No dia 31 de outubro, sábado, acontece o “Ato Político Cultural das Mulheres Atingidas em Defesa da Vida”. O evento faz parte da Jornada de Lutas do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que denuncia os cinco anos de impunidade e sem reparação das pessoas atingidas após o crime da Vale, Samarco e BHP Billiton na cidade de Mariana, na região Central de Minas Gerais.
O rompimento da barragem de Fundão, em 5 de novembro de 2015, matou 19 pessoas e causou um rastro de destruição e doenças ao longo de toda a bacia do Rio Doce.
Por conta da pandemia, a atividade será virtual, com transmissão ao vivo na página do MAB no Facebook e no Youtube.
Participarão mulheres atingidas não só de Minas Gerais, como do Espírito Santo, outros países da América Latina, da África e América do Norte, além de organizações e entidades nacionais e internacionais, parlamentares, órgãos de Justiça e artistas que irão realizar performances em solidariedade à luta. O horário é das 15h às 16h30.
De acordo com estudo do MAB, as mulheres atingidas pelas barragens vivem uma realidade de violação de direitos duplicada, pois enfrentam as situações que lhes foram impostas pelas mineradoras em uma sociedade já desigual para elas.
Um exemplo dessa situação é que até hoje a maioria das mulheres que tiveram suas vidas completamente alteradas pelo rompimento da barragem da Samarco recebe o dinheiro do auxílio financeiro e das indenizações - quando pagas - apenas por meio dos maridos. Somente um terço dos cadastros foi registrado em nome delas, revelam dados recolhidos pelo movimento.
Informalidade, doenças, abalo emocional e trabalho doméstico aumentado
As mulheres são a maior parcela da população brasileira a vivenciar a informalidade, o que ocorre também com as mulheres da bacia do Rio Doce. Elas são menos reconhecidas como atingidas pela Fundação Renova justamente por exercerem mais ocupações informais antes do crime. Ambos os fatores comprometem a independência financeira das mulheres.
“Outra coisa que tem pesado muito é a saúde. A gente já vem denunciando que tem contaminantes no rejeito e o povo que está usando a água que vem do Rio Doce, e os que moram perto de áreas que a lama chegou, estão ficando doentes. E sabemos que quase sempre fica sob responsabilidade das mulheres cuidar de quem adoece, além delas mesmo estarem doentes. E agora, cinco anos depois, acontecem esses agravamentos do contato direto com o rejeito", declara Letícia Oliveira, integrante do MAB.