texto de introdução do estudo já é um convite a repensarmos o valor que a verdade tem ocupado no nosso cotidiano e, que muitas vezes não validamos ao nos acostumarmos a viver em uma sociedade cada vez mais relativista. O texto diz:
A honestidade é um imperativo moral nas sociedades humanas. As atitudes e comportamentos dos pais, no entanto, estão em desacordo entre si. Os pais muitas vezes enfatizam a importância da honestidade ao socializar seus filhos (Heyman, Luu, & Lee, 2009), mas os pais em todo o mundo mentem para seus filhos para obter a conformidade ( …no âmbito social, comportamental) (Heyman, Hsu, Fu, & Lee, 2013). O comportamento de mentir dos pais que visa provocar a conformidade das crianças tem sido frequentemente referido como parentalidade por mentira (Heyman et al., 2013).
E o texto segue, dizendo:
O papel que a parentalidade por mentira desempenha no desenvolvimento sociomoral das crianças não é totalmente claro. Ou seja, quais são as ligações entre a parentalidade por mentira, o comportamento de mentira das crianças e os resultados psicossociais subsequentes das crianças?
E mais à frente, complementa:
Na primeira infância, as crianças frequentemente observam os comportamentos de seus pais e provavelmente usam essas observações para inferir quais comportamentos são normativos (Bandura, 1969). A partir de uma estrutura de socialização dos pais, a paternidade mentindo pode promover o comportamento de mentir nas crianças porque os pais modelam comportamentos mentirosos que seus filhos podem imitar.
Nada como o exemplo, não é verdade? E é aí que entra em cena a construção da confiabilidade entre pais e filhos e seus desdobramentos. O estudo informa:
Especificamente, é possível que a exposição repetida à mentira dos pais corroa a confiança dentro das relações interpessoais (Michaelson e Munakata, 2016, Yi et al., 2014). Se as crianças aprendem que seus pais não são confiáveis, as crianças podem ser menos confiantes nos relacionamentos (Yi et al., 2014).
… Além disso, crianças que observam a paternidade mentindo podem estar inadvertidamente aprendendo maneiras ineficazes de lidar com situações difíceis e lidar com conflitos interpessoais. Especificamente, ao observar a prática de mentir dos pais, as crianças podem tomar consciência de sua eficácia em induzir a adesão comportamental dos outros (Heyman et al., 2013).
Uau!!
Quanto mais eu seguia na leitura, mais refletia sobre como pequenas mentiras são capazes de gerar tantos desmantelos. O mais interessante é que quando lembramos de nossos pais nos “enganando”, ainda que de brincadeira, ainda que nos gerando memórias que parecem divertidas, nem de longe nos passa pela cabeça como a mentira tem um poder tão grande de influenciar, de modo até imperceptível, a nossa relação com a verdade ao longo da vida.
PENSANDO NISSO…
Lembrei do dia que decidi que não queria mais mentir. E olha que eu não me considerava uma mentirosa, mas, assim como a imensa maioria das pessoas, era adepta daquelas pequenas mentirinhas do dia a dia. Opaaa! Seria isso um legado cultural? Até creio que sim. Afinal, é tão parte da nossa cultura social dizermos coisas como:
“To chegando” - sem nem ter saído de casa.
“Fala que eu não tô” - quando não queremos ter que atender alguém.
Mas eis que, ao ligar meu alerta contra a mentira, encontrei camadas dela em mim. Comecei a perceber como as mentirinhas que consideramos inofensivas são ervas daninhas, escondidas nos papos cotidianos, quando dizemos:
“Acredito em você” ou um simples “tem razão…” - mesmo não acreditando ou discordando, mas sem querer desagradar o outro.
E as meias-verdades? Essas são persuasivas demais! Descobri como usava - muito mais do que eu imaginava - parte da verdade para convencer alguém a fazer algo ou a me favorecer.
Mas, a pior descoberta mesmo, foi ver como em alguns casos era muito, muito tentador criar uma narrativa para usar a própria verdade, palavra por palavra, de maneira manipuladora. Um exemplo:
Eu estava com dor de cabeça - verdade! Mas atrasei porque perdi a hora de bobeira - não porque a dor de cabeça fosse forte o suficiente para me derrubar. Então, eu podia dizer:
Perdão pelo meu atraso, mas hoje eu amanheci com uma dor de cabeça tão chata que nem percebi que perdi a hora.
Percebe? Nesse caso ainda agregamos o bônus da pena! Normalmente, cremos que isso não é um problema. Mas a verdade é que quando a mentirinha faz parte da nossa vida, ela se torna um hábito. E esse hábito, que supomos inofensivo, pode sim, gerar impactos de longo prazo na vida de quem nos cerca.
VAMOS AOS RESULTADOS
Segundo consta no artigo da PsyPost:
Os participantes que relataram ter sido enganados mais quando crianças eram mais propensos a relatar mentiras para seus pais na idade adulta. Eles também disseram que enfrentaram maiores dificuldades em enfrentar desafios psicológicos e sociais.
Os pesquisadores também descobriram que ser enganado pelos pais estava associado a dificuldades de ajuste, como perturbação, problemas de conduta, experiência de culpa e vergonha, bem como egoísmo e traços manipuladores.
E a autora do estudo ressaltou:
“As mentiras que estudamos foram mentiras parentais contadas para manipular as emoções ou o comportamento das crianças. A implicação do estudo é que os pais podem considerar alternativas à mentira. Como pais, nosso objetivo é construir um relacionamento de confiança e positivo com nossos filhos. Podemos fazer isso reconhecendo os sentimentos das crianças e fornecendo-lhes informações precisas para que possam resolver o problema por conta própria. Isso ajuda o desenvolvimento de suas habilidades de raciocínio e regulação emocional.”
O estudo, “Parenting by lying in childhood is associated with negative development outcomes in adulthood“, foi escrito por Peipei Setoh, Siqi Zhao, Rachel Santos, Gail D. Heyman e Kang Lee. Um outro estudo interessante, Mentir dos pais para as crianças: Uma revisão sistemática, de Emma C. A. Roza e seus parceiros, corrobora essa mesma visão.
MAS, ATENÇÃO!
Para cada faixa etária infantil e infanto-juvenil é preciso saber colocar a verdade em cena de forma compreensível e construtiva. A verdade nunca deve ser usada de forma manipuladora ou prejudicial. Afinal, não basta desejar que nossos filhos desenvolvam valores que admiramos. Nós precisamos examinar se as nossas próprias atitudes estão oferecendo …
Olá, tudo bem?
Como está você? Como se sente? Está feliz ou triste, chateada ou animada?
Como vão seus relacionamentos? Você está feliz em relação a eles?
Sabemos que relacionamentos são importantes, mas, me diga: que impacto você acredita que os nossos relacionamentos tem na nossa felicidade? E na saúde? Tanto física quanto mental.
Para entendermos melhor como relacionamentos são poderosamente influentes em nossas vidas, e porque a solidão é tão ameaçadora quanto o álcoolismo ou o tabagismo, vamos voltar ao século passado!
HARVARD, 1938
Era 1938, e a Universidade de Harvard dava inicio a uma proposta ousada de pesquisa: acompanhar 268 alunos do segundo ano do Harvard College e 456 meninos moradores de bairros desfavorecidos de Boston. Dois grupos de idades distintas e classes sociais completamente diferentes.
Preste atenção nesse recorte:
No 1º grupo os estudantes do Havard College tinham em média 19 anos, eram jovens brancos e foram selecionados por seus reitores por serem considerados bons e honestos. E sim, eles representavam uma parcela privilegiada da sociedade americana.
Já no 2º grupo estavam adolescentes, com idades entre 11 e 16 anos, também brancos, selecionados por Sheldon e Eleanor Glueck, professores da Faculdade de Direito de Harvard ( ela, também assistente social), que estavam interessados em estudar a delinquência juvenil. O objetivo deles era descobrir como algumas crianças, nascidas em famílias desfavorecidas e problemáticas, à medida que cresciam, conseguiam permanecer em bons caminhos de desenvolvimento pessoal.
Naquela época, pesquisas comportamentais focavam em observar o que “dava errado” no desenvolvimento humano. Era tempos sombrios, em meio a Grande Depressão e pré 2ª Guerra Mundial. Portanto, era também disruptivo propor observar 724 pessoas para compreender melhor como a vida se desenvolveria, naturalmente.
Na década de 70, Havard transformou os dois grupo em um só. Com o tempo a pesquisa ampliou muito o seu alcance, incluiu esposas e filhos. O recorte de gênero foi equilibrado. O de cor não, pois em 1938 Boston era um cidade onde 97,4% da população era branca, e, ainda que consideremos alguns aspectos de miscigenação ela vem de base caucasiana.
Ao longo desse tempo, os pesquisadores observaram aspectos de saúde física e mental que iam muito além das análises clinicas para que pudessem analisar outras dimensões da vida. Até porque, para compreender como se constrói uma vida, era preciso mapear como esses jovens lidariam com responsabilidades, como constituiriam famílias, como foi chegada da paternidade, o amadurecer, o envelhecer… E ainda, como lidariam com os triunfos e fracassos em suas carreiras e casamentos… como tudo isso seria vivenciado através das diversas fases da vida.
O mais incrível? Até hoje esse estudo segue ativo! Agora acompanhando os filhos da segunda geração, suas famílias e até os filhos de seus filhos. Ampliando o olhar também para a observância do legado geracional.
