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Será que nós, como sociedade, valorizamos as pessoas humildes? Vivemos em uma era que parece nos empurrar, o tempo todo, na direção oposta à humildade. Desde cedo, as crianças são incentivadas a mostrar seus talentos, a destacar suas competências e a celebrar cada pequena conquista.
Não há nada de errado em valorizar nossas habilidades — pelo contrário, a autoestima é fundamental. Porém, um desafio para nós, pais e mães, é ensinar que o nosso brilho não precisa, e nem deve, ofuscar o brilho do outro. E vai além disso: não é preciso estar em evidência e se destacar para ser digno de respeito.
Ensinar humildade hoje é um ato de resistência e também um presente para o futuro dos nossos filhos. Ser humilde não significa se sentir inferior ou desvalorizar os próprios atributos. É sobre ter a consciência profunda de quem somos e, ao mesmo tempo, saber que todos estamos em processo de desenvolvimento, cada um à sua maneira e no seu tempo. É sobre compreender que podemos e devemos nos ajudar e respeitar mutuamente.
Quando uma criança aprende que ela não é “melhor” do que um amigo, mas apenas “diferente” em suas habilidades, ela se liberta do peso da competição constante e abre espaço para a colaboração.
Vamos pensar num cenário. O filho é, por exemplo, excelente em matemática e um colega de classe, não. Mas esse colega, por sua vez, é ótimo em artes, diferente do seu filho. Por que não celebrar as conquistas sem se comparar, sem diminuir o colega, independentemente dos resultados que tiverem? A humildade gera uma sociedade mais justa porque remove a necessidade de “ganhar” do outro para se sentir bem consigo mesmo. Ficar feliz pelo próprio sucesso e pelo sucesso do outro é libertador.
Podemos estimular essa virtude em nossos filhos quando elogiamos o esforço e não apenas o resultado. Em vez de dizer “Você é o melhor da turma, filho, parabéns!”, que tal falar: “Eu vi o quanto você se dedicou para aprender essa matéria e fico feliz que você tenha conseguido”. Quando focamos no processo do aprendizado, a criança entende que o valor está na evolução pessoal, e não em estar acima de alguém.
Quando envolvemos nossos filhos em tarefas que ajudam outras pessoas, sem esperar nada em troca e, principalmente, sem “contar vantagem” sobre isso, também damos o exemplo. Pode ser organizar brinquedos para doação ou ajudar um vizinho idoso. Isso ensina que nossas competências servem para o bem comum, e não apenas para o nosso ego.
Nós, pais e mães, não somos infalíveis, e admitir isso pros nossos filhos também é uma lição de humildade que podemos dar. Quando errarmos, falharmos em pequenas coisas que sejam, devemos pedir desculpas, seja para quem for. Assim, mostramos que também estamos em desenvolvimento e que aprender com os erros é parte da jornada.
Outra coisa que podemos fazer é ensinar nossos filhos a ouvir o que o outro tem a dizer com interesse real. A humildade intelectual, ou seja, saber que não somos donos da verdade e que sempre podemos aprender com quem pensa diferente, começa na mesa do jantar, ouvindo uma história do irmão ou do amigo.
Um dos maiores benefícios de criar filhos humildes é o impacto direto na redução de casos de bullying. Uma criança humilde não sente necessidade de diminuir o outro para se sentir poderosa. Ela reconhece a dignidade do colega, independentemente da posição social, das notas, da aparência ou do que quer que seja.
Ao ensinarmos que a vida não é uma arena de competição, mas um campo de cooperação, ajudamos a criar uma consciência coletiva mais resiliente. E a resiliência caminha de mãos dadas com a humildade: quem é humilde aceita que falhar faz parte do aprendizado e não se sente humilhado pelo desafio, mas motivado a buscar ajuda e a avançar.
Como pais, um dos nossos maiores desejos é que nossos filhos ocupem bons lugares no mundo. Mas a posição que eles ocuparem será muito mais sólida se for construída sobre o alicerce do respeito mútuo.
Não podemos nos esquecer que ensinar humildade é ensinar que todos somos importantes. É mostrar que, ao colocarmos nossas conquistas a serviço dos outros, nos tornamos pessoas mais completas. No fim das contas, a humildade é o que nos torna verdadeiramente humanos e capazes de viver em harmonia em uma sociedade que precisa tanto de empatia e colaboração.
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Obrigada e até a próxima!
Introdução de Zarhi El Malek
Olá!
Estamos de volta em ritmo de podcast.
Agora em abril, conversando com a Janaína sobre temas para compartilhar com vocês, compreendemos a urgência de falar com pais e mães sobre como necessitamos dar a devida atenção à nossa IDENTIDADE!
É bem verdade que já temos inserido esse tema no nosso conteúdo. Você vai encontrá-lo, por exemplo, na semana passada, quando publicamos o artigo “Você é quem acredita ser?” . E, antes disso, também presente quando lançamos a série sobre legado emocional, que está disponível - por tempo limitado - tanto aqui no Substack quanto no Spotify e no Youtube.
A diferença agora é queremos fazer uma viagem inversa. Vamos mergulhar na raiz da questão e mostrar as várias camadas que o tema IDENTIDADE esconde: Pais e mães com identidades fragmentadas, ofendidas ou perdidas, sofrem e causam danos emocionais que permeiam gerações.
Hoje, Janaína apresenta um episódio que fala profunda e especialmente, com mulheres. Mais de 90% do nosso público é feminino. E é quem está duplamente atento às questões emocionais familiares.
Como muita gente confunde autenticidade com identidade, Janaina trás uma reflexão importante à respeito. Particularmente, espero que fale ao seu coração e alcance sua razão.
Minha sugestão? Se você leu até aqui, ouça a Janaina e depois, aproveite para refletir sobre os pontos abaixo.
Obrigada por seguir conosco nessa jornada! Conhecimento aplicado gera cura cura emocional e familiar. Acredite e exercite!
Com amor,
Zarhi El Malek
AUTENTICIDADE
Você foi criada com numeração única.
Existe uma teologia do ser humano — herdada tanto da tradição cristã quanto da judaica — que afirma algo radical: cada pessoa foi concebida com uma essência que não pode ser duplicada. Não há outro conjunto de dons, perspectivas, experiências e chamado que seja idêntico ao seu.
VOCÊ É UMA EDIÇÃO DE UM!
Isso não é linguagem de autoajuda. É uma afirmação ontológica: a sua singularidade não é algo que você conquista, é algo que você recebe. Sua tarefa é descobrir essa singularidade, não construir.
A autenticidade não é "ser como você nasceu sem nenhum trabalho interior". É a convergência entre o que você foi criada para ser e o trabalho consciente de remover tudo que foi colado sobre você por medo, expectativa alheia e feridas não curadas.
Se você chegou até aqui, não foi por acidente. Há algo em você que reconheceu a si mesma nesse episódio — seja na descrição dos muros de proteção, seja no cansaço de ser cópia, seja no desejo de finalmente habitar a sua própria vida sem pedir desculpas por isso.
Reconhecer é o primeiro passo. Mas, reconhecimento sem movimento é apenas consciência de prisão, não é liberdade.
A liberdade exige uma decisão. Não uma decisão imediatamente perfeita. Não uma decisão sem medo. Não uma decisão feita numa versão futura de você que já resolveu tudo.
Uma decisão feita hoje, agora. Com, exatamente, o que você tem.
A decisão de parar de viver como réplica.
AUTOGOVERNO: A DISCIPLINA POR TRÁS DA LIBERDADE
Viver fora da caixa com elegância não é espontaneidade, é disciplina. É o resultado de um trabalho interior consistente que inclui:
* A disposição de olhar para as suas feridas sem se tornar a narrativa da ferida.
* A coragem de fazer perguntas desconfortáveis sobre seus próprios padrões.
* A prática de nomear suas emoções com precisão — emoções nomeadas perdem 50% do poder de sequestro que têm quando são apenas sensações sem nome.
* A decisão, tomada repetidamente, de agir a partir de valores e não a partir do medo.
A mudança mais profunda é silenciosa. Ela aparece na qualidade da sua presença numa reunião. Na forma como você recusa algo que não está alinhado com quem você é. Na leveza com que você ocupa um espaço que antes te intimidava.
No próximo episódio, nós vamos mais à fundo no tema identidade.
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Até lá!
Momentos de dor e dificuldade são inevitáveis. Todos nós vamos passar por eles, e não sabemos ao certo quando vão acontecer. Se como adultos e pais, muitas vezes, não é fácil, imagina para crianças e adolescentes. Essas situações podem parecer especialmente desafiadoras para os nossos filhos, porque eles ainda estão aprendendo a lidar com a complexidade das emoções.
Como pais e mães, é natural o nosso desejo de proteger nossos filhos de qualquer sofrimento. Mas há situações que não vamos poder evitar, e é essencial ajudá-los a enxergar a dor como uma parte do crescimento e um processo de aprendizado. Transformar esses momentos difíceis em oportunidades de fortalecimento emocional é uma forma de cuidado que nós, pais e mães, podemos oferecer para eles. E isso vai contribuir para o desenvolvimento de habilidades importantes, como resiliência, perseverança e autocontrole.
