Momento Odontologia - USP

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Momento Odontologia - USP episodes

  • Momento Odontologia # 135: No consultório odontológico o descarte de materiais também deve priorizar o meio ambiente
    Cada vez mais se fala em preservação dos recursos naturais, desenvolvimento econômico e valorização humana, o tripé de uma palavra em moda atualmente, a sustentabilidade. No Momento Odontologia desta semana a professora Cássia Maria Fischer Rubira, da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, fala sobre a sustentabilidade na formação e na vida profissional do cirurgião-dentista.
    Cássia explica que a odontologia mais sustentável incluí aspectos da preservação dos recursos naturais, desenvolvimento econômico e a valorização do ser humano evitando os desperdícios sem que a saúde do paciente seja comprometida. “A grande produção e o mal gerenciamento de resíduos têm agredido a natureza e provocado modificações no meio ambiente. Um dos grandes desafios atualmente a criar ferramentas que possibilitem a redução drástica da dispersão de resíduos diretamente ao meio ambiente.”
    Para a professora, os resíduos dos consultórios odontológicos têm várias problemáticas, como o descarte de materiais poluentes ao ambiente e que demoram muito tempo para se degradar, mas o uso desses materiais não pode ser totalmente eliminado da prática odontológica, portanto, recomenda-se que os dentistas adotem medidas de descarte conscientes, seguindo as resoluções atualizadas da legislação brasileira. “Alcançar a sustentabilidade no consultório odontológico é um desafio para os dentistas.” A professora dá dicas de como os profissionais da odontologia podem fazer isso:
    Faça o correto descarte dos resíduos, separe os materiais ao fazer o descarte;
    Evite o uso de impressos e dê preferência ao digital;
    Se for utilizar papel, escola o reciclado e o reutilize como rascunho e, quando não houver mais uso, destine tudo para reciclagem;
    Evite desperdício de energia, desligando a TV da sala de espera e o ar condicionado quando não tiver paciente no ambiente;
    As práticas sustentáveis da clínica também envolvem a cadeira odontológica, que deve voltar sempre ao ponto zero;
    Desligar o refletor quando estiver realizando os procedimentos extra bucais;
    Invista em radiologia digital radiologia digital;
    Dê preferência para aparelhos mais econômicos, como computadores, autoclaves, geladeira e ar condicionado;
    Reduza o consumo de água dentro do consultório.
    Sobre os resíduos sólidos, a professora diz que a RDC 222, de 2018, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamenta as boas práticas de gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde, para minimizar os riscos inerentes a esse procedimento no País,  no que diz respeito à saúde humana e animal, bem como na proteção do meio ambiente aos recursos naturais renováveis. Esta RDC prevê que em todo o serviço gerador, seja ele privado ou público, deve dispor de um plano de gerenciamento de resíduos sólidos de saúde,  fazendo uma estimativa dessa geração por grupos, conhecidos como A, B, C, D.
    Como exemplo, a professora cita o grupo A, dos chamados infectantes, aqueles contaminados por agentes biológicos, que devem ser embalados em sacos brancos identificados como infectantes e a capacidade de armazenamento é sempre o limite de dois terços da capacidade e devem ser substituído ao atingir esse limite ou a cada 24 horas ou 48 horas independentemente do seu volume e encaminhado para a disposição final ambientalmente adequada. No podcast a professora ainda fala sobre os resíduos do grupo B e aqueles provenientes de materiais radiológicos.
    No curso de odontologia da USP em Bauru, segundo Cássia, esse assunto é abordado em atividades contínuas, através de informes nas mídias sociais, palestras, treinamentos e eventos culturais onde a comunidade é convidada à participar, além de ações junto à comunidade como a Semana do Meio Ambiente do município. “O assunto também é abordado na disciplina de biossegurança que ocorre no terceiro semestre do curso de odontologia.”