O que eles constataram nos dão lições surpreendentes!
RESULTADOS
O estudo descobriu que as pessoas que permaneceram mais saudáveis e viveram mais tempo eram as pessoas que tinham as conexões mais fortes com os outros, pois a qualidade dessas conexões tinha um impacto positivo direto em sua saúde e bem-estar.
Agora observe:
Na saúde física, boas relações significavam que os participantes eram menos propensos a desenvolver doenças cardíacas, diabetes ou artrite. Em suas vidas sociais, as que eram mais amplas e com maior atividade social, resultaram em um início mais tardio e taxas mais lentas de declínio cognitivo. E ainda: o estudo até descobriu que as pessoas casadas viviam mais (uma média de 5 a 12 anos a mais para as mulheres e de 7 a 17 anos a mais para os homens).
Outro destaque é que, curiosamente, os participantes ficaram mais felizes à medida que envelheceram. Assim, a partir da meia-idade, percebeu-se que eles:
* Prestavam mais atenção às informações positivas do que às informações negativas;
* Se lembravam do passado de forma mais positiva;
* Se tornaram mais seletivos sobre como passavam seu tempo,
* Saboreavam cada vez mais o momento presente.
A explicação de Robert Waldinger, atual diretor do estudo, para essa tendência foi:
“Quando sentimos que o tempo é limitado, o bem-estar emocional se torna uma prioridade”.
Quando a primeira rodada de participantes estava na casa dos 80 anos, os entrevistadores perguntaram o que eles gostariam de ter feito diferente e do que estavam mais orgulhosos. E aí:
* Os homens responderam que gostariam de não ter passado tanto tempo no trabalho, mas sim com as pessoas com quem se importavam.
* As mulheres responderam que gostariam de não ter se preocupado com o que as pessoas pensavam delas.
* Para ambos os sexos, suas conquistas mais orgulhosas tinham a ver com relacionamentos. Os participantes estavam orgulhosos de serem um bom pai, uma boa mãe, parceiro(a), amigo(a) ou mentor.(a)
E aqui vale um adendo: em um outro estudo sobre Segurança do vínculo afetivo com o cônjuge na terceira idade, derivado dessa mesma pesquisa de Harvard, os pesquisadores descobriram que:
* Mulheres que se sentiam firmemente ligadas aos seus parceiros estavam menos deprimidas e mais felizes em seus relacionamentos dois anos e meio depois da sua primeira mostra de avaliação; elas também tinham melhores funções de memória do que aquelas com conflitos conjugais frequentes.
* Para homens e mulheres, maior segurança foi associada simultaneamente com maior satisfação conjugal, menos sintomas depressivos, melhor humor e conflitos conjugais menos frequentes. Maior segurança previu níveis mais baixos de afeto negativo, menos depressão e maior satisfação.
Em resumo, mais de 8 décadas de estudo constataram que:
Relacionamentos próximos, mais do que dinheiro ou fama, são o que mantêm as pessoas felizes ao longo de suas vidas. Esses laços protegem as pessoas do descontentamento da vida, ajudam a retardar o declínio mental e físico, e são melhores preditores de vidas longas e felizes do que classe social, QI ou mesmo genes.
Essa descoberta provou ser verdadeira em toda a linha entre os homens de Harvard e os participantes do centro da cidade.
Em uma outra entrevista ao site da McKinsey & Company, Robert Waldinger, ao ser perguntado se uma carreira profissional significativa é capaz de produzir a mesma felicidade que um relacionamento significativo, respondeu:
Não pode. É diferente. Há muito a ser dito para a realização se o que você está fazendo é significativo para você. O que descobrimos é que os emblemas de realização não fazem as pessoas felizes. Tínhamos pessoas que eram CEOs, que ganhavam muito dinheiro ou que se tornaram famosas. Essas coisas não se relacionam com a felicidade.
Claro que, à medida que alcançar coisas que são importantes para você é algo gratificante, isso faz diferença no bem-estar. Ainda assim, o que descobrimos é que as pessoas que eram mais felizes não estavam isoladas, elas sabiam equilibrar trabalho e vida pessoal.
Já as pessoas viciadas em trabalho, que não prestavam a devida atenção aos seus relacionamentos, eram algumas das pessoas mais tristes em nosso estudo e estavam cheias de arrependimento quando chegavam na casa dos 80 anos e pedíamos que olhassem para trás em suas vidas.
Essas descobertas afetaram tanto o Dr. Waldinger que ele declarou publicamente que decidiu ouvir sua própria pesquisa. Como resultado disso, em vez de trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana, passou a investir mais tempo em sua família e nas pessoas que lhe eram mais próximas. Inclusive, passou a entrar em contato intencionalmente com seus amigos dizendo que estava pensando neles, convidando-os para passear ou jantar.
Ao fazer isso, ele mesmo passou a afirmar que, embora estivesse orgulhoso de seu trabalho, percebeu que sua maior fonte de satisfação não eram os prêmios acadêmicos que havia recebido, mas, em vez disso, viver e manter conexões vibrantes com os outros.
O QUE O ESTUDO NÃO PROVA?
Ele não afirma que relacionamentos g…
Na última News do Clube trouxemos dados e informações relacionados a estudos que alertam para a crescente onda de dificuldades emocionais ocorrendo em vários países pelo mundo . Diante deste cenário, defendemos a conectividade afetiva familiar como a melhor ação protetiva contra o sofrimento emocional e, até, contra alterações comportamentais. E, fechamos informando que voltaríamos a abordar este assunto para falar sobre como reconhecer e agir quando o problema já está dentro de casa.
É bem verdade que falar sobre sinais comportamentais nos dias de hoje é um enorme desafio. Há sobra de informação, desinformação, suposição e exageros que, até, confundem comportamentos coerentes a contextos etários e fases da vida com transtornos emocionais.
Então, como lidar com isso?
Como podemos reconhecer problemas emocionais quando eles já estão instalados dentro de casa, prontos para nos surpreender?
A resposta que especialistas comportamentais nos dirão será para atentarmos para mudanças de comportamento, ainda que sutis, como:
* Reações emocionais desproporcionais como explosões de raiva, tristeza, irritabilidade, impaciência.
* Ansiedade e medo de falhar.
* Perda de interesse por atividades que antes geravam alegria.
Também podem surgir quebras na rotina habitual, tipo:
* Insônia ou sono excessivo.
* Pesadelos e dificuldades para adormecer.
* Perda de apetite ou compulsão alimentar.
* Sintomas físicos sem causas óbvias, cansaço constante, dores de cabeça, dores de estômago, etc
Na escola e em relações pessoais, devemos observar:
* Mudança de círculo social, evitar contato com amigos de longa data ou isolamento.
* Queda no rendimento escolar.
* Recusa repentina de ir à escola.
INDO ALÉM DISSO
É comum ouvirmos dos pais que, diante de uma lista como esta que acabamos de citar, uma das maiores dificuldades é conseguir separar as fases naturais do desenvolvimento, como pré-adolescência e adolescência, de algo mais profundo.
Por isso, hoje, o nosso convite é para refletirmos um pouco mais à fundo sobre como podemos melhor observar como vai a saúde emocional da nossa família.
E, se ajustarmos o nosso olhar para todos aqueles que vivem debaixo do mesmo teto? Que perguntas, percepções e reflexões poderemos encontrar?
Pense um pouco: se para nós, adultos, mesmo com toda a nossa experiência de vida e maturidade, muitas vezes é difícil falar e expressar o que sentimos, imagine para quem ainda nem sabe reconhecer ou compreender seus próprios sentimentos.
Imagine ter que lidar com que um caldeirão de informações públicas e confusas sobre identidade e pertencimento - graças as redes sociais e ao acesso 24/7 à web - na infância e adolescência; os períodos da vida onde ainda nem sabemos ao certo quem somos.
O QUE A SUA HISTÓRIA ENSINA
Pense um pouco na sua infância e adolescência. Que sentimentos incompreendidos você guarda na memória? Olhando hoje para trás, seja sincero: você sabia distinguir bem o que te colocava em risco?
O que seus pais falavam que parecia colocar um abismo entre vocês?
Por outro lado, quais eram os momentos em que você se sentia mais próximo, mais confiante e seguro na sua relação familiar?
É bem verdade que não podemos comparar a infância e adolescência de quem a viveu na era analógica com quem ja nasceu nativo digital. Nesse lugar, nós mesmos, que vivenciamos a transição de uma era para outra, ainda não conseguimos dimensionar em sua totalidade os custos de tudo isso.
Mas, podemos sim, calibrar nossa observância sobre sentimentos básicos imutáveis geração após geração. As aflições, os medos, as angústias podem até ter mudado de formato, mas continuam sendo sentimentos que nos conectam. Em todas as fases da vida, desejamos:
* Pertencimento
* Aprovação
* Valor reconhecido
* Conexão social saudável
* Acolhimento
* Segurança
E sofremos quando nos deparamos com:
* Agressividade
* Abandono
* Isolamento social
* Indiferença
* Rejeição
Hoje, 4 de setembro, via uma matéria publicada no site da Revista Crescer que afirma:
Adultos felizes hoje, carregam com eles duas memórias específicas sobre sua infância: terem recebido carinho e afeto dos pais, e, terem sido ter sido acolhidos pelos pais em momentos difíceis.