Os desafios surgem, na maioria das vezes, de maneira inesperada. Quem nunca foi pego de surpresa por uma notícia ruim que causou um sofrimento instantâneo? O primeiro passo para lidar com esses momentos é aceitar a dor que eles trazem.
Seja uma frustração na escola, a perda de uma amizade, uma derrota no esporte ou mesmo questões mais profundas, é essencial ajudar os nossos filhos a compreender que sentir dor é normal, é legítimo, faz parte. Encorajar as crianças e adolescentes a falar sobre os sentimentos, em vez de reprimi-los, é fundamental para que eles aprendam que emoções difíceis fazem parte da vida e que, com o tempo, elas podem ser compreendidas e superadas.
Falar frases como “Não chora” ou “Isso não é nada” parecem um jeito de acalmar nossos filhos, mas podem transmitir uma mensagem equivocada de que sentimentos devem ser ignorados ou escondidos. Já quando dizemos: “Eu entendo que isso está doendo” ou “É difícil passar por isso, mas estou aqui com você”, nós demonstramos empatia e apoio, e isso faz toda a diferença.
Então, depois de acolher a dor e validar os sentimentos dos nossos filhos, o próximo passo é ajudá-los a encontrar maneiras de seguir em frente. Como pais e mães, é nosso papel mostrar que, apesar dos momentos desafiadores, é possível continuar e crescer com o aprendizado que ficou. E isso vale para todos da família! Devemos vivenciar, dar o exemplo e explicar a eles que todas as vidas são marcadas por altos e baixos, e que até esses momentos mais difíceis trazem aprendizados importantes.
Uma frustração pode ensinar paciência e superação; um erro pode despertar responsabilidade; uma perda pode trazer empatia e compreensão. Ao reconhecer esses ensinamentos, apesar da dor, os nossos filhos começam a entender que enfrentar e superar desafios vai torná-los mais fortes, mais bem preparados e confiantes diante das adversidades da vida, que inevitavelmente vão surgir uma hora ou outra.
Nesse processo de aprendizado, o papel da família é fundamental. Um ambiente acolhedor e solidário dá à criança ou adolescente a segurança necessária para enfrentar qualquer dificuldade. Famílias que permanecem unidas nos momentos difíceis reforçam o sentimento de pertencimento e mostram que ninguém precisa lidar com a dor sozinho.
Além disso, ao mesmo tempo em que ajudamos nossos filhos a enfrentar desafios e a lidar com emoções difíceis, nós, pais e mães, também devemos buscar cuidar de nós mesmos. E não é fácil fazer isso. É preciso dedicação e disponibilidade, e acima de tudo resiliência. É sobre errar e aprender com os próprios erros. Cada vivência é um aprendizado para nós também.
É muito gratificante quando conseguimos demonstrar maturidade emocional e calma em situações complicadas. Mas mesmo quando nós, pais e mães, passamos por um momento de descontrole inicial frente a um momento de dor, nós podemos mostrar aos nossos filhos que somos capazes de nos esforçar e de chegar a um lugar de equilíbrio. Assim, nós ensinamos pelo exemplo a importância do autocontrole e da perseverança.
Quando mostramos, na prática, que, mesmo com dificuldades, é possível se reerguer e continuar, nós encorajamos os nossos filhos a acreditar na sua própria força e na sua capacidade de superação.
Nossa decisão diária de estar presentes, ouvir com atenção e acolher sem pressa e sem julgamentos tem um impacto nesse processo. Mostrar aos nossos filhos que a dor, ainda que inevitável, não é maior do que a capacidade de superação que eles carregam dentro deles é um dos maiores legados emocionais que nós podemos deixar.
Precisamos sim, estar engajados nesse processo, como família. Precisamos estar atentos para aprender a lidar com cada dificuldade que venha a surgir. Porque nessas horas desafiadoras e de dor, a união familiar – pais, mães e filhos juntos – é o que faz a diferença e o que gera o encorajamento necessário para que crianças e adolescentes cresçam mais fortes e confiantes.
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Olá!
Como vai você? Tudo bem? Espero que sim! Tanto que mais uma vez aqui estou para te convidar a ir mais à fundo nessa compreensão sobre como anda a vida do lado de dentro do seu ser.
Autoconhecimento e autopercepção são irmãos quase gêmeos, quaseeeeeee…… porque cada um tem sua própria função quando falamos de inteligência emocional.
A autopercepção é como olhar no espelho, eu facilmente posso me ver. Creio que percebo meus sentimentos, expresso meus valores, comunico o que penso, defendo meu ponto de vista, sei no que sou bom ou falho, me aprovo ou desaprovo…. e quando desaprovo mudo a partir do que acredito ser necessário.
Autoconhecimento é algo mais profundo. Com ele, posso ir além da minha percepção ao espelho. Aprendo a olhar o que ninguém vê contemplando o aparente. Com ele, acesso o porque sinto e como sinto. Descubro as raízes dos meus pensamentos, se eles são bem fundamentados e, ainda mais importante, onde está baseada a minha identidade.
Dito isso, a pergunta de hoje é:
Será que sou quem me acostumei ver através do espelho?
Será que sou quem as pessoas veem ao me olhar, sem terem a menor noção do preço que pago, das dúvidas que tenho, da insegurança que carrego… que me confundem sobre o meu próprio valor e cobram seu preço sobre como me vejo?
ENXERGO REALMENTE QUEM SOU AO ME OLHAR NO ESPELHO?
A imensa maioria de nós, precisa compreender a diferença entre percepção e conhecimento próprio. A imensa maioria, também precisa querer, verdadeiramente, encontrar-se consigo mesma. Generalizo pois poucos, realmente, querem se conhecer em profundidade.
Seguindo essa lógica, temos muitas pessoas passando por cima de si mesmas e atuando em modo sobrevivência para lidar com suas questões mais profundas e desafiadoras. Meio que a gente, com a melhor das intenções, ao ir seguindo nesse ritmo, se perde, se acha… se perde, se acha de novo… se acomoda como dá e a vida vai passando enquanto isso.
PENSAMENTOS E EMOÇÕES
Na década de 50, Aaron Beck era um psiquiatra americano que trabalhava na Universidade da Pensilvania. Ao tratar pacientes de depressão, percebeu que muitos deles tinham pensamentos negativos recorrentes. Ainda que a medicação utilizada fosse eficiente quanto aos sintomas apresentados, à medida que eles continuavam a pensar negativamente sobre si, continuavam a ter dificuldades em lidar com suas emoções. Partindo desse princípio, Aaron Beck desenvolveu a Terapia Cognitivo Comportamental e passou a nos ensinar como reconhecer e entender o processo cognitivo é parte fundamental da nossa saúde emocional.
Carl Rogers, outro nome de enorme influencia na psicologia, afirmava que as pessoas tem em si mesmas a capacidade de descobrir o que as torna infelizes e realizar mudanças eficientes a seu próprio respeito.
Enquanto isso, agora, em 2026, quando me deparo com o conceito de autoaceitação utilizado em redes sociais e veículos de comunicação, é fácil ver como as pessoas tem sérias dificuldades em compreender que “se tenho uma visão equivocada de mim mesma, me autoaceitar, na verdade, é me compreender melhor, reencontrar minha essência e descobrir como reconhecer isso é libertador”.
Sem esse entendimento correto, tendemos a continuar confundindo autopercepção com autoconhecimento. Como bem nos provou Aaron Beck, pensamentos distorcidos moldam como nos vemos, como reagimos e, consequentemente, como nos relacionamos.
Sem entendermos onde estão fundamentados os nossos pensamentos a nosso próprio respeito, tendemos a acreditar que emoções, sensações, contextos e narrativas definam quem somos. E isso afeta diretamente a nossa saúde emocional, influenciado fortemente nossa satisfação e percepção de felicidade.
COMO PODEMOS NOS RECONHECER
Como podemos reconhecer quem somos de verdade? Ou, porque, algumas coisas que não sabemos nem nominar nos incomodam tanto? Nosso comportamento recorrente reflete mais sobre quem somos, do que nossa própria autoimagem nos conta.
Pense um pouco e responda:
Que padrão comportamental você repete mesmo sem querer?
Como esse padrão comportamental tem afetado suas relações pessoais e profissionais?
Essas são perguntas incômodas, mas que nos ajudam a mapear questões emocionais que nos afetam e que também influenciarão todos os nossos relacionamentos.
Para entender isso melhor, uma outra forma prática de reconhecermos quem somos é perceber o que nos afeta e como reagimos ao desconforto.
Observe:
O que te irrita? Especialmente em casa, seu ambiente mais íntimo. Normalmente, quando nos irritamos de forma desproporcional ou com pequenas coisas que não fazem muito sentido, isso tende a demonstrar que valores ou feridas estão sendo cutucados e nos fazem entrar em modo de defesa.
O que te faz sentir ameaçado(a) dentro da sua própria casa? Quando algo nos atinge nesse nível e nos faz acionar o nosso modo de defesa, que inseguranças reais isso nos revela?
O que você evita? Conversas, encontros, decisões e posicionamentos que evitamos ou adiamos, geralmente refletem incômodos não resolvidos que nos afetam diretamente. Se nos afetam, precisamos resolver essas pendências emocionais para o nosso próprio bem.
