Uma jovem espiritosantense morre tragicamente, durantes os folguedos carnavalescos, em Victoria.
Victoria, a progressista capital espiritosantense, acaba de presenciar uma das mais impressionantes occorrencias de quem noticia o seu registro policial. Representa, mesmo, pelas circumstancias em que foi ella verificada, um facto inédito no noticiário dos jornaes, onde param, quasi sempre, os mais lutuosos acontecimentos . Trata-se de uma jovem de 15 annos apenas, filha de importance familia capichaba, que, surprehendida no momento em que dava expansão á sua jovialidade, teve a vida tragicamente ceifada por um dos mais terriveis golpes da fatalidade. O seu pequenino romance, descripto religiosamente em quinze paginas apenas, paginas coloridas de illusões, paginas que começavam a esboçar os primeiros sorrisos da vida, não chegou a contar a historia de uma existencia. Resumiu-se num apanhado de emoções que teve por epilogo a triste, occorrencia que a separou do meio dos vivos.
Foi em pleno Carnaval Nos salões vastamente engalanados do Club Victoria, na capital espiritosantense, reuniam-se as mais importantes figuras da familia capichaba, festejando a passagem do deus Momo. Subitamente, porém, a attenção de todos voltou-se para um lado da sala, onde, misturando-se assustadoramente aos effluvios e maravilhosos daquella noite animada, uma labareda irrompera após a inflamação de um jacto de lança-perfumes. Estonteante, a espiral de fogo, seguindo a sua faina destruidora, communica-se a um amontoado de serpentinas e deste, passando a outros tubos de lança-perfumes que se encontravam nas mãos dos presentes, attinge uma «Colombina». Era ella a senhorita Aleida Machado que, juntamente com outras carnavalescas, brincava naquelle momento, completamente alheia ao que se passava. Attingida assim, inesperadamente a desditosa jovem, apavorada, abandonou o recinto; tomando a direcção da porta principal do predio. O que foi esse doloroso momento, dil-o-ão as testemunhas que, tomadas de terrivel panico, asistiram áquelle espectaculo indescriptivel. Infelizmente, como se acontecer nessas occasiões, só após alguns segundos, appareceram os primeiros signaes de salvamento. Era, porém, tarde demais. Horrivelmente queimada, a senhorita Aleida contorcia-se em fortissimas dores, até que as labaredas, cedendo afinal aos esforços dos Srs. André Carloni e Amynthas Santos, que partiram em soccorro da victima, deixavam na jovem graves queimaduras de 1o., 2o. e e 3o. graos.
Transportada para a Santa Casa de Misericordia, recebeu ella os primeiros curativos, sendo, mais tarde, removida para a sua residencia, onde, não resistindo á gravidade dos ferimentos, veio a fallecer, cerca de 9 1/2 horas da manhã seguinte. O seu enterramento realisou-se nesse mesmo dia, ás 4 horas da tarde, sahindo o feretro para a necropole de Santo Antonio, seguido de grande numero de pessoas gradas. A senhorita Aleida Machado era filha da viuva Eufrosina Machado contava 15 annos de idade e era alumna da Escola Normal D. Pedro II.
Pesquisa e transcrição: Fábio Pirajá.