A BUSCA POR PERTENCIMENTO É REAL
Temos ouvido de forma repetitiva:
Crianças e adolescentes se tornam vitimas de abusos porque caem em armadilhas que manipulam suas vulnerabilidades emocionais, sociais, comportamentais e cognitivas.
Quem ataca, oferece:
* Aceitação e Pertencimento
O manipulador facilmente atrai quem busca por autonomia e autoafirmação, tem curiosidade e fome por aceitação social. Mas, há também crianças que se tornam presas fáceis por sua ingenuidade, inocência e falta de entendimento natural da idade.
De uma forma ou de outra, depois será o medo da punição ou do julgamento que enfrentará, que tornará a vítima refém do seu algoz.
Com certeza, você ja ouviu de diversas fontes que ao identificar sinais de alerta, devemos investir no fortalecimento do diálogo, do vínculo afetivo, na educação preventiva e no letramento digital.
Exatamente porque sabemos de tudo isso, te pergunto:
Porque, na maioria dos casos, só acordamos quando os sinais estão escancarados?
Isso sem falar naqueles que nem conseguem enxergar o que está acontecendo. Não sei você, mas tenho a impressão, que hoje, uma parte de nós está vivendo na luta constante para vencer a sombra invisível do mal que nos cerca. A outra, está ignorando que o mal é real.
ATENÇÃO
Vamos conseguir lidar com o que nos dispomos a olhar com a devida atenção. E atenção, na esmagadora maioria das vezes, requer observância. Esse é um dos nossos maiores desafios: Atenção.
E, sinceramente, o que entendemos por atenção hoje?
Fomos sugados para o incrível mundo da dispersão digital, que, reconheçamos ou não, afeta diretamente nossa qualidade de atenção no mundo real. Parece exagero?
Deixa eu te mostrar como não é:
Sua demanda por atenção cresceu.
Isso é um fato. Antes mesmo do enorme crescimento das redes sociais, desde que o mundo digital passou a caber na sua mão, seu tempo e atenção foram alcançados de maneira nunca antes vivenciada pelos seres humanos. E, não tem como negar, isso se reflete em todas as áreas das nossas vidas.
Mais demanda, mais cobranças.
Como desdobramento da demanda de atenção, todo o nosso entorno foi afetado e passou a nos cobrar mais. Afinal, se tudo se tornou “mais fácil e acessível”, teoricamente, deveríamos dar conta de mais coisas.
Só que a conta não fecha!
Se temos mais cobranças, menos tempo e atenção sendo disputada como moeda mercadológica, qual o resultado?
Maior dificuldade para darmos conta de tudo.
E quando aplicamos isso à realidade de mães e pais, o alcance é ainda maior.
FILHOS DEMANDAM TEMPO E RESPONSABILIDADES.
PRECISAM DE CUIDADOS E REQUEREM ATENÇÃO ESPECIAL.
Some a esses desafios, outros tantos individuais.
Aqueles que só você tem a dimensão do que significam no seu dia a dia. E então, se olharmos somente a partir desta perspectiva, fica fácil decretar:
NÃO VAMOS DAR CONTA!
Quando escrevi o livro, “O Reino de Orekare”, um dos personagens mais importantes que inseri na história foi Antônio, o pai de Pedro, o protagonista da trama. Antônio é um pai que acredita que tem tudo sob controle. E, de verdade, ele ama sua família, seu filho, e está se esforçando para dar tudo de melhor a eles.
Infelizmente, Antônio está tão imerso na batalha para dar conta, que nem percebe como isso tem afetado sua relação com o filho e até com seus próprios sonhos e objetivos pessoais. Por isso, no capitulo 3, para dar ao leitor a dimensão de como isso impacta em Pedro, abri um capítulo inteiro para que possamos conhecer seu coração. Ele ama o pai e se esforça para agradá-lo. Mas, ele também precisa que o pai o veja como o menino que ele é, com seus sonhos e talentos.
Cada família tem seus desafios emocionais particulares. Mas, em todos os cenários familiares há um fator comum:
Se a saúde emocional dos pais não estiver bem, como a dos filhos poderá ser saudável?
O QUE FAZER?
ESCOLHAS!
Um dos maiores problemas que temos hoje é a dificuldade em sair d…
No primeiro texto desta série, deixei uma pergunta sem resposta. Não por falta dela, mas porque algumas perguntas precisam permanecer conosco por um tempo antes de encontrarmos as respostas certas.
Então, me diga:
Talvez essa pergunta tenha voltado à sua mente nos últimos dias. Talvez ela tenha surgido enquanto você dirigia, organizava a casa, trabalhava ou tentava adormecer. Há perguntas que fazem exatamente isto: não exigem uma resposta imediata, exigem apenas que tenhamos coragem de permanecer diante delas até que encontremos a resposta certa.
Se você chegou até aqui, é possível que tenha começado a olhar para os seus próprios silêncios de outra maneira. Talvez tenha percebido que nem todo silêncio é igual. Há o silêncio que protege, o que amadurece e o que nos ensina a ouvir antes de falar. No entanto, há também o silêncio que nos diminui e nos faz acreditar que ocupar menos espaço é a melhor maneira de preservar vínculos. Um nasce da sabedoria; o outro, quase sempre, do medo.
É justamente sobre esse segundo silêncio que precisamos conversar.
Afinal, reconhecê-lo é apenas o primeiro passo. O movimento seguinte é mais delicado e, ao mesmo tempo, mais libertador: compreender o que acontece quando uma voz que passou anos recolhida começa, enfim, a encontrar o caminho de volta.
Não se trata de aprender a falar mais. Trata-se de reaprender a se posicionar sem pedir desculpas por isso.
Ninguém se lembra do dia exato em que deixou de se escutar.
Não existe uma data marcada no calendário nem um acontecimento isolado que explique tudo. A voz raramente desaparece de uma vez. Ela se recolhe aos poucos, quase sem percebermos. A cada interrupção que nos ensina a esperar nossa vez, a cada emoção tratada como exagero, a cada firmeza confundida com dureza, aprendemos, silenciosamente, que talvez ocupar menos espaço seja o preço para preservar os vínculos que mais valorizamos.
Quando nos damos conta, já não estamos apenas escolhendo o silêncio em determinadas situações; passamos a habitá-lo. E, pouco a pouco, acreditamos que essa versão menor de nós mesmas é, afinal, quem realmente somos.
É assim que muitos de nós começam a pedir licença antes mesmo de expressar uma opinião. Antecipam desculpas, suavizam convicções, diminuem a própria presença.
“Talvez eu esteja errada”.
“Não sei se isso é importante”.
“Desculpe-me incomodar”.
O que começou como educação torna-se, aos poucos, uma forma de não ocupar espaço demais. Isso vale para pessoas de toda idade e gênero, mas especialmente para nós, mulheres, parece ganhar um peso maior…
Muitas pessoas aprendem a esconder aquilo que sentem. Não porque deixaram de sentir, mas porque descobriram, cedo demais, que suas emoções pareciam causar desconforto. Em vez de nomear a dor, engolem o choro. Em vez de estabelecer limites, suportam mais um pouco. Em vez de dizer “isso me feriu”, convencem a si mesmas de que estão exagerando.
Com o tempo, esse movimento deixa de parecer uma escolha. Torna-se um modo de viver.
A psicóloga Dana Jack chamou esse fenômeno de autossilenciamento. Em suas pesquisas, percebeu que muitas mulheres aprendem a esconder necessidades, opiniões e emoções para evitar conflito, preservar relacionamentos, corresponder ao que se espera delas. Quando isso se torna permanente, o preço não é só o silêncio é a distância de si mesma.
Curiosamente, quando essa mesma escala foi aplicada em homens, o resultado surpreendeu os próprios pesquisadores: eles pontuam igual ou até mais alto em autossilenciamento. Só que o significado é outro.
Para a mulher, calar-se costuma nascer de um pedido do outro. A cultura ensina que sustentar a relação vale mais do que sustentar a própria voz. Para o homem, o silêncio nasce de um pedido de si mesmo, ou melhor, daquilo que aprendeu a chamar de si mesmo: força, controle, compostura. Ele não sente que está se traindo quando se cala. Sente que está sendo exatamente quem deveria ser.
E é por isso que o mesmo silêncio produz efeitos tão diferentes. Nela, tende a virar tristeza que se vê: o choro, o peso, o cansaço que pede colo. Nele, tende a virar algo que ninguém aprendeu a reconhecer como dor: o isolamento, a irritação fácil, o copo a mais no fim do dia. Ela guarda a voz. Ele guarda a ferida atrás de uma porta que nem sabe que existe.
Contudo, talvez a pergunta mais importante não seja como uma a voz se recolheu, mas…
O que acontece quando uma voz decide voltar?
Responder a isso transforma nossa percepção sobre posicionamento.
O caminho de volta começa antes das palavras
Existe uma ideia bastante difundida de que recuperar a própria voz depende apenas de coragem e autoconfiança. Como se bastasse decidir falar para que tudo se resolvesse. A experiência humana mostra que esse caminho é muito mais profundo.
Antes da palavra, existe a história. Existe o corpo. Existe a memória. Existe um sistema inteiro que passou anos aprendendo a identificar certos ambientes como inseguros.