Ao considerar essas perguntas, caso se reconheça nelas, consegue perceber algum padrão comportamental que se repete?
Se sim, continue e responda para si mesmo:
Consigo definir, nominar, o que sinto diante dessas situações?
Minhas reações acontecem de forma automática? O que isso me revela sobre meus pensamentos nesses momentos?
O que faço e como me sinto em seguida?
São respostas bem pessoais. Ao refletir e respondê-las com apuro e honestidade, você já esta se autoconhecendo melhor.
DÁ PARA SER FELIZ SEM SABER, DE FATO, QUEM SE É E SEM VENCER NOSSAS DORES MAIS PROFUNDAS?
Quando temos medo das respostas que podemos encontrar ao nos olhar além do espelho, tendemos a multiplicar um legado emocional machucado, corrompido, e, que será levado adiante ainda que a gente nem perceba. Pois, à medida que vamos sobrevivendo as nossas dores e traumas - e todos nós já vivemos algum tipo de experiência que deixou marcas e feridas abertas - vamos aceitando que a vida é assim mesmo, que felicidade é algo que podemos adquirir, quando na verdade, não há dinheiro, nem fama, nem sucesso no mundo que possam curar nossas feridas ou insatisfações profundas.
QUEM É VOCÊ?
Como podemos perceber, quando alguém não se autoconhece, tende a manter dores escondidas e narrativas convincentes que dominam suas emoções e limitam sua autopercepção.
Então, atenção!
Emoções não definem identidade. Emoções expressam sentimentos. Sentimentos podem esconder dores, que, até mesmo diante de uma simples discordância, geram desde sensações de insegurança até reações descabidas que demonstram claramente o que chamamos de instabilidade emocional.
E é comum acreditarmos que instabilidade emocional é algo mais absurdo do que realmente é. Na prática, sabe aquele “temperamento difícil” que afeta a todos e deixa o clima tenso em casa? Aquele que acontece de forma repetitiva, gerando tensões e conflitos constantes já é um alerta que merece nossa atenção.
Tenha em mente que emoções desreguladas geram reações exageradas. Reações exageradas não podem ser ignoradas.
Este é um dos problemas que mais afetam relações familiares no mundo, porque a instabilidade emocional de um afeta diretamente os sentimentos e a forma como o outro se vê e se percebe. Quando uma pessoa vive em instabilidade emocional, ela desregula o ambiente fazendo com que todos à sua volta possam a ser afetados.
EU, VOCÊ E TODO MUNDO
Saber reconhecer quem somos é um desafio para todos nós. Nosso cérebro tende a editar a forma como nos vemos para sermos de acordo com o contexto, a realidade ou o ambiente que desejamos ser parte.
Em tempos onde consumimos conteúdos que nos levam a um comparativo de sucesso constante com a vida do outro, ainda que não percebamos, para boa parte da sociedade está cada vez mais difícil ser feliz quando a ostentação da aparente felicidade alheia está diariamente batendo à porta.
Portanto, sem investirmos em autoconhecimento será difícil reconhecermos quem somos. Sem termos clareza da nossa identidade, não reconheceremos nossas necessidades mais profundas, nem compreenderemos a influência das narrativas que tem causado enormes danos à nossa saúde emocional e das nossas famílias.
Sem adultos emocionalmente saudáveis e felizes em serem quem são, não há como termos crianças e adolescentes saudáveis e conscientes dos seus reais valores.
POR FIM,
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Por hoje, eu fico por aqui!
Nos vemos em breve!
Até lá!
Diariamente nos deparamos com notícias que nos fazem questionar: onde foi parar o respeito pelo outro? São casos de intolerância, conflitos por motivos pequenos e, muitas vezes, a completa falta de empatia e gentileza. Situações assim, infelizmente, estão cada vez mais presentes no nosso dia a dia. Essa realidade é preocupante, especialmente para nós, pais e mães, que desejamos criar filhos capazes de construir um mundo mais humano, mais justo e acolhedor.
Então, eu te convido a refletir. O que nós, de fato, podemos fazer para ajudar as próximas gerações a seguir um caminho diferente?
Um conceito básico, que infelizmente está esquecido por muitos, precisa ser ensinado novamente, em especial às crianças e adolescentes.
Nossos filhos precisam aprender, desde cedo, a importância de “fazer com o outro o que gostaríamos que fizessem conosco”. É um conceito simples e muito profundo, que gera impactos grandes na nossa sociedade.
Mas, não adianta apenas falarmos sobre isso, é nosso papel dar o exemplo e preparar nossos filhos para que eles sejam agentes de mudança no mundo.
Então, não adianta dizermos para eles serem gentis, educados e respeitosos se, nas pequenas coisas do dia a dia, nós nos comportamos de forma diferente. Não estou aqui falando para sermos perfeitos, não é sobre isso. Mas é sobre vivermos sem esquecer esse ensinamento, mesmo quando estamos com raiva, cansados, tristes, não importa. Então devemos nos perguntar e responder: “Como eu gostaria de ser tratado?” “Dessa forma! Então assim eu também vou tratar o outro.”
Os nossos filhos prestam mais atenção nas nossas atitudes do que nas nossas palavras. Eles observam como falamos, por exemplo, com os funcionários do supermercado, como reagimos a um erro num pedido que fazemos no restaurante, ou como tratamos nossos colegas de trabalho e até familiares e amigos. Cada uma dessas situações é uma lição prática que pode ensinar diariamente respeito, cuidado e empatia.
Nós, pais e mães, devemos também abrir espaço para conversas e reflexões que ajudem as crianças a compreender os sentimentos das outras pessoas e a se tornarem mais conscientes das suas ações. Nesse espaço de confiança, em família, muitas lições podem ser ensinadas com amor.
Quando seu filho briga, por exemplo, com um colega ou um irmão, que tal perguntar como ele acha que o outro se sentiu e como ele gostaria de ser tratado naquela situação. Essa conversa não precisa acontecer de forma dura ou acusadora. Ela pode ser leve e acolhedora, ajudando a criança a se enxergar no lugar do outro e a compreender, sem medo, o impacto das atitudes dela.
Isso também vale para os momentos em que os nossos filhos acertam, não apenas quando eles erram. Reconhecer comportamentos positivos, como ajudar um amigo ou compartilhar algo que é importante para eles, ajuda a fortalecer essas ações e incentiva que elas sejam repetidas.
“Você viu como seu amigo ficou feliz quando você ajudou? Isso faz muita diferença pra ele, filho.” Comentários como esses, por exemplo, podem ajudar seu filho a perceber que ser gentil e atencioso também deixa o outro mais feliz. Essa compreensão é muito importante.
Oportunidades não vão faltar para que possamos reforçar esses conceitos para os nossos filhos, precisamos estar atentos. Quando uma criança precisa dividir um brinquedo, resolver um conflito na escola ou até mesmo quando lemos um livro ou assistimos um filme juntos, todos esses momentos são oportunidades. Mesmo que pareça óbvio para nós, para as crianças, é importante que o ensinamento seja repetido e praticado várias vezes.
Quando decidimos ensinar nossos filhos a fazerem com os outros o que gostariam que fizessem com eles, nós contribuímos para que eles desenvolvam relacionamentos mais humanos, mais saudáveis e construtivos.
Quando eles internalizam esse princípio, desde cedo, eles se tornam mais bem preparados para lidar com os desafios da convivência, entendendo que respeito, gentileza e cuidado não são apenas obrigações, mas são escolhas que beneficiam a todos.
E, sim, esse é um processo constante de aprendizado, tanto para eles quanto para nós. Enquanto ensinamos os nossos filhos, muitas vezes, vamos ser obrigados a avaliar nossas próprias ações, e a refletir sobre o que nós estamos transmitindo e como podemos melhorar. Não é fácil, mas, com certeza, é gratificante. Saber que o nosso esforço, em amor e dedicação, vai contribuir diretamente para que nossos filhos sejam a melhor expressão possível de respeito e empatia por onde quer que eles passem.
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Até a próxima! Obrigada!
Como pais, investimos tempo e nos dedicamos todos os dias para prover o melhor para os nossos filhos, em todos os aspectos. Por isso, é importante que tenhamos em mente que podemos contar com algo muito importante, que está disponível a todas as famílias diariamente. Todos nós, pais e mães, podemos oferecer ferramentas simples para que eles se tornem adultos conscientes, prontos para contribuir com o mundo de uma forma positiva e significativa. Esse caminho começa dentro de casa, em ações cotidianas, que muitos podem considerar até sem importância. Mas, sim, elas carregam um enorme valor.
Quando damos espaço para que nossos filhos participem de pequenas tarefas do dia a dia, fazemos mais do que apenas aliviar nossa a lista de afazeres. Ensinamos a eles que cada ação conta! Eles aprendem que suas ideias, seus atos, suas iniciativas têm peso e fazem a diferença. Pode ser algo trivial, como ajudar a arrumar a mesa do almoço, dobrar uma toalha de banho ou regar plantas no quintal. Ou mesmo participar de algo mais criativo, como decorar um bolo ou fazer um cartão de aniversário cheio de desenhos e palavras bonitas. Sabe o que há de especial nisso tudo? São oportunidades que não ensinam apenas habilidades práticas, mas que deixam claro para nossos filhos que eles são parte de algo maior, e que suas ações têm um propósito.
