Angola, Namíbia e República Democrática do Congo (RDC) concordaram em receber até 4 mil migrantes deportados após pressão do Reino Unido, depois que a ministra do Interior britânica, Shabana Mahmood, impôs restrições de visto à RDC, em dezembro, encerrando privilégios diplomáticos e acesso facilitado. Londres afirma que entre os deportados há condenados por crimes e migrantes irregulares. A medida segue um padrão adotado pelos EUA e tem sido tratada na África como coerção diplomática, levando países do Sahel a responder com suas próprias restrições. Até que ponto políticas de visto estão sendo usadas pelo Ocidente como instrumento de pressão política sobre países africanos? Esse acordo reforça uma lógica de externalização das fronteiras europeias, transferindo o custo migratório para a África? Para entender o tema, convidamos Igor Borges Cunha, pesquisador do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios (CSEM); e Agossou Lucien, doutor em relações internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Agora disponível na Rádio Metropolitana do Rio de Janeiro, 80.5 FM.