É por isso que, por exemplo, muitas pessoas descrevem a mesma sensação: sabem exatamente o que gostariam de dizer, mas, quando chega o momento, as palavras simplesmente não saem. Não é falta de inteligência. Não é ausência de opinião. Muitas vezes, é a mente tentando protegê-las de uma ameaça que talvez nem exista mais, mas que um dia foi real o suficiente para ensinar que permanecer em silêncio era mais seguro do que correr o risco da rejeição.
Quando compreendemos isso, deixamos de olhar para o silêncio apenas como uma escolha consciente, mas também passamos a enxergá-lo como uma estratégia de sobrevivência construída ao longo da vida.
E isso muda completamente a forma como nos tratamos. Em vez de culpa, nasce compaixão. Em vez da pergunta “o que há de errado comigo?”, surge outra muito mais honesta:
“O que me ensinou a acreditar que minha voz precisava se esconder?”.
O que a ciência sabe sobre o caminho de volta
A psiquiatra Judith Herman, uma das maiores referências mundiais no estudo do trauma e da recuperação emocional, observou que pessoas profundamente feridas costumam percorrer um caminho semelhante quando começam a reconstruir suas vidas.
O primeiro movimento é o da segurança. Antes de qualquer transformação, é preciso encontrar um lugar, interno e externo, onde já não seja necessário permanecer em estado constante de alerta.
O segundo movimento é o da lembrança. Não se trata de reviver a dor indefinidamente, mas de olhar para a própria história sem continuar aprisionada por ela.
O terceiro movimento é o da reconexão. É quando a pessoa volta a se relacionar consigo mesma, com os outros e com a vida a partir de um lugar diferente. Ela já não é conduzida apenas pelo medo. Começa, enfim, a agir a partir da própria identidade.
É justamente a partir desse ponto que a voz retorna. Não como um grito de revolta. Não como a necessidade de vencer discussões ou provar alguma coisa. Ela retorna porque a pessoa já não precisa esconder quem é.
A pessoa que reencontra a própria voz não fala mais alto do que antes; ela fala com mais verdade. Descobre que firmeza não é sinônimo de agressividade, que estabelecer limites não diminui o amor e que dizer “não” pode ser uma das formas mais honestas de dizer “sim” a si mesma.
Curiosamente, diferentes áreas da psicologia chegaram a essa mesma conclusão por caminhos completamente distintos.
Donald Winnicott, um dos mais importantes psicanalistas do século XX, observou que algumas crianças, para preservar o vínculo com aqueles de quem dependiam, aprendiam a construir aquilo que ele chamou de falso self — uma versão cuidadosamente adaptada para agradar, evitar conflitos e corresponder às expectativas do ambiente. Enquanto isso, o verdadeiro self permanecia silencioso, aguardando um espaço suficientemente seguro para aparecer.
Décadas depois, o neurocientista Stephen Porges ofereceu uma explicação complementar, a Teoria Polivagal, a qual mostrou que o sistema nervoso avalia constantemente se um ambiente é seguro ou ameaçador; antes mesmo de pensarmos, o corpo já decidiu se é hora de relaxar, lutar, fugir ou se recolher. Em …
Comecei a escrever essa news há alguns dias após ler um alerta que voltou a ser destaque na comunicação de especialistas comportamentais: o aumento da tendência das taxas de suicídios para meninas e adolescentes (10 a 19 anos).
Quando um assunto como esse surge em alguma roda de conversa, ele tende a ser abordado de forma temerosa, com naturais lamentos e, por vezes, até sendo rejeitado, com algumas pessoas não querendo ouvir a respeito. Em situações como essa, já ouvi algumas mães repetindo frases como:
* Que horror!
* Deus me livre!!
* Vamos mudar de assunto que não quero nem imaginar isso!
Lamento informar: o medo, a rejeição do tema não vai nos livrar dele. Este é um assunto que requer nossa atenção. Por isso, é importantíssimo produzirmos conteúdos preventivos que nos façam pensar sobre o tema com a correta atenção.
É o que apresentamos a seguir: informações que nos ajudarão a compreender esse cenário e a agir de forma preventiva, não apenas por nossas meninas e meninos, mas por toda a família.
UM CUIDADO IMPORTANTE ANTES DE SEGUIR
Falamos aqui de prevenção, mas sabemos que para algumas famílias esse tema não é estatística: é dor presente. Se você, sua filha, filho ou alguém que você ama está passando por sofrimento emocional intenso ou pensamentos de tirar a própria vida, não espere. Buscar ajuda não é fraqueza.
A seguir, reforço: vamos entender melhor o cenário atual e como podemos agir de forma preventiva.
DADOS INTERNACIONAIS
Desde 2023, Zach Rausch (pesquisador do bestseller A Geração Ansiosa) já nos informava sobre a crise internacional de saúde mental. Em um dos seus artigos publicados aqui no Substack (na página AfterBabel, onde atua junto com Jon Haidt), ele destaca:
A crise de saúde mental entre os mais jovens é internacional e começou muito antes da pandemia de 2020.
O assunto não é novo, quem acompanha os dados publicados periodicamente já ouviu muito sobre isso, especialmente pós-pandemia. Mas o que eles vêm defendendo e comprovando através de estudos e pesquisas de um colegiado de especialistas, é como as taxas de suicídio já vinham aumentando entre adolescentes, especialmente meninas, não apenas nos países de língua inglesa mas também na Europa, Japão e Coreia do Sul desde o início de 2010 até 2020, ou seja, pré-pandemia.
É claro que o impacto da pandemia teve seu preço. Em outro artigo publicado em AfterBabel, assinado por Thomas Potrebny e Karen Schrijvers, eles compartilham dados relevantes e afirmam:
“As queixas de saúde psicológica e somática (física) entre adolescentes dobraram nos 41 países analisados nas últimas três décadas (1994-2022). Em 2022, quase 60% das adolescentes (meninas) e cerca de 30% dos adolescentes (meninos) relataram apresentar múltiplas queixas de saúde mental por semana. A prevalência desses sintomas varia de país para país, mas a tendência geral é clara e piorou desde o início da pandemia de COVID-19. Embora o aumento do sofrimento entre adolescentes seja anterior à pandemia, ela parece ter exacerbado e acelerado essas tendências negativas. De fato, em 2022, todos os 41 países registraram a maior prevalência de queixas psicológicas já documentada”.
Clicando aqui você pode conferir o artigo citado na íntegra e quais são os 41 países citados.
Mas, não para aí, ainda que muitos tenham defendido que o impacto da pandemia era o fator mais agravante desse cenário, o fato é que chegamos a 2026 e novos dados apontam que as taxas de suicídio juvenil continuam aumentando internacionalmente, particularmente entre as meninas. Vale ainda destacar que ao longo das séries de mapeamento dos dados quanto ao perfil de gênero, a liderança sempre foi masculina. Portanto, essa mudança de perfil requer uma observação mais apurada.
Em outro artigo, publicado no último dia 2 de julho, a psicóloga Jean M. Twenge analisa dados e fontes que confirmam: “as taxas de suicídio entre adolescentes do sexo feminino estão, de fato, aumentando em muitos países ao redor do mundo”.
Ela destaca:
“Os dados mostram um aumento de 2010-14 a 2020-22 - em todos os três grupos etários de adolescentes e jovens adultos (10-14, 15-19 e 20-24 anos) no Norte da Europa (que inclui Dinamarca, Finlândia, Islândia, Irlanda, Noruega, Suécia e Reino Unido). E o aumento não é pequeno — gira em torno de 50%. Também houve aumentos na taxa de suicídio feminino nesses três grupos etários na Europa Ocidental (Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Luxemburgo, Holanda e Suíça) e na UE como um todo, e em dois dos três grupos etários (10-14 e 15-19 anos) no Sul da Europa (Grécia, Itália, Malta, Portugal e Espanha). A única região sem aumentos foi a Europa Central/Oriental (por exemplo, República Tcheca, Hungria, Romênia, Sérvia) — e mesmo lá, as reduções na taxa de suicídio foram menores para adolescentes do que para mulheres adultas.
Uma ressalva: Mais do que outros indicadores de saúde mental, as taxas de suicídio podem ser influenciadas por muitos fatores... Existem também diferenças culturais e desenvolvimentos específicos de certos países ou regiões. Portanto, não se espera que as taxas de suicídio apresentem tendências semelhantes em todos os países”.
Em outras palavras: estamos falando de um termômetro trágico, porém mais objetivo, pois quando diferentes países começam a apontar para a mesma direção ao mesmo tempo, isso indica um fenômeno global ou estrutural.
ENQUANTO ISSO, NO BRASIL
Em matéria publicada pelo G1 em agosto do ano passado (2025), foi apresentado um levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde que revelou o seguinte:
A cada ano, cerca de mil adolescentes perdem a vida por suicídio no país.
A cada dez minutos, um adolescente comete algum tipo de autolesão ou tenta tirar a própria vida no Brasil.
A análise afirmava ainda que, “apenas nos últimos dois anos, a média diária chegou a 137 atendimentos a jovens entre 10 e 19 anos. E que, de forma geral, as estatísticas acompanham a densidade populacional”.