Crianças e adolescentes que compreendem isso desde cedo, crescem com algo precioso para toda vida: o senso de que o que eles fazem tem valor. Eles aprendem que não precisam esperar pelos “grandes momentos” para fazer algo importante, porque entendem que podem contribuir diariamente para transformar a realidade à sua volta.
Um filho que aprende a guardar os brinquedos compreende, no tempo dele, que cuidar do que é seu também faz o ambiente melhor à sua volta. Uma filha que ajuda a preparar um bolo não aprende apenas a calcular os ingredientes ou a quebrar os ovos com cuidado, mas também entende que, com esforço compartilhado, é possível criar momentos especiais para as pessoas que amamos.
Dentro dessas pequenas tarefas, existe algo ainda maior sendo cultivado: a noção de que o mundo não gira em torno de nós, mas que somos parte de um todo, onde cada peça é importante. E isso, no fundo, é ajudar a promover a empatia, a responsabilidade, a proatividade. Um dia, nossos filhos vão crescer, se tornar adultos e enfrentar desafios muito maiores do que guardar um brinquedo ou arrumar o quarto. Eles vão, assim como nós, encarar um mundo que vai exigir deles escolhas conscientes, iniciativas positivas e a capacidade de enxergar além das próprias vontades e necessidades.
O que você gostaria que seu filho carregasse dentro de si nesses momentos? É importante que façamos essa reflexão. Eu gostaria que os nossos filhos tivessem a certeza de que os passos deles, por menores que sejam, podem estar alinhados a algo maior, algo que pode transformar o mundo para melhor.
A prática deve começar dentro de casa, no ambiente familiar, com os pequenos gestos que parecem tão cotidianos. Cada vez que damos espaço para que nossos filhos entrem em cena (e, sim, isso pode exigir paciência, porque nem sempre as coisas saem como planejamos), nós sinalizamos que confiamos neles e em seu potencial. Mostramos que acreditamos que eles têm algo a contribuir sim!
Eu te convido a pensar sobre algo simples que você tenha permitido que seu filho fizesse por conta própria pela primeira vez. Pensou? Você lembra do sorriso e do brilho de satisfação nos olhos dele no final? Então. Isso não é apenas uma demonstração de orgulho por ter conseguido algo novo, mas faz parte do fortalecimento pessoal dos nossos filhos e da compreensão de que o esforço individual faz a diferença.
Como pais, claro, a nossa jornada é lembrar disso diariamente, mesmo com a nossa rotina corrida. Precisamos ensinar através das vivências, e não apenas das palavras. É o nosso dever mostrar que todos nós, pais e filhos, temos importantes papéis a cumprir. E que esses papéis podem ser, muitas vezes, representados por pequenas ações. A lição de casa que nos ensina disciplina, o cuidado com uma planta que nos aproxima da natureza, ou até o preparo de uma refeição que nos mostra o que nos sustenta e o que nos dá saúde. Precisamos mostrar que cada processo tem importância e valor. E que esses processos dependem da ação de cada um de nós.
Que oportunidades podemos oferecer hoje aos nossos filhos para que eles se sintam partes atuantes no mundo? Pode ser algo trivial como ensinar a guardar os sapatos no lugar certo ou ajudar a separar o lixo reciclável. Não importa! O que vale, de fato, é o que está por trás disso: o senso de que o que fazemos, mesmo que simples, tem valor. Crescer com essa consciência vai ajudar nossos filhos a se tornarem adultos mais fortalecidos, sensíveis e dispostos a contribuir positivamente onde quer que eles estejam.
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Se você tem dúvidas, quer comentar ou ir mais a fundo em algo que eu pontuei aqui, clique abaixo e vamos conversar mais sobre esse tema.
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Obrigada e até a próxima!
Apresentação
No mundo real, a mulher é um ser multifacetado. Seu papel na família a faz ser mãe, esposa, gestora, educadora, amante, amiga, aquela que tende a cuidar de tudo e de todos. Os desejos profissionais e os familiares às vezes se esbarram, doutras se encaixam, e nem sempre se completam. Tanto que, normalmente, às mulheres tendem a dominar a arte do multiplicar-se. Mas, mesmo dando conta do mundo, é preciso também dar conta de si.
Por tudo isso, o Clube Orekare abre as portas para Janaina Mendes, uma mulher que é mãe, esposa, advogada e que tem um olhar treinado para a justiça e o comportamento humano. Ela dedica sua trajetória a ajudar mulheres a romperem ciclos de sobrecarga e a resgatarem sua identidade. Sua missão é guiar famílias para um lugar de equilíbrio emocional e cooperação mútua através da renovação da mente e do autoconhecimento.
Janaina tem feito uma poderosa diferença para a vida de inúmeras mulheres e o desenvolvimento emocional de suas famílias. Em seu primeiro artigo no Clube, ela traz um tema importantíssimo e que faz parte do cotidiano feminino:
A Armadilha da Mulher-Maravilha.
Ouça ou leia a seguir.
Zarhi El Malek
Durante décadas, a sociedade construiu um ideal silencioso de força feminina: a mulher que dá conta de tudo. Ela trabalha, organiza a casa, cuida da rotina dos filhos, resolve problemas, administra conflitos e mantém o funcionamento da família. É admirada por sua eficiência, sua capacidade de antecipar necessidades e sua habilidade de manter tudo sob controle.
Muitas vezes, ela é chamada de guerreira. No entanto, por trás dessa imagem existe um fenômeno cada vez mais discutido nos consultórios e divas: a Síndrome da Mulher-Maravilha — o padrão de mulheres que assumem responsabilidades excessivas e passam a sustentar praticamente sozinhas a dinâmica familiar e emocional ao seu redor.
O que começa como dedicação pode, com o tempo, transformar-se em sobrecarga emocional, mental e física. E há um aspecto ainda menos discutido dessa dinâmica: quando uma mulher assume tudo, ela pode acabar impedindo que os outros amadureçam e experimentem os seus próprios processos na vida.
A MULHER QUE FAZ TUDO
Em muitas famílias, esse padrão se estabelece lentamente.
A mulher resolve porque é mais rápido.
A mulher organiza porque é mais eficiente.
A mulher assume porque quer evitar conflitos.
Antecipar problemas parece mais fácil do que delegar. Com o tempo, cria-se um sistema invisível: todos passam a depender daquela pessoa que sempre resolve.
O marido se acostuma.
Os filhos se acostumam.
A casa inteira se acostuma.
E a mulher se torna o centro operacional da família.
O problema é que nenhum ser humano foi projetado para sustentar sozinho um sistema inteiro.
O PARADOXO DA SOBRECARGA
Existe um paradoxo importante nesse processo. Quanto mais uma pessoa assume responsabilidades, menos os outros aprendem a assumir as suas próprias.
Isso não acontece necessariamente por egoísmo ou negligência. Em muitos casos, é apenas uma adaptação ao ambiente. Somos seres completamente adaptáveis e o nosso cérebro ama conforto.
Se alguém sempre resolve, os outros param de resolver.
Se alguém sempre organiza, os outros deixam de organizar.
Sem perceber, a mulher sobrecarregada acaba criando um ambiente onde todos dependem dela. E esse padrão tem um efeito colateral importante: ele interrompe processos naturais de amadurecimento.
Filhos deixam de desenvolver autonomia.
Parceiros deixam de assumir responsabilidades.
E a própria mulher passa a viver em um estado constante de exaustão.
QUANDO PEDIR AJUDA PARECE IMPOSSÍVEL
Um dos traços mais comuns em mulheres que vivem esse padrão é a dificuldade de pedir ajuda. Elas ajudam com facilidade. Resolvem problemas com agilidade. Encontram-se sempre disponíveis para todos.
Porém, quando precisam de apoio, muitas vezes não sabem como pedir. Pedir ajuda pode parecer fraqueza. Isso acontece porque, ao longo dos anos, sua identidade foi construída em torno do papel de quem sustenta, organiza e resolve.
Entretanto, na realidade, pedir ajuda é um sinal de maturidade emocional.
A HISTÓRIA DE CRIS
Cris cresceu com uma experiência emocional marcante. Quando ela tinha sete anos, seu pai saiu de casa. Para uma criança, experiências de abandono costumam gerar perguntas profundas sobre pertencimento e segurança.
Sem perceber, Cris passou a desenvolver um padrão: tornar-se extremamente útil, resolutiva e presente para as pessoas ao seu redor. Era uma forma inconsciente de garantir vínculos.
Na vida adulta, esse padrão apareceu com força em seus relacionamentos. Em seu casamento, ela assumiu praticamente todas as responsabilidades da casa e da rotina familiar. Trabalhava fora, organizava a casa, resolvia problemas e sustentava a dinâmica da família. O marido, pouco a pouco, se acostumou a depender dela para praticamente tudo. O desgaste foi crescendo até que o relacionamento terminou.
Alguns anos depois, Cris iniciou um novo relacionamento. Desta vez com alguém mais maduro e consciente. Ela acreditava que agora seria diferente. Mas algo curioso começou a acontecer. Sem perceber, ela novamente assumiu todas as responsabilidades.
Com o marido.
Com os filhos.
Com a rotina da casa.
