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A minha conversa com o bailarino Daniel Pizamiglio começou há 10 anos. Agora, pela primeira vez, experimentámos colocar dois microfones entre nós e ver o que acontecia. O mais recente episódio do Línguas de Gato é uma viagem pela história do Daniel, entre Fortaleza e Lisboa. Mas é também uma panorâmica sobre uma paisagem emocional partilhada. Falámos sobre dança, claro. Falámos sobre espetáculos, claro. E falámos sobre filmes, claro. Mas, acima de tudo, falámos sobre o amor por pessoas com quem já não podemos estar. Uma pessoa. Aquela que nos apresentou um dia. A Mariana Vieira. Como é que se desprivatiza a dor de perder, fora de tempo, alguém que amamos?
O título de “jovem artista” é bem capaz de ser aquele que, depois de aparecer, mais tempo tarda em descolar-se da pessoa. Será isto um entusiasmo prolongado ou é antes um adiar do lugar a que o artista tem direito? O mais recente convidado do Línguas de Gato é Ivo Saraiva e Silva. Jovem ator e jovem pessoa que escreve para teatro (o que, perceberemos, não é bem ser dramaturgo). Tão jovem que celebra este mês o 10º aniversário do jovem coletivo SillySeason. Esta é uma conversa onde vagueamos por estes 10 anos de espetáculos enquanto o país vai a banhos, mas que também passa por assuntos sérios como shots tequila e os famosos papos de anjo de Amarante.
Quando foi lançado, em 2016, o álbum ‘1755’ foi, de facto, um terramoto na cena musical portuguesa. Havia palavras que nunca tinham sido cantadas por cá e que passaram a sê-lo. A responsabilidade é de Rodrigo Vaiapraia, o mais recente convidado do Línguas de Gato. Nesta conversa, que vai à boleia da tour de apresentação do seu mais recente álbum, ‘100% Carisma’, Rodrigo fala-nos sobre as suas canções, sobre o fim da adolescência e sobre o que está agora à procura entre a música e o teatro.
“Fazer arte é ter um desejo quase sôfrego de entendimento.” Foi assim que a mais recente convidada do Línguas de Gato, a artista Isabel Cordovil, abriu esta conversa. Num episódio sem Plano B, falámos sobre engatar polícias no Tinder, sobre o que é isto de se viver em comunidade, e sobre o percurso de uma artista que já passou pelo vídeo, pela poesia, pela instalação, e que tem, na fotografia, a forma de expressão mais contínua. Uma verdadeira “enfant terrible” que abana os alicerces da propriedade privada para ajudar a criar uma nova comunidade artística no centro de Lisboa.
Quando pensamos nela, pensamos em autodeterminação. Vimo-la a atravessar as ruas, em marchas LGBTQI+, e vimo-la também a atravessar as portas do poder com palavras certeiras na defesa dos direitos de pessoas trans. E para falar, não sobre ela, mas com ela, troquemos então agora os pronomes pelos nomes. Alice Azevedo é a convidada deste episódio especial do Línguas de Gato, lançado a 25 de Abril, Dia da Liberdade.
Quando era criança, Bruno Huca encontrou Carmen Dolores no metro de Lisboa. O entusiasmo de miúdo fez com que fizesse de tudo para chamar a atenção da atriz. Ao sair na sua estação, Carmen Dolores despediu-se, dizendo: “este menino tem alma de artista”. Premonitório ou não, o que é certo é que este episódio acompanhou, durante muito tempo, o convidado do Línguas de Gato, que, sim, leva as artes na alma. Vemos isso quando o encontramos no teatro, na música, e também à mesa, onde pratica, no restaurante Moya, outro dos seus talentos: a arte de bem receber. Uma conversa sobre a ponte Lisboa-Maputo, sobre quem nos faz falta, e sobre a presença do Bruno na ópera, no ativismo e na partilha do bem viver.
Aos trinta e três, Keli Freitas voltou a Três Corações, a cidade natal que partilha com Pelé, para visitar o lugar onde viveu os três primeiros anos da sua vida. No sexto episódio do Línguas de Gato, é de três em três que saltamos pelos caminhos da memória, na companhia da dramaturga e atriz, que tem apresentado o seu trabalho pelos teatros de Lisboa, e da qual nos podemos também lembrar dos tempos da Malhação aka New Wave. Colecionadora inveterada de cartas, que encontra em feiras, Keli fala-nos sobre os espetáculos que constrói a partir dos vestígios deixados por outros, sobre o trabalho tantas vezes invisibilizado das mulheres e sobre esse ato da escrita do quotidiano, onde se aproxima da história das pessoas reais.
De génios incompreendidos e votados à miséria está repleto o imaginário que foi criado em torno da “vida do artista”. Mas esse não é, nem deve ser requisito para quem se dedica a inventar novas formas de olhar o mundo. O convidado do quinto episódio do Línguas de Gato, Pedro Barreiro, artista ele próprio e programador do espaço Rua das Gaivotas6, tem, sobre este tema, dedicado muito do seu tempo. Quer seja a olhar para o que está a acontecer à sua volta e assim programar alguns dos nomes mais frescos das artes performativas nacionais, quer integrando esta temática na sua própria investigação. Esta é uma conversa sobre o trabalho dos artistas, sobre sandes de mortadela na madrugada de São Paulo e sobre lugares especiais, como a Taberna Tertúlia do Deboche.
O local de onde vimos, a família que temos e a que escolhemos, os acidentes por que passamos ou os riscos que tomamos. Afinal, o que é que nos define? É com esta questão que partimos à descoberta de Márcia Lança, no quarto episódio do Línguas de Gato. A atriz, performer e criadora fala-nos sobre identidade e sobre as suas “vidas possíveis”, um conjunto de figuras inventadas por si, em papel. Serão alter-egos seus, ou hipóteses de vidas que nos alargam o horizonte? Esta é uma conversa que se vai desenrolando, assim mesmo, num gerúndio que Márcia já não utiliza, mas que está inscrito no seu ADN, e onde se fala sobre teatro, sobre nascer (literalmente), e sobre o que acontece quando nos perdemos.
Filipe Sambado não tem feito mais do que presentear-nos com canções que desenham um folclore do século XXI, sem medo de pintar os lábios com qualquer cor que seja. O cantor e compositor é o convidado do terceiro episódio do Línguas de Gato. Uma conversa que começa por “dar um jeitinho” à política nacional, mas que também mergulha em memórias sobre o mar e reflete sobre as ideias de género e de privilégio. Pelo meio, falamos sobre os imponderáveis da maternidade e da paternidade, sobre sair à noite e sobre ressacas emocionais. E contámos ainda com a imprescindível participação especial de Cecília Henriques, atriz, que saltou para o microfone para desvendar a improvável história do seu encontro com o Filipe.
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