    Momento Odontologia
    Produção e Apresentação Rosemeire Talamone
    CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
    Edição: Rádio USP Ribeirão
    Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS  
     
     
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    10 min
  • Momento Odontologia #134: Restauração dental precisa de higiene e cuidados específicos
    Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo IBGE em setembro de 2020, constatou que dos 162 milhões de brasileiros, acima de 18 anos, 34 milhões perderam 13 dentes ou mais. A melhor solução para essa realidade ainda é a prevenção, ou seja, higiene bucal eficiente desde a infância e consultas regulares ao dentista. Mas, mesmo assim, muitos precisam restaurar os dentes e as causas podem ser várias, ou por cárie, por lascados entre outros. As restaurações são procedimentos que reconstroem a forma, função e estética do dente e precisam de cuidados, tanto do profissional que a faz, como do paciente. Elas também têm tempo de duração, como conta o professor Carlos Eduardo Francci, do Departamento de Biomateriais e Biologia Oral da Faculdade de Odontologia (FO) da USP.
    O professor explica que, além do restauro para eliminar a cárie ou corrigir rachaduras e pedaços quebrados, o restauro também é utilizado em situações mais específicas, como, por exemplo, quando há espaços entre os dentes e eles são pequenos para a arcada dentária. “Esses espaços, chamados diastemas, podem ser preenchidos com um aumento do contorno dos dentes, isso também pode ser chamado de restauração, então restaurar é também para dar a forma mais adequada para a estrutura dental.”
    Sobre os materiais utilizados para as restaurações, o professor diz que, após limpeza é aplicado um ácido no esmalte, seguida de uma colinha na estrutura dental e de uma luz para polimerizar (processo químico) e aquele espaço é preenchido com resina composta em camadas, fazendo nuances estéticas com cores diferentes para ficar o mais natural possível ou colado ali a uma restauração de cerâmica. “Essas são as formas mais comuns, mas também pode ser feita a restauração com cerâmica, em laboratório e fora da boca, com a resina composta também, mas, no geral, são utilizados basicamente esses dois materiais.”
    O tempo de duração de uma restauração com resina composta, diz o professor, é em média de oito anos ou mais. “Com o passar dos anos ela tende a absorver um pouco mais de fluidos e isso vai gerando uma degradação nas suas cadeias poliméricas, ou seja, na estrutura da resina composta, ela pode começar a se pigmentar e deixar marcas.” Já as cerâmicas, segundo Francci, a vida útil estimada é de 15 anos ou mais. “Nem todas as restaurações vão ter essa vida útil. Por questões estéticas, geralmente após um clareamento, o paciente sente necessidade de trocar as restaurações.”
    O professor lembra que é consenso entre os profissionais da odontologia que deve existir um total controle da umidade no ato da restauração, especialmente no momento de aplicar o sistema adesivo, ou seja, a colinha na estrutura dental, pois qualquer contaminação, seja por saliva com sangue ou a própria umidade da respiração, pode comprometer seriamente a colagem dessa restauração ao dente. A seleção do material, seja resina ou cerâmica, também é essencial, segundo Francci. “Um excelente polimento na superfície dessas restaurações, para que tenha o mínimo de acúmulo de placa bacteriana, é essencial para uma boa longevidade dessas restaurações.”
    Já o paciente, diz o professor, em geral precisa fazer aquilo que é básico, uma boa higiene bucal, uma escovação correta e uso do fio dental para sempre manter o menor acúmulo de placa bacteriana sobre estrutura dental. “Cárie não dá na restauração, ela precisa de estrutura dental natural, mas a interface da restauração com o dente é uma região de vulnerabilidade, então precisa ser mantida sempre limpa.”
