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microconto 36
“na direção de um pico
onde outrora tinha cabras,
seguem-se caminhos íngremes
de estradas de terra esburacadas,
passa-se por muitas porteiras
de antigas fazendas
que receberam escravos
roubados de outros cantos,
para este lugar que já foi chamado
de a bastilha negra.
e chega-se lá no alto
bem próximo de um teto escuro
pontilhado de estrelas que já não existem mais.
por um grande olho
apontando para o universo
nesta época do ano
e nesta estação de inverno,
vemos a lua em eclipse,
vênus baixo num quadrante
e júpiter e saturno altos em outro.
o astrônomo conta
que aqueles planetas são estudados há mais de 400 anos,
desenha as constelações de escorpião e do cruzeiro do sul,
indica os satélites artificiais que fingem ser estrelas cadentes
e diz que aquele planeta tem 79 luas
tamanha é a atração que provoca,
que recebe tempestades de areia
e chuvas de nanodiamantes.
ali, enquanto se enxerga o infinito desconhecido
tenta-se criar sentidos para nossas luzes e escuridões”.
By Katlyn Nunesmicroconto 36
“na direção de um pico
onde outrora tinha cabras,
seguem-se caminhos íngremes
de estradas de terra esburacadas,
passa-se por muitas porteiras
de antigas fazendas
que receberam escravos
roubados de outros cantos,
para este lugar que já foi chamado
de a bastilha negra.
e chega-se lá no alto
bem próximo de um teto escuro
pontilhado de estrelas que já não existem mais.
por um grande olho
apontando para o universo
nesta época do ano
e nesta estação de inverno,
vemos a lua em eclipse,
vênus baixo num quadrante
e júpiter e saturno altos em outro.
o astrônomo conta
que aqueles planetas são estudados há mais de 400 anos,
desenha as constelações de escorpião e do cruzeiro do sul,
indica os satélites artificiais que fingem ser estrelas cadentes
e diz que aquele planeta tem 79 luas
tamanha é a atração que provoca,
que recebe tempestades de areia
e chuvas de nanodiamantes.
ali, enquanto se enxerga o infinito desconhecido
tenta-se criar sentidos para nossas luzes e escuridões”.