Os primeiros trabalhos de Maria Lira com o barro refletem sua comoção diante do sofrimento causado pela grande estiagem e por enchentes na região do Vale do Jequitinhonha na década de 1970. Figuras retorcidas se conformam em massas de argila, muitas vezes assinaladas por palavras que se referem à angústia do povo que resistia naquelas terras e, ao mesmo tempo, enfrentava múltiplas expressões do racismo. Alguns anos depois, Lira começou a desenvolver máscaras, quase sempre femininas, com fisionomias cujos traços evocam sua ancestralidade indígena e negra.