    Momento Odontologia
    Produção e Apresentação Rosemeire Talamone
    CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
    Edição: Rádio USP Ribeirão
    Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS  
     
     
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  • Momento Odontologia #133: Tratamento de fissura labiopalatina envolve equipe multidisciplinar e acolhimento integral do paciente
    O assunto de hoje no Momento Odontologia é a relação entre a ortodontia e a fissura labiopalatina, má formação congênita, ou seja, que ocorre durante a gravidez, nos três primeiros meses de gestação e afeta a face, mais especificamente uma fenda no lábio superior que pode se prolongar até o nariz e o palato, segundo especialistas. As causas são multifatoriais, quer dizer, uma associação de fatores ambientais no início da gestação, como álcool, cigarro e alguns medicamentos e uma predisposição genética do embrião. O cirurgião-dentista Tiago Turri de Castro Ribeiro, ortodontista do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o Centrinho da USP em Bauru, fala sobre os tratamentos para a fissura labiopalatina e o papel da ortodontia na recuperação desses pacientes.
    Na prática, diz Turri, o tratamento para esses pacientes começa com equipe de pediatria, enfermagem, nutrição que avalia a saúde inicial do bebê e que ensina os pais a alimentá-lo corretamente, para que ele ganhe peso e saúde para poder fazer a cirurgias plásticas primárias. A partir da cirurgia o paciente começa a ser acompanhado pela equipe de fonoaudiologia, para que a sua fala seja desenvolvida corretamente e conforme o paciente vai crescendo vai sendo acompanhado por outras áreas complementares, como a genética e a fisiologia, por exemplo. “Entre essas equipes estão os ortodontistas, para a correção dos dentes e do enxerto ósseo alveolar e, em alguns casos, de cirurgia ortognática também. Esses pacientes que são submetidos a cirurgia ortognática ao final do processo também podem ser submetidos a cirurgias reparativas de lábio e nariz.
    Para Turri, a ortodontia tem um papel importantíssimo no processo reabilitador, já que as principais questões relacionadas à fissura labiolatina dizem respeito à posição dos dentes na arcada dentária e ao crescimento craniofacial desses pacientes.  O ortodontista, segundo o especialista, também verifica como está o crescimento craniofacial dos pacientes nessa fase para informar aos cirurgiões plásticos para que os protocolos das técnicas e do tempo da realização das cirurgias plásticas primárias sejam validados ou revistos. “Como o ortodontista acompanha o paciente por muito tempo, também pode encaminha-l0 para outras áreas como a fonoaudiologia, por exemplo.”
    O especialista diz que no Centrinho da USP em Bauru é adotado o protocolo de iniciar o tratamento ortodôntico na dentição mista, depois da troca dos dentes anteriores, entre 8 e 9 anos de idade. “Nessa fase nós normalmente melhoramos o formato da arcada dentária superior através de aparelhos expansores, isso não só permite a melhora da função da oclusão como melhora o prognóstico para a cirurgia de enxerto ósseo alveolar. O ortodontista é quem prepara esses pacientes para essa cirurgia e também cuida deles depois da cirurgia.”
    O resultado esperado, diz Turri, é muito próximo ao resultado alcançado de um tratamento ortodôntico de um paciente sem fissura. “É um tratamento mais longo, com mais particularidades, que às vezes precisa de uma complementação com próteses dentárias ou implantes, mas perfeitamente possível de ficar muito bom estética e funcionalmente falando.”
    O especialista enfatiza a importância do acolhimento desses pacientes no processo de reabilitação, que começa muito cedo e se estende, muitas vezes, até a idade adulta. “Além da importância da integração entre as diferentes equipes altamente especializadas é importante a atitude de profundo respeito para com o paciente e seus pais. Não adianta ter um grande conhecimento técnico-científico, se não atuar no seu dia a dia com essa atitude”, finaliza.
    Momento Odontologia
    Produção e Apresentação Rosemeire Talamone
    CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
    Edição: Rádio USP Ribeirão
    Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS  
     
     
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  • Momento Odontologia #132: Para especialista pasta de dente para criança deve conter flúor
    No Momento Odontologia desta semana, o professor Fausto Medeiros Mendes, da Faculdade de Odontologia da USP, campus São Paulo, responde dúvidas da ouvinte Daiane Pinheiro, da cidade de Pontal, cidade de cerca de 50 mil habitantes na região metropolitana de Ribeirão Preto. Segundo Daiane, o dentista que atende seu filho de  quatro anos indicou um creme dental sem flúor e ouvinte ficou com dúvidas e quer mais informações sobre o uso deste produto.
