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NEWS#09 - SAÚDE MENTAL E FINANÇAS, VERDADE OU EXAGERO?


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Saúde mental é um tema sério e não podemos confundir nossas reações emocionais naturais, que, repito, são naturais diante de determinados contextos, com transtornos mentais. E aí, quando o assunto é dinheiro, me diga: quem, em sã consciência, ao passar por dificuldades financeiras já não se sentiu abatido, derrotado, frustrado, preocupado ou, no mínimo, desanimado?

Vivemos em um país cuja vida socioeconômica sempre foi desafiadora para a imensa e maior parte da população (a redundância é proposital). Para refletirmos melhor sobre como finanças e informação afetam nossa saúde emocional, trago como exemplo uma matéria que veiculou na semana passada em grandes portais de notícias. Ela destaca:

Esses dados são fruto de uma pesquisa encomendada pelo Serasa e que nos convida a seguinte reflexão:

Quando 84% dos respondentes afirmam que a falta de dinheiro afeta sua saúde mental, é natural considerarmos que este é um tipo de abatimento compreensível. A falta de recursos é uma situação difícil, variável, e que, naturalmente, afeta nossas vidas e relacionamentos de diversas formas.

Porém, considere ainda que:

Instabilidade econômica, preços enlouquecidos, planos econômicos, mudanças de moeda… a realidade de vida no Brasil nunca foi fácil. Há pouco mais de 30 anos, a situação era tão grave que, nos oito anos anteriores ao Plano Real, o país teve quatro moedas diferentes e chegou a registrar, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), um aumento anual de preços de quase 2.500%(Fonte: Agência Senado). Como comparação, a inflação acumulada de 2025, hoje, está em 5.13%.

Isso nos lembra que na vida teremos circunstâncias adversas, altos e baixos, ganhos e perdas, e acredite:

Não me entenda mal!

De fato, ter dinheiro ajuda em diversos aspectos, resolve muitas necessidades, nos dá tranquilidade e a chance de ter boa parte da vida em equilíbrio. Contudo, há uma enormidade de exemplos de pessoas sem problemas financeiros mas profundamente adoecidas e em busca de sentido para a vida. Outras vivenciando circunstâncias que não há dinheiro no mundo que resolva.

A questão é: Como podemos passar por tudo isso sem sucumbirmos mentalmente?

Quando somos emocionalmente saudáveis, conscientes do valor que temos e do que é valiosos para nós, nos tornamos naturalmente melhores gestores das dificuldades da vida.

O que você acredita que pesa mais? Usufruir de valores bem enraizados e uma família bem estruturada, ainda que enfrentando problemas financeiros, ou, ter a garantia de um vida confortável e cheia de recursos, mas deficitária emocionalmente?

Para parte de nós, a falência afetiva - independente da conta bancária familiar - começou lá na infância e deixou um rastro de insegurança que, a cada alarme de risco, aciona todas as nossas defesas. Esse tipo de sentimento também precisa ser melhor compreendido quando nos limita a pensar que é unicamente o dinheiro que nos fará vencer na vida ou ser feliz.

Autoconhecimento começa quando nos auto observamos para melhor compreender o que sentimos e como isso afeta o que pensamos a nosso respeito. Da próxima vez que sentir que, ter ou não dinheiro é o define seu estado emocional, pare um instante, respire e comece aquietando sua mente.

Em seguida, pergunte para si mesmo:

* Que sentimento está me incomodando hoje?

* O que me faz sentir isso? Esse sentimento é coerente com a situação que estou enfrentado?

Se a resposta for sim, provavelmente é normal senti-lo.

Então, siga em frente e pergunte-se:

* Consigo manter minha calma mesmo quando minha vida financeira passa por dificuldades?

* Como posso lidar com isso? Tenho uma solução imediata?

* Se não, como posso resolver esse problema? Preciso do quê?

* Darei conta?

Se sim, acredite em sua capacidade de vencer as adversidades e você conseguirá.