Outra informação que vale nossa atenção são os dados divulgados pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE/ IBGE), que escancaram a gravidade do cenário: 28,9% dos adolescentes de 13 a 17 anos relatam tristeza frequente. No entanto, o recorte por gênero revela: enquanto 41% das meninas dizem se sentir tristes, a taxa entre os meninos é de 16,7%. Além disso, 25% das alunas — 1 em cada 4 — afirmam sentir que a vida não vale a pena ser vivida (frente a 12% dos meninos)
Dados públicos existem para nos alertarem sobre reações que precisamos ter. Sabemos que vivemos em uma era onde precisamos reaprender a educar crianças e adolescentes diante de um mundo bem diferente do que vivemos décadas atrás. A escola não é mais a mesma, a cultura e a forma como a consumimos mudou, os relacionamentos estão inseridos em outras dinâmicas comportamentais e a estrutura familiar vem sentindo o preço de tudo isso.
Antes de fechar conteúdos como esse, gosto de bater um papo com Jota Coelho, nosso especialista em combate à violência e ao bullying que atua em escolas e como conselheiro familiar. Jota vivencia o dia a dia de escolas e lares, ouvindo demandas familiares inimagináveis para muitos de nós. E ele nos alerta:
“Quando olhamos de fora para dentro, tendemos a buscar a raiz do problema como algo que invade nossa casa, rouba nossas crianças e adolescentes, nos tornando todos vítimas de uma mesma tragédia social. Contudo, há um lugar que precede o ambiente social e digital: o ambiente familiar. É nele que podemos atuar de forma preventiva e ativa para a saúde emocional dos nossos filhos”.
Abaixo, juntos, vamos mais aprofundar isso.
CONECTIVIDADE AFETIVA
Considerando as restrições de telas já impostas e um forte trabalho de conscientização que vem sendo feito, precisamos olhar para além do consumo das redes sociais e questionar:
Por que ansiedade, baixa satisfação com a vida, sofrimento emocional, má saúde mental e solidão continuam a crescer entre adolescentes e/ou jovens adultos em muitos países ao…
Introdução Zarhi El Malek
Olá!! Está é a nova série de artigos de Janaina Mendes, e nela vamos navegar pelas águas da comunicação através das diversas formas que o silêncio significa para cada um de nós.
Tudo que vem a seguir é válido como reflexão para irmos mais à fundo e entendermos como o silêncio, imposto ou escolhido, nos atinge emocionalmente e influencia nossas relações.
Através dessa série abordaremos o significado e o custo do silêncio para mulheres, homens, jovens, crianças, adolescentes e até idosos, pois todos estão inseridos no ambiente familiar e seus silêncios comunicam muito mais do que imaginamos. Partindo deste princípio, prepare-se para descobrir como o silêncio também é capaz de mexer com nossas emoções de múltiplas formas.
Ao fim deste artigo Janaina lança importantes questionamentos. Respondê-los honestamente é um exercício de autoconhecimento necessário para um entendimento mais profundo de si mesmo e para sua gestão emocional.
Boa leitura,
Zarhi
Antes de começar, uma palavra sobre esta série
Há coisas que demoram anos para encontrar palavras.
Esta série é uma delas.
Durante muito tempo observei mulheres inteligentes, sensíveis e profundamente capazes, mas caladas. Não por falta do que dizer. Mas porque, em algum momento da vida, aprenderam que o que tinham a dizer não cabia. Não era o momento certo. Não era o tom certo. Não era o lugar certo. E foram guardando.
Guardando opiniões. Guardando sentimentos. Guardando perguntas que nunca fizeram. Guardando versões de si mesmas que nunca deixaram sair. Observei isso nos espaços de escuta, nos relacionamentos ao meu redor e também em mim mesma.
Foi então que comecei a perceber que o silêncio, esse tema que parece simples, quase óbvio… é, na verdade, um dos territórios mais complexos e menos explorados da vida emocional humana.
Porque nem todo silêncio diz a mesma coisa.
Há o silêncio que protege. O silêncio que escuta. O silêncio que cura. O silêncio que pensa antes de falar e que, por isso, fala melhor.
E há o silêncio que adoece.
O silêncio que foi imposto. O silêncio que virou hábito sem nunca ter sido escolha. O silêncio que carregamos sem perceber e que, às vezes, parece simplesmente parte de quem somos.
Esta série nasceu do desejo de iluminar essa diferença. Não para que todas falem mais. Mas para que todas falem e também, caso queiram, escolham calar com mais consciência, mais liberdade e mais verdade.
Ao longo dos próximos artigos, vamos explorar o silêncio como linguagem, como herança, como ferida e como força. Vamos percorrer descobertas da psicologia, da neurociência e dos estudos sobre comunicação, sempre dialogando com aquilo que a experiência humana já sabe, mesmo antes de encontrar explicações científicas.
Não será uma jornada de respostas prontas, será uma jornada de perguntas que valem a pena fazer. E a primeira delas é justamente a que abre o texto que você está prestes a ler.
Antes de você ler a próxima frase, faça isto:
- Pare;
- Respire;
- Observe o silêncio ao redor.
Agora me diga:
Esse silêncio está lhe dizendo alguma coisa?
Crescemos acreditando que comunicação é sinônimo de fala; que quem cala, ausenta-se; e, que o silêncio é vazio. Mas a ciência e a experiência humana dizem outra coisa. O silêncio não é ausência de comunicação. É uma das suas formas mais poderosas.
E entender isso pode mudar a forma como você se relaciona, como você se vê e, talvez, como você tem vivido.
O que Albert Mehrabian nos ensinou sobre o que não dizemos
Nascido em 1939, o psicólogo armênio-americano Albert Mehrabian chegou à psicologia com uma formação incomum: a de engenharia pelo MIT. Essa base analítica moldou a forma como ele investigou algo que a maioria de nós apenas intuía: a comunicação humana vai muito além das palavras que escolhemos.
Durante a década de 1960, Mehrabian conduziu estudos específicos sobre como transmitimos sentimentos e atitudes. Seus achados ficaram conhecidos como a “regra 7-38-55”: na comunicação emocional, especialmente quando há contradição entre o que dizemos e como dizemos, apenas 7% do impacto vêm das palavras.
Os outros 93% chegam pelo tom de voz, expressão facial, postura e gesto.
E pausa.
E silêncio.
É fundamental entender o contexto: Mehrabian estudava situações específicas de incongruência emocional, quando o que a boca diz e o que o corpo comunica se contradizem. Não se trata de uma fórmula universal para toda comunicação. O próprio pesquisador passou anos corrigindo generalizações excessivas do seu trabalho.
Contudo, o princípio que interessa para nós aqui é real e verificável na experiência cotidiana:
Quando há contradição entre palavra e presença, a presença vence.
Um olhar sustentado diz mais do que um parágrafo. A pausa antes de responder comunica algo que nenhuma palavra conseguiria capturar com a mesma precisão.
Quem cala não para de falar, apenas fala de outro lugar.
Dois tipos de silêncio e a diferença que muda tudo
Aqui é onde a conversa fica mais honesta. Porque nem todo silêncio nasce do mesmo lugar. Na literatura sobre comunicação e psicologia, o silêncio humano é descrito em dois registros fundamentais.
O silêncio escolhido: aquele que nasce da sabedoria, da escuta, da presença plena. Quem cala para ouvir de verdade. Quem pausa antes de falar, pois o que vai dizer merece cuidado. Quem sabe que nem toda verdade precisa de palavras para ser comunicada. Esse silêncio é poder. É maturidade. É um presente que se oferece ao outro.
E o silêncio imposto: aquele que não nasce de dentro, mas foi construído por fora. Aprendido. Instalado. Muitas vezes, desde muito cedo.
É o silêncio de quem foi interrompida tantas vezes que parou de começar. De quem percebeu que falar gerava conflito e que o custo do conflito era alto demais. De quem aprendeu, dentro de casa ou fora dela, que ocupar espaço era perigoso. De quem entendeu, às vezes, sem uma única palavra, que existir em voz alta era demais.
A pergunta mais importante não é: “Você está em silêncio?”.
A pergunta imprescindível é: “Quem escolheu esse silêncio: você ou o medo?”.
O que a neurociência descobriu sobre o cérebro em silêncio
Por décadas, cientistas acreditavam que o cérebro descansava quando não estava em tarefa ativa. Estavam errados.
Marcus Raichle, neurologista da Universidade Washington, em St. Louis, identificou em pesquisas de neuroimagem algo que mudou a compreensão da ciência sobre o cérebro em repouso. Ele chamou de Rede de Modo Padrão (Default Mode Network) o sistema cerebral que se ativa exatamente quando paramos de focar no mundo externo: no descanso, no devaneio, no silêncio.
Longe de “desligar”, o cérebro nesse estado realiza um trabalho essencial: integra memórias. Processa emoções. Constrói identidade. Conecta experiências que pareciam isoladas. Prepara insights que só chegam quando paramos de forçar.
Em outras palavras:
O silêncio não é ausência de pensamento. É onde o pensamento mais profundo acontece.
Pesquisas subsequentes mostraram que esse estado de não foco externo aumenta a conectividade entre regiões do cérebro associadas à criatividade, ao autoconhecimento e à construção da narrativa de si mesmo.
Você não se conhece no barulho.
Você se conhece no silêncio.
Dana Jack e o preço de calar o que é seu
Em 1991, a psicóloga Dana Jack, pesquisadora da Universidade Western Washington com formação em Harvard, publicou um trabalho que movimentou o campo da psicologia clínica.
Ao longo dos anos, ao estudar mulheres com depressão, ela identificou um padrão que se repetia com frequência perturbadora: mulheres que aprenderam a silenciar a própria voz, os próprios pensamentos, sentimentos e necessidades para preservar relacionamentos e evitar conflitos.