Foi então que surgiu uma percepção importante: não eram apenas as pessoas que reproduziam o mesmo comportamento, mas ela também estava recriando o mesmo padrão.Esse momento de consciência marcou o início de um processo de mudança.
O PROCESSO DE LIBERTAÇÃO
A mudança começou quando Cris percebeu que não precisava mais sustentar tudo sozinha. Ela passou a delegar tarefas. Aprendeu a tolerar que algumas coisas não fossem feitas imediatamente. Permitiu que os outros assumissem responsabilidades.
No início, isso gerou desconforto. Contudo, com o tempo, algo começou a mudar.
Os filhos começaram a assumir tarefas. O marido passou a contribuir de forma mais ativa com as responsabilidades. E a dinâmica da casa começou a se reorganizar. O que antes parecia força começou a dar lugar a algo mais saudável: equilíbrio.
A EXPLICAÇÃO DA PSICOLOGIA E DA NEUROCIÊNCIA
O psicólogo Daniel Goleman, referência mundial em inteligência emocional, explica que padrões emocionais repetidos acabam se transformando em formas automáticas de agir nos relacionamentos.
Estudos sobre inteligência emocional comprovam: muitos comportamentos adultos são moldados por experiências emocionais vividas na infância. Portanto, uma pessoa que aprendeu desde cedo que precisava ser forte ou necessária para se sentir pertencente ou aprovada, pode desenvolver um padrão inconsciente de assumir responsabilidades excessivas.
A neurociência também ajuda a explicar esse processo. A pesquisadora Caroline Leaf descreve que comportamentos repetidos criam caminhos neurais no cérebro. Quanto mais um comportamento é praticado, mais natural ele se torna. Por isso, muitas mulheres continuam assumindo tudo, mesmo quando já estão exaustas.
O cérebro aprendeu que esse é o modo de funcionamento.
A mesma ciência, no entanto, também mostra algo encorajador: o cérebro possui capacidade de reorganização. Novos hábitos, novas decisões e novas formas de lidar com responsabilidades podem gradualmente criar novos caminhos mentais.
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES
A sobrecarga feminina, os padrões emocionais que a sustentam e as dinâmicas familiares que se formam ao redor dela são questões profundas, que envolvem história de vida, experiências emocionais, culturais e estruturas relacionais. Portanto, não é minha intenção esgotar um tema que, na verdade, é muito mais complexo do que qualquer artigo poderia abarcar.
Se você se identifica com tudo que apontei até aqui, saiba: muitas vezes existem raízes que geram esse comportamento. Podem ser feridas antigas, experiências de rejeição, medo de abandono ou, simplesmente, o hábito desenvolvido ao longo dos anos de resolver tudo para todos. Com o tempo, o fazer constante pode se tornar quase um vício silencioso, uma forma de se sentir necessária, pertencente ou segura.
Por isso, o objetivo deste texto não é apresentar respostas definitivas, mas abrir um espaço para a consciência. Afinal, o primeiro passo para qualquer mudança real é enxergar aquilo que antes passava despercebido.
Muitas mulheres passam anos vivendo dentro desse padrão sem sequer perceber que estão presas a ele. A rotina se automatiza, o excesso de responsabilidade se normaliza e a sobrecarga passa a ser interpretada como parte inevitável da vida adulta.
Este artigo é um convite à lucidez. Romper ciclos de uma vida inteira não é algo que acontece do dia para a noite. Se você se reconheceu nessas linhas, saiba que o primeiro passo é a conscientização, a percepção de como você tem vivenciado esse lugar. O segundo, é entender que você merece descanso tanto quanto merece amor.
E, quando essa consciência chega, nasce também a possibilidade de buscar ajuda seja através de apoio emocional, orientação profissional, práticas de autocuidado ou novas formas de organizar a vida e as relações.
No entanto, todo processo de mudança começa com um momento simples e poderoso: o momento em que alguém finalmente percebe que não precisa continuar vivendo da mesma maneira. E, muitas vezes, é nesse instante que um novo caminho começa a se abrir.
TENHA SEMPRE EM MENTE
Famílias saudáveis não são aquelas em que uma pessoa faz tudo. São aquelas em que existe cooperação. Em que cada pessoa aprende gradualmente a assumir responsabilidades, lidar com desafios e amadurecer por meio dos processos da vida.
Quando uma mulher deixa de carregar tudo sozinha, ela não está abandonando seu papel, mas criando espaço para que outros também cresçam.
Considere que este é um convite para que não apenas mulheres, mas seus maridos, parceiros e famílias possam reconhecer dinâmicas, refletir sobre seus próprios padrões e perceber que talvez precisem de alguns ajustes.
CONCLUSÃO
Durante muito tempo, muitas mulheres acreditaram que precisavam ser fortes o tempo todo. Muitas de nós ainda acreditam que:
Precisavam resolver tudo.
Precisavam organizar tudo.
Precisavam antecipar tudo.
Precisavam sustentar tudo.
Mas a vida não foi desenhada para ser carregada por uma pessoa só.
Quando alguém assume responsabilidades demais, inevitavelmente outras pessoas deixam de assumir as suas. E o que parece cuidado pode, sem perceber, interromper processos importantes de crescimento.
Talvez a verdadeira maturidade não esteja em fazer cada vez mais. Talvez esteja em aprender algo mais difícil: confiar, delegar e permitir que cada pessoa atravesse o seu próprio processo.
Quando uma mulher deixa de carregar tudo sozinha, algo surpreendente acontece.
A família se reorganiza.
As responsabilidades se distribuem.
E a vida volta a encontrar equilíbrio.
E, pela primeira vez em muito tempo, ela descobre que não precisa ser uma super-heroína para ser uma mulher extraordinária, amada e pertencente.
Você já parou para pensar que a conexão entre pais e filhos não é algo que acontece automaticamente? Isso pode parecer um pouco estranho, porque muitos de nós crescemos acreditando que o simples fato de sermos pais ou mães seria o suficiente para criar um vínculo forte e saudável com nossos filhos. Mas, na verdade, sabemos que não é bem assim que funciona.
Quanto mais eu acompanho crianças e famílias na prática clínica, mais eu me certifico de que a conexão não é um “presente” que recebemos pelo fato de sermos pais ou mães. A conexão com nossos filhos é um processo contínuo de construção, feito de momentos pequenos, vivenciados diariamente. Minha intenção aqui é te convidar a fazer uma reflexão. Pra que possamos, de coração aberto, identificar que pontos podemos melhorar, como pais, no que diz respeito às nossas relações familiares.
Eu acredito que a conexão verdadeira entre pais e filhos é fruto de intencionalidade. Esse esforço não apenas fortalece os laços, mas transforma a dinâmica familiar como um todo. Famílias conectadas são mais amorosas, cooperativas e felizes.
Conexão é muito mais do que nos relacionarmos ou estarmos juntos no mesmo lugar. É sobre estarmos presentes, de forma íntegra, nos momentos que passamos juntos. É sobre olharmos nos olhos dos nossos filhos, ouvi-los com atenção, demonstrando interesse real pelo mundo deles. Quando nos conectamos verdadeiramente, estamos ajudando a criar um ambiente onde nossos filhos se sentem compreendidos, apoiados e amados do jeito que eles são.
“Mas não deveria ser natural?” ou “Por que é tão difícil algumas vezes?” são dúvidas que vêm à nossa mente. A resposta está na dinâmica que vivemos hoje como sociedade. Em muitos momentos, nossa rotina é corrida demais e temos a sensação de que não temos tempo para fazer tudo que precisamos fazer. Estamos sempre com pressa, preocupados, cheios de afazeres. E, nesse caos, acabamos nos desconectando, mesmo sem perceber. Momentos em que estamos verdadeiramente presentes acabam sendo poucos.
Antes que você se desanime, eu te afirmo, por experiência, que sim, é possível mudar essa realidade!
A conexão entre pais e filhos pode ser resgatada a qualquer momento. Basta querer (e fazer) pequenas mudanças na maneira como nos relacionamos.
Nossos filhos precisam saber que estamos disponíveis, não apenas fisicamente, mas emocionalmente. Dedicar pelo menos 10 ou 15 minutos por dia para estar com eles, sem distrações, é uma decisão que todos nós podemos tomar e tentar praticar diariamente. Quem puder ampliar esse tempo, melhor ainda!
Mas quando eu falo em disponibilidade, o celular precisa ser deixado de lado, assim como os e-mails, as preocupações. Sei que não é fácil, mas é uma decisão, para que, de fato, possamos desfrutar de um tempo de total atenção. O que faremos neste momento de dedicação pode variar, não tem regras. Pode ser uma conversa, uma brincadeira, uma refeição, um passeio, uma caminhada, qualquer coisa mesmo. O importante é fazer isso de forma verdadeira e intencional.
Outro ponto fundamental é praticar a escuta ativa. Quantas vezes não ouvimos de verdade nossos filhos quando estamos ocupados com outras coisas? A escuta ativa é olhar nos olhos e prestar atenção genuína ao que eles estão dizendo, sem interromper. Quando fazemos isso, nossos filhos percebem que o que eles dizem importa e que nós valorizamos o que eles pensam e sentem.