    Segundo o professor, existem as pastas e cremes dentes infantis que são indicadas para as crianças, mas na ausência ou na impossibilidade de adquirir uma delas, não há problema em se utilizar a mesma que a família toda utiliza, desde que tenha em sua composição entre 1.000 e 1.500 PPM de flúor. “Essa recomendação é feita desde o aparecimento dos primeiros dentes, pelo menos duas vezes ao dia”.
    O professor alerta que o único efeito colateral para o uso de pasta com flúor pode ser a fluorose, e que os demais efeitos que são comentados na Internet, ou mesmo por alguns profissionais, são fake news. “Mesmo essa fluorose é leve e não causa nenhum efeito estético, além disso os benefícios da pasta com flúor para a prevenção da cárie é comprovado pelos estudos clínicos.”
    Mendes explica que também nas cidades com flúor na água, a recomendação é de uso de pastas de dentes com flúor, pois mesmo aumentando o risco de fluorose, ela não causa nenhum impacto significativo na qualidade de vida da criança. “O que causa impacto negativo é a cárie dentária, que pode levar à dor e problemas funcionais”.
    O professor recomenda que o uso de pasta por crianças deve ser feito em pequenas quantidades, logo após as refeições. “Com o estômago preenchido vai diminuir a absorção do flúor, o que minimiza o risco da fluorose, sem afetar o efeito benéfico do flúor da pasta de dente”.
    Momento Odontologia
    Produção e Apresentação Rosemeire Talamone
    CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
    Edição: Rádio USP Ribeirão
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  • Momento Odontologia #131: Escovação dental em criança deve ser realizada sempre sob supervisão de um adulto
    Uma dúvida muito comum entre os pais é se o filho pode utilizar creme ou pasta dental indicada para adultos. Quem tira essa dúvida e ainda fala sobre a quantidade deste produto que deve ser utilizada e qual o tipo de escova dental que as crianças devem utilizar nesta edição do Momento Odontologia é a professora Alexandra Mussolino de Queiroz, do Departamento de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP.
    A professora alerta que, em qualquer situação, a escovação dental de uma criança deve ser realizada sempre sob supervisão de um adulto. Segundo a professora, a criança pode usar a pasta de dente de adulto que tenha uma concentração de flúor acima de 1.100 ppm (partes por milhão), o que é encontrado na maioria das pastas de dente de adultos. Quanto à quantidade de pasta na escova, a professora diz que deve ser bem pequena, de 0 a 3 anos deve corresponder a meio grão de arroz cru, de 3 a 6 anos, de um grão de arroz, e, acima de 6 anos, um grão de ervilha seca, para que a criança não deglute muito dentifrício fluoretado. Sobre a escolha da escova de dentes para criança, Alexandra diz que ela deve ter tamanho compatível com a cavidade bucal da criança, cerdas macias e uma cabeça arredondada.
    Já em relação ao uso de enxaguante bucal, a professora afirma que não deve ser indicado rotineiramente para criança, somente em situações específicas e com orientação do cirurgião-dentista. Como exemplo, Alexandra cita a indicação para criança com alto risco de cárie, para paciente especial, onde a higiene bucal em casa seja muito difícil de ser executada, nas pós-cirurgias odontológicas, durante o processo de cicatrização,  após um traumatismo dentário. “O enxaguante não substitui a escovação dental, com pasta de dente fluoretada e escova de cerdas macias, realizada duas vezes por dia”, conclui.
    Momento Odontologia
    Produção e Apresentação Rosemeire Talamone
    CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
    Edição: Rádio USP Ribeirão
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  • Momento Odontologia #130: Fendas labiopalatinas acometem cerca de uma a cada 700 crianças nascidas vivas e exigem tratamento multidisciplinar
    No Momento Odontologia desta semana o médico Cristiano Tonello, professor do curso de Medicina da USP em Bauru e chefe técnico do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) fala sobre fissuras ou fendas labiopalatinas, popularmente conhecidas como lábio leporino, atendendo pedido de ouvinte do Rio Grande do Norte.
