“Notas de música” reúne um conjunto de dez conferências integradas no ciclo de concertos Sexta Maior, apresentado no Centro Cultural de Belém, na Temporada 2025/2026, entre 26 de setembro e 26 de junho. A quarta conferência, intitulada “Johann Sebastian Bach — da tradição à herança”, foi apresentada por Eugénio Amorim e gravada a 12 de dezembro de 2025.
Johann Sebastian Bach (1685–1750) ocupa um lugar central na história da música ocidental. A sua obra sintetiza séculos de tradição musical e projeta uma influência profunda e duradoura, atravessando estilos, épocas e fronteiras culturais. Mais do que um ponto de chegada, Bach tornou-se um ponto de partida para gerações sucessivas de músicos e compositores.
As suas raízes estilísticas e culturais ligam-se a uma linhagem familiar marcadamente musical. Desde Veit Bach, considerado o patriarca da família, os Bach cultivaram um legado artístico transmitido ao longo de gerações. Após a morte dos pais, Johann Sebastian, então com cerca de dez anos, foi acolhido pelo irmão mais velho, Johann Christoph Bach, organista em Ohrdruf. Sob a sua orientação, recebeu uma formação sólida em órgão, cravo e composição, num ambiente marcado pelo rigor técnico e por uma forte dimensão espiritual.
A pertença a uma família de músicos, profundamente enraizada na tradição luterana da Alemanha central, moldou de forma decisiva a linguagem musical de Bach. Ao longo da sua carreira, soube assimilar influências diversas, da clareza harmónica e expressiva da música italiana à riqueza polifónica do norte da Alemanha, sem esquecer a elegância da tradição francesa. Essa síntese revela-se numa obra de grande densidade simbólica e espiritual, particularmente evidente na música sacra, onde a técnica se coloca ao serviço da fé e da reflexão.
O legado de Bach prolongou-se também através dos seus filhos, entre os quais Wilhelm Friedemann, Carl Philipp Emanuel, Johann Christoph Friedrich e Johann Christian. Todos foram músicos notáveis e desempenharam um papel crucial na transição do barroco para o classicismo, preservando e divulgando a obra do pai.
A redescoberta moderna de Bach consolidou-se no século XIX, com destaque para a interpretação da Paixão segundo São Mateus, dirigida por Felix Mendelssohn em 1829. Hoje, a música de Bach continua viva, essencial na formação musical e presente em múltiplos contextos artísticos. Mais do que uma figura histórica, Bach permanece uma fonte inesgotável de inspiração artística, espiritual e intelectual. Nesta conferência foram escutados trechos das seguintes obras musicais:
- Johann Sebastian Bach - Cantata BWV 106 – Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit
Netherlands Bach Society; Jos van Veldhoven, maestro
- Johann Christoph Bach - Fürchte dich nicht
Collegium Vocale, Gent; Philippe Herreweghe
- Johann Sebastian Bach - Motet Ich lasse dich nicht BWV anh. 159
Netherlands Bach Society; MacLeod
- Johann Pachelbel -Cantata "Christ lag in Todesbanden”
Ensemble Musica Fiata; Roland Wilson
- Johann Sebastian Bach - "Christ lag in Todesbanden”, BWV 4 – 1707/8
Netherlands Bach Society; René Jacobs
- Henri d'Anglebert – Suite en sol pour clavecin
Cravo: John Moraitis
- Johann Sebastian Bach – Suite em sol para Alaúde, BWV 995
Alaúde: Evangelina Mascardi
- Concerto em Lám de Antonio Vivaldi para 2 violinos e Orquestra, RV 522
Violinistas Aisslinn Nosky e Fiona Hughes
- Arranjo para Órgão de Bach
Johann Sebastian Bach - Concerto in A minor BWV 593
Organista: Reitze Smits
- Johann Sebastian Bach - Concerto para 2 Violinos em Ré menor, BWV 1043.
Netherlands Bach Society; Sato and Deans
Conferência realizada no âmbito do concerto “A dinastia Bach”, pela Orquestra de Câmara Portuguesa com o maestro Julien Chauvin, integrado no ciclo Sexta Maior.
O El Corte Inglés apoia o Programa de Mediação de Música Erudita do CCB.