Participar mais ativamente da vida dos nossos filhos também é muito importante. Demonstrar interesse real sobre o que eles gostam, mesmo que sejam coisas aparentemente simples para nós. Pode ser uma brincadeira com bonecos, jogar videogame, desenhar, não importa. Essa entrega é um ato de amor e também gera uma conexão profunda.
Outra dica é não esquecermos de validar os sentimentos dos nossos filhos. Assim como nós, eles também enfrentam dias difíceis, e mesmo que as emoções deles pareçam exageradas para nós, são reais e importantes. Saber que são compreendidos vai ajudá-los a construir uma base emocional mais sólida.
Você percebe que a conexão verdadeira pode ser criada várias formas? Nós, como pais, podemos buscar conhecimento, estudar, aprender cada vez mais sobre parentalidade e educação socioemocional familiar. Aqui, eu citei algumas formas de como você pode buscar essa conexão com seu filho, mas o ponto crucial é nós tomarmos essa decisão! Quando decidimos, apesar das dificuldades do dia a dia, que vamos estar presentes, ser intencionais e valorizar os momentos de troca com nossos filhos, tudo muda! Por isso, eu convido você a começar hoje!
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Obrigada e até a próxima!
Olá!
Como vai você?
Tudo bem? Espero que sim!!
E hoje, chegamos à última das 3 entregas dos capítulos que compõem o livro “NÓS - Um breve resumo dos nós que nos unem”. Nesta terceira parte seguimos falando sobre a herança afetiva que recebemos dos nossos pais e antepassados, e como isso, realmente, gera impactos conscientes e inconscientes tanto para nós como para as gerações seguintes.
Nos capítulos anteriores, vimos que:
* Legado emocional é a marca que uma pessoa deixa em outras ao longo da sua vida e que permanecerá após a sua morte. Estamos falando de raízes emocionais profundas, sentimentos de tão longo prazo que passam de uma geração para outra.
* Esse legado é composto por memórias, sentimentos, valores, hábitos e visão de mundo, transmitidos e perpetuados nas relações pessoais através de ações, palavras, ensinamentos e atitudes.
* Na prática, isso molda a base das nossas relações familiares, pois é sobre a forma como uma pessoa faz as outras se sentirem e se verem, gerando influência positiva ou negativa no bem-estar emocional da sua família, amigos e até comunidade.
Portanto, podemos dizer que a parentalidade é o alicerce desse processo, porque:
Somos uma expressão de tudo que aprendemos de forma consciente ou inconsciente, geração após geração. E isso vale para princípios, comportamentos e todas as áreas da nossa existência.
Como Clube Orekare, entendemos a urgência de ampliar a compreensão dessa bagagem que cada um de nós carrega em si. Precisamos aprofundar o entendimento do que recebemos das nossas famílias para identificar se há feridas ou curar dores que estejam, de alguma forma, atuantes em nossos relacionamentos.
À medida que aprendemos sobre isso, nos tornamos capazes de gerar um impacto mais saudável e poderoso para a nossa saúde emocional e a das próximas gerações.
Essa é uma necessidade urgente, para todos nós.
Vamos lá!!
CAPÍTULO 5
A TED (Technology, Entertainment, Design), organização sem fins lucrativos é uma entidade dedicada à disseminação de ideias, geralmente na forma de palestras curtas e poderosas. Em 2012, para sua conferência nominada TEDGlobal, o tema escolhido foi “Radical Openness” (Abertura Radical). O objetivo era explorar como a transparência e a conectividade estavam remodelando negócios, ciência, governo e outros campos.
Naquele ano o evento aconteceu em Edimburgo, capital da Escócia. Como de praxe, recebeu grandes nomes e atraiu uma audiência global com palestras sendo vistas por milhões de pessoas in loco, online, ajudando a disseminar ideias inovadoras e inspiradoras.
Dentre os palestrantes daquela edição estava Amy Cuddy, que naquele dia, ao subir ao placo em Edimburgo, com certeza não imaginava que se tornaria o exemplo perfeito de como mais que do uma ideia, uma história redentora, pode capturar a imaginação global e influenciar o comportamento e as práticas de milhões de pessoas.
A palestra de Amy era sobre linguagem corporal. Ela subiu ao palco e apresentou suas descobertas sobre como “poses de poder” podem aumentar a confiança e influenciar os níveis hormonais, levando as pessoas a se sentirem mais poderosas e assertivas. Ela nos mostrou que a forma como decidimos nos posicionar corporalmente pode mudar nossas mentes, assim como nossas mentes podem mudar nosso comportamento e nosso comportamento nosso destino.
Até aí, era mais uma psicóloga comportamental falando coisas muito interessantes. Por exemplo, ela mostrava como, ao escolhermos nos colocar em uma posição corporal mais confiante, esse gesto influencia positivamente a forma como nos sentimos e até aumenta nossas chances de sucesso.
Até que ela disse:
“Quando falo isso para as pessoas elas me dizem: Isso parece falso. Eu digo: finja até conseguir. E as pessoas respondem: não, isso não sou eu.... não quero conseguir e me sentir uma fraude. Não quero conseguir para depois não sentir que eu não deveria estar ali”.
Diante desse dilema, Amy decidiu contar sua própria história. Aos 19 anos, enquanto estudava na Universidade do Colorado, ela sofreu um grave acidente de carro que resultou em uma lesão cerebral traumática. Os médicos disseram que ela não conseguiria recuperar plenamente suas capacidades cognitivas e que, portanto, deveria desistir da carreira acadêmica, pois aquilo já não era mais para ela.
Na infância, Amy havia sido reconhecida como superdotata devido ao seu alto QI. Ao receber esse diagnóstico, ela saiu da faculdade e sentiu como se sua identidade tivesse sido roubada, por isso decidiu não desistir.
Determinada, insistiu. Voltou a estudar e levou quatro anos a mais que seus colegas para formar-se. Depois, buscou com todas as suas forças e conseguiu uma vaga para um doutorado em psicologia social na Universidade de Princeton. Contudo, mesmo em meio a todas essas conquistas, ela ainda não se sentia dona do seu lugar, e lá no fundo acreditava no que tinha ouvido aos 19 anos: ela não daria conta, não deveria estar ali, era uma impostora.
Quando, ao final do seu 1ª ano em Princeton, foi informada que deveria discursar para 20 pessoas por 20 minutos, ficou aterrorizada. A luta solitária precisava agora ser validada publicamente. Diante de toda a insegurança contra a qual ela lutava há anos todos os dias, na véspera do seu discurso, Amy desabou e concluiu: não posso mais.
Ao informar a sua orientadora que se sentia uma fraude por estar em um lugar onde teoricamente não deveria estar, ela ouviu a seguinte resposta: “Você vai ficar e é isso que você vai fazer: você vai fingir. Você vai fazer todos os discursos que te pedirem, você vai fazer, fazer e fazer, mesmo que se sinta aterrorizada e paralisada, até o momento em que você disser: Meu Deus! Eu estou fazendo! Eu me tornei isso agora!
Foi o que ela fez.
O resultado? Ela não apenas concluiu seu doutorado em psicologia social na Universidade de Princeton, mas fez da sua própria experiência de dúvidas e superação pessoal seu objeto de estudo. E foi sua pesquisa sobre confiança, poder pessoal e linguagem corporal, que a tornou uma referência global e autora best seller em sua área de atuação.
Mas, atenção!! Fingir até conseguir não é mentir para si mesmo. Pelo contrário! O que a história dela nos mostra é que:
Ao encontrar em você aquilo que você sabe que está lá, mas tem enorme dificuldade em acreditar - que está preso, escondido embaixo do medo de não ser validado - fingir acreditar gera uma mudança de mentalidade, que nos exercita de dentro para fora, até sermos capazes de realmente acreditar.
Essa palestra de Amy Cuddy tornou-se uma das mais vistas na história do TED, acumulando mais de 70 milhões de visualizações e ajudando a popularizar suas pesquisas sobre a influência da linguagem corporal na confiança e nos sentimentos de poder pessoal.
Seu caminho de recuperação diante de um fato trágico, sua batalha contra a síndrome do impostor e sua ascensão final nos mostram como narrativas redentoras são poderosas. O sucesso da palestra que acabei de citar é resultado de uma história capaz de influenciar positivamente outras histórias. É a jornada pessoal de Amy e a forma como ela transformou algo trágico, limitante e falso, em uma jornada de superação e conquistas, que ressoa poderosamente em milhares de pessoas.
Essa é uma verdade milenar. Se olharmos, por exemplo, para a Bíblia e observarmos alguns textos, encontraremos o princípio que já anunciava o que acabamos de falar: a renovação da mente.
Para o cristão que tem conhecimento bíblico, não há como viver uma nova vida em Cristo - que é a proposta do cristianismo - sem uma renovação de mente que leve à cura emocional e ao crescimento espiritual.
Vamos entender esse princípio à luz do conhecimento.
Apesar do tema estar presente nos manuscritos mais antigos e na cultura oral judaica, o verso bíblico mais famoso nesse contexto está no livro de Romanos, no capítulo 12, verso 2a, que diz: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente...”