    O professor diz que algumas crianças já nascem com essa condição, uma descontinuidade da região do lábio e muitas vezes do céu da boca. A condição pode ser identificada por meio de ultrassom, ainda durante o pré-natal da grávida, e acomete em média uma a cada 700 crianças nascidas vivas, o que pode comprometer, por exemplo, a fala e a estética. 
    O professor afirma que, em grande parte das vezes, a condição não tem um componente de hereditariedade ou seja, ela não é herdada dos pais e as orientações para as gestantes são as mesmas que servem para toda grávida: evitar a o uso de álcool e de tabaco, fazer a suplementação com ácido fólico. “A causa não é bem definida, mas em grande parte é por uma falha de fusão, ou seja, uma falha de emenda de processos da face num momento muito precoce ainda na gravidez, entre a quarta e a décima semana de gestação. Algumas vezes pode estar relacionada a alguma síndrome, mas na imensa maioria das vezes a fenda labiopalatina não tem uma causa definida.”
    Sobre as consequências na vida da pessoa, Tonello diz que além da questão estética, a abertura na região do lábio traz comprometimento, já no primeiro momento, para o aleitamento materno, com consequências ao longo do tempo relacionadas, principalmente, à fala, à oclusão dos dentes e, algumas vezes, relacionadas também ao crescimento da maxila. “O tratamento é cirúrgico, obviamente, mas todas essas as condições, de comprometimento e consequências, podem ser tratadas e devem ser acompanhadas por uma equipe experiente e multiprofissional.”
    Tonello informa que, além da USP em Bauru, por meio do HRAC, que tem quase 60 anos de história no tratamento dessas condições, vários centros no País fazem a cirurgia de reparação e o tratamento para portadores da fenda labiopalatina. Cita, ainda, a Smile Train, instituição filantrópica internacional, com representantes no Brasil, que possibilita a cirurgia reparadora para esses casos e o tratamento multidisciplinar.
    Momento Odontologia
    Produção e Apresentação Rosemeire Talamone
    CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
    Edição: Rádio USP Ribeirão
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  • Momento Odontologia #129: Uso de dispositivos para tratamento de apneia do sono precisa de avaliação médica e odontológica
    O Momento Odontologia desta semana responde às dúvidas do ouvinte Henrique Tutini, da cidade de Catanduva, interior do Estado de São Paulo, sobre os prós e os contras do Dispositivo de Avanço Mandibular. Para responder às dúvidas do ouvinte, o convidado é o professor Sérgio Henrique Kiemli Trindade, da disciplina de Otorrinolaringologia do Curso de Medicina da USP em Bauru.  
    Antes de falar sobre o Dispositivo de Avanço Mandibular, o professor explica o que é a apneia obstrutiva do sono, condição clínica na qual há um fechamento da faringe enquanto a pessoa dorme, ou seja, fechamento da garganta, quer seja por alterações anatômicas ou por conta de uma queda acentuada do tônus da musculatura da faringe durante o sono. Uma das modalidades de tratamento da apneia do sono são esses aparelhos intraorais para o avanço mandibular e também o CPAP, uma máscara que provê um fluxo de ar positivo para abrir a faringe.
    O dispositivo é utilizado em pacientes com apneia obstrutiva do sono e consiste em uma placa de acrílico acoplada na maxila e na mandíbula, que projeta anteriormente a mandíbula e com esse avanço é ativada toda a musculatura do assoalho da boca. Assim há o  tracionamento anterior do osso hioide e da base da língua e abre-se um espaço respiratório posterior aumentando as dimensões da faringe e estabilizando a musculatura que dilata a faringe levando o paciente a respirar melhor.
