Eva Dickson foi uma viajante e correspondente de guerra, terceira aviadora e primeira piloto de rally da Suécia. Nascida em 1905, foi educada em casa por boa parte de sua infância. Aos 20 anos, ela se casou com um piloto de rali, com quem viajou pela Europa de carro e moto. Em 1927, Eva começou a participar de grandes eventos de rally; para driblar a proibição de mulheres, usava o pseudônimo Anton Johansson. Após sete anos de casamento, em 1932, Eva se divorciou. No mesmo ano, ela dirigiu de Nairobi, capital do Quênia, até Estocolmo, tentando vencer uma aposta – apostar contra pessoas ricas era uma das formas que usava para financiar suas aventuras. A jornada de 27 dias, na qual ela se tornou a primeira mulher a dirigir através do Saara, atraiu atenção da mídia. Entre 1934 e 1935, Eva participou de expedições científicas no Quênia e na Etiópia, percorrendo os 2000 quilômetros que separavam os dois países em uma mula. Nessa viagem, ela atuou como correspondente da Crise da Abissínia para jornais suecos. Em 1936, Eva se casou novamente, e passou a lua de mel com outro casal de amigos: Martha Gellhorn (#mulherdefibra) e Ernest Hemingway. O quarteto velejou pelo Caribe e terminou a viagem na Flórida, onde Hemingway morava. Dickson queria ser a primeira pessoa a atravessar a Rota da Seda dirigindo. Em 3 de junho de 1937, partiu sozinha de Estocolmo com a intenção de dirigir até Pequim. Passou pela Alemanha, Polônia, Romênia, Turquia, Síria e Irã, mas quando chegou ao Afeganistão foi aconselhada, por motivos de segurança a mudar de rota e continuar pela Índia. Em Calcutta, adoeceu e foi hospitalizada; o tratamento com arsênico resultou negativamente, e as notícias sobre a eclosão da Segunda Guerra Sino-Japonesa a fizeram ter certeza de que não chegaria a Pequim. No caminho de volta para a Europa, após nove meses de viagem, Eva Dickson sofreu um acidente de carro em Baghdad e morreu, aos 33 anos.