Brad e eu entramos eu seu carro para levarmos o último carregamento de Provo Utah até Gilbert Arizona. Tínhamos acabado de nos despedir do caminhão de mudanças, e ele pôs a chave na ignição para ligar o carro. Mas, então parou, hesitante. Ainda me lembro das lágrimas escorrendo por seu rosto quando ele se virou para mim e disse: “Pai, acho que tenho ELA ou Esclerose lateral amiotrófica.”.
Eu disse algo sem muita importância tentando minimizar seu comentário. É claro que não podia ser verdade. O resultado dos exames era positivo? Ele estava se consultando com o médico certo? Ele tinha telefonado para o tio Marshall? (Que não era seu tio de verdade, mas era como se fosse. Marshall era meu melhor amigo e tinha sido seu pediatra.)
Passamos as próximas horas conversando, chorando, ensinando um ao outro e buscando compreender tudo. Houve momentos em que ficamos em silêncio, pensativos. Houve também momentos de risos prazerosos. Contudo, no final das contas, sua jornada estava apenas começando. Ele precisava encontrar os especialistas certos, obter um diagnóstico seguro e dar início à batalha.
Um de seus antigos consultores do quórum de sacerdotes telefonou. “Encontre os melhores médicos e faça o que disserem, mas também faça o que sentir ser o certo”, sugeriu, “e dobre você mesmo seu paraquedas!” Esse conselho incentivou o Brad a tomar as rédeas de seus cuidados médicos, encontrar o melhor tratamento experimental e, por último, entender que ainda não existe nem cura nem terapia. A única coisa a fazer é “levar a vida”. (“Isso não é viver!”, diria sua mãe.)
Surgiram todas as perguntas possíveis: Ele fez um testamento? Tem convênio médico? Sua fé foi abalada?
A última pergunta fez seu entusiasmo aflorar.
“NÃO!”, respondeu com um grito de alegria. “Não sei todas as coisas, mas, como Néfi, sei que Deus ama a mim e a minha família!”, afirmou.
Sinto que essa escritura é um consolo constante para ele. Ele conhece o amor de seu Irmão mais velho, Jesus Cristo, e de seu divino Pai Celestial.
Seus amigos se reuniram para ajudar e servir, o que beneficiou cada elemento de sua vida. Seu irmão e suas irmãs dedicaram orações e esforços, serviço e sacrifício para o bem-estar do Brad. Sua mãe e eu nos preocupamos sobre a educação de seus filhos e sobre como eles receberiam os cuidados necessários. Mas, para nossa surpresa e alegria, uma de suas irmãs nos disse: “Mãe e pai, não se preocupem. Já cuidamos disso. Meu irmão e minha irmã se comprometeram a garantir que os filhos dele sirvam missão e recebam instrução”.
Pode ser bem verdade que em meio a grande sofrimento e tristeza causados pela perda, podemos ser fortalecidos por bons amigos, familiares queridos e amorosos membros da Igreja verdadeira e viva de Cristo.
O Brad vai dizer: “ELA é uma chatice. Mas um dia vamos rir de tudo isso”. Bem, ainda não estou pronto para rir, e vai demorar muito mais ainda para sua mãe. Mas estamos começando a ver as bênçãos de um Pai Eterno e de um Irmão mais velho que ama a ele e a nós.
A fé do Brad e da Tiffany não se abalou, e nos unimos a ele para testificar que Jesus Cristo é nosso Salvador, nosso Irmão e nosso Amigo. Nosso Pai Celestial está pronto para nos apoiar em cada provação, sofrimento e tristeza. Eles nos amam, e nós Os amamos. Se formos fiéis — fiéis como o Brad — nos reuniremos novamente como família e compreenderemos tudo.
Um pai cheio de orgulho,
E. Jeffery Smith
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