    O CPAP, traduzido da sigla em inglês para Pressão Contínua Positiva na Via Aérea Superior, também é usado para quem tem apneia do sono. É um compressor de ar, em forma de máscara, que pega o ar do meio ambiente e o pressuriza, assim provê um fluxo de compressão positiva na faringe do paciente. “Quando o indivíduo está dormindo e a garganta se fecha, por conta da hipotonia da musculatura ou por questões anatômicas, existe um fluxo de ar positivo, ou seja, se borrifa um ar com pressão positiva e a faringe se abre, o que leva o indivíduo a respirar de forma adequada.” Segundo Trindade, é utilizado com frequência nas síndromes de apneia obstrutiva do sono nas suas formas mais graves e acentuadas. 
    Sobre a diferença entre os dois aparelhos, diz o professor, questões técnicas precisam ser analisadas. O aparelho intraoral é confeccionado por um cirurgião-dentista habilitado em Odontologia do Sono e a avaliação deve ser feita em conjunto entre esse profissional e o médico que atua na área de medicina do sono. “Tem que haver considerações adequadas do ponto de vista odontológico para que o paciente possa ser submetido a um tratamento com o dispositivo intraoral e ele tem a vantagem de ser discreto, fica totalmente dentro da boca.” O intraoral é um dispositivo bastante eficaz quando é feita a avaliação por um médico e pelo cirurgião-dentista e é utilizado em diversos graus de intensidade da apneia, desde o ronco primário, o caso mais leve, até a apneia obstrutiva mais grave, quando o paciente não tolera o uso do CPAP.
    Já o CPAP tem como vantagem o fato de muitas empresas e clínicas fornecerem o aparelho ao paciente para um teste prévio. Entretanto, o professor lembra que esse aparelho também exige avaliação do médico com atuação em medicina do sono para se excluir outras patologias antes de prescrevê-lo. O CPAP pode ser utilizado desde os casos mais brandos aos casos mais intensos de apneia obstrutiva do sono. “Tradicionalmente utilizamos o CPAP nas apneias do sono nas suas formas mais graves ou moderadas, mas também pode ser utilizado na forma leve quando outras modalidades de tratamento não são possíveis.” 
    Momento Odontologia
    Produção e Apresentação Rosemeire Talamone
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  • Momento Odontologia #128: Prevenção e orientação são essenciais para a saúde bucal do portador de síndrome de Down
    Além dos problemas odontológicos comuns a todos, as pessoas com síndrome de Down podem ter alguns desses problemas aumentados ou com maior frequência. Para falar sobre a saúde bucal do portador da síndrome de Down, o Momento Odontologia desta semana conversa com a professora Marina Helena Cury Gallotini, da Faculdade de Odontologia (FO) da USP, especialista em Patologia Bucal, Medicina Oral e Pacientes Especiais. 
    Marina conta que os pacientes com síndrome de Down têm risco aumentado para doença periodontal, alta frequência à má oclusão e tendência de maxila atrésica (estreitamento da arcada superior no sentido transversal), pouco desenvolvida e, assim, à mordida cruzada. E, ainda, diz a professora, esse paciente tem frequência maior de dentes com distúrbios de desenvolvimento como na forma e no tamanho. 
    Consultas longas podem levar à agitação
    Para a professora, a prevenção é também fundamental para o portador de Down. Porém, deve-se evitar consultas longas que possam fazer esse paciente ficar muito agitado, cansado e que o leve a perder o condicionamento que foi adquirido e que permite que seja atendido em ambulatório periodicamente. A recomendação, diz, é que as crianças de forma geral façam a primeira visita dentro do primeiro ano de vida. A primeira visita deve acontecer antes da erupção do primeiro dente, que ocorre em torno dos seis meses de vida. “Nessa consulta é importante a mãe ou cuidador receber orientações em relação à higiene, alimentação e, ainda, sobre algumas questões que essa criança pode exibir ao longo da vida.”
    A alimentação do paciente com Down também deve receber cuidados especiais; aquelas ricas em açúcares  e carboidratos vão impor uma condição pior de saúde, com maior risco para cárie, por exemplo. “Outra questão que merece atenção são os hábitos de higiene, uma vez incorporados na rotina são realizados com mais tranquilidade e devem ser bem sólidos desde os primeiros momentos.”
