Como todos sabemos, e alguns sabem muito bem, a vida é dura. No Éden, logo
após a queda, quando o Senhor mostrou aos nossos primeiros pais alguns resultados
da transgressão, foram dados alguns indícios de como a vida seria difícil
(veja Gn 3:16-24). No entanto, foram apenas sinais. Afinal de contas, se os únicos
desafios que enfrentássemos na vida fossem os espinhos e cardos, a vida seria radicalmente
diferente de como é hoje.
Olhamos ao redor, e o que vemos senão sofrimento, doença, pobreza, guerra,
crime, depressão, poluição e injustiça? Heródoto, historiador da antiguidade, escreveu
sobre uma cultura em que as pessoas lamentavam – sim, queixavam-se
quando um bebê nascia, porque conheciam a dor e o sofrimento inevitável que
a criança teria que enfrentar se ela atingisse a idade adulta. Parece doentio, mas
quem pode refutar tal lógica?
No livro de Jó, porém, há uma mensagem sobre a condição humana. Como vimos,
o patriarca poderia ser considerado um símbolo de toda a humanidade, no
sentido de que todos nós sofremos, muitas vezes de maneiras que simplesmente
não parecem justas nem adequadas em relação aos pecados que tenhamos cometido.
Não foi justo para Jó e não é justo para nós.
Contudo, em meio a tudo isso, o livro de Jó nos ensina que Deus está conosco.
Ele sabe. Ele afirma que tudo isso não precisa ser em vão.
Escritores seculares e ateus têm dificuldade para aceitar a insignificância de uma
vida que sempre termina em morte. Eles lutam e se esforçam para obter respostas,
porém, não chegam a lugar algum, pois esta vida não oferece nada. Há uma filosofia
ateísta chamada niilismo, que vem de uma palavra latina, nihil, cujo significado
é “nada”. O niilismo ensina que nosso mundo e nossa vida não significam nada.
O livro de Jó, no entanto, mostra uma realidade transcendente, além do nihil
com o qual nossa vida mortal nos intimida. O livro nos mostra Deus e uma esfera
de existência da qual podemos obter esperança. Ele nos diz que tudo o que acontece
conosco não acontece no “vácuo”, mas existe um Deus que sabe tudo o que
ocorre e que promete consertar as coisas no final. Sejam quais forem as grandes
perguntas que o livro de Jó deixa sem resposta, ele não nos deixa apenas com as
cinzas de nossa vida (veja Gn 3:19; Jó 2:8). Em vez disso, ele nos dá a grande esperança
de algo além do que é apresentado aos nossos sentidos.
Quais textos bíblicos afirmam explicitamente que temos uma grande esperança que transcende
tudo o que este mundo oferece? (Veja, por exemplo, Hb 11:10; Ap 21: 2).