Ela chamou esse fenômeno de autossilenciamento e desenvolveu uma escala clínica para medi-lo, a Silencing the Self Scale. Os dados foram reveladores: quanto mais uma mulher suprime a sua voz nos relacionamentos, maior a probabilidade de desenvolver depressão. A correlação era forte, consistente e se confirmou em diferentes culturas ao redor do mundo.
Uma das afirmações d…
Olá!!
Como está você?
2026 já chegou à sua metade, e não sei você, mas do lado de cá parece que o tempo acelerou forte! E como não temos mais tempo à perder, nessa virada de semestre, semana começando, que tal colocar sua atenção em um novo lugar?
Sua atenção ou desatenção tem enorme influência sobre os seus pensamentos. Mas quando você escolhe, intencionalmente, para onde focará sua atenção, está definindo o que quer pensar.
E não para aí. Quando você escolhe o que pensa, isso transforma a sua capacidade de lidar com todas as áreas da sua vida porque você se torna um gestor consciente dos seus pensamentos, ações e emoções.
É comum acharmos que temos controle total dos nossos pensamentos até começarmos a observá-los com atenção. Na prática, ao fazer isso a gente acaba descobrindo que nem tudo que encontramos na nossa mente, de fato, é nosso.
Afinal, tudo o que você vê, lê e ouve, tudo, em todo o lugar, de alguma forma, vai gerar em você uma ação ou reação. Seja por concordância, discordância, curiosidade ou desejo, a maioria de nós, ao não pensar sobre o que pensa, acaba, ainda que sem querer, se deixando levar por opiniões e pensamentos que não são nossos; ou, pior, entrando em modo “manada”.
COMO COMEÇAR
Comece observando suas respostas automáticas. Sabe aquelas respostas e julgamentos prontos, que às vezes a gente até tem na ponta da língua? Palavras que pulam das nossas bocas como reações tão rápidas que nem chegamos a pensar antes de falar.
Ao prestar atenção, será natural começar a perceber alguns pensamentos intrusos. Pensamentos intrusos são aqueles que surgem do nada, e que você nem sabe por que está pensando naquilo. Alguns até parecem ecoar repetidamente, se misturam em nossos sentimentos e nem sabemos bem por que estão ali.
Não tenha medo de encará-los. Ao encontrar um desses, pergunte-se:
De onde veio esse pensamento?
Porque estou pensando isso?
Ao começar a pensar sobre o que você pensa, provavelmente, encontrará palavras, frases, e até opiniões inteiras que vem de fora; fruto daquilo que vemos, ouvimos e repetimos sem pensar bem no que realmente acreditamos a respeito.
A partir dai, seja intencional e comece a escolher bem que pensamentos deseja cultivar.
SABE PORQUE ISSO É IMPORTANTE?
Todos os dias ao ouvirmos, lermos notícias ou conferirmos redes sociais, com o que nos deparamos? Há uma overdose de violência, indignação, desonestidade, especulações, provocações… que nos dias de hoje, facilmente podemos traduzir em ondas de desesperança, medo, injustiças, julgamentos… tudo isso em modo automático.
Isso sem falar em toda propaganda, retórica, publicidade, e, claro: algoritmos e narrativas. Todos disputando a nossa atenção como a moeda mais valiosa desse tempo.
Essa enorme quantidade de disputa pela nossa atenção, não vai desacelerar. Então, aprender a ser intencional no seu pensar é a sua melhor garantia de higiene mental e cuidado emocional.
Assim sendo, comece a inserir na sua mente pensamentos saudáveis e que fortalecerão valores e princípios transformadores para a sua vida nos dias de hoje.
Escolha pensar naquilo que é bom. Cultive pensamentos justos e honestos. Seja intencional em trocar o que é malicioso e perverso pelo que é sem segundas intenções e sincero. Aposte no que é real, amável, gentil e que vai na contramão da indiferença. Não seja ingênua (o). Questione o que precisa ser questionado, e valorize o que gera equilíbrio.
NÃO ESQUEÇA
Ao pensar sobre o que pensa, você estará treinando seu pensamento crítico.
Ao alimentar sua mente com pensamentos baseados em valores importantes para todos, você não está floreando as dificuldades da vida, ou se tornando alguém cego para as dores do mundo. Está aprendendo a inserir no seu contexto de visão de mundo equilíbrio, opinião bem fundamentada e esperança.
Isso acontece porque quando reconhecemos o quanto somos bombardeados por medos, injustiças, violência, etc, enxergamos como somos influenciados a não questionar caminhos, posicionamentos ou consequências.
E isso vale para tudo. Até para a forma como você se vê. Se você escolhe ter pensamentos honestos a seu respeito, isso te ajudará, por exemplo, a identificar pensamentos de autosabotagem. Além de ajudar a compreender melhor seus sentimentos e emoções.
Também vale para a forma como passamos a olhar para o outro com mais atenção e gentileza. E isso muda a forma como nos relacionamos dentro e fora de casa.
Pensamentos baseados em bons valores e princípios te farão exercitá-los diariamente de forma intencional e, acredite, eles têm poder para mudar seu humor, produzir ânimo e te ajudar a ser a sua melhor e mais saudável versão.
QUANTO ÀS REDES SOCIAIS
Todos sabemos, mas não prestamos a devida atenção. Ligue o alerta!
Plataformas digitais são modelos de negócios que dependem 100% da sua atenção e têm se tornado cada vez mais poderosas porque a esmagadora maioria de nós, doa parte do nosso tempo para o faturamento delas.
No começo do ano passado, a pesquisa da Consumer Pulse afirmou que brasileiros passam, em média, 9 horas e 13 minutos online. Deste tempo, 3 horas e 32 minutos por dia navegando em mídias sociais. Alô meu caro leitor adulto, isso é sobre você!
A dopamina fácil não é só a zona de fuga mais letal da realidade, mas é também a maior porta aberta para deixarmos nosso cérebro atuar em modo de absorção sem obstáculos, especialmente dentro das bolhas tão comuns que encontramos por lá.
Sem contar em como feeds nos levam a perdas cognitivas, ganhos em ansiedade, impulsividade e até dificuldades em tomadas de decisão. Faça qualquer pesquisa online sobre o assunto e você encontrará, basicamente, a mesma resposta.
O que a neurociência está dizendo, em linguagem direta, é: as redes sociais literalmente destreinam a capacidade que seria necessária para o domínio do próprio pensamento.
Não se engane achando que esse cenário de alto impacto mental é só sobre crianças e adolescentes. Não! É sobre todos nós, com maior impacto neles devido à faixa etária.
Todos os dias recebemos mais informações que confirmam o tamanho do deserto mental e cognitivo no qual estamos inseridos, e só há um caminho para mudar essa realidade: mudando a forma como usamos nossas redes sociais e dispositivos eletrônicos.
PORTANTO
Ciente de tudo isso, comece agora a rever onde tem depositado seu tempo e atenção. Quanto à sua vida online, aprenda a recalibrar seu feed.
As dicas abaixo vão te ajudar:
Atente quantas vezes você pega no seu celular desnecessariamente. Por que faz isso? Já é um gesto automático? São as notificações? Que tal desativá-las e passar você a gerir de quanto em quanto tempo verificará suas mensagens?
Defina quanto tempo por dia considera saudável navegar em sua rede social. Ative um controle de tempo. Ele vai te mostrar quanto do seu tempo está sendo usado ali e a maioria de nós se surpreende quando começa a conferir.
Faça uma boa curadoria do seu feed. O algoritmo sempre vai tentar ganhar sua atenção com o que engaja mais, e nesse pacote vem de tudo. Ao escolher quem seguir, o que silenciar ou parar de seguir, esta também é uma forma de investir em conteúdo que possa agregar valor.
Desconecte do que te faz mal e conecte com o que te fará bem. Quanto mais tempo gastamos online, menos tempo vivemos offline. As horas não voltam, e se não investirmos nosso tempo e atenção nas coisas boas e importantes da vida, perderemos momentos e conexões que um dia cobrarão seu preço, especialmente em família.
Detox é bom, mas precisa ser sustentável. Vejo muita gente deletando sua rede social por uma semana e, depois, à medida que volta a usá-la, assim como um viciado, perde a mão novamente.
E sejamos bem honestos:
As redes sociais não pretendem desaparecer. Somos nós que estamos enriquecendo os bolsos das Big Techs e cobrando delas medidas que nos protejam. Devemos cobrar o que precisa ser cobrado, contudo não podemos esquecer que é nossa a responsabilidade de não dar a elas a moeda que está nas nossas mãos: a minha e a sua atenção desmedida.
Não esqueça: filhos aprendem mais com o que fa…
Olá!
Como vai você? Tudo bem?
Como tem sido seus dias por aí?
Hoje, nosso papo vai ser sobre pressão, perseverança e depressão. Temas que a gente acha que tem clareza sobre, mas, te garanto: sempre temos algo mais a observar e aprender para não nos tornarmos parte dos índices crescentes de adoecimento emocional que nos cercam.
Como já falei aqui, este Clube nasceu com o propósito de nos despertar e capacitar a lidar primeiro com as nossas dificuldades, conflitos e traumas, cujas dores e consequências comportamentais impactam diretamente nossas relações familiares e geracionais.