Paulo de Tarso é quem escreve. Nascido em Tarso, uma cidade da Cilícia (atual Turquia), era um judeu helenizado. Isso significa que ele tinha uma formação que combinava elementos da cultura judaica, romana e grega (cultura helenizada). Era profundo conhecedor das leis e escrituras hebraicas e também conhecedor da cultura, filosofia e retóricas romanas e gregas.
Por seu conhecimento profundo em múltiplas áreas, seu histórico educacional e intelectual e sua enorme influência global até os dias de hoje, ele facilmente seria considerado uma figura acadêmica super prestigiada por suas contribuições em diversas áreas de estudo, cujas obras moldaram campos inteiros do conhecimento. Algo similar a alguém com múltiplos doutorados ou um PhD com um escopo interdisciplinar. Praticamente um ninja intelectual.
O que Paulo nos afirma é que toda transformação mental é um processo contínuo de mudança de pensamento e perspectiva, que nos leva a uma nova visão interior e exterior.
Os estudos científicos de McAdams (citados no capítulo 4) e Amy Cuddy confirmam o que Paulo e as mais antigas tradições escritas e orais sobre autoconhecimento afirmam: a partir de pequenas decisões, podemos reconfigurar nosso cérebro para gerir de forma mais eficiente nossas emoções. Contudo, isso exige esforço tanto para alcançar quanto para manter resultados eficientes.
Juntos, eles nos confirmam de formas diferentes a mesma verdade:
Quando entendemos nosso poder de decisão - se formos perseverantes, determinados, curiosos e dispostos a seguir mesmo quando o caminho parece ser assustador -, nos tornamos donos da nossa própria narrativa e capazes de reescrever nosso legado emocional.
Para assistir a palestra de Amy Cuddy na íntegra, click AQUI.
CAPÍTULO 6
Até aqui falamos muito sobre como o que recebemos nos impacta. Agora, preciso deixar bem claro algo a seu respeito:
A forma como você escolhe lidar com seus sentimentos ao identificar traumas intergeracionais definirá não apenas a sua história, mas influenciará profundamente a da sua família, dos seus filhos e, de alguma forma, também alcançará até mesmo pessoas à sua volta.
Contudo, essa é uma decisão exclusivamente sua.
Gerenciar isso também definirá sua capacidade de enfrentar adversidades e o impacto que elas terão na sua identidade e no seu bem-estar emocional. Digo mais, podem até se tornar trampolins para o seu crescimento pessoal.
Qual é a sua história??
Como você a conta para si mesmo?
Como conta para os outros?
O que você sente e pensa quando fala, ecoa ainda mais alto em seu coração.
Após ler este livro, procure identificar se há algo emocional negativo em você. Tenha isso sido recebido como legado ou não, é sua responsabilidade desejar a mudança e trabalhar em prol dela. À medida que perseverar nesse caminho, vivenciará pequenos romperes que o ajudarão a superar aquilo que trava e limita. É assim que todos nós alcançamos grandes mudanças.
Essa decisão também definirá o que você deixará como herança emocional.
As histórias da minha mãe e do meu pai também me ensinam o que devo deixar no passado. Sem culpa, escolhendo amá-los, determinando o tipo de influência que decido aceitar e observando suas falhas como parte de tudo que posso aprender e ajustar em mim.
É responsabilidade minha determinar como quero contar a minha própria história. Sem mentiras, justificativas ou devaneios, mas tendo clareza sobre como todas essas coisas, verdadeiramente, podem se tornar positivas e contribuir a meu favor.
Os erros emocionais deles (meus pais) não foram propositais, ao mesmo tempo em que suas ações foram escolhas. Mal sabiam o quanto precisavam aprender mais sobre si para serem libertos dos seus mais profundos lugares de dor, que se tornaram palavras ofensivas, ações negativas e perdas significativas. Eles sofreram os danos e pagaram um preço alto por isso.
Mesmo diante dos maiores desafios pessoais que enfrentamos, está em nossas mãos gerir nossos sentimentos. Isso não significa ignorá-los, pelo contrário. Precisamos reconhecê-los para lidar devidamente com cada um deles, ou tendemos a nos esconder em justificativas dominadas por nossas próprias emoções.
Se você é mãe ou pai, essa responsabilidade vai além de você. Neste exato momento, tudo aquilo que você faz ou diz, a forma como se expressa física e emocionalmente, afeta diretamente a forma como seus filhos se sentem em relação a você e a eles mesmos. Não esqueça: uma parte de você permanecerá neles. Qual será ela?
Esse pequeno livro contém verdades, mas não se configura como um manual. Os passos básicos para se auto perceber começam na sua própria observância e já foram citados varias vezes ao longo dos capítulos anteriores (especialmente no inicio do 3º).
Antes de partir, quero te lembrar algumas definições sobre poder pessoal. Algumas falam sobre “ser quem sou”, outras sobre “não entregar a ninguém ou a nenhum acontecimento a capacidade de influenciar seu comportamento”. Gosto, especialmente, da que diz: “poder pessoal envolve o desenvolvimento de habilidades emocionais, mentais e comportamentais que permitem que um indivíduo viva de maneira autêntica, realizada e com impacto positivo em sua própria vida e na vida dos outros”.
Aprendi que, para me sentir satisfeita e segura em ser quem sou, precisava viver uma jornada aberta a revisitar meu coração a cada nova fase, novo desafio, com honestidade e disposta a ajustar o que encontrar.
Os julgamentos e opiniões à nossa volta seguirão ativos e são intrometidos. As pessoas continuarão a dar pitacos na nossa vida, algumas nos ofenderão e decepcionarão, outras nos surpreenderão positivamente. Com certeza, seremos julgados por alguém com ou sem intenção. Ajudados por quem esperamos ou nunca imaginaríamos.
Teremos altos e baixos, dúvidas e desafios. Haverão dias de tristeza e alegria, festa e choro, conquistas e perdas.
Por outro lado, nós também ofenderemos e julgaremos outras pessoas com ou sem intenção. Daremos pitacos concordantes ou discordantes sobre a vida alheia. Magoaremos ou acolheremos, amaremos ou afastaremos as pessoas mais bacanas. Diremos coisas gentis e empáticas, mas também falaremos coisas danosas sem nem perceber que estamos machucando até quem amamos.
Somos imperfeitos.
Entretanto, podemos ser melhores a cada dia, independente dos outros.
Também podemos deixar para trás os fardos emocionais pesados que tanto nos machucam.
Essa é uma decisão individual.
Por fim, lembre-se: consciente de tudo isso, o legado emocional que você deixará pode ser gentil, amoroso e vai impulsionar quem o receberá.
Os seus e o mundo à sua volta, agradecem.
O LIVRO TERMINA AQUI, MAS A IDEIA É QUE AO LÊ-LO ELE POSSA GERAR EM VOCÊ RECOMEÇO!
RELEIA-SE!!
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Nos vemos na próxima semana,
Até lá!
Olá! Tudo bem?
Como está você? Espero que bem!
Hoje, vamos entrar na 2ª parte da entrega sobre Legado Emocional. Como ja informei aqui, este é um livro que escrevi especialmente para o Clube Orekare e que aborda a importância desse tipo de legado familiar.
Afinal, quero te lembrar que:
Somos uma expressão de tudo que aprendemos de forma consciente ou inconsciente, geração após geração. E isso vale para princípios, valores, comportamentos e todas as áreas da vida; por toda a nossa vida.
Assim, partindo do princípio de que relações familiares saudáveis são a resposta mais eficiente para prevenir transtornos mentais e promover uma sociedade equilibrada, este é um convite a reconhecermos onde nos tornamos vulneráveis devido a tudo que vivemos e experimentamos em família.
Consciente ou inconscientemente, para cada dor vivenciada em nossos lares, ao compreendermos o legado emocional que recebemos - acredite! - podemos curar feridas antigas, algumas até esquecidas, e nos tornarmos emocionalmente mais fortes, saudáveis e seguros, capazes de multiplicar saúde emocional para nossos filhos, entorno, e, inclusive, para as próximas gerações.
Vamos agora para os Capítulos 3 e 4 do livro “NÓS - Um breve resumo dos nós que nos unem”.
CAPÍTULO 3
Não sei você, mas quando me pego em rodas de conversas sobre problemas familiares, comumente, ouço mais sobre os erros de pais, irmãos, tios e avós do que os de quem está me contando a sua versão dos fatos.
Geralmente, são histórias que expressam tipos de comportamentos e que, quando negativos, ouvimos do narrador:
“Ah, eu nunca farei, ou faria isso assim”.
“Ele (a) isso ou aquilo”.
“Eu quero distância disso ou daquilo”.
“Vou criar meus filhos assim, assado”.
“Deus me livre disso!”.
Essas são frases que também já me peguei repetindo porque é mais fácil olhar para o que está quebrado, torto ou errado, no outro.
O núcleo familiar é o nosso ponto base para o despertar dos nossos valores, princípios e identidade.
A primeira briga? Em casa.
O primeiro perdão? Em casa.
Hierarquia? Aprendemos em casa.
Habilidades de relacionamento? Tudo começa em casa, na sua família!
Agora, pensa comigo: se tudo que vivenciamos e aprendemos no nosso ambiente familiar é parte de quem somos, qual é o legado que recebemos?