    Visitas periódicas a um dentista são importantes. “Hoje em dia existem medidas preventivas e menos invasivas que permitem que a criança tenha doenças, como cárie, doença periodontal ou maloclusão, diagnosticadas precocemente, com isso o tratamento começa mais cedo e com melhores resultados.”
    Escolha do profissional 
    Marina alerta que no atendimento da pessoa com Down é importante que o profissional se preocupe com aspectos gerais e com comorbidades. Dá, como exemplo, alterações importantes como cardiopatia congênita, que tem risco aumentado para endocardite infecciosa, além das condições comportamentais. “Cada caso tem que ser analisado de forma diferenciada.” 
    Outro aspecto, diz a professora, é o risco aumentado de contenção física que eles impõem. “Esse paciente pode ter uma condição chamada instabilidade atlantoaxial, problema ortopédico bem conhecido especialmente nas crianças com síndrome de Down, caracterizado pela frouxidão ligamentar entre a primeira e a segunda vértebra, que aumenta o risco de danos caso uma das vértebras pressione a medula espinhal. Nesse caso movimentos bruscos e contenções são contraindicados.”
    Portanto, o dentista que vai atender o portador de síndrome depende do paciente. “Aquele que tem a síndrome, mas com uma saúde bem controlada, com um comportamento que aceita o tratamento e que exige muitos desafios pode e deve ser atendido por um profissional que se sinta capaz de fazê-lo. Já aqueles com muitas comorbidades, além da síndrome, devem ser atendidos por um profissional com mais experiência, nesse caso, dentistas com formação no atendimento de pacientes especiais, especialidade reconhecida no Brasil.” 
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  • Momento Odontologia #127: Estresse associado a outros fatores de risco pode levar a doenças periodontais
    O estresse atinge 90% da população mundial e o Brasil está em segundo lugar no ranking de países com o maior número de pessoas estressadas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O estresse pode causar inúmeros problemas de saúde, entre eles envelhecer o cérebro e causar doenças cardiovasculares. Mas, o estresse também pode causar doenças bucais, como a gengivite, processo inflamatório que acomete os tecidos que compõem a gengiva e a periodontite, processo mais grave do que a gengivite e que pode levar ao comprometimento da estrutura óssea, aquela que sustenta os dentes. Para falar sobre a relação entre esse e doença gengival, o Momento Odontologia desta semana conversou com o professor Sebastião Luiz Aguiar Greghi, do Departamento de Prótese e Periodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP.
    A gengivite, em muitos casos, pode promover a recessão de gengiva e criar a migração dessa gengiva e, consequentemente,  expondo a raiz, o que leva a um problema estético ou de sensibilidade, sobretudo em relação a alimentos gelados ou açucarados. Os sinais inflamatórios da gengivite são muito variados entre as pessoas, portanto, é  importante que o paciente procure um profissional para o diagnóstico. Já a periodontite, ou doença periodontal, pode levar ao comprometimento da estrutura óssea, aquela que sustenta os dentes, é um processo que pode comprometer um, dois ou todos os dentes. 
    Segundo Greghi, vários fatores podem levar ao aparecimento de doença periodontal, desde o seu início até o seu agravamento e entre eles está o estresse, associado a outros fatores de risco. “Desde a década de 1950 se verifica que o estresse é um fator bastante decisivo e, ao longo do tempo, isso vem ficando mais claro, mas não é um estresse pontual que leva ao aparecimento da doença periodontal, mas sim uma situação estressante, com depressão e ansiedade, se perpetuando. Todo esse processo altera a condição endócrina, a secreção de hormônios que repercute nos mecanismos de defesa do indivíduo.”
    Além isso, diz o professor, o estresse promove outra condição crítica que leva a um maior risco de doença periodontal, ele aumenta a participação de outros fatores de risco. O professor cita como exemplos de fatores de risco para o desenvolvimento de doença periodontal em indivíduos em condição depressiva, o relaxamento na higiene oral, dietas que propiciam maior acúmulo de placa bacteriana, aumento do número de cigarros quando é fumante. 