Passo boa parte do meu tempo atenta a informações comportamentais e creio, que, ainda que você não se debruce sobre isso da mesma forma que eu, facilmente entende como temos enfrentado situações absurdas envolvendo crianças, adolescentes e suas relações sociais e familiares. Nada disso acontece de forma gratuita.
Desde que começamos a super validar sentimentos, temos visto o quanto perdemos em saúde emocional. Por acaso você já parou para se perguntar por que isso acontece?
Esse cenário também é fruto de como temos sido moldados por pressões com as quais lidamos todos os dias e que cobram seu preço dentro dos nossos lares, impactando diretamente na conexão profunda entre pais e filhos.
O QUE ISSO TEM A VER COM A SUA SAÚDE EMOCIONAL
Como adultos, independente de sermos mães ou pais, sabemos que a vida é repleta de conflitos e muitas das nossas dificuldades emocionais e comportamentais tem sua base em nossas relações familiares. Isso é geracional, sabemos. Tanto que o conceito de nos educarmos quanto aos nossos sentimentos e emoções permanece em alta. Há psiquiatras, psicólogos, especialistas comportamentais, educadores socioemocionais, gurus e personas diversas abordando o tema amplamente.
Independente a quem você dá mais crédito nesse sentido, uma coisa é certa:
Existem dados que apontam dois extremos opostos: de um lado, a ausência de atenção parental empurra crianças e adolescentes para a busca de pertencimento em grupos de risco, especialmente online, onde encontram acolhimento que não tem em casa.
Do outro lado, o exagero oposto: pais que superprotegem e evitam qualquer desconforto para o filho também abrem brechas danosas. E não sou quem diz, pesquisas confirmam associação entre superproteção parental e maiores índices de ansiedade e depressão. Entre a ausência e o excesso, o que parece faltar é o mesmo: limite com presença.
Não estou especulando. Estou afirmando: se os dois pontos de partida começam na forma como estamos lidando com a próxima geração, o que não estamos vendo a nosso respeito?
Como lidar com esse cenário?
É importante que você possa olhar primeiro para si e compreender como está a sua saúde emocional. Se estamos bem e saudáveis, se nosso olhar está atento a ler corretamente nossos sentimentos, ambientes e contextos, tendemos a formar a próxima geração com mais saúde emocional real.
E por mais óbvio que seja a conexão dos indicadores de bem-estar - como satisfação com a vida, esperança e moral - com a nossa qualidade de vida emocional, é fácil observarmos que é exatamente nesses mesmos lugares que, gradualmente, vamos sendo derrotados quando precisamos lidar com as pressões do dia a dia.
É quase como um desdobramento natural: pressão gera reação, seja ela silenciosa ou explícita. Ela pode vir de diversas fontes, e, a forma como lidamos com ela vai definir a nossa capacidade de administrá-la e colocá-la no seu devido lugar.
Vem entender melhor isso!
PRESSÃO É ESTRESSE?
Sim, é.
Anos atrás, tentando descobrir alguns desconfortos físicos, tive que fazer uma bateria de exames. E ao fim, o diagnóstico foi estresse. O médico foi categórico: para ficar bem eu precisaria entender como lidar com meu estresse.
Mas havia um problema maior: eu não sabia o que era estresse. De fato, só descobri isso 10 anos depois quando o estresse ignorado se tornou fator decisivo para que eu desenvolvesse distimia - identificada somente após mais 2 anos de observação médica em busca de compreender dificuldades emocionais e cognitivas que eu já não podia mais ignorar.
Sim, a distimia - hoje tecnicamente chamada de Transtorno Depressivo Persistente (TDP) - pode ser desenvolvida ao longo da vida. E, embora algumas pessoas tenham uma predisposição genética ou traços de personalidade que as tornam mais vulneráveis, ela não é necessariamente algo com que a pessoa nasce. O estresse crônico e prolongado, especialmente quando ignorado por anos, é um dos principais gatilhos para o seu desenvolvimento.
Histórias como a minha, continuam a acontecer em escala crescente apesar de todos os alertas, informações e ações preventivas que temos disponíveis hoje. A minha história não é uma exceção, e por isso trabalho continuamente para que outras pessoas não tenham que lidar com as mesmas dificuldades e desafios que, hoje, se tornaram déficits permanentes na minha vida por falta de atenção e conhecimento.
Talvez você esteja aí pensando: Mas, como assim você não sabia o que era estresse?
Todos nós vivemos sob algum tipo de pressão. Parte dela é saudável e fundamental para o nosso desenvolvimento. Outra parte, pode ser destrutiva, seja a curto, médio ou longo prazo. Mas essa linha divisória, entre o que nos constrói ou nos destrói, por vezes é tênue, e pode ser ignorada sem sequer nos darmos conta. Ninguém escolhe desenvolver burnout, ansiedade ou depressão, contudo nossas escolhas diárias, às vezes pequenas e aparentemente inofensivas, podem sim nos levar a desenvolver esses mesmos problemas.
Eu te explico:
A pressão saudável funciona como um motor propulsor que nos faz crescer. Ela vai nos dando entendimento sobre o mundo e como devemos nos posicionar diante dele.
Um novo desafio no trabalho, uma mudança de cidade ou país, o nascimento de um filho ou um projeto desafiador, um problema pessoal inesperado, um concurso disputado, encarar um vestibular ou uma competição esportiva, são exemplos de situações que geram pressões naturais da vida. Pressões que nos ensinam a lidar com desafios e geram experiências importantes para o nosso amadurecimento emocional.
Coisas que nos tiram da zona de conforto e nós, fisiologicamente falando, fomos feitos para dar conta delas. Nosso corpo tem um sistema de resposta ao estresse que foi desenhado para ser temporário e funciona assim:
Quando surge o fator estressante, nosso cérebro, de forma positiva, mobiliza energia para enfrentá-lo (a chamada alostasia). Aumenta o foco, melhora a cognição e até amplia a satisfação quando o resultado é alcançado.
Tarefa concluída, quando essa pressão passa, nosso cérebro desliga esse sistema e retorna ao equilíbrio. Naturalmente cíclico e eficiente.
Repito: liga sob pressão, desliga quando ela termina.
Entretanto…. quando esse ciclo não termina e permanece ativo, sem nos dar folga, eis o que acontece:
Nosso cérebro, para dar conta, terá que funcionar em modo sobrecarga. Sem descanso, o dano chega. Esse é o famoso estresse crônico. Nele, sentimos que as demandas do ambiente superam completamente ou continuamente os nossos recursos para dar conta delas. O dia termina e essa sensação permanece, assim como no dia seguinte e no outro, e no outro….
Essa pressão, pode vir, por exemplo:
Do trabalho excessivo - aquele que acumula porque é incabível em 24 horas;
Da pressão para bater metas inviáveis;
Do fazer o seu trabalho e o do outro, até mesmo dentro de um relacionamento amoroso;
De ignorar a necessidade de descanso saudável - inclua aqui a falta de sono adequado;
De tentar dar conta de tudo de forma perfeita…. e outras tantas coisas que de tão normalizadas na nossa rotina já nem parecem mais excessos.
E assim, na grande maioria das vezes, a maior pressão se esconde nessas ações tão cotidianas que nem dimensionamos mais a proporção real do desgaste porque, na nossa mente, estamos fazendo o que precisamos fazer para dar conta da vida.
Estamos mesmo?
Quando uma tragédia, um luto, ou algo sobre o qual não temos controle gera pressão, às vezes é mais fácil compreendermos sobre como lida…
Olá!!
Como vai você? Tudo bem?
Por aqui, eu e Janaina Mendes estamos saindo de uma boa virose, e caso você esteja me ouvindo via podcast, e se deparar com um voz “meio capenga”, me dê um desconto, por favor... mas, cá estou! Pronta para compartilhar esse artigo escrito a duas mãos, e que acreditamos que vai falar com você.
Vamos fechar juntas a nossa série sobre IDENTIDADE.
Aqui no Clube, abordamos outros tantos temas de trabalho, mas posso te afirmar sem medo: tudo começa na nossa percepção sobre nós mesmos. E nesse sentido, nos aprovar ou reprovar, implica diretamente na forma como vamos viver ou sobreviver neste mundo. Se como indivíduos isso é fulminante, como pais e mães isso gera desdobramentos capazes de alcançar gerações, seja para o bem ou para a dor.
Como quem tem cicatrizes causadas pela rejeição e aprendeu a valorizá-las, enquanto trabalhava nesse texto, entre percepções, entendimentos, estudos e pesquisas, a frase que me marcou foi:
Todo aquele que está carente de ser reconhecido é porque não tem convicção da sua identidade.
Essa verdade, lançada de forma veemente, não veio de um badalado especialista comportamental, nem de um renomado pesquisador ou algum coach de sucesso, mas de um teólogo. Paulo Borges Jr, é teólogo e engenheiro, alguém que por formação escolheu o transcendente e o racional. Sua afirmação sobre identidade tem como base a graça diante de um Deus que nos ama incondicionalmente.
O interessante disso, é que Dan P. McAdams, renomado professor de desenvolvimento humano e política social, um dos principais pesquisadores do mundo no campo da psicologia narrativa, famoso por estudar histórias de aceitação e redenção do ponto de vista científico, afirma:
A identidade assume a forma de uma história completa, com cenário, cenas, personagens, enredo e temas. Ou seja, você não tem uma identidade simplesmente porque existe, mas você a constrói ativamente ao longo do tempo, narrando para si mesmo a sua versão da vida e seus fatos, a partir da sua própria interpretação.
