Se homens são humanos, completos, perfeitos, e eu sou o que? Uma mulher, uma costela, a comedora de maçãs proibidas, a sempre imperfeita e incompleta. Você já quis ter nascido um homem, toda mulher em algum momento desejou isso secretamente porque é tão óbvia a diferença. É tão óbvia as vantagens que nascer com um pênis te traz, como atraímos amor, aceitação, credibilidade, apenas se tivermos esse pêndulo um tanto inútil entre as pernas. É tão flagrante como qualquer homem medíocre tem muito mais sucesso e visibilidade e oportunidades que qualquer mulher brilhante. É difícil se amar assim, eu sei. Se esperam que você seja burra, bela, frágil e acessível. Se você não ser pode ser humana, natural, amar seu corpo como ele é. Com pelos, com manchas, com formas. Se o mundo exige um esforço enorme para que você atenda às expectativas do que te dizem que é ser mulher. E se você não corresponde, te rejeitam, te criticam, te rebaixam, riem de você, fazem piada, debocham, duvidam. E o tempo todo tentam te colocar no seu lugar. Seu lugar de menina bonita esperando marido.”