Para identificá-lo precisamos nos voltar para a observância. Mas, muita calma! Para olhar em volta desarmados e em busca de respostas, sugiro que comecemos nos olhando por dentro, de forma honesta. Depois, diante do que encontrarmos em nós, poderemos começar a olhar para trás com mais saber e percepção.
Procure lembrar histórias que você conhece da sua família.
Pense um pouco sobre valores e crenças herdados.
Como você avalia que traumas ou dificuldades vivenciadas por seus pais ou avós impactam na sua visão de mundo.
Rememore suas experiências familiares mais marcantes.
Encontrou dores? Nomine-as.
Sentimentos ou percepções sobre si negativos ou distorcidos? Identifique-os.
Dar nome nos ajuda a compreender contra o que estamos lutando.
Há rejeição? Insegurança? Medos?
Quais?
Culpa? Vergonha? Ansiedade?
Consegue identificar alguma conexão entre seus achados e seus familiares?
Vou dar um exemplo.
Comecei a perceber como repetidas vezes, nas minhas relações afetivas, tive enorme dificuldade em confiar. Não estou falando do medo de ser traída, mas de confiar no outro. Sem confiança, você pisa em ovos o tempo todo. Quando acreditamos que a qualquer momento algo vai quebrar… quebra!
No meu caso, comecei a me perguntar de onde vinha isso. Que quebra poderia ter sido a raiz dessa incredulidade na confiança de quem alega me amar?
Hoje sei exatamente o momento em que minha relação de confiança com minha mãe foi quebrada. Eu devia ter uns 4, 5 anos, estava sentadinha no vaso sanitário, lendo revistinha em quadrinho no banheiro, quando minha mãe entrou brigando comigo e pela 1ª vez me bateu.
Minha mãe nunca havia me batido antes e nem tenho memória dela ter me batido depois. Ela nunca fora adepta de palmadas ou surras, os castigos eram seus maiores aliados. Naquele dia, apanhei porque a babá me acusou de algo que eu não fiz, minha mãe acreditou na babá e não em mim.
Lembro dela me contando essa mesma história, como se justificasse o ato e se isentasse da culpa. O vitimismo a cegava para muita coisa. E, inconscientemente, somando isso as questões com meu pai, ao perder nela esse porto seguro, o que se rompeu causou danos silenciosos que encorparam com o tempo. Resultado: por mais que a amasse, nunca consegui ter nela uma amiga, compartilhar sentimentos profundos ou sonhos de vida. Mas o impacto dessa quebra não se limitou apenas a nossa relação, transbordou para um sentimento de desconfiança e de culpa por coisas que eu sabia que não tinha feito, que esteve comigo por muito tempo e contra o qual até hoje tenho que me manter alerta.
Adulta, comecei a entender as camadas presentes nas histórias que ouvia dos meus pais, e eram lá que estavam escondidas muitas das dores e frustrações deles. Comecei a identificar padrões de comportamento e reações emocionais. Só que, para me libertar das dores deles fixadas em mim, seja por seus atos ou palavras, o 1º passo era perdoá-los.
E olha que interessante: existem estudos que comprovam que o perdão está associado a uma melhor saúde mental, incluindo menores níveis de depressão, ansiedade e estresse.
Precisamos assimilar que o perdão é um agente transformador, capaz de nos levar a reinterpretar eventos dolorosos e a filtrar o aprendizado adquirido em meio a dor. Ele começa na decisão de perdoar e à medida que vamos entrando nele, vamos reconhecendo sentimentos de paz, alívio e liberdade emocional.
O perdão é elemento crucial para a redenção porque promove novas perspectivas e transforma experiências negativas em fontes de aprendizado e crescimento. Some a isso o fantástico bônus de reparação de relacionamentos. É isso aí! Você entendeu bem!!
Perdoar gera superação, nos liberando do ressentimento e, até mesmo, do risco de vitimização.
Só que...
Esse é um processo individual, introspectivo, que requer reflexão e, para manter-se saudável, é preciso aprender a gerir seus sentimentos.
O que precisamos ter em mente é que compreender nossas influências é o primeiro passo para aprendermos a lidar com nossos pontos negativos e fortalecer os positivos. Isso nos levará para um maior bem-estar emocional e nos fará crescer em resiliência.
Hoje, quando te conto histórias como estas, isso não me causa desconforto ou gera gatilhos. Acredito mesmo que tudo isso, de alguma forma, soma a meu favor. Gosto do processo de descoberta.
A vida é processual. Às vezes, quando uma memória surge, preciso percebê-la melhor, compreender seu significado. Estou aberta a isso. Se for algo bom, valorizo, guardo com afeto. Se for algo que machuca, quero entender o que isso esconde e arrancar essa raiz danosa. Alguns desses entendimentos demoram mais, outros menos.
Nossa imperfeição também tem seu valor. Afinal, são nossas vulnerabilidades que nos abrem o coração para a empatia quando as reconhecemos nos outros. Algumas pessoas se resolverão sozinhas, outras precisarão de ajuda. E sempre é importante ressaltar que para aquele que têm maiores dificuldades em revisitar ou lidar com memórias danosas, ajuda profissional será fundamental.
A meu ver, de uma forma ou de outra, todos nós, precisamos de ajuda.
Só não esqueça: para receber ajuda, também é preciso querer ajudar-se.
CAPÍTULO 4
Dentre os maiores estudiosos sobre intergeracionalidade está Dan P. McAdams, PhD em psicologia e relações sociais por Havard, professor de psicologia Henry Wade Rogers e professor de desenvolvimento humano e política social na prestigiada Northwestern University.
Sendo um dos principais pesquisadores americanos no campo da psicologia narrativa, McAdams defende que a forma como contamos as histórias das nossas vidas é capaz de moldar nossa identidade e impactar nossa saúde emocional.
Segundo ele, quando traumas são narrados de maneira a incluir um tema de redenção (transformando algo negativo em algo positivo), isso pode promover a resiliência e o senso de crescimento pessoal.
Em contraste, narrativas que enfatizam a contaminação (onde algo positivo é transformado em negativo) podem estar associadas a uma maior vulnerabilidade emocional e dificuldades de enfrentamento.
E isso também se aplica a forma como os pais narram suas experiências traumáticas para os filhos. Por exemplo, pais que utilizam narrativas de redenção, apresentando os traumas a partir de uma perspectiva de superação e crescimento, ajudam a promover resiliência e bem-estar emocional em seus filhos e netos.
E vai mais longe: ele alega que essa transmissão de valores positivos leva a uma modelagem de comportamentos resilientes, e isso é considerado mecanismo chave para explicar como essas narrativas impactam as gerações seguintes.
Mas, como transformar algo negativo em positivo?
Um vitimista ou alguém egoísta, não distorceria algo a seu favor?
Sim, distorceria.
Enquanto o vitimista tende a culpar os outros e dar um maior enfoque na adversidade, o egoísta minimiza suas responsabilidades e exagera em suas qualidades e conquistas, ignorando ou minimizando os aspectos negativos de suas atitudes.
Tanto um quanto o outro tendem a distorcer a realidade como base para suas justificativas. Por isso, não dá para ser saudável emocionalmente sem uma honesta disposição para o autoconhecimento. É ele quem nos mostra como a autoanálise e o equilíbrio andam de mãos dadas.
Parece muito palavreado para pouca solução?
Então, pare um instante e pense naquela história pessoal ou profissional incrível que te inspira. Ela traz uma jornada onde a pessoa enfrenta adversidades, supera desafios e se adapta positivamente, lidando de forma inspiradora com situações difíceis ou traumáticas? Podemos dizer que ela foi contada de forma a nos fazer ver o que era negativo transformar-se em algo positivo? A resposta, geralmente, é sim!
No campo do desenvolvimento humano, todos aqueles que consideramos inspiradores lidaram com desafios pessoais e, é exatamente pela forma como lidaram com isso que nos inspiram. Seu legado emocional vai além dos seus filhos e alcança todos aqueles que olham para suas histórias e aprendem com elas.
Por isso amamos filmes como “À Procura da Felicidade”, com Will Smith, que nos conta a história de Chris Gardner, que enfrentou a falta de dinheiro e até de moradia enquanto criava seu filho sozinho, para desse lugar de desespero se tornar um empresário bem-sucedido. Ou, ‘’Uma Mente Brilhante”, onde Russell Crowe dá vida ao matemático John Nash, mostrando sua luta com a esquizofrenia e sua jornada para ganhar o Prêmio Nobel de Economia.
Há opostos também, homens e mulheres que tiveram grande valor em suas áreas de conhecimento mas que pagaram um alto preço ao colocarem em segundo plano a necessidade de lidar com seus traumas e situações pessoais danosas. Estrelas como Elvis Presley, Ernest Hemingway e Robin Williams são alguns exemplos como dinheiro, fama ou reconhecimento público não amenizam dores emocionais latentes.
Precisamos entender que não há como alguém ser feliz, satisfeito ou, verdadeiramente realizado se estiver quebrado por dentro. Sem restauração não há sustentação, pelo contrário.
A SEGUIR
Você acabou de receber mais dois capítulos do livro “NÓS, um breve resumo dos nós que nos unem”. No nosso próximo encontro, vamos entrar nos capítulos finais desta edição e entender melhor a influência dos nossos sentimentos de poder pessoal na nossa autopercepção e validação. Não perca!
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