    Greghi alerta que a doença periodontal é multifatorial, portanto, para o tratamento todos os fatores de risco precisam ser considerados. “Se o estresse é um dos fatores participantes, ele também precisa ser considerado e tratado. Além disso, grande parte dos pacientes com doença periodontal precisam de tratamento cirúrgico, e óbvio que os fatores de risco atuando também vão prejudicar a recuperação, aumentando o índice de insucesso do tratamento periodontal.”
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  • Momento Odontologia #126: Movimento antifluoretação ganha força com as fake news
    As fake news se alastraram por todas as áreas, especialmente na área da saúde, entre elas na Odontologia que não escapa desse fenômeno mundial. No Momento Odontologia desta semana, o professor Thiago Cruvinel da Silva, do Departamento de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, conta sobre pesquisa que identificou mais de 300 notícias falsas na área odontológica e os impactos que essas informações podem causar na saúde da população, especialmente na saúde bucal.  
    O professor conta que ao sistematizar essas informações foi possível identificar que as fake news na área odontológica surgem, em grande parte, por interesses financeiro, psicológico e político. Entre as principais notícias falsas encontradas pelo grupo liderado por Cruvinel estão as relacionadas ao uso de agentes naturais e produtos não encontrados em farmácias e supermercados para tratar condições gengivais e periodontais; ao uso de flúor, uma vez que o movimento antifluoretação é tão forte como o antivacina. Outro tópico identificado pelos pesquisadores está relacionado à odontologia biológica, que tenta promover a não realização de procedimentos endodônticos, o popular tratamento de canal. “Essas pessoas acreditam que esse procedimento é contraindicado porque causa depressão, ansiedade e na verdade os dentes precisam ser extraídos e colocado o implante no local.”
    Cruvinel alerta para o impacto dessas informações na saúde bucal, uma vez que existem até recomendações para que as pessoas que sintam dor de dente não procurem o cirurgião-dentista e façam autotratamento com produtos naturais, como chás, por exemplo. “Com isso temos um grande prejuízo em qualidade de vida, mas, principalmente, riscos que podem levar esse paciente até a morte, uma vez que existem complicações graves relacionadas a abscessos dentários. Notícias falsas em saúde não são necessariamente inócuas, são importantes e graves, pois afetam a saúde das pessoas, porque elas acreditam no que leem na mídia.
    A pesquisa revelou também que essas notícias estão em todos os âmbitos da internet, como websites, blogs, principalmente nas mídias sociais, onde acontece sua maior disseminação. “Notícias falsas têm a característica da inovação da informação, as pessoas acreditam que a informação seja relevante para as pessoas do seu grupo, por isso passa a compartilhar e com isso dá credibilidade ao conteúdo.”
    Por outro lado, diz Cruvinel, a informação correta e de alta qualidade promove saúde bucal. “A maioria das doenças bucais são relacionadas ao comportamento humano. A cárie, por exemplo, é uma doença relacionada a uma dieta rica em açúcares, quando você passa a informação de que a pessoa tem que consumir menos açúcar, para ter menos lesões de carie dentária, consegue empoderar a pessoa e fazer com que ela tenha resultados melhores em saúde sem depender do dentista. “A informação de qualidade é a base para que as pessoas tenham uma saúde melhor e mais adequada e ganhem autonomia no cuidado com a sua própria saúde, portanto, é importante que o profissional cirurgião-dentista tenha em mente que nenhum consumo desse tipo de conteúdo falso é inofensivo.”
    Momento Odontologia
    Produção e Apresentação Rosemeire Talamone
    CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
    Edição: Rádio USP Ribeirão
    Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS  
     
     
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O Momento Odontologia leva informações sobre a saúde da boca e a preservação dos dentes, sempre fundamentadas no conhecimento científico produzido na Universidade de São Paulo.