Ficou claro? Os dois estão falando, basicamente, a mesma coisa:
A busca por reconhecimento é uma necessidade inerente daquele que tem sua identidade fragmentada.
Na prática, a forma como interpretamos o mundo, as circunstâncias, os relacionamentos, as aprovações, rejeições, alegrias ou tristezas da vida, está profundamente ancorada em quão amada e aceita uma pessoa, realmente, se sente. A forma como essa história é construída começa dentro de casa, nas nossas relações parentais. Somente na nossa adolescência e na vida adulta, começamos a “editar a nossa versão sobre quem somos ou desejamos ser”. É o que McAdams chama de identidade narrativa, a história de vida interna e dinâmica que um indivíduo constrói para entender sua vida.
Ao longo das últimas semanas, temos falado sobre como nossos sentimentos não são capazes de nos definir porque eles oscilam de acordo com o quanto uma pessoa se sente amada, pertencente, aceita ou importante.
Por isso, temos afirmado:
Sua identidade é a base fundamental da sua saúde emocional. Se ela é sólida, você não confundirá o que sente, em momentos de vulnerabilidade, com quem você, de fato, é.
Até aqui, nós já passamos por alguns pontos cruciais sobre reconhecermos quem somos em essência. Mas, calma! Reconhecer onde nossa identidade está vulnerável, e precisa de atenção, é só a primeira parte desse processo. A segunda, e mais difícil, é mudar. A terceira e imprescindível, é: diante de erros e acertos, nos manter conscientes de que sabemos quem, de fato, somos. Independente do quanto ainda seremos comparados, questionados e confrontados.
Por isso, para fechar essa série precisamos falar sobre coragem, mudança e processo.
A CORAGEM DE MUDAR
Saber não é o mesmo que agir. Você pode ter se reconhecido ao longo de cada artigo dessa série. Pode ter se visto em cada linha sobre rejeição, performance e pertencimento. Pode ter sentido aquela fisgada no peito, aquele “é exatamente isso” e, ainda assim, seguir fazendo tudo do mesmo jeito. E não é porque você é fraco. É porque mudar dói. Mesmo quando a mudança é boa.
Existe um paradoxo curioso na jornada do autoconhecimento: quanto mais você se enxerga com clareza, mais sente a responsabilidade de agir de acordo com o que agora vê. Claro que é mais fácil, e muito mais confortável, continuar sendo o personagem que aprendeu a ser do que enfrentar o trabalho de se tornar quem você realmente é.
Contudo, quem precisa se esforçar para sentir-se parte, sabe como é exaustivo tentar agradar aos outros sendo quem você não é. Se esforçar para ser aprovado, para sentir-se amado e pertencente nos corrói por dentro.
Mas, saiba: a mudança real não começa com uma decisão grandiosa, mas, sim, com aquela decisão pequena e honesta. Aquela que você tem medo de admitir até para si mesmo.
Começa quando você para de culpar o ambiente e pergunta:
O que eu tenho feito com o que eu sei?
Até quando vou suportar a dor de não me aprovar? De permitir que os outros definam meu valor?
Ainda assim, assusta abrir mão da versão mais conveniente de si mesmo. Aquela que achamos ser a mais conveniente por que acreditamos ser a que mais agrada a todos.
Quando nos sentimos assim, precisamos compreender: o que rejeitamos em nós a ponto de não termos coragem de sermos nós mesmos? Todos tem defeitos e qualidades, a forma como lidamos com cada uma das nossas características define qual delas prevalecerá.
Por exemplo, uma pessoa ser melancólica não é necessariamente algo ruim, porque melancolia não é sinônimo de depressão. Como traço comportamental, a melancolia está presente em pessoas mais analíticas, criativas, observadoras e introspectivas. Como estado emocional passageiro, que expressa tristeza ou reflexão mais profunda, a melancolia pode ser usada como trampolim para uma maior compreensão sobre seus sentimentos e perspectivas, porque ela não nega a dor que a aflige.
Por outro lado, se uma pessoa aceita a melancolia como um transtorno de humor, no qual a tristeza prevalece, se torna muito difícil viver com ela.
E isso se encaixa perfeitamente nas respostas encontradas nos estudos de Dan P. McAdams, onde ele alega que a maneira como as pessoas constroem histórias coerentes sobre suas vidas, impacta diretamente em sua saúde psicológica, influenciando até o bem-estar das próximas gerações, e na aceitação da vida, especialmente em contextos de sofrimento e adversidade.
Percebe?
Mudar não significa virar outra pessoa. Significa ter a coragem de ser, ou resgatar, quem você já é em essência. Reconhecendo defeitos e qualidades, lidando com cada um deles de forma madura e construtiva.
Nesse processo, muita gente espera sentir coragem antes de agir. No entanto, a coragem não vem antes, ela vem durante. Ela nasce no exato momento em que você, mesmo com medo, dá o primeiro passo. Por que, de fato, coragem nunca foi ausência de medo.
Você não vai acordar amanhã sem medo de ser rejeitado, sem o reflexo condicionado de se diminuir, sem a voz que lhe diz que é perigoso demais ser você mesmo. No entanto, você pode aprender a reagir e mudar, apesar disso.
A pergunta não é: quando vou estar pronto?
A pergunta é: o que farei hoje com o que já sei?
O PROCESSO
Muitos de nós tem como maior inimigo nessa jornada não se aprovar. Quem não se aprova se torna inseguro e dependente da validação alheia. Por isso, atente:
Autoaceitação não significa que você não reconhece seus desafios ou defeitos. Muito pelo contrário: significa que ao se reconhecer em sua totalidade, você pode, de forma honesta, encarar suas qualidades e defeitos de forma construtiva, aprendendo a superar o que não é legal e a validar o que é bom.
Nós, adultos, mesmo ajustando aquilo que sabemos que precisa de mudança, naturalmente, vamos conviver com os gatilhos de uma vida inteira habituada a nossa versão anterior. E o mais interessante é que, gradualmente, os gatilhos se tornam alertas positivos, que nos ajudam a não voltar atrás, nem permitir que nos coloquem de volta em caixas que nunca nos couberam.
E não podemos esquecer que v…
Todos os dias, a cena se repete em milhares de lares:
A porta se abre, a mochila é deixada de lado e vem a pergunta quase automática: “Como foi a escola hoje?”. Na maioria das vezes, a resposta vem em uma frase curta: “Tudo bem”.
Muitas vezes, para nós, pais, esse retorno costuma bastar para acalmar o coração. Se não há reclamações na agenda e as notas estão em dia, presumimos que tudo caminha bem. Afinal, fomos condicionados a acreditar que acompanhar a vida escolar dos nossos filhos consiste em inspecionar o dever de casa e os estudos, garantir o material em ordem e cobrar o desempenho nas provas. Mas sabemos que a vivência escolar é uma jornada ampla, que vai muito além de resultados e notas num boletim.
A escola não é apenas o lugar onde nossos filhos aprendem disciplinas como matemática, línguas, história e ciências. É o palco onde eles testam seus limites, onde aprendem a lidar com a rejeição, com a amizade, com a frustração e com a própria identidade.
Acompanhar a vida escolar dos nossos filhos é olhar para eles de verdade.
Para uma criança ou um adolescente, o dia a dia na escola é uma jornada intensa de socialização. Enquanto os professores explicam a matéria em sala de aula, uma série de outros aprendizados silenciosos acontece nos corredores, no pátio e na hora do lanche.
É preciso compreender que, muitas vezes, a maior dificuldade de um aluno não está na interpretação de um texto, mas na interpretação dos sinais sociais ao seu redor. A dinâmica dos grupos é um desses fatores essenciais. Como nossos filhos se sentem no recreio? Eles têm com quem sentar e conversar ou o momento do intervalo gera ansiedade? A sensação de pertencimento a um grupo é um dos pilares da autoestima nessa fase.
Também há a relação com as próprias emoções. Como eles lidam quando erram uma resposta na frente de todos? Eles se sentem seguros para expressar suas dúvidas ou têm medo de parecer menos inteligentes que os colegas?
E o que dizer sobre o ambiente físico e social? A escola é percebida por nossos filhos como um porto seguro ou como um território de constante avaliação e julgamento?
Quando passamos a olhar para esses aspectos, percebemos que o desinteresse por uma matéria ou a queda repentina em uma nota nem sempre são dificuldades cognitivas ou de aprendizado. Muitas vezes, são reflexos de como estão se sentindo em relação aos colegas, aos professores ou a si mesmos.
Para nos aproximarmos dos nossos filhos por meio desse universo, é importante transformar o diálogo diário. Se a pergunta tradicional só gera respostas monossilábicas, que tal mudar a abordagem? Que tal demonstrar interesse genuíno pela experiência humana deles, e não apenas por uma prestação de contas acadêmica?
Olhar para a rotina escolar sob essa perspectiva nos convida a uma reflexão profunda sobre o nosso papel na formação dos nossos filhos.
Por isso, é essencial mantermos um canal de diálogo sempre aberto. Quando estamos, de fato, próximos deles, as vivências escolares, das mais simples às mais complexas, se tornam momentos de conexão e oportunidades para ensinarmos valores importantes, como resiliência, respeito às diferenças, honestidade e empatia.
Que possamos, como pais, assumir o lugar de parceiros nessa jornada de aprendizado que vai muito além da sala de aula!
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