Umas das coisas mais difíceis nesse momento pelo qual estamos passando tem sido, pra mim, lidar com a memória.
Quando se tem um cerceamento da liberdade, e o amanhã ainda não sabemos quando será, olhar para o que já foi parece ser uma forma de se entreter.
Porém, olhar para trás sempre foi algo difícil. O que passou parece ser sempre mais agradável, afinal já não é mais.
Olhar para trás é difícil não porque a memória é ruim, mas porque o presente não é agradável. E o futuro talvez nunca venha a ser. O passado é o que já superamos, o futuro é o que ainda temos que enfrentar. E o presente é onde a ação se encontra.
Olhar para trás tem sido muito difícil. Parece que foi lá que perdi minha alegria.
Sabe aquele momento quando você se despede de uma pessoa querida sabendo que talvez nunca mais irão se ver novamente?! Sabe aquela sensação de deixar partir algo que te fez feliz?! Não que seja uma sensação ruim. Mas às vezes sinto que do que me despedi, o que deixei partir, foi minha felicidade.
Ela está por ali, em algum lugar que já foi.
Nesse período de incertezas
Tenho sonhado mais, com pessoas, lugares, amores. Situações que foram e nunca mais serão. Lá de longe elas acenam pra mim, me seduzem, quase cantam, parecem querer me encantar, como uma sereia, e me desviar do meu caminho.
Quero me entregar a elas, saborear essa canção, voltar atrás, voltar pra trás.
Às vezes penso que é melhor mergulhar no que já foi do que rumar para o que talvez nunca será.
Está sendo difícil lidar com as memórias.
Às vezes tento me convencer de que elas são provas de que vivi coisas incríveis, de que fui feliz. Mas nesse momento elas parecem me mostrar que o melhor de mim já foi, já partiu. Um navio que zarpou lentamente, enquanto observo, imóvel, de um porto que nem existe.
Eu olho pra trás e vejo a vida que se foi, olho para o agora e estou preso, e honestamente, o que você acha que o futuro nos reserva?
Não quero ser pessimista, não é da minha personalidade e seria incoerente com minhas últimas falas... Mas é que a memória me persegue
Como as lágrimas que escorrem pelo meu rosto