E importantíssimo! Em casos assim, cuidado com o uso de ansiolíticos ou antidepressivos desnecessários. Lembre-se: Toda medicação psicotrópica deve ser usada apenas sob rigorosa indicação e acompanhamento médico (psiquiatra). Ansiolíticos e remédios para dormir as vezes parecem inofensivos, mas podem causar dependência e até danos cognitivos.

COMO IDENTIFICAR O ADOECIMENTO EMOCIONAL

Contudo, se diante das perguntas acima, sua resposta for: não, não consigo entender o que me faz sentir essa angústia ou esse mal-estar intenso, persistente, que me paralisa. Então, é hora de pedir ajuda!

Se o prejuízo funcional é real, nesse caso, pedir ajuda a um psicologo ou psiquiatra é uma outra forma de vencer essa batalha. É sinal de força, não de fraqueza.

Sei que nessas horas precisamos também contar com alguém que nos apoie, e às vezes a gente acha que não tem ninguém com quem contar, mas há sempre alguém por perto que, se baixarmos a guarda e observarmos melhor, nos estenderá a mão.

E PORQUE ESTAMOS FALANDO DISSO

Estamos cercados por uma constante comunicação negativa de grande alcance, que, algumas vezes, apesar de nos apresentar um problema real não o esclarece devidamente. Quando confundimos fatos, podemos acreditar que estamos fadados a sermos vencidos pelos nossos problemas e emoções.

Nem sempre é uma fake news( a noticia que apresentei aqui é verdadeira), mas se não tivermos um entendimento claro sobre os tempos atuais, a verdade vai sendo fatiada e cada um pega a parte que lhe interessa. Nesse caso, o risco é sermos levados pelo alarmismo da instabilidade econômica, da violência, do medo, da insegurança, ou do relativismo de valores.

Entenda: existem problemas reais e alarmismos! Se nos deixarmos levar pelo alarmismo, aí sim, todos nós corremos o risco de sermos mentalmente vencidos pelo caos. Portanto, cuide bem da sua saúde emocional.

Já sobre notícias e o que você lê online, escolha fontes confiáveis de informação e exercite a análise crítica sempre. Inclusive com o que você lê aqui! Fique à vontade para comentar, trocar ideia, e, até, questionar ou corrigir algo que lhe chame atenção. Diálogo enriquece e amplia percepções.

O IMPACTO NAS FAMÍLIAS

Estamos lidando com uma sobrecarga de informações. Além de notícias diárias que multiplicam desesperança e dias sombrios, nas redes sociais encontramos comparação social, autorreferência, vidas editadas, personalização algorítmica e, claro, repetição de narrativas.

Satisfação, felicidade, estabilidade emocional, finanças em alta, não são ítens de prateleira. Custam esforço e investimento pessoal, contemplam sacrifícios, fracassos, recomeços, vitórias, dissabores e conquistas constituídas de desafios emocionais, profissionais e mentais.

Quando penso em família e finanças, senti na pele que não foram os problemas financeiros da minha mãe que mais pesaram na minha trajetória, mas a falta de conhecimento que meus pais tinham a respeito deles mesmos. Isso sim me exigiu muito mais esforço pessoal, pois é dentro de casa que começa a construção de uma vida emocional saudável.

Quanto às finanças, acredito, que assim como eu, muitos ja se sentiram ansiosos, preocupados ou até injustiçados devido à questões profissionais e pessoais. A vida sempre nos traz perdas e ganhos, portanto, absorva isso:

Como Clube Orekare nosso propósito é despertar, informar, e, assim, ajudar as pessoas a perceberem que autoconhecimento é uma jornada mais acessível e possível do que parece.

Quanto mais saudável for a nossa gestão emocional, mais conscientes nos tornamos do que é felicidade e mais saudáveis serão nossos filhos e próximas gerações. Esse é o maior legado que podemos deixar nessa vida.

Se você conhece alguém que precisa ter acesso a essas informações, compartilhe esse artigo. Compartilhar nosso conteúdo também é uma forma de apoiar o Clube Orekare e ajudar outras pessoas a despertarem para assuntos e temas importantes para a saúde mental, emocional e familiar.

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Nos vemos na próxima